Ultimamente, com o agravamento da pandemia, como tenho tido oportunidade de ler e refletir muito resolvi passar por aqui de novo — e depois de longa ausência — pra resumir o resultado de algumas dessas reflexões. Como a maioria de vocês sabe, mudei-me pro Japão há poucos anos e, portanto, tenho me deslumbrado com o quão rápido este país prosperou, principalmente se pensarmos que depois do fim da Segunda Guerra não passava de uma nação dizimada, e humilhada em seus brios bélicos, sobretudo pelo fato de ter se visto submetida a suportar em seu solo pátrio a presença dominante do exército estadunidense, que fora — ele próprio — responsável pelas bombas que então haviam esfacelado Hiroshima e Nagasaki e reduzido todo o país a escombros.
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quinta-feira, 6 de maio de 2021
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
De Sampa a Tóquio: 15) Finalmente um show de Kana + o novo normal japonês
Escrevo novamente, depois de razoável hiato, às 21h12 deste sábado que encerra o mês de outubro, um tanto lacrimejante não só pela emoção, mas também pelo excelente vinho italiano recém-sorvido em comemoração ao primeiro grande show de Kana a partir do momento em que o famigerado coronavírus está entre nós. Claro, desde há dois meses, com a relativa baixa no número de casos aqui no Japão, ela já havia feito um punhado de shows em que a quantidade de músicos no palco praticamente se equivalia à de pessoas na plateia; mas hoje, pela primeira vez com a banda novamente completa e o teatro razoavelmente cheio — segundo as novas normas de segurança —, voltamos pra casa felizes como crianças — e bêbados como adultos. Conto-lhes.
domingo, 5 de abril de 2020
A Palavra É: 51) Abraço
Dedicado a Claudia Salto.
***
Reza a lenda que, como o Japão no passado foi um país muito pobre e, por causa disso, propagador de doenças, seus filhos aprenderam (e se acostumaram) a evitar o toque, o contato, o aperto de mãos, o beijo etc. Ainda no Brasil, e mais de uma vez, ao cumprimentar alguma japonesa com os famosos beijinhos no rosto, notei que a desinfeliz beijava com a bochecha ou, pior, a orelha; ou seja, tinha medo, nojinho ou ao menos falta de experiência pra tascar um suculento e babento beijo no rosto de quem a cumprimentava. Em certa ocasião cheguei mesmo a dar umas aulas pra uma amiga japa, mas o tempo passou e percebi que ela não se graduara. E agora, em pleno século XXI, no auge da civilização e num momento em que as pessoas aprenderam a deixar os ódios de lado(?), eis que nos vemos obrigados, nosotros, los que no somos japoneses, a imitá-los nessa feia e fria forma de cumprimento.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
Os Manos e as Minas: 34) Meus três salvadores no Japão (parte 1) — A bênção, Afonso Padilha!
Acho que a maioria de vocês já sabe que sou cearense. Falsificado (cresci em Sampa City), mas cearense. O importante não é onde ficava meu CEP, muito menos onde fica agora (Tokyo, Japan... quer dizer, 日本の東京 — creu n'eu, papudo?), mas sim o sangue que corre em minhas veias, esse misturado com baião de dois, rapadura, farinha, carne de sol e sol bagarai (refiro-me ao astro-rei, visto que lá nos cafundós de Senador Pompeu chuva é algo quase tão raro quanto neve). Assim sendo, sim, sou um cabra engraçado. É lugar-comum dizer que todo cearense é engraçado? É, mas que culpa tenho eu se é verdade? O cearense é engraçado até involuntariamente; até aqueles sem-graça são engraçados. Deve ser uma questão de genética, sei lá...segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Crônicas Desclassificadas: 195) A loira da loja de conveniência
Escrevi este conto/crônica há exato um ano menos dez dias (hoje, quando o publico, é madrugada de 17 de setembro de 2019). Quase o havia esquecido, quando me deparei com ele ali, quietinho e esperançoso entre meus guardados. Resolvi que era tempo de lhe dar voz (vida?). Antes, acrescento apenas que, claro, é uma obra de ficção.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Versão Brasileira: 4) "Alto el fuego", por Augusto Teixeira + textinho de feliz ano novo
O ano de 2018 foi pra mim extremamente delicado. Pela primeira vez na vida, passei um ano inteiro morando fora do Brasil (pra quem me lê pela primeira vez, acrescento que estou vivendo em Tóquio, Japão, desde fins de novembro de 2017), e, se comi o pão que o diabo amassou, em contrapartida não posso omitir que, naturalmente, foi um ano cheio de experiências novas. Vi-me obrigado, entre outras coisas — e pela dificuldade de me comunicar em japonês —, a trabalhar num ramo com o qual nunca nem sequer havia sonhado: de um dia pro outro lá estava eu trabalhando numa churrascaria brasileira no coração de Tóquio.domingo, 10 de junho de 2018
A Palavra É: 42) Exílio
A terra é redonda — referimo-nos ao planeta, assim, grafemo-la com maiúscula. Um giro completo dela — a Terra, o planeta — leva 24 horas. A história se repete. Dizem que às vezes em tom de farsa. Farsante eu, como posso dizer que essa afirmação é (ou não) verdadeira? Quando muito, posso apenas afirmar que me coube viver nesta época e que tenho me esforçado pra viver bem, tanto no que diz respeito a desfrutar dela (da época) quanto no que diz respeito a ser um homem de meu tempo, com suas preocupações, seus prazeres e suas (des)culpas. Como de culpas estou até aqui (visualizem, atentos leitores), prefiro pensar em tudo o mais. No mais, como acredito em reenca(de)rnação, melhor pegar leve comigo durante a viagem desta carcaça que me coube habitar...segunda-feira, 28 de maio de 2018
Grafite na Agulha: 46) Um "engenheiro" no Japão
Sempre me disseram que sou um cara esquisito. E eu acredito, e concordo — toda vez que me olho no espelho. Sou nota dissonante no coro (geral) dos contentes. Por essas e outras, gastei mais de quatro décadas procurando os soldados pra meu exército, o de um homem só. O foda dessa busca é que, quando encontrava alguém, esse alguém fazia parte de outro exército, visto que se alistara em seu próprio... exército de um homem só. Já adolescente, quando todos gostavam de Paralamas, Titãs, Legião, eu (embora gostasse também de todos esses) viajava mais na infinita estrada de uns caras esquisitos vindos lá dos pampas, cujo cantor insistia em cantar, com a maior naturalidade, o erre gaúcho (que é igual ao de Sampa, embora — quase — todos o reneguem). O que me chamava muito a atenção neles era que, como eu, eles tinham fé cega e pé atrás.sexta-feira, 30 de março de 2018
De Sampa a Tóquio: 14) De terremotos e outros tremores
Fazia tempo que não voltava a esta coluna, e devo satisfações à leitora interessada e ao leitor estressado. Quando cheguei aqui, tinha a intenção de escrever regularmente a respeito de minhas experiências — a saga do cearense em Tóquio —, mas os afazeres do dia a dia foram me afastando do intuito. Explico: nos primeiros dias, tudo era novidade — claro, já tinha vindo outras vezes, mas nunca pra morar. No entanto, com o passar do tempo o que era novidade deixou de o ser e a preguiça foi tomando conta de mim. Até porque sempre quis que os relatos fossem interessantes, e escrever por escrever, geralmente coisas sem importância do cotidiano, pareceu-me uma perda de tempo tanto pra mim quanto pra quem lesse.segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
A Palavra É: 36) Neve
sábado, 20 de janeiro de 2018
De Sampa a Tóquio: 13) Praça 11 é um pouquinho de Brasil
Se você estiver perambulando por Tóquio e de repente bater aquela saudade doída do Brasil, recomendo dar um pulo no Praça 11, tradicional cantinho brasileiro no coração da capital japonesa. É aquele local onde você vai encontrar sempre uma boa caipirinha, um ou outro prato tupiniquim e, se tiver sorte, pode ainda assistir a um bom show de música brasileira. E se estiver REALMENTE com sorte pode ser que justo nesse dia estejam se apresentando por lá nomes tão variados quanto Paulinho Moska, Leila Pinheiro, Grupo Fundo de Quintal, Filó Machado, Arlindo Cruz, João Bosco, Nelson Sargento e muitos outros. E repare que citei apenas alguns entre tantos nomes que já marcaram presença por ali e deixaram sua assinatura na parede central da casa.sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
Grafite na Agulha: 42) Mercedes Sosa, cantando como la cigarra
Assim como quando no Brasil é dia é noite no Japão, quando na ex-Ilha de Vera Cruz começa o verão na Terra do Sol Nascente tem início o inverno. Só que aqui o frio começa já em novembro e vai até meados de março (lá em cima, no norte, é pior ainda). Isso me lembrou que quando visitei pela primeira vez o país de Kurosawa começava o inverno e passei Natal e réveillon por estas bandas. Terminava o ano de 2002 e eu tinha visto neve pela primeira vez em Hokkaido — o que me inspirara a escrever a letra de uma de minhas canções mais bacanas (né, Zé Edu?), Hiroshima, parceria com Clarisse Grova (veja o vídeo aqui). Aliás, nesse período, que durou três meses, compus muito, e, pelo fato de estar tão desenraizado como me via, a inspiração pululava feito milho de pipoca na panela ao fogo.quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 12) De Natal e terremoto
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 11) Minha mulata que foi morar debaixo da terra
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Nós, os escritores,
fazendo pose de escritores
|
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 10) Noel no Aparecida, Kana no Cooljojo etc.
domingo, 10 de dezembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 9) Repeteco no Aparecida + um pulinho no Strings
Terça, 6/12, voltamos ao Barzinho Aparecida pra despedida de Renato Braz. Foi uma festa bem bonita, com casa cheia e muita música. Renato presenteou com parte de seu vasto repertório o público, que parecia nem respirar pra ouvi-lo. Houve muitas participações dos músicos presentes, e Kana também deu seu recado, emocionando a todos com uma inspirada interpretação de nossa Cacto, que, pelo visto, agradou também ao mano Braz. De quebra, ela aproveitou pra convidar os presentes a assistirem a uma aula que darei no mesmo local semana que vem. Lá também reencontramos uma velha amiga, Kei, que ainda me deu de presente uma carteira com a bandeira do Brasil adaptada feita a mão por ela mesma.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 8) De jazz, cigarros e reconstruções
Se eu fosse resumir numa só palavra, eu tascaria "tesão". Era isso que a energia dos caras no palco me passava. O bairro era Suginami; a cidade, Tóquio; mas se eu fechasse os olhos bem que podia achar que estava num inferninho de Nova York. Os quatro cavaleiros do apocalipse tocavam jazz, mas havia umas pitadas de rock'n'roll ali; muitas, aliás. Em determinado momento, pensei estar ouvindo mesmo um frevo, como se o guitarrista fosse ninguém menos que Robertinho do Recife. O nome do bar, Clop Clop; o da banda, MAD-KAB AT AshGate. A formação era guitarra, trombone, baixo e bateria, e todas as músicas eram do guitarrista, cujo nome me escapou e que Kana chamou de gênio. Confesso que cheguei lá com sono, havia até dado umas cochiladas no carro durante a ida, mas o show não permitiu que o sono me vencesse.segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 7) Japonices (2)
sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 6) Aparecendo no Aparecida — de Gonzaga a Braz
Sabe aquelas noites em que você sai de casa sem esperar grande coisa e de repente a mágica se faz? Hoje foi assim (começo este relato exatamente às 23h59 — horário de Tóquio — de 30/11). Kana tinha combinado comigo de irmos visitar o Barzinho Aparecida (curta a página no facebook aqui), bar brasuca do amigo japonês Willie Whopper (tô pensando em entrevistá-lo pro blogue futuramente, e uma das perguntas vai ser o motivo da escolha de seu "nome artístico"), onde farei dentro de uns dias um "piloto" de aula de português pra uma turma seletiva de japoneses. Antes, claro, fizemos uma siesta de cerca de duas horas, visto que o (con)fuso ainda não nos abandonou; acordamos por volta das 18h, arrumamo-nos e saímos pra enfrentar o friozinho crescente.
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 5) De corvos, cemitérios, templos e indigestão
Começo justo de onde parei na crônica anterior, lembram? Pois bem, às 4h de la matina (29/11; não percam as contas!), depois de quase oito bem-servidas horas de sono, olhei pra Kana, que olhou pra mim, e fizemos cara de "ué". Dormir de novo não valia a pena, visto que estávamos bem descansados. Fizemos uma hora, lemos um pouco, fuçamos na internet, e uma hora e pouco depois saímos pra tomar o café da manhã num restaurante que Kana disse estar aberto 24 horas. Depois de vê-la perder o caminho umas três vezes... Não, não vou humilhá-la. Esse comentário merece um parêntese. Abramo-lo: gente, os endereços aqui são complexos mesmo pra japoneses, imaginem pra estrangeiros. Eu, sinceramente, ainda não consegui entender como fecha essa equação. E olhem que já esta é minha quinta viagem ao Japão! Tenho cá pra mim que, se sair sozinho sem um desses aplicativos de mapas, nunca mais conseguirei me deparar com o prédio de meus sogros — fecha parêntese.
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