Pra começar 2020 com o pé bom, o esquerdo (com o qual sempre entro nos aviões), resolvi, como primeira publicação do ano, tratar de música e homenagear o bom e velho Caê, que continua produzindo a mil, compondo belas canções e gravando discos incríveis. O que, convenhamos, dificulta meu trabalho de escolher apenas cinco dele. Em minha defesa, alego que as melhores de Caetano variam de tempos em tempos. Como sua obra é extensa e de grande qualidade, sempre há aquela que em determinada época gruda em nossos ouvidos e não sai nem com reza. Resolvi, portanto, trazer pra cá cinco que pertencem a momentos (meus) diferentes, mas que, cada uma a seu modo, marcou profundamente minha trajetória de ouvinte e, por que não?, de compositor também.Colunas
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
Minhas Top5: 5) O tempo não para e no entanto Caetano nunca envelhece
Pra começar 2020 com o pé bom, o esquerdo (com o qual sempre entro nos aviões), resolvi, como primeira publicação do ano, tratar de música e homenagear o bom e velho Caê, que continua produzindo a mil, compondo belas canções e gravando discos incríveis. O que, convenhamos, dificulta meu trabalho de escolher apenas cinco dele. Em minha defesa, alego que as melhores de Caetano variam de tempos em tempos. Como sua obra é extensa e de grande qualidade, sempre há aquela que em determinada época gruda em nossos ouvidos e não sai nem com reza. Resolvi, portanto, trazer pra cá cinco que pertencem a momentos (meus) diferentes, mas que, cada uma a seu modo, marcou profundamente minha trajetória de ouvinte e, por que não?, de compositor também.terça-feira, 5 de março de 2019
Canções em Colisão: 2) Verdades e mentiras ilusórias
O colega Miyage, que, além de químico, professor universitário e músico, tem um interessantíssimo blogue em que heróica e diariamente escreve sobre música brasuca (este: 365 canções brasileiras), desafiou-me a não deixar a peteca desta coluna cair. Aceitei o desafio e cá estou, iludindo (mesmo sem ter o dom).
No Brasil parece que não, pois estamos sempre atrasados quando nos comparamos a outros povos, mas em geral com o passar do tempo o mundo melhora, a civilização avança, as pessoas mudam e com elas seu comportamento. E os compositores, assim como os escritores, cronistas e quetais, têm sido repórteres de sua época. Tá, nem todos, claro, mas grande parcela deles (a mais significativa, eu diria). Por essas e outras é que não podemos simplesmente criticar inconsequentemente certas obras sem entender o contexto social do momento em que foram criadas.
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No Brasil parece que não, pois estamos sempre atrasados quando nos comparamos a outros povos, mas em geral com o passar do tempo o mundo melhora, a civilização avança, as pessoas mudam e com elas seu comportamento. E os compositores, assim como os escritores, cronistas e quetais, têm sido repórteres de sua época. Tá, nem todos, claro, mas grande parcela deles (a mais significativa, eu diria). Por essas e outras é que não podemos simplesmente criticar inconsequentemente certas obras sem entender o contexto social do momento em que foram criadas.quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Esquerda, Volver: 23) Bolsonaro, é melhor já ir se acostumando: a esquerda não morre!
Estava preparado pra publicar este texto no sábado véspera da eleição, mas fui alertado de que a partir das 22h usar as redes sociais pra fazer propaganda política seria considerado crime, então aguardei seu término e o publico (e divulgo) agora, adaptado.
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| Por Francisco Daniel |
domingo, 10 de junho de 2018
A Palavra É: 42) Exílio
A terra é redonda — referimo-nos ao planeta, assim, grafemo-la com maiúscula. Um giro completo dela — a Terra, o planeta — leva 24 horas. A história se repete. Dizem que às vezes em tom de farsa. Farsante eu, como posso dizer que essa afirmação é (ou não) verdadeira? Quando muito, posso apenas afirmar que me coube viver nesta época e que tenho me esforçado pra viver bem, tanto no que diz respeito a desfrutar dela (da época) quanto no que diz respeito a ser um homem de meu tempo, com suas preocupações, seus prazeres e suas (des)culpas. Como de culpas estou até aqui (visualizem, atentos leitores), prefiro pensar em tudo o mais. No mais, como acredito em reenca(de)rnação, melhor pegar leve comigo durante a viagem desta carcaça que me coube habitar...quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Os Manos e as Minas: 31) Na ilha de Chico, no barco de Caetano
Tom Zé, nos primórdios, quando a Tropicália ascendia, ao ser questionado num programa de TV a respeito das diferenças estéticas entre eles (os tropicalistas) e Chico Buarque, tascou sem dó e com a fina ironia que sempre lhe foi característica que respeitava muito o autor d'A Banda, "pois ele é nosso avô". Claro, Tom Zé, que é oito anos mais velho que Chico, referia-se à música deste, que, segundo ele, parecia antiga se comparada com a que os baianos & agregados andavam fazendo. Já eu costumo dizer que a genialidade de Chico foi revolucionar a música brasileira sem violar sua estrutura, seguindo todos os padrões clássicos. A modernidade de Chico sempre esteve na qualidade do que fazia/faz. Creio mesmo que depois da morte de Noel Rosa o Brasil teve que esperar quase três décadas pra ver surgir alguém com a pena tão refinada.quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
A Palavra É: 34) Solidão
("Solidão é lava que cobre tudo, amargura em minha boca, sorri seus dentes de chumbo. Solidão palavra cravada no coração resignado e mudo no compasso da desilusão [...]") Minha amiga Isabella Montagnana, bem na fase pós-inferno astral que antecedeu seu aniversário, desabafou no facebook sobre "a sensação de estar sozinha, de não poder contar, de fato, com ninguém", independente de estar rodeada por várias pessoas. E sentenciou: "O mundo é cheio de gente, mas no fim você vai estar sozinho." Discordei dela, em termos, e lhe prometi um texto — como presente de aniversário? Pensei nisso agora, e pode ser que seja. Ainda mais sendo ela sagitariana como eu e, portanto, já por isso dona de sensibilidade ímpar.
domingo, 22 de outubro de 2017
A Palavra É: 32) Vampiro
Hoje é sábado. Aliás, já é domingo — passou da meia-noite. Ouço o barulho da chuva lá fora. Nessas noites, quando escrevo, componho, leio, ouço música, vejo um filme, bebo etc. (e esse etc. pode ser o que você imaginar) — às vezes mais de uma coisa ao mesmo tempo — e me lembro de que preciso dormir... me dá uma inveja danada dos vampiros. Quisera ser um deles e aproveitar a noite toda — a eternidade toda? Ir do livro de poesia ao filme clássico em preto e branco, lapidar aquele verso manco, ouvir um bolero instrumental — como faço agora — ou simplesmente bebericar uma vodca — como faço agora. A vida não é justa. Trabalhamos muito mais tempo do que gostaríamos (e ganhamos, em geral, muito menos do que achamos que merecemos), e durante esse tempo as horas se arrastam...sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
A Palavra É: 21) Mato
Ah, que saudades do mato! Do matagal, do mato verde, do mato sem cachorro (ou com cachorro), de me esconder no mato, de correr no mato, de deitar no mato, de brincar no mato... Sim, jovem leitor, o mato, além de servir de parque, era também o próprio brinquedo! E a gente nem precisava pôr pra carregar depois; ele é que nos carregava pra lá e pra cá pela vastidão de sua verdura. O mato era foda! Nele, podíamos inventar mil diabruras, travessuras, aventuras... e outras safadezas e sacanagens que não rimam com "ura". Também não era necessário ligá-lo antes do uso, tampouco desligá-lo depois deste. O mato fica ficava ali, on, o tempo todo, e, quando íamos embora, permanecia, majestoso, numa espécie de modo de espera... ops, traduzo: stand-by. Era uma matavilha! E sem a limitação geográfica das atuais quatro paredes. Nem nos cansava a vista, apesar de ser vasto!sexta-feira, 5 de agosto de 2016
A Palavra É: 18) Brisa
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| De Vladimir Kush |
Assisti com prazer a Observar e Absorver, documentário tão necessário de Júnior SQL que me arrepiou a pele e me impeliu a jogar palavras mil na parede imaginária da rede. Mas, pra ser sincero, o que deu ímpeto ao lero foi um detalhe quase besta que me garantiu o talhe pra esculpir esta. Mas, antes, preciso não ser conciso pra explicar a grama em que piso, aliás, pisei, pra chegar aonde ainda não cheguei. Epa rei! E é até engraçado que o entrevistado desse documentário, um sujeito que de otário não tem nada e que se enquadra feito círculo num quadrado, tenha sido batizado com o nome de Eduardo, sobrenome Marinho, o mesmo dos donos daquela organização que tem a satisfação de rimar globo com fazer o polvo de lobo.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
A Palavra É: 14) Corrupção
Admito que a nova coluna de meu blogue, Esquerda, Volver, por motivos óbvios, tem ganhado mais atenção minha que as demais colunas. Mas constato isso com tristeza; preferia estar tratando mais de música, literatura, enfim, de assuntos do meio ao qual pertenço, só que os acontecimentos atuais ou me desmotivam a fazê-lo ou tornam tudo o mais coisas de somenos importância. Contudo, pra democratizar o espaço e deixar o desequilíbrio da balança um pouco menor, maquiei um assunto e o travesti de palavra pra trazê-lo pra esta coluna. Sim, caros, a palavra é a que está, aliás, tem estado na moda há pelo menos três anos: corrupção. E, mais, desde que Chico Buarque deixou de ser unanimidade em solo pátrio, é uma das poucas unanimidades por aqui. Ou seja, NINGUÉM é a favor da corrupção. Nem os corruptos (pelo menos em público)!
terça-feira, 22 de março de 2016
A Palavra É: 13) Verborragia
Em dias envergonhados, coro; em dias de esquecimento, decoro; em dias preguiçosos, escoro. Na roupa, me visto; na dúvida, me revisto; na concepção de meus inimigos, me malvisto. Quando tô no sol, vejo; quando tô na chuva, esbravejo; quando tô no arco-íris, percevejo. Ouvindo música, canto; bebendo vinho, decanto; cansando, recanto. Na coragem, me escondo; no medo, me expondo; na quimera, me macondo. Em seu coração, amo; em seu corpo, derramo; em sua rosa, ramo. Com pessoas, converso; com palavras, verso; com mundos, universo. Pela boca, digo; pela mente, desdigo; pelos olhos, mendigo. Verso, enfeito; poema, feito; poeta, satisfeito.
sábado, 28 de novembro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 168) A (in)utilidade da arte e outras belezas
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| Paweł Kuczyński |
quinta-feira, 16 de julho de 2015
A Palavra É: 9) Plural
Não sou capaz de jurar, mas acho que essa grande bobagem começou na época em que José Sarney herdou a presidência do Brasil e começou com aquele papo de "brasileiros e brasileiras": De lá pra cá, a coisa só piorou... Já houve entre nós um tempo em que se desejava "paz na terra aos homens de boa vontade"; um compositor popular cantava "esses moços, pobres moços"; cheguei a assistir a um clássico do faroeste que se chamava Da Terra Nascem os Homens; na literatura, fez muito sucesso por estas plagas o romance Capitães de areia; uma peça muito famosa foi intitulada Os pequenos burgueses; havia mesmo um provérbio (se não me engano, árabe) que dizia que "os cães ladram e a caravana passa"; um poeta escreveu "eles passarão, eu passarinho"; etc. etc.
domingo, 17 de novembro de 2013
Grafite na Agulha: 10) Em busca de um som joia
Afirmar que Daisy Cordeiro é uma das melhores intérpretes do Brasil é pouco, pois ela é muito mais que uma voz. É um ser pensante, uma compositora intuitiva como poucas/os e, sobretudo, uma alma boa, partidária do coletivo e generosa. Vou parar por aqui pra não me tornar repetitivo. Já escrevi sobre ela, quem quiser saber mais sobre a moça, basta clicar em Daisy. Por ora encerro acrescentando que seu belo texto (abaixo) sobre o disco Joia, de Caetano, não me surpreendeu, pois eu já sabia que ela manda bem também na prosa, como vocês terão o privilégio de descobrir. A ele, pois:
domingo, 3 de novembro de 2013
Grafite na Agulha: 8) O que é "Zii e Zie"?
Perdi o maior tempão procurando uma entrevista na qual Chico Buarque dizia que o Brasil carece de bons críticos musicais a serviço dos jornais, porque grande parte deles nem sequer sabe ler música. Quer dizer, era mais ou menos isso. Pretendia ser mais específico, e citar a fonte, mas, como não a encontrei, fica aqui a informação assim, "de orelha". Queria citá-la apenas pra dizer que o texto abaixo, de meu chegado Edu Franco, é um primor de crítica, pois ele, além de músico e compositor, é também jornalista... sem falar que escreve bem bagarai! Já lhe sugeri um milhão de vezes que, em vez de postar seus belos textos no fb, deveria criar um blogue pra publicá-los lá, mas ele prefere o contato direto (e fugaz) com o leitor. Então, vamos ao que interessa: quem quiser saber mais sobre ele, leia aqui, por ora acrescento apenas que, quando lhe pedi que escrevesse sobre algum CD que o marcara, ele se lembrou deste texto inédito, que escrevera há quase dois anos, e enviou-mo. A ele, pois:
domingo, 13 de outubro de 2013
Grafite na Agulha: 5) Caetano Veloso é foda!
Extra! Extra! Venho trazer boas novas! Ainda há vida inteligente... Não,
não, reconstruamos a frase (vida inteligente sempre houve): ainda há
coração pulsante na velha emepebê! E, quando digo pulsante, quero dizer,
obviamente, que pulsa. Sim, porque venho notando que, no que se refere a
grande parte dos discos dos velhos papas emepebísticos, tem se
instalado uma leseira ali. Seus gametas, como diria o velho e
indivisível Zé Ramalho, já não se agrupam mais em seu som. Mas
eis que de repente um tiozinho grisalho resolveu descer do (des)conforto
desse fusca (onde, segundo ele, só cabiam o próprio e mais uma meia
dúzia), tirar seus pés do riacho e pisar o solo escaldante de uma
estrada por onde ele havia tempos não passava mais.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Versão Brasileira: 1) "Al otro lado del río" por Élio Camalle
Como tratei há pouco de Jorge Drexler, resolvi inaugurar esta coluna justamente com ele. Na verdade Drexler, antes de Sabina, foi alvo de meu desejo de gravar um disco de versões. Na época falei com Vasco Debritto, produtor responsável pelo disco Imigrante, de Kana, que se interessou por bancá-lo, desde que contasse com a participação do próprio Drexler. O cantor do disco seria Élio Camalle.
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