Pra começar 2020 com o pé bom, o esquerdo (com o qual sempre entro nos aviões), resolvi, como primeira publicação do ano, tratar de música e homenagear o bom e velho Caê, que continua produzindo a mil, compondo belas canções e gravando discos incríveis. O que, convenhamos, dificulta meu trabalho de escolher apenas cinco dele. Em minha defesa, alego que as melhores de Caetano variam de tempos em tempos. Como sua obra é extensa e de grande qualidade, sempre há aquela que em determinada época gruda em nossos ouvidos e não sai nem com reza. Resolvi, portanto, trazer pra cá cinco que pertencem a momentos (meus) diferentes, mas que, cada uma a seu modo, marcou profundamente minha trajetória de ouvinte e, por que não?, de compositor também.Colunas
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
Minhas Top5: 5) O tempo não para e no entanto Caetano nunca envelhece
Pra começar 2020 com o pé bom, o esquerdo (com o qual sempre entro nos aviões), resolvi, como primeira publicação do ano, tratar de música e homenagear o bom e velho Caê, que continua produzindo a mil, compondo belas canções e gravando discos incríveis. O que, convenhamos, dificulta meu trabalho de escolher apenas cinco dele. Em minha defesa, alego que as melhores de Caetano variam de tempos em tempos. Como sua obra é extensa e de grande qualidade, sempre há aquela que em determinada época gruda em nossos ouvidos e não sai nem com reza. Resolvi, portanto, trazer pra cá cinco que pertencem a momentos (meus) diferentes, mas que, cada uma a seu modo, marcou profundamente minha trajetória de ouvinte e, por que não?, de compositor também.quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
De Sampa a Tóquio: 12) De Natal e terremoto
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
A Palavra É: 34) Solidão
("Solidão é lava que cobre tudo, amargura em minha boca, sorri seus dentes de chumbo. Solidão palavra cravada no coração resignado e mudo no compasso da desilusão [...]") Minha amiga Isabella Montagnana, bem na fase pós-inferno astral que antecedeu seu aniversário, desabafou no facebook sobre "a sensação de estar sozinha, de não poder contar, de fato, com ninguém", independente de estar rodeada por várias pessoas. E sentenciou: "O mundo é cheio de gente, mas no fim você vai estar sozinho." Discordei dela, em termos, e lhe prometi um texto — como presente de aniversário? Pensei nisso agora, e pode ser que seja. Ainda mais sendo ela sagitariana como eu e, portanto, já por isso dona de sensibilidade ímpar.
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
Canções que Amo: 6) Agepê + Canário; Luiz Gonzaga + José Clementino; e Roberto Carlos + Erasmo Carlos
Esta coluna andava um tanto enferrujada, então a polêmica a respeito da nova canção de Chico Buarque me motivou a buscar na memória algumas canções que fizeram parte de minha vida e que, ouvidas hoje, fora do contexto, podiam ser igualmente criticadas. Antes de continuar, gostaria de acrescentar que uma canção — assim como um filme, um livro ou qualquer outra coisa a respeito do que tratemos — deve ser analisada levando em consideração o período em que foi feita. Uma criação costuma estar impregnada dos conceitos de sua época, seja em concordância, seja em tom de crítica, ou seja ainda simplesmente como um exemplo dos costumes daquele período. Pensando nisso, trouxe estas três, que, em outro momento de minha vida, já me deixaram rouco de tanto que eu me esgoelava desafinadamente tentando acompanhá-las a plenos pulmões durante seu girar em velhos vinis.
quarta-feira, 12 de julho de 2017
A Palavra É: 24) Dor

Ah, a dor... De certa forma, ouso dizer que talvez eu adore a dor, mas quando ela está a-dor-mecida, quando ela está dor-mente, quando ela está dor-mindo. Quando ela está no dormitório da dor. Mas aí de repente ela desperta e vira um ar-dor, e eu já não posso mais segurar o an-dor. Em certos momentos, nem consigo mesmo andar. E eu não sei onde vai dar a dor. Claro, talvez eu esteja apenas dourando a dor, porque uma dor de alma não é uma dor de dente, embora seja mais urgente. É que ela zoa o radia-dor, e dor-avante passa a durar. Meio que nem um doremi. E eu me sinto duro por fora e como que drogado por dentro. Ali, bem onde a dor tem seu centro.
quarta-feira, 22 de março de 2017
Esquerda, Volver: 15) O caso Karnal sob outro prisma
Assisti há alguns anos à reprise de um programa muito popular na década de 1970 chamado Quem Tem Medo da Verdade?. Tratava-se de uma espécie de encenação de julgamentos de personalidades públicas, que iam ao programa se defender de acusações que lhes eram imputadas. Na ocasião, o “julgado” foi ninguém menos que Roberto Carlos. Não vou me estender muito, mas, resumindo, os entrevistadores/promotores públicos o acusavam de ser mau exemplo pros jovens por causa de roupa, cabelo e atitude, entre outras coisas. E coube ao apresentador Silvio Santos defendê-lo. E o fez muito bem, diga-se de passagem. Disse Silvio que Roberto não passava de um tímido rapaz interiorano que nunca havia pensado em ser líder de ninguém e que estava preocupado apenas com sua carreira artística. E tanto era (e ainda é) verdade, que até hoje o Rei raramente se pronuncia acerca de assuntos polêmicos.quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 169) O aniversário do filho pródigo
Era a primeira vez em 15 anos que ele ia passar o aniversário na casa dos pais. Aproveitou a viagem da esposa e lá foi, ele também numa viagem, só que de volta ao passado. Quando desceu do metrô, podia pegar um ônibus, mas, como o tempo estava agradável (fazia mesmo um friozinho bom, raro naquela estação), resolveu caminhar. A cada metro quadrado tropeçava, não em astros, mas em lembranças. Era como se visse um filme antigo, mas do fim pro começo, ou rebobinasse uma velha fita. O bairro evoluíra, era verdade – aliás, como a maioria dos bairros da cidade –, contudo ainda conseguia ver por trás do progresso as tintas desbotadas de um tempo em que, se não era tão bom quanto o de hoje, ao menos tinha a vantagem de, por meio da nostalgia, lhe fazer parecer que fora melhor.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
A Palavra É: 5) Fetiche
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Ai, ai, ai! Eu sabia que chegaria o dia em que esta coluna ia virar uma "roubada"! Vinha pedindo a amigos que dissessem a primeira palavra que lhes viesse à cabeça, mas sem lhes dizer o motivo. E não é que meu camarada Carlos D'Orazio tascou, de prima, de bate-pronto, à queima-roupa... fetiche? No que será que ele estaria pensando ao vomitar (mais rápido que uma ejaculação precoce) uma palavra tão... tão... tão... fetichista? Pois bem, vamos por partes. Em primeiro lugar, admito que fui pesquisar a origem da palavra. Já sabia que era francesa, só não sabia que, num surpreendente bate e volta, fetiche, aliás, fétiche, é um empréstimo do português feitiço, cuja origem é o latim facticius (artificial, fictício). Falou ou quer mais?
segunda-feira, 4 de maio de 2015
A Palavra É: 3) Mentira
A humanidade nunca soube conviver com a verdade. Muitos dos caras que a utilizavam em seu discurso morreram na cruz, na fogueira, na guilhotina, vítimas de balas ou mesmo de solidão. E por quê? Porque a sociedade nos ensina a temê-la. Retrocedamos no tempo e nos lembremos de quando éramos crianças. Vejamos: na maioria dos casos, quando uma criança quebra algo "sem querer querendo", os pais lhe perguntam: "Foi você quem quebrou?" A criança, com medo de levar uma surra, responde rapidamente que não, sem saber que seus pais já sabem a verdade e só a estão testando. Na adolescência, a coisa piora: "Júnior, aonde cê vai?" Ao que o jovem Jr. responde que vai estudar na casa de fulano, quando na verdade vai ver uma garota ou assistir a um jogo no estádio, tomar umas com os amigos etc.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Os Manos e as Minas: 14) Esse cara é o Paulo Cesar de Araújo
Existe no mundo todo tipo de leitor, desde aqueles com gosto mais apurado, até os consumidores de autoajuda, passando pelas moçoilas que preferem tons mais acinzentados ou vampiros românticos, pelos aficionados por ficção científica, ou filosofia, ou religião... Sem falar em leitoras de revistas de fofocas ou aqueles camaradas que abrem o jornal só na página de esportes... Pra mim, pra ser sincero, creio que o ato de ler, por si só, deve ser aplaudido e incentivado. Ler é como subir uma longa escadaria: começa-se pelo degrau mais baixo e vai-se galgando degrau a degrau até a chegada ao topo. É verdade que de vez em quando bate o cansaço, daí alguns estacionam, ou mesmo retrocedem um pouco, mas tudo é válido. O mais triste é não ler. O "cara" que não lê é sempre mais facilmente manipulado... nem que seja apenas por sua própria ignorância.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Grafite na Agulha: 12) "Essas recordações me matam"
Minha ligação com Roberto Carlos já vem de antes de meu nascimento. Minha mãe costumava me contar que, quando estava prestes a me trazer a este mundinho de meu Deus, ainda lá no meio do nada, pra além das fronteiras dos cafundós, numa cidadezinha cearense de nome pomposo, Senador Pompeu, não poucas vezes chorou ouvindo Amada, Amante, canção com a qual embalava meus últimos dias de pré-rebento. Aliás, o disco que contém a supracitada canção (e também Detalhes, Como Dois e Dois, Traumas, Todos Estão Surdos, Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, entre outras), intitulado simplesmente de Roberto Carlos (como a maioria dos discos do Rei), nasceu praticamente junto comigo, naqueles fins do ano da graça de 1971.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
OS Manos e as Minas: 11) Carlos Gardel, un rayo misterioso
O tema de meu TCC (tese de conclusão de curso) na faculdade, De Noel a Gardel – um Samba e um Tango, foi fruto de um equívoco, aliás, dois. O primeiro foi que, segundo me constava, Noel Rosa e Carlos Gardel, sagitarianos como eu, faziam aniversário no mesmo dia, 11 de dezembro. Algum tempo depois, já com minha tese avançada, e lendo a biografia de Gardel pra me auxiliar, descobri que o nascimento do muchacho é até hoje envolto em mistério e suposições. O segundo equívoco foi que, como eu trataria em minha tese de uma letra de cada um (um samba e um tango), exploraria as qualidades de letrista de ambos. Só que... Gardel não era letrista!domingo, 2 de dezembro de 2012
Os Manos e as Minas: 10) O meu amigo... Roberto Carlos!
Corriam os primeiros anos da década de 1970 quando chegamos a São Paulo, não em pau de arara, mas de ônibus (após quase três dias de desconforto). Meus pais, uma tia adolescente (irmã de minha mãe) e eu, então um pingo de gente. Um tio viera na frente e fomos morar com ele. Adeus, Ceará! Íamos viver na cidade grande, Sumpaulo, mo fi! Pouco tempo depois a família descobriria os prazeres dos "aparelhos ligados na tomada", novidade pra nós: a dupla fogão e geladeira, que nos passaria a ser indispensável (até hoje), o ferro elétrico, e a supérflua, mas encantadora, radiola, que seria durante muitos anos (até que nos sobrasse pra TV em preto e branco) nossa menina dos olhos.
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