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segunda-feira, 7 de março de 2022

Esquerda, Volver: 32) Mamãe, falei merda!

Fazia tempo que eu não passava por aqui, mas o assunto do momento, o áudio vazado de Arthur do Val, do canal Mamãefalei, me deu comichões e passei alguns dias lutando contra a vontade de vir escrever uns impropérios contra ele. A sorte foi que bebi pouco estes dias, então consegui "segurar a onda". Nesse meio tempo, vi muitos youtubers indignados — alguns de modo bem hipócrita —, tanto de esquerda quanto de direita, vi o próprio vídeo de desculpas de Arthur, ouvi os áudios "autovazados" de seu colega de viagem Renan Santos — que, segundo o próprio Arthur, viaja anualmente ao exterior pra fazer turismo sexual, tendo até desenvolvido técnicas que lhe facilitam "dar o bote" — e cheguei à conclusão de que praticamente todos os prismas da questão foram fartamente dissecados.

domingo, 15 de outubro de 2017

Crônicas Classificadas: 46) As mulheres aladas de Oliverio Girondo

Por Michael Parkes
Há algum tempo, assisti a um sensacional filme argentino chamado El lado oscuro del corazón, que conta a história de um poeta que passa a vida procurando uma mulher que saiba voar — há uma continuação igualmente fatal! Ainda pretendo escrever sobre ele. Por ora, basta dizer que esse poeta costuma seduzir suas escolhidas recitando um fragmento do poema em prosa cuja primeira parte traduzi abaixo. A curiosidade foi tanta, que pesquisei até encontrar seu autor, o argentino Oliverio Girondo, baixei o livro (Espantapájaros — espantalho em português) onde se encontra esse poema e estou me deleitando (voando?) com a leitura. Ah, quanta gente genial há por aí de cuja obra não temos nem ideia... Mas deixemos de divagações e vamos ao voo:

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Crônicas Desclassificadas: 188) O velho Chico e nossas(?) cantigas

Minha amiga Marina Tavares escreveu recentemente um texto sobre a nova canção de Chico Buarque (o melhor que li até agora — leia aqui) que me encheu de terror e admiração. Explico: 1) Terror: pensei, quem ela acha que é pra "problematizar" uma canção (no caso, uma letra; a melodia é do maravilhoso Cristóvão Bastos) de nosso ídolo maior, que, além do mais, já anda tomando tanta porrada gratuita dos coxas sem noção? 2) Admiração: e por que não? Gal Costa disse certa vez numa entrevista a Jô Soares, cheia de empáfia (digo isso com dor no coração e também com a ousadia de quem sabe que jamais será gravado por ela), que a geração dela é imbatível. Pra mim, ela foi de uma infelicidade ímpar e prestou um desserviço aos compositores que pertencemos a uma geração posterior à sua.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Crônicas Desclassificadas: 127) De mulheres e estupradores

Sem entrar no mérito do erro na pesquisa do Ipea, na qual 65% eram na verdade 26%, fiquei com vontade de escrever duas ou três (perdoem o eufemismo) palavrinhas a respeito do assunto. Qualquer cidadão que more no Brasil e tenha estado por aqui nos últimos dias não passou incólume a ele. TV, jornais, redes sociais, amigos, parentes, colegas de trabalho, enfim, todo mundo meteu sua colher nesse caldo. O mais incrível, contudo, foi que não notei muitos comentários dessa fatia da população (seja de 65% ou 26%) que culpa as mulheres pelo estupro. Ou melhor, talvez tenha encontrado, o caso é que tais pessoas, ao se manifestarem, precisam "pegar mais leve" em seus comentários, afinal, pra explicar o inexplicável, além de cara de pau, há que se ter criatividade.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Crônicas Desclassificadas: 112) A arte de virar o pescoço

Mirada y Risas by Juan Castro
A ideia desta crônica nasceu semana passada, e, em princípio, eu tinha a intenção de chamá-la Em homenagem à moça que ri, mas hoje, reparando em alguns ilustres pedestres que reparavam numa não menos ilustre moçoila que, inadvertidamente (e literalmente), parava o trânsito, resolvi ser mais abrangente no tema, sem, contudo, abandonar a tal moça que ria. Diria mais, um assunto complementa o outro. Comecemos pelo começo, que isso não é enredo de romance pós-moderno. Pois bem, caminhava eu semana passada pela avenida Paulista, quando me chamou a atenção a expressão de felicidade de uma moça. Aliás, deixem-me consertar: felicidade não seria a palavra mais apropriada; talvez pudesse usar alegria... Não, tampouco seria alegria. Esperem, que já encontro... Hmm... Ah, achei! Cumplicidade! É isso.