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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Cinema & Cia.: 2) As asas de Bruno Ganz (e os anjos de Lucio Dalla)

É inexplicável pra mim como sinto um enorme desejo de escrever sobre a morte de alguns artistas — alguns dos quais, como Bruno Ganz, que nem significaram tanta coisa assim em minha vida — e silencio sobre a de outros que amei... A única explicação que me vem pra isso é que, como não me pagam pra escrever, deixo-me levar pelos anjos (demônios?) de meu coração, que me sopram às vezes sentimentos dos quais nem me lembrava mais de ter sentido. Como foi pra mim começar essa viagem não a bordo de um avião, mas das asas de Bruno Ganz, de cujo rosto me lembro de uma série de outros filmes, mas que me marcou por dois. A eles, pois:

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ninguém me Conhece: 48) Lucio Dalla, una testa piena di pensieri

Em minha adolescência tive um arremedo de paquera que não durou mais que um suspiro, mas deixou marcas profundas nel mio cuore. Apaixonei-me por uma jovem italiana que viera ao Brasil em missão religiosa. Futuramente ela se tornaria freira em clausura, o que, sinceramente, achei um desperdício, pois sua boca nascera pra mais que orações.

O fato é que la ragazza, de nome tão curto quanto poético (Tea), antes de pegar seu Alitalia rumo à solidão, presenteou-me com uma fita que a acompanhava na viagem e que continha alguns sucessos italianos, como Azzurro ("il pomeriggio è troppo azzurro e lungo per me"...), na voz do canastrão Adriano Celentano, e duas canções que me marcaram durante anos, de autoria de (e na voz de) Fabio Concato, um cantautore de voz delicada e requintadas melodias (não confundir com requentadas). Eram elas: Guido Piano e Fiore di Maggio. Essas duas canções me marcaram sobretudo porque eram as preferidas dela.