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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Esquerda, Volver: 23) Bolsonaro, é melhor já ir se acostumando: a esquerda não morre!

Estava preparado pra publicar este texto no sábado véspera da eleição, mas fui alertado de que a partir das 22h usar as redes sociais pra fazer propaganda política seria considerado crime, então aguardei seu término e o publico (e divulgo) agora, adaptado.

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Por Francisco Daniel
A esquerda sempre existiu. Se pensarmos bem, Jesus Cristo pode ser visto como um cara de esquerda. Também pacifistas como Gandhi, Martin Luther King Jr., Mandelao papa Francisco... Pepe Mujica é de esquerda. Quem se posiciona como um esquerdista é aquele que se preocupa com a situação dos mais pobres, das minorias. Um esquerdista jamais diria que vai governar pras maiorias e que "as minorias ou se adequam ou desaparecem". A esquerda odeia injustiça e principalmente a lavagem cerebral. Que é o que tem acontecido hoje. Os mesmos inocentes úteis que viram sua vida melhorar durante os governos petistas foram bombardeados implacavelmente por uma imprensa claramente coronelista e acabaram "comprando" um discurso cujas vítimas são eles mesmos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Esquerda, Volver: 22) Por que eu (ainda) sou Haddad

Quem me conhece pessoalmente ou pelo menos acompanha com certa regularidade meu blogue sabe que tenho sido neste espaço ferrenho crítico dos governos petistas desde que o então presidente Lula se aliou com tudo o que há de pior na política brasileira pra poder governar. Meu amigo Teju Franco, que sabe mais de política que eu e, além do mais, é bastante pragmático, tem sido um sujeito que sempre procuro ouvir — embora vez em quando discorde dele — pra entender melhor a ferramenta da governança, e saquei que em algo estamos de acordo: Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve desde... Juscelino? Vargas? A questão é que, discordando de Teju, entendo que Lula formou mais consumidores que seres pensantes. E eu, que mal compro mais que arte, comida, vestuário e birita, sempre me senti na contramão dessa "formação" de cidadão.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Esquerda, Volver: 10) Por que eu sou Haddad

Aos 44 do segundo tempo, vim aqui deixar meu depoimento. Vale mais que retarde do que tarde demais. Eu, cearense filho de retirantes, que sempre fora reticente antes, que me sentia um invasor, um perneta penetra, enfiado na cidade-desamor pela uretra (abaixo), e eis-me aqui dando a letra, pensando "agora me encaixo!", metendo a caneta, sentindo-me cidadão, quase orgulhoso de ser paulistano por adoção, junto com meus manos de coração e de luta, todos filhos da labuta, crescidos na família perifa, onde o pau come e a PM grifa, e tome cacetada, cacetete, pro pivete e pra rapaziada. Americanópolis City, vizinha da Vila Clara, onde o diabo teve conjuntivite, o horror deu as caras, Deus perdeu o apetite, o menoscabo da burguesia ganhou CEP e geografia... e cada lobo que se estrepe.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 153) A responsabilidade de Chico Buarque... e a de cada um de nós

Ponha-se no lugar de Chico Buarque. Não deve ser fácil estar em sua pele 24 horas por dia. Por onde vai, é seguido por olhares, flashes, cliques, cochichos, suspiros, sem contar os malas que o abordam pra pedir isso ou aquilo. Já houve até casos em entrevistas em que ele ouviu a fatídica pergunta: "Como é ser Chico Buarque 24 horas por dia?" Ora, bolas, não tem o que perguntar, vá pesquisar o entrevistado, pô! Afinal, de Chico Buarque ao padeiro da esquina, cada indivíduo está pra lá de acostumado a ser ele próprio durante todas as horas de seu dia. Quer dizer, há exceções, principalmente se você trabalha numa empresa em que precisa pôr uma máscara, virar personagem pra ascender. Mas isso é questão de foro íntimo; cada um sabe de suas ambições profissionais. Voltemos a Chico.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 151) Os dois Brasis

Eu, que moro em São Paulo, adoro o Rio e tenho muitos amigos/parceiros cariocas por quem tenho carinho e respeito. Da mesma forma, adoro a Argentina, país que aprendi a amar e com o qual tenho a maior afinidade. Faz anos que, sempre que a oportunidade surge, dou uma escapada ao país hermano pra matar as saudades e renovar a bagagem cultural. Ah, e tenho também amigos/parceiros argentinos por quem, igualmente, tenho carinho e respeito. Portanto, não estou entre aqueles que dão corda a atitudes bairristas, à futebolização das relações de vizinhança. Em primeiro lugar, porque não acredito em raças. O indivíduo é fruto de seu meio. A mesma pessoa que nasceu, por exemplo, no Japão e pensa assim-assado, tivesse nascido no Zimbábue, teria comportamentos e pensamentos distintos, adquiridos pelo contato com sua realidade local.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 150) Perguntinhas básicas ao eleitor ou O filho da empregada

Caro eleitor, tudo bem aí? Na tranquilidade? Já excluiu muito amigo do facebook hoje ou ainda não? Já postou alguma notícia falsa a favor de seu candidato ou contra o outro? Ainda não? Então, proponho um joguinho mais interessante. Claro, é mais solitário, mas você pode postar todas as respostas depois no face, só pra dar a face, e compartilhar com os amigos. É assim, só como exercício, pra oxigenar o cérebro e tal: te faço umas perguntinhas básicas sobre convívio social. Peço que responda com honestidade... mas fique sossegado; não precisa responder pra mim. Basta responder pra você mesmo. Portanto, não vá mentir; pois, se mentir pros outros já é feio, mentir pra si próprio é imperdoável. Vamulá? São questionamentos simples, nada que você não possa responder. Talvez não queira, mas aí o negócio fica entre você e você mesmo.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 149) Minhas razões pra votar em Dilma

Caros amigos e/ou leitores:

As eleições puseram em pé de guerra nosso país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza. A intransigência chegou a tal ponto, que há amigos excluindo amigos em redes sociais pelo simples fato de o outro pensar diferente. Oras, mas democracia não é justamente isso? Ou será que tais pessoas prefeririam o pensamento único das ditaduras? Acho que foi Voltaire quem disse (mentira, procurei no google, onde também dizem que a afirmação não é dele): "Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo." Não é bonito? Num país onde eu posso defender o direito do outro de discordar de mim, supõe-se que a recíproca seja verdadeira, não? Usando uma variável futebolística, é como um palmeirense abraçar um amigo corintiano. Aliás, se todos torcessem prum mesmo time, ia ser muito chato, não?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 146) Vergonha e medo em São Paulo

Em minha época de criança, não conhecíamos ainda a palavra bullying (tão feia quanto seu significado), mas eu, moleque chegado havia pouco do Ceará, cedo comecei a sofrer com o preconceito e as brincadeiras de mau gosto. Era São Paulo me dando as boas-vindas. Talvez por causa disso tenha – inconscientemente – "trocado" de sotaque e – conscientemente – posto uma máscara paulista. São Paulo faz isso com os bicos de fora: exige-lhes amor incondicional em troca do afeto de madrasta. Lembro de um conhecido paraibano que, certa vez, ao ser indagado sobre seu Estado de origem, respondeu na lata: "Paraibano? Sou não. Fui." Talvez isso ajude a explicar por que, apesar de São Paulo ser a maior cidade nordestina fora do Nordeste, os nordestinos daqui pensam de modo tão diferente do modo como pensam os de lá... principalmente em relação à política.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 145) Algumas considerações sobre o debate... e outros bafafás

Estava eu trocando por e-mail uma ideia federal com o mano Marcio Policastro, quando o assunto derivou pro tema eleições. Daí, como ambos havíamos gastado duas preciosas horas assistindo ao recente debate promovido pela Rede Globo, relatei minhas impressões a respeito e, como de costume, acabei vencido pela velha verborragia. Tanto que, quando pus o ponto final, reli o relato e pensei cá com meus botões que o poderia aproveitar no blogue, visto que o assunto é atual e pertinente. Contei-lho e, como Poli corroborou minha intenção, cá estou eu outra vez metendo a pata onde não fui chamado, mas exercendo meu direito de cidadão e blogueiro semianônimo, feliz por viver num país onde qualquer um é livre pra falar o que quer e ouvir o que não quer. Abaixo, segue o relato, ligeiramente adaptado (caso contrário, não poderia ser publicado). A ele:

domingo, 9 de setembro de 2012

Crônicas Desclassificadas: 50) De Serras, Russos, Rossis & cia. ltda.

Reparem nos olhares
de mãe e filho ao fundo...
No conturbado momento em que vivemos, a política anda bastante desacreditada (diria mesmo desclassificada). Nesse carnaval de bizarrices, o mensalão é o carro alegórico que vai na frente, tendo como puxador do enredo o deputado  João Paulo (Cunha), cantando (silenciosos) versos bem distintos dos de outros carnavais. E o PT, que em carnav... digo, em eleições anteriores era o próprio estandarte da ética, vai ridiculamente percebendo que, sim, o poder corrompe. Mesmo que seja em nome do famoso jargão "os fins justificam os meios". Mas, ah, como é doce o poder!