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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Esquerda, Volver: 31) A eterna luta social (estamos só começando) — Exemplos do Japão

Ultimamente, com o agravamento da pandemia, como tenho tido oportunidade de ler e refletir muito resolvi passar por aqui de novo — e depois de longa ausência — pra resumir o resultado de algumas dessas reflexões. Como a maioria de vocês sabe, mudei-me pro Japão há poucos anos e, portanto, tenho me deslumbrado com o quão rápido este país prosperou, principalmente se pensarmos que depois do fim da Segunda Guerra não passava de uma nação dizimada, e humilhada em seus brios bélicos, sobretudo pelo fato de ter se visto submetida a suportar em seu solo pátrio a presença dominante do exército estadunidense, que fora — ele próprio — responsável pelas bombas que então haviam esfacelado Hiroshima e Nagasaki e reduzido todo o país a escombros.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Esquerda, Volver: 29) O último homem (de Mary Shelley) — fragmento

Desde que o mês de abril abriu seus portões pra que entrássemos, estamos eu e minha mulher confinados. Ao final de junho, lá se terão ido três meses, mais de 90 dias, tempo suficiente pra (re)pensar muita coisa. Estamos sempre à procura de tempo, reclamando que estamos ocupados com uma série de assuntos que, na maioria das vezes, não têm importância nenhuma e mal nos damos conta de que essas ocupações todas são um artifício da sociedade pra que não tenhamos tempo pra pensar. Pois, como diz o ditado, "de pensar, morreu um burro". É mais ou menos meu caso. Não morri, contudo, pois, mais que burro, sou teimoso. Ah, pra encerrar a questão da pandemia no Japão, já há algumas semanas o confinamento se flexibilizou com a curva descendente da propagação do vírus, mas as coisas ainda estão longe de voltar a sua normalidade.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Eu Não Vi, Mas me Contaram...: 11) Marx e o vírus

Antes de sair de casa, além de me lembrar de pegar a necessária máscara que jazia sobre a escrivaninha, meio escondida entre vários livros, também optei por resgatar de uma gaveta minha velha camiseta vermelha que tem um desenho central de Karl Marx chutando uma bola, do lado esquerdo superior um emblema da CPF (Comuna Proletária de Futebol) e do lado oposto o tão intimidador símbolo comunista da foice fazendo um xis com o martelo. Em tempos de pandemia, todo cuidado é pouco e manter afastados os indesejáveis é salutar. A cada vampiro, seu merecido alho.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Esquerda, Volver: 28) Flores contra fuzis

Jan Rose Kasmir
fotografada por Marc Riboud
Nosso periférico planetinha anda girando estabanadamente e eu só não diria que sem direção porque segue pendente de um eixo gravitacional invisível que não permite que ele saia dando cabeçadas universo afora colidindo com astros outros. O caos reina e se prolifera. O homem, o único ser vivente que precisa de cuidados de terceiros durante anos até conseguir se erguer sobre dois pés, continua "se achando", sentindo-se Deus com poderes pra interferir no rumo da História, até que vêm tragédias naturais ou epidemias que se alastram pelo mundo provando como ele, o deus-homem, não passa de um ser insignificante enlouquecido por uma ridícula mania de grandeza. E nem eterno ele é. Com muita sorte, vai viver cem anos e terminar engolido pela terra, dentro da qual sua "eternidade" se verá metamorfoseada em adubo.

domingo, 5 de abril de 2020

A Palavra É: 51) Abraço

Dedicado a Claudia Salto.

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Reza a lenda que, como o Japão no passado foi um país muito pobre e, por causa disso, propagador de doenças, seus filhos aprenderam (e se acostumaram) a evitar o toque, o contato, o aperto de mãos, o beijo etc. Ainda no Brasil, e mais de uma vez, ao cumprimentar alguma japonesa com os famosos beijinhos no rosto, notei que a desinfeliz beijava com a bochecha ou, pior, a orelha; ou seja, tinha medo, nojinho ou ao menos falta de experiência pra tascar um suculento e babento beijo no rosto de quem a cumprimentava. Em certa ocasião cheguei mesmo a dar umas aulas pra uma amiga japa, mas o tempo passou e percebi que ela não se graduara. E agora, em pleno século XXI, no auge da civilização e num momento em que as pessoas aprenderam a deixar os ódios de lado(?), eis que nos vemos obrigados, nosotros, los que no somos japoneses, a imitá-los nessa feia e fria forma de cumprimento.