Soube da morte de Marito num sábado, véspera de uma viagem que tinha agendado fazia tempos. As lágrimas me pegaram de jeito; dias depois, transformei-as na homenagem abaixo, num tempinho que encontrei durante essa viagem. Contudo, o tempo passou e perdi a oportunidade de publicá-la. Assim, optei por esperar que chegasse a data de seu aniversário pra fazê-lo. E eis que a data chegou e, cumprindo a promessa que fiz a mim mesmo, venho oferecer flores em morte ao mano Marito, com a consciência tranquila de quem tantas vezes lhe ofereceu também em vida. Feliz aniversário, don Maritón! A festa aí no céu dos compositores deve estar sendo de arromba!
A primeira vez que perdi um amigo pra pálida dama foi traumático. Eu era jovem, e morte era algo que não fazia parte de minha realidade. Eu não morria; meus amigos e parentes não morriam; morte era um acontecimento que passava a outros, e a maioria das vezes apenas no cinema. Creio que não fui o único. Jovens em geral têm essa ilusão de eternidade. Todos nos sentimos meio que vampiros de filmes pra adolescentes. Aí o tempo passa, a fase adulta chega como uma bigorna que caísse em nossas cabeças, e com ela chegam também os fracassos, as desilusões... e a morte.
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A primeira vez que perdi um amigo pra pálida dama foi traumático. Eu era jovem, e morte era algo que não fazia parte de minha realidade. Eu não morria; meus amigos e parentes não morriam; morte era um acontecimento que passava a outros, e a maioria das vezes apenas no cinema. Creio que não fui o único. Jovens em geral têm essa ilusão de eternidade. Todos nos sentimos meio que vampiros de filmes pra adolescentes. Aí o tempo passa, a fase adulta chega como uma bigorna que caísse em nossas cabeças, e com ela chegam também os fracassos, as desilusões... e a morte.


