Aos 44 do segundo tempo, vim aqui deixar meu depoimento. Vale mais que retarde do que tarde demais. Eu, cearense filho de retirantes, que sempre fora reticente antes, que me sentia um invasor, um perneta penetra, enfiado na cidade-desamor pela uretra (abaixo), e eis-me aqui dando a letra, pensando "agora me encaixo!", metendo a caneta, sentindo-me cidadão, quase orgulhoso de ser paulistano por adoção, junto com meus manos de coração e de luta, todos filhos da labuta, crescidos na família perifa, onde o pau come e a PM grifa, e tome cacetada, cacetete, pro pivete e pra rapaziada. Americanópolis City, vizinha da Vila Clara, onde o diabo teve conjuntivite, o horror deu as caras, Deus perdeu o apetite, o menoscabo da burguesia ganhou CEP e geografia... e cada lobo que se estrepe.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 155) Tempos de secas e molhados
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| Johnny de Franco/ Estadão Conteúdo |
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Crônicas Desclassificadas: 148) Seca em Sampa
Nem na caatinga, nem no cerrado, nem nos pampas. O babado é que a novidade veio dar em Sampa: São Paulo anda seco. De beco em beco, de boca em boca. Nem uma gota. A seca é oca, mas o boboca não nota. Nem uma lágrima cai. Nem dos olhos do Pai, que não se comove com minha rima. Nem chove, nem cai de cima. São Paulo virou sertão. Que nem o coração do paulistano, que virou saarense, de tão desumano. Pense! Ô seca da gota serena! Nada vale a pena, quando a alma é pequena. Menor que ela, só o nível de água das represas, onde a água não mais vive presa. Cantareira? Canta poeira. E só. Pó, sem eira nem beira. Sobra o rio Tietê, que ri de mim e de você. Água de beber, camará? Água de nadar? Que nada! Água penada.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Crônicas Desclassificadas: 146) Vergonha e medo em São Paulo
Em minha época de criança, não conhecíamos ainda a palavra bullying (tão feia quanto seu significado), mas eu, moleque chegado havia pouco do Ceará, cedo comecei a sofrer com o preconceito e as brincadeiras de mau gosto. Era São Paulo me dando as boas-vindas. Talvez por causa disso tenha – inconscientemente – "trocado" de sotaque e – conscientemente – posto uma máscara paulista. São Paulo faz isso com os bicos de fora: exige-lhes amor incondicional em troca do afeto de madrasta. Lembro de um conhecido paraibano que, certa vez, ao ser indagado sobre seu Estado de origem, respondeu na lata: "Paraibano? Sou não. Fui." Talvez isso ajude a explicar por que, apesar de São Paulo ser a maior cidade nordestina fora do Nordeste, os nordestinos daqui pensam de modo tão diferente do modo como pensam os de lá... principalmente em relação à política.sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Crônicas Desclassificadas: 113) O homem e seu falo, digo, carro
O homem ia a pé atravessando o deserto de sua existência, até que um dia percebeu que podia subjugar alguns animais, e a partir daí sua vida nunca mais foi a mesma. Cavalos, burros, camelos, elefantes e mais uns tantos exemplares do reino animal, escravizados, passaram a gastar a vida levando em seu lombo esse outro animal esquisito que caminha sobre duas patas. A roda do tempo girou e a coisa foi se sofisticando, até chegarmos ao dia de hoje, que nos oferece uma gama de modelos de automóveis pra todos os gostos e/ou bolsos. Porém, se nos primórdios se tratava de necessidade, hoje esse novo animal de quatro patas que nos leva pra onde quisermos (desde que o embebedemos) há muito deixou de ser uma necessidade pra se transformar em sinônimo de status.
domingo, 10 de março de 2013
Crônicas Desclassificadas: 77) Viva o metrô paulistano!
Vou confessar: sou usuário. Do metrô paulistano, claro. E, como é de confissões o momento, confesso também que ando muito irritado com ele. Porém, como não posso, diretamente, fazer nada a respeito (talvez até possa, mas só de pensar na desproporcionalidade entre o ato e o resultado, já sou tomado pela preguiça), resolvi "homenageá-lo" com um texto no qual, a meu bel-prazer, achincalhá-lo-ei. Claro que vou evitar morder a língua. Como há pouco tempo escrevi um texto (este) tratando dos mal-humorados, não vou incorrer no propagado mau humor, ao contrário, pretendo escrever umas linhas bastante bem-humoradas. Vejamos se consigo.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Joaquín Sabina en Portugués: 11) Eduardo Santhana e a versão de "Pongamos que hablo de Madrid"
Em dezembro último passei uns dias na Espanha, de férias. Vinha preparando essa viagem fazia quase dois anos. Conhecia apenas Barcelona e morria de vontade de visitar outras cidades. Mas este não se propõe a ser um relato turístico. Apenas pretendo juntar os cabos, já que o assunto é pertinente.
Antes de mais nada, preciso prestar alguns esclarecimentos aos amigos/parceiros que entraram nessa empreitada "sabineira" comigo. Como a maioria sabe, tenho a intenção de transformar esse repertório num CD. Tanto ia ser bom pra mim, quanto pra Sabina e também pros demais participantes. Assim que aportei em Madri com o material na mala. CDs, um caderninho com as versões mais um texto no qual eu explicava meus propósitos.
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