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sábado, 10 de dezembro de 2016

Crônicas Desclassificadas: 181) Cohen, Castro, Chapecoense...

Estava eu escrevendo algumas palavras sobre o passamento do bardo Leonard Cohen, mas resolvi dar um tempo, pois esse assunto de morte recentemente tem mexido muito comigo. E eis que, na sequência, fico sabendo da morte de Fidel Castro e das verdadeiras batalhas nas redes sociais entre amigos que o acham santo e outros que o creem demônio. Quase ia dar um pitaco, mas acelerei em minha mente o filminho desse entrevero, cansei minha beleza e abortei o projeto antes de o pôr em prática. Corta pra tarde do domingo do histórico 27 de novembro: lá estou eu feliz da vida com um dos poucos acontecimentos bacanas deste ano, a saber: a conquista do Brasileirão pelo Palmeiras, depois de 22 anos de espera – num jogo contra o Chapecoense! Dias depois, fico sabendo do acidente aéreo que dizimou esse time. Resolvi juntar todos esses assuntos num só texto então, como uma forma de homenagem:

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Notícias de Sampa: 20) Né? – um clipe de Kana

Vira e mexe, Kana desanima. Pensa: "Se o Brasil ainda não aprendeu a abrir espaço democraticamente nem pros tantos talentos filhos de seu solo, que dirá pra mim, que sou estrangeira e meio que penetra nessa 'festa'?" Já aconteceu mais de uma vez. Mas sempre ela encontra carinho e incentivo vindos dos mais variados lados. Em certa ocasião, ela ficou muito tempo sem sair, sem se apresentar, e um dia, quando Tavito me encontrou só no Caiubi, perguntou de cara: "Cadê a Kaninha?" Respondi-lhe que ela andava desanimada, pensando em jogar tudo pra cima e desistir da carreira. Tavito arregalou os olhos, segurou-me pelos ombros e sentenciou: "Diz pra ela que se ela desistir eu também desisto!" Dei o recado. Kana não desistiu. Nem Tavito.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Os Manos e as Minas: 26) Sander Mecca, desestruturando

por Vanessa Curci
Havia algumas profissões que me deixavam encafifado. Um mecânico, por exemplo. O que levaria um cara a escolher tal profissão? Daí, depois de muito pensar, cheguei a uma resposta. O amor. Sim, o amor. Há aquelas profissões que um camarada só aceita por falta de opção. Lixeiro, por exemplo, servente de pedreiro, porteiro etc. Mas mecânico, não. Um mecânico é aquele cara que adora carros, que desde moleque sempre teve curiosidade em saber mais a respeito do funcionamento desses bichinhos que caminham sobre quatro rodas. O mecânico é o médico dos automóveis. E porque os ama. Só isso explica o sujeito ficar o dia inteiro cheirando a graxa, óleo, gasolina. Eu respeito muito um profissional que escolhe sua profissão com base no amor. E é exatamente por isso que eu respeito Sander Mecca.

domingo, 20 de novembro de 2016

Grafite na Agulha: 39) Falso Brilhante, de Elis Regina

Mais uma vez conto com a contribuição da talentosa (e generosa) pena de Helena Tassara em minha coluninha sobre discos. E Helena vem preencher uma lacuna que persistia ainda por aqui: a falta de um disco de Elis. Acrescento que não houve coincidência, este texto foi pensado pra ser publicado na semana em que estreia o filme sobre a cantora. Costumo apresentar aqui o/a colaborador/a, mas, como Helena é reincidente, deixo o link de seu texto anterior, pois lá estão informações sobre ela e deliciosa prosa a respeito do disco Alucinação, de Belchior (aqui). Antes de irmos ao texto sobre Elis, preciso avisar aos apressados que se trata de leitura pra fortes, pois Helena usou e abusou de seu talento de pesquisadora pra trazer pra cá um trabalho detalhista digno de constar de cadernos de cultura de jornais de primeira linha. Aos preguiçosos, sugiro leitura em conta-gotas, pois cada palavra escrita vale muito a pena. De quebra, fica aqui também como farto material pra futuros pesquisadores. Vamos a ele, pois:


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crônicas Desclassificadas: 180) A história das gêmulas Lignina e Suberina

Era uma vez duas lindas e floridas gêmulas, Lignina Suberina, que, apesar de idênticas na epiderme, eram completamente distintas no temperamento. Viviam elas felizes no distante e pacato reino de Catafilos. Nossa haustória teve seu começo no exato momento em que ambas deixavam seu doce fascicular pra dar um passeio de pericicleta pela periciclovia da orla, logo ali à beira da Praia dos Parasitas. Como era sábado, não havia caules, e Lignina, como em todos os sábados, não tendo que estudar, estava toda pilosa. Aliás, cá pra nós, Lignina era uma moçoila um tanto epífita, aluna mediana que, fraca nos caulículos, odiava exatas, principalmente meristemática, e a pulso conseguira decorar a tabular do 5.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A Palavra É: 20) Septo

Os poetas vemos uma
borboleta; 
e você?
Um amigo cujo nome não posso revelar, a pedido do próprio (não confundir com o mesmo!)... Hmmm... Dá pra dizer apenas que suas iniciais são MP, como as de medida provisória. Bem, o fato é que ele me confidenciou que vai entrar na faca, pra tratar do desvio do septo. E em plena véspera de meu aniversário. Marcou de propósito, pra que seja uma véspera inesquecível. Se eu fizesse festa, ele seria ausência garantida. Mas o culpado não teria sido eu, e sim o tal do septo, que faz algum tempo se desviou do caminho cepto – e o trocou pelo erradpo. Pra quem não sabe o que vem a ser o septo (como era meu caso até segundos atrás), não custa nada uma visita ao pai dos burros.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Entrevistando: 12) Zeca Baleiro no Na Minha Casa

Craque é craque. E quando dois craques se encontram já dá pra adivinhar o que vem pela frente. O toque de bola sofisticado nem carece de treino. Vavá e Garrincha, Pelé e Tostão, Sócrates e Zico, Bebeto e Romário, Rivaldo e Ronaldo, mais recentemente Messi e Neymar... Dá gosto ver, né? Do mesmo modo, botar frente às câmeras dois craques da canção como os manos Adolar Marin e Zeca Baleiro e dar a cada um deles um microfone e um violão é algo que ao mesmo tempo é previsível e surpreendente (né, Fernando Freitas?). Previsível porque sabemos que a vitória está garantida. Surpreendente porque nunca somos capazes de adivinhar as jogadas que os caras vão inventar, as tabelinhas que farão, os dribles que darão. Nesse caso, o gol, mais que ser um detalhe, é uma inevitabilidade. Nossa única certeza é a de que o placar jamais terminará em branco. Ou em brancas nuvens, como prefiram.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Grafite na Agulha: 38) A lírica de Lira

Após um razoavelmente longo hiato, volto a dar um pouco de atenção a esta coluna – uma de minhas preferidas por aqui. Na verdade, gostaria de escrever mais sobre música e/ou literatura, que são as áreas que mais me interessam e apaixonam, mas nosso imenso paisinho tem o dom de me dar infelizes matérias-primas que me acabam levando por outros caminhos e, quando percebo, já estou completamente perdido num labirinto (nada a ver com o disco em questão) de assuntos que tenho que vomitar pra não deixar que virem enfermidades. Agora mesmo, enquanto escrevia, soube da prisão de Eduardo Cunha e fiquei cá comigo pensando em por que raios não o algemaram. Deu vontade de escrever algo, mas ainda é cedo. Não sei até que ponto é sério e até que ponto é teatro. Mas deixemos Cunha saborear sua nova residência e voltemos à música.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Os Manos e as Minas: 25) Dylan – the answer is blowin' in the wind!

Meu caríssimo editor Marcelo Nocelli (cuja editora Reformatório acaba de ter o romance A imensidão íntima dos carneiros – de Marcelo Maluf – laureado no Prêmio São Paulo de Literatura) iniciou no facebook interessante discussão sobre a escolha de Bob Dylan como ganhador do Nobel de Literatura deste ano. Segundo ele, apesar de reconhecer a genialidade de Dylan e achar que o artista merece todos os prêmios possíveis – em se tratando de música, of course –, preferia ver um escritor – na verdadeira acepção da palavra – receber o prêmio, principalmente nestes tempos modernos em que, "cada vez mais, ser apenas escritor é cada vez menos" – frase lapidar, diga-se. Finaliza parabenizando Dylan, que "merece tudo o que conquistou" e afirmando que "prêmios são sempre discutíveis; esse também é um intento das premiações".

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Ninguém me Conhece: 82) Folk na Kombi – nos levando em frente

Existem sujeitos que parecem ter nascido com o, digamos, traseiro virado pra lua. Tudo em que se metem acaba dando o maior pé. Meu querido parceiro Bezão sem dúvida nenhuma é um dos mais bem acabados exemplos desse tipo de sujeitos. Conheci-o há muitos anos numa das noites autorais do Clube Caiubi, quando ainda funcionava em seu primeiro endereço, na rua homônima. Nessa época, Bezão era um dos integrantes do Rossa Nova (que contava ainda com Juka e Xamã), um trio que fazia um som que poderia ser classificado como uma renovação do rock rural. Não à toa, era apadrinhado pelo saudoso Zé Rodrix, um dos expoentes (juntamente com Sá & Guarabyra) desse movimento musical que explodiu na década de 1970.