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sábado, 23 de outubro de 2021

Meu terceiro romance em pré-venda

Arte de Francisco Daniel
Volto ao blogue mais uma vez depois de muito tempo pra divulgar meu terceiro romance, Dia de São Nunca, que já está em pré-venda (quem quiser adquiri-lo, o link é ESTE). É um momento de grande alegria por mais um sonho feito realidade, e preciso agradecer à Kotter Editorial, que foi a ponte entre o sonhar e o realizar. Deu-me grande-satisfação ver meu livro lido e avaliado como se deve, algo que eu não cria mais ser possível nestes tempos em que no Brasil notamos que parece haver mais escritores que leitores, o que torna o trabalho das editoras duplamente mais difícil. Agradecimentos feitos, queria aproveitar o momento pra falar um pouco de como surgiu o germe que desaguou nessa prosa literária.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

De Sampa a Tóquio: 15) Finalmente um show de Kana + o novo normal japonês


Escrevo novamente, depois de razoável hiato, às 21h12 deste sábado que encerra o mês de outubro, um tanto lacrimejante não só pela emoção, mas também pelo excelente vinho italiano recém-sorvido em comemoração ao primeiro grande show de Kana a partir do momento em que o famigerado coronavírus está entre nós. Claro, desde há dois meses, com a relativa baixa no número de casos aqui no Japão, ela já havia feito um punhado de shows em que a quantidade de músicos no palco praticamente se equivalia à de pessoas na plateia; mas hoje, pela primeira vez com a banda novamente completa e o teatro razoavelmente cheio — segundo as novas normas de segurança —, voltamos pra casa felizes como crianças — e bêbados como adultos. Conto-lhes.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Notícias de Sampa: 24) Lançamento de "A Confraria dos Mascarados"

Depois de dois anos longe de casa, foi com imensa alegria que reencontrei os amigos do peito dia 22 último no lançamento de meu novo romance. Entretanto, percebi um tanto frustrado que não tô com essa bola toda, pois achei que após esse longo período minha presença em solo pátrio iria mobilizar mais gente nesse evento, mas não foi o que aconteceu. Entendo que os tempos são outros e que a galera anda um tanto dispersa mesmo, mas minha expectativa era a de ver mais amigos. Como as férias passam num piscar de olhos e semana que vem já volto pra Terra do Sol Nascente, aproveito pra encarecidamente convidar aos que não foram ao primeiro lançamento a que prestigiem o próximo, que já vai ser como uma espécie de bota-fora.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Notícias de Sampa: 22) Vlado Lima — sabe de tudo, culpado!

Quando neste sábado próximo, também conhecido como 28 de abril de 2018, meu amigo Vlado Lima estará no memorável Garagem Vinil lançando seu terceiro livro de poemas (a saber: Sabe de nada, inocente! de sua editora Sopa de Letrinhas), às 19h (com pontualidade NADA britânica), muito provavelmente eu, homem do futuro (visto que estou 12 horas à frente dos irmãos brasucas), estarei despertando pra manhã do dia seguinte em Tóquio, contudo querendo ter uma dessas máquinas de teletransporte que há (há?) por aí que me possibilite estar lá na rua Mourato Coelho, 585, Pinheiros, na velha Sampa City — ah, faltou falar que nessa mesma noite o sarau Sopa de Letrinhas estará comemorando seus 16 anos de sucesso! Das duas uma: ou virarei pro outro lado e pensarei em dormir mais um pouco, visto que será domingo, ou me levantarei e, contra minha religião, tomarei algo "mais forte" tão cedo só pra fazer um brinde ao evento e a seu sucesso.

sábado, 24 de março de 2018

A Palavra É: 41) Logradouro

Não lembro exatamente o ano — quando muito, posso afirmar que foi num dos primeiros depois da virada do século —, o que, sim, lembro bem é o embasbacamento pelo qual fui tomado quando ouvi pela primeira vez a canção Logradouro. Já conhecia seus autores e era razoavelmente próximo deles: Rafael Alterio, pra mim, um dos maiores melodistas que o Brasilzão ainda não teve o privilégio de conhecer, e Kleber Albuquerque, também ótimo melodista e um dos letristas mais originais que surgiram nas últimas décadas. Outra coisa que me vem à memória quando penso nessa canção é a inveja que senti. Falar disso requer novo parágrafo.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

De Sampa a Tóquio: 12) De Natal e terremoto

O tempo vai passando e a gente vai se moldando ao panorama, vai se acomodando. Assim, tenho sido um tanto relapso na narração dos acontecimentos, que vou tentar resumir nesta missiva. Segunda-feira, dia 18/12, um amigo japonês que mora no Brasil, Yuji san, em passagem por Tóquio reuniu uns amigos num bar pra comemorarmos o fim de ano. Dei uma passada lá com Kana, pois tinha que dar aula um pouco mais tarde. Foi triste sair enquanto todos chegavam, mas tive meu momento de emoção em seguida, pois, como Kana ficou na confraternização, pela primeira vez peguei o trem sozinho. Só quem já estreou por aqui essa emoção sabe. Já os relatos sobre a aula, que gerou até um conto, contei na edição anterior.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Palavra É: 27) Melodia

No princípio, tudo era breu, e eis que do breu se fez a luz (Luiz?). Naturalmente, nesse mesmo princípio tudo era silêncio. Um deus tirano e surdo não permitia o som. Até que uns anjos conspiradores começaram a se reunir em horas mortas em tavernas nas quebradas da periferia celestial pra beber vinho e conchavar contra o despotismo do silêncio. Eles não tinham ainda o domínio da palavra, e tudo eram sussurros, cochichos, grunhidos. Com o tempo, foram aperfeiçoando a técnica, até que um dia, reza a lenda, durante uma dessas bebedeiras, uma garrafa caiu no pé de um dos conspiradores, e este, com lágrimas nos olhos, soltou um dó maior.

terça-feira, 18 de julho de 2017

A Palavra É: 25) Frio

Apesar de meu descarado humor, meu hábito hilário (e um tanto otário) de fazer graça, meu incendiário ardor e meu jeitão de boa-praça, no fundo eu sou um triste. Na tristeza consiste minha alegria. E, quem diria?, chega a ser um paradoxo. É que nos sentimentos nunca fui muito ortodoxo. Lamento. Vivo em conflito entre o feio e o finito, entre o nem e o mal, entre o apimentado e o sal. É quase um desacato, um grito. Por isso sou grato à tristeza, que é quem me faz ver com clareza o breu que me ilumina. Ela é gente-fina! E ainda agrega valor (ui!) a minha dor. E, como todo triste que se preze, sou expert em viajar na maionese.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Notícias de Sampa: 20) Né? – um clipe de Kana

Vira e mexe, Kana desanima. Pensa: "Se o Brasil ainda não aprendeu a abrir espaço democraticamente nem pros tantos talentos filhos de seu solo, que dirá pra mim, que sou estrangeira e meio que penetra nessa 'festa'?" Já aconteceu mais de uma vez. Mas sempre ela encontra carinho e incentivo vindos dos mais variados lados. Em certa ocasião, ela ficou muito tempo sem sair, sem se apresentar, e um dia, quando Tavito me encontrou só no Caiubi, perguntou de cara: "Cadê a Kaninha?" Respondi-lhe que ela andava desanimada, pensando em jogar tudo pra cima e desistir da carreira. Tavito arregalou os olhos, segurou-me pelos ombros e sentenciou: "Diz pra ela que se ela desistir eu também desisto!" Dei o recado. Kana não desistiu. Nem Tavito.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Entrevistando: 12) Zeca Baleiro no Na Minha Casa

Craque é craque. E quando dois craques se encontram já dá pra adivinhar o que vem pela frente. O toque de bola sofisticado nem carece de treino. Vavá e Garrincha, Pelé e Tostão, Sócrates e Zico, Bebeto e Romário, Rivaldo e Ronaldo, mais recentemente Messi e Neymar... Dá gosto ver, né? Do mesmo modo, botar frente às câmeras dois craques da canção como os manos Adolar Marin e Zeca Baleiro e dar a cada um deles um microfone e um violão é algo que ao mesmo tempo é previsível e surpreendente (né, Fernando Freitas?). Previsível porque sabemos que a vitória está garantida. Surpreendente porque nunca somos capazes de adivinhar as jogadas que os caras vão inventar, as tabelinhas que farão, os dribles que darão. Nesse caso, o gol, mais que ser um detalhe, é uma inevitabilidade. Nossa única certeza é a de que o placar jamais terminará em branco. Ou em brancas nuvens, como prefiram.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Trinca de Ouro: 11) Folk na Kombi, Iris Salvagnini e Sander Mecca


Há muito se fala no fim do CD físico. Eu, que sou da época do LP, do qual, admito, tenho saudades, posto-me como voz dissonante em relação a esse assunto. Sou favorável a tudo o que apareça pra facilitar nossa vida, mas ainda defendo a bolachinha (como defendi a bolachona), nem que seja apenas por questões afetivas. Contudo, a Terra gira, a vida segue e, como diz Zé Simão, quem fica parado é poste. Por isso, escolhi desta feita, pra tirar o pó desta coluna, três parcerias minhas lançadas (por ora) em plataformas digitais. Vamos a elas:

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Entrevistando: 10) Kana & Sander Mecca no Na minha Casa

O programa Na Minha Casa, de meu mano Adolar Marin, começou 2016 com o maior gás e já de cara trouxe dois artistas muito próximos a mim, Sander Mecca (parceirão, baita intérprete, visceral, "nervoso", enfim, total em cada nota; de quebra, também um inspirado, ainda que bissextamente, compositor) e Kana (minha japa do coração, charmosa, polivalente, toda empatia, cantora de timbre peculiar e compositora originalíssima). Portanto, eu não podia deixar a ocasião passar em branco, tinha que trazê-los pra cá, pra este espaço que, de uma forma ou de outra, se irmana com o projeto de Adolar.

terça-feira, 1 de março de 2016

Notícias de Sampa: 18) Chegou o Dia de São Nunca! (30 de fevereiro)

E eis que, finalmente, chegou o Dia de São Nunca, esse santo tão poderoso, padroeiro das causas impossíveis! Aliás, pra quem crê, não há dias – nem causas – impossíveis, e o dia de hoje, este metafórico 30 de fevereiro, é exemplo disso. E vejam vocês como a arte tem o dom transformador. Dia de São Nunca (a canção) tem uma letra que resvala na autobiografia, feita após um período tenebroso, de depressão e angústia, em que seu autor/protagonista comia as migalhas do pão que o diabo amassou (as que sobraram após os cães terem se fartado, deixemos claro), depois de uma separação traumática e uma volta ao lar materno – em condições vexantes, acrescente-se. Meses depois, veio a reconciliação, que inspirou a letra.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A Palavra É: 11) Moisés

Um belo dia, minha mãe, preocupada com a violência das ruas, trancou o portão que até então vivia aberto e disse, "De hoje em diante, é daqui pra dentro!". Não podendo mais ganhar a rua, precisei usar a criatividade. Primeiro, foram os amigos imaginários; depois, a coleção de tampinhas de garrafa com rostos de personagens de Walt Disney – mais ou menos na mesma época em que surgiram em minha vida os gibis –; em seguida, apaixonei-me por livros infantis, seguidos dos infantojuvenis (pasmem!, agora é assim que se escreve); e, a partir de então, ainda que atabalhoadamente e sem critério, a leitura entrou em minha vida como se fosse uma bola de neve dentro da qual eu seria engolido e sairia ladeira abaixo, destruindo tudo o que fosse ignorância a meu redor. Acabei, na falta da chave que me abriria o portão, inventando portões outros.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Trinca de Ouro: 10) Marcela Viciano, Marcio Policastro e Zeca Baleiro (com Dois Africanos)

1) DIA DE SÃO NUNCA

E eis que chegou da fábrica há alguns dias o primeiro (e maravilhoso) CD de meu mano Marcio Policastro, em minha humilde opinião um dos melhores compositores em atividade. Como Poli demorou anos entre a concepção e o acabamento desse seu primeiro rebento, o resultado final ficou parecendo uma espécie de the best of Policastro, ou seja, só petardo! Já escrevi a respeito desse CD em minha coluna Grafite na Agulha (num texto que foi uma dobradinha, no qual tratei também do novo de outro mano, Gabriel de Almeida Prado, que também acaba de lançar seu não menos belo primeiro disco – leia sobre ambos aqui), e enfatizo: o CD é altamente recomendável! Inclusive, a pedido dele, às vésperas de um show de pré-lançamento que ocorreu há alguns dias, escrevi o seguinte:

sábado, 24 de outubro de 2015

Grafite na Agulha: 36) Os santos e as flores de Vanusa

Acho muito difícil que haja algum brasileiro que viveu a década de 1970 e não tenha se encantado/emocionado com a voz de Vanusa e as canções interpretadas por ela. Sem falar que era uma gata (e ainda é, hoje, do alto – não de altura, claro – de seus 68 anos)! Sim, o país vivia tempos funestos, mas a música brasileira ia bem, obrigado. Pode-se dizer também que ia bem obrigada. Pensando nisso, tenho até a impressão de que, quanto mais amordaçam um compositor, mais ele descobre artifícios pra que sua arte não se cale (Cálice, por exemplo). Atualmente, apesar dessa liberdade toda, deparamo-nos com tantos compositores sem nada pra dizer... Até a outrora tão criativa MPB agora agoniza vítima de sua própria empáfia.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Trinca de Ouro: 9) Dany López (com Zeca Baleiro), Gabriel de Almeida Prado e Tavito

1) CAJA NEGRA

Preciso tomar cuidado ao começar a falar sobre este querido cantautor e multi-instrumentista uruguaio chamado Dany López, senão não paro mais. Já escrevi sobre ele por aqui em diversas oportunidades (quem quiser saber mais sobre o muchacho e sobre como nos conhecemos, clique em seu nome), portanto dessa vez vou me ater a nossa parceria. Dany foi um cara que me abriu uma puerta importante, pois foi o primeiro nativo de língua espanhola que se aventurou a musicar uma letra minha no idioma dele. Na verdade, após me conhecer, Dany gostou de minhas letras em português (sim, ele se vira bem na língua de Camões) e me pediu que lhe enviasse alguma pra que ele tentasse musicar.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Filho da preta! – na boca dos leitores (1)

Todo autor, obviamente, deseja que seu livro mereça uma crítica, uma resenha ou pelo menos duas ou três linhas em algum jornal ou revista de renome. Eu não fujo à regra. Aliás, tenho me empenhado pra que tal suceda. Contudo, como – parafraseando o bom e velho Zé Simão –, quem fica parado é poste, enquanto as críticas "profissionais" não vêm, tive a feliz ideia de publicar outras críticas, estas feitas por quem realmente interessa, que são os leitores, pessoas das mais variadas profissões que se deram ao trabalho de gastar (além de seu tempo) umas quantas linhas pra tratar de meu FDP!. Alguns depoimentos foram espontâneos, outros a pedido meu, mas agradeço a todos do fundo do coração e espero que esse punhado de opiniões sensibilize novos e – sempre – bem-vindos leitores. A eles:

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 15) Considerações sobre o lançamento do "Filho da Preta!" + o Baile do Baleiro



Com Rennan e Marcelo, da
Reformatório: gratidão! 
Ó, ninguém é de ferro. Por isso, dei uma escapada da poluição (e do estresse) paulistana(o) e vim aqui ver como vai Santos (e vai bem, obrigado). Dei uns tchibuns, comi uns camarões, tomei outras e umas e, agora, em vez de cair num sono profundo (o dos justos), resolvi vir aqui relatar o que de mais importante me aconteceu nessa semana que acabou de acabar (escrevo no momento em que o sábado encerra seu turno e dá lugar a seu dominical rendedor). Eu podia estar dormindo, eu podia estar roncando, mas, em vez disso, estou aqui escrevendo pra vocês, meus três ou quatro (in)fiéis leitores. Mas com um diferencial: pela primeira vez, desde que inaugurei este blogue, faço-o na condição de quem pode se candidatar a uma vaga na ABL (ouvem-se risos: os meus).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 14) A orelha do "Filho da Preta!" – por Zeca Baleiro

Desde que me entendo por gente, sempre me acompanharam os livros. Retificando: depois que abandonei os gibis, obviamente. Acho que chega a ser quase uma dependência. Se vou à padaria e não levo um livro, parece que falta alguma peça de meu vestuário. É meio como se eu tivesse que estar preparado pra algo fora do roteiro, manjam? Exemplo: vai que o pão acabou e eu preciso esperar 15 minutos. Tendo um livro, nem vou perceber o tempo passar; já sem ele, os 15 minutos virarão uma eternidade. Sacaram? E vejam vocês: já houve ocasiões em que saí com um livro debaixo do braço, bebi até perder o centro, e acordei no dia seguinte preocupado, com medo de tê-lo esquecido... e lá estava ele, na cabeceira da cama.