Esquerdas e direitas à parte, a música não pode parar. Afinal, aqui tratamos, sobretudo, dela. Aproveitei então pra sacar da manga a versão que fiz pra uma das canções mais populares de Joaquín Sabina. Em seus shows, quando ele começa o refrão dela, a plateia, em êxtase, canta junto com ele, a pleno gogó. Detalhe: é de um tempo em que Sabina ainda compunha a maior parte de suas canções só. Com o tempo, à formação de sua banda foram chegando músicos que, além de serem também bons compositores, de quebra eram grandes conhecedores de suas canções, como é o caso de Pancho Varona e Antonio García de Diego, que nos mais recentes discos de Sabina (à exceção dos que este gravou em parceria com Joan Manuel Serrat) têm sido responsáveis, juntos ou separadamente, pela coautoria da maior parte do repertório.
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terça-feira, 29 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Joaquín Sabina en Portugués: 17) Denilson Santos e a versão de "La canción más hermosa del mundo"
O disco Dímelo en la calle, lançado em 2002, não correspondeu às expectativas dos fãs de Joaquín Sabina por um motivo muito injusto (fazer o quê, se a vida é injusta?): seu disco anterior, 19 días y 500 noches (1999), é considerado até hoje o melhor desse cantautor espanhol. Ok, Dímelo... não é um disco ruim, apenas nasceu depois do irmão gênio (não confundir com irmão gêmeo). E, quando um compositor dá o melhor de si num grande trabalho, dificilmente repete a proeza no seguinte.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Joaquín Sabina en Portugués: 16) Sonekka e a versão de "Siete crisantemos"
E eis que chegamos a setembro, este mês tão homenageado em nosso cancioneiro. E no feicebuque! Por ali tá um tal de setembro pra lá, setembro pra cá... um verdadeiro setembramento! Daí que, por falar em sete (sei, sei que o mês é o nono, mas não tenho culpa se se chama setembro), resolvi começar eu também o mês com o pé bom (que varia de pessoa pra pessoa), inaugurando a segunda leva das versões sabineiras com uma canção emblemática no que se refere a esse número. E, como foi Sonekka quem inaugurou a primeira leva, convidei-o pra puxar o bloco também desta (ele indo arrasta muito folião).
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Joaquín Sabina en Portugués: 15) Adolar Marin e a versão de "Que se llama soledad"
As coincidências, quando boas, são deliciosas. Meu grande parceiro Adolar Marin está de CD novo na praça, o ousado Epílogo, que nasce com uma baita responsabilidade, visto que sucede o Atemporal, disco anterior de Adolar
e (de acordo com minha opinião, por supuesto) um dos melhores CDs dos
últimos anos, e olha que incluo nessa lista não apenas os CDs daqui do
baixo clero, mas também os dos buarques, caetanos, lenines... Mas Adolar
não é daqueles que ficam deitados em berço esplêndido, mesmo porque seu
berço não tem lá esse esplendor. Como diz o próprio numa canção, ele é o
primeiro de seu clã. Daí que, em vez de repetir a fórmula do Atemporal, resolveu voltar às origens roqueiras neste Epílogo.
Confesso que fiquei um tanto assustado com esse título. Estaria meu
mano tirando o time de campo? Perguntei-lho, ao que ele me respondeu
que, pra que uma nova história surja, a velha tem de acabar.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Joaquín Sabina en Portugués: 14) Ito Moreno e a versão de "Calle Melancolía"
Alguns amigos se preocuparam com as tintas carregadas de meus mais recentes textos. Escrevo pra tranquilizá-los. Está tudo bem, ninguém morreu, apenas resto eu cá com minhas contradições. Explico: adoro a liberdade que a solidão me proporciona; em contrapartida, às vezes a mesma liberdade me sufoca, pois tenho certo problema de foco. Quando há uma mulher a meu lado, sinto-me forte, traço metas, quero ir adiante. Já quando estou só, perco-me em fantasias, divagações, chamo a depressão pra dançar, e acabo tendo dificuldades de produzir. Sinto-me meio um peixe que quer viver em terra firme...
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Joaquín Sabina en Portugués: 13) Tato Fischer e a versão de "Cristales de Bohemia"
Ofereço este texto (e sua respectiva canção) a todos aqueles que tiveram a coragem de, pra esquecer um amor, fugir ao lugar mais distante possível (mesmo que esse lugar fosse o boteco da esquina; afinal, depois de duas doses, até o boteco da esquina pode se tornar o lugar mais distante do mundo!). ¡Ay, Praga!
Fazia muuuito tempo que eu não vinha por estas plagas tratar de Joaquín Sabina. Sabina, que, aliás, anda feliz da vida, em turnê internacional com o grande Joan Manuel Serrat. Desta feita com repertório novinho em folha, todo composto a quatro mãos pelos dois muchachos, repertório esse que resultou num belíssimo CD (que, obviamente, não chegou - e, infelizmente, nem chegará - por aqui), o La Orquesta del Titanic.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Joaquín Sabina en Portugués: 12) Dimi Zumquê e a versão de "Amor se llama el juego"

Dia desses estava eu mostrando a um amigo canção nova de um compositor que admiro, e ele encasquetou com uma palavra que, segundo ele, já encontrara em duas ou três canções do dito compositor. Meio desconcertado, respondi-lhe que em muitas mais canções encontramos a palavra "amor". E ele não teve como não concordar. Afinal, mais que uma palavra, o amor é uma incógnita. Quanto mais gastamos palavras, teses, livros, canções etc., a seu respeito, mais nos parece misterioso o tal do amor.
E quando tratamos acerca do amor quase sempre vem à baila o casamento. Essa é outra palavrinha não menos complexa; o casamento hoje é uma instituição que obedece a leis, muitas vezes envolve dinheiro, advogados, polícia...
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Joaquín Sabina en Portugués: 11) Eduardo Santhana e a versão de "Pongamos que hablo de Madrid"
Em dezembro último passei uns dias na Espanha, de férias. Vinha preparando essa viagem fazia quase dois anos. Conhecia apenas Barcelona e morria de vontade de visitar outras cidades. Mas este não se propõe a ser um relato turístico. Apenas pretendo juntar os cabos, já que o assunto é pertinente.
Antes de mais nada, preciso prestar alguns esclarecimentos aos amigos/parceiros que entraram nessa empreitada "sabineira" comigo. Como a maioria sabe, tenho a intenção de transformar esse repertório num CD. Tanto ia ser bom pra mim, quanto pra Sabina e também pros demais participantes. Assim que aportei em Madri com o material na mala. CDs, um caderninho com as versões mais um texto no qual eu explicava meus propósitos.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 10) Clarisse Grova e a versão de "Noches de boda"
Em meu texto anterior, escrito às vésperas do Natal, tratei de suicídio. Algumas pessoas mais sensíveis podem ter se sentido chocadas ou achado de mau gosto numa época tradicionalmente de esperança abordar tal tema. É, admito que peguei pesado, mas não consegui deixar passar batido o suicídio de uma pessoa que, se não era minha amiga, era ao menos bem próxima. No mais, mau gosto teve ela quando escolheu se matar nessa época, eu apenas optei pela "morte em literatura".
Desculpem, mas o Natal tem o poder de me deixar triste, deprimido mesmo algumas vezes. Em contrapartida, gosto do Ano-Novo. Por isso resolvi maneirar nas tintas e tratar de assunto mais leve.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 9) Gabriel de Almeida Prado e a versão de "Corre, dijo la tortuga"
Este texto caberia tanto no Ninguém me Conhece quanto no Os Manos e as Minas, até mesmo no Trinca de Copas, mas calhou que o moço em questão topou participar deste meu projetinho e tascou sua (bela) interpretação de Corre, Dijo la Tortuga, assim que cá está ele no Joaquín Sabina en Portugués. Grande aquisição!
Trata-se do jovem... Sim, caros, os jovens também têm seu espaço neste espaço! Aliás, por falar nisso, tenho que admitir que
Gabriel de Almeida Prado faz uma música de gente grande! E tenho que agradecer a Élio Camalle por ter me apresentado o moço.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 8) Zebeto Corrêa e a versão de "A mis cuarenta y diez"
Recentemente escrevi uma crônica que deu o que falar, Música Não É Futebol, que tratava, do ponto de vista musical, da rejeição midiática a toda uma geração de artistas que andam por volta dos 40 anos. Falando nisso, este 2011 é justamente o ano em que completo quatro décadas de vida! Puxa, nem mesmo eu acredito! Ainda me vejo como um moleque (e não poucas vezes ajo como um). O interessante é que, quando converso com amigos de minha geração, vejo neles esse mesmo sentimento de juventude tardia, temporã, duradoura, ou sei lá o quê; diria mesmo certa sensação de angústia de quem se sente guiando numa estrada que não sabe onde vai dar...
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 7) Álvaro Cueva (e Leonardo Costa) e a versão de "Como un explorador"
A inveja é uma palavra forte. Sentimento depreciável. Porém, poucos no mundo podem dizer que nunca a sentiram. Também eu não atirarei a primeira pedra. Só que, no meu caso, a inveja não é direcionada a bens materiais. Estou pouco me lixando se fulano comprou um carro zero ou uma cobertura no Morumbi. Não tenho do que reclamar quanto a minhas conquistas. Mas, se quiser me ver me roendo de inveja, mostre-me uma canção que eu gostaria de ter composto. Felizmente, esse tipo de inveja me ocorre repetidas vezes. E, mais felizmente ainda, muitas dessas canções são de amigos e/ou parceiros.
domingo, 21 de agosto de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 6) Daisy Cordeiro e a versão de "Jugar por jugar"

Seria cômico se não fosse trágico... Pensando bem, acho que o proparoxítono adjetivo que cabe melhor aqui é ridículo. Sim, chega a ser ridículo que em pleno século XXI ainda haja tanta intolerância no mundo. Não sei por que ainda é tão difícil viver e deixar viver... Na realidade, é mesmo um paradoxo, pois quem não vive passa os dias tendo inveja de quem vive, ao passo que muitos dos que vivem o fazem às custas dos que são obrigados a não viver...
Antigamente, quando as minorias (e nem estou me referindo às massas, que são outra qualidade de maioria; refiro-me às minorias étnicas e quetais) a tudo aguentavam sem reagir, tudo estava bem, mas bastou que se mobilizassem pra que a maioria passasse a reivindicar seus direitos de maioria.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 5) Roney Giah e a versão de "Eva tomando el sol"
Minha admiração por Sabina não se deu à primeira audição. Eu já possuía seu CD Enemigos Íntimos (em parceria com Fito Páez), do qual até gostava, mas que não me chamara a atenção de um modo especial. Contudo, como alguns professores recorrentemente falavam dele de forma enfática, como se se tratasse de uma espécie de Chico Buarque espanhol, resolvi lhe dar uma segunda chance.
Aconteceu que eu havia me tornado sócio da biblioteca do Instituto Cervantes, que conta com um belo acervo de livros, DVDs e CDs em espanhol, e, certo dia, procurando não sabia exatamente o quê, deparei-me com uns sete ou oito CDs de Sabina. Resolvi, pois, sorvê-los em doses homeopáticas, e escolhi aleatoriamente um deles pra levar pra casa a título de empréstimo.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 4) Pedro Moreno e a versão de "Contigo"

Joaquín Sabina é do time de Vinicius de Moraes: excepcional letrista, sonetista, mais intérprete que cantor, bom de copo, boêmio, notívago, cultivador de amizades, mulherengo e... dado a casamentos! Assim mesmo, no plural. Aliás, como foi Vinicius, é adepto do "que seja eterno enquanto dure", visto que não consegue viver ao lado de quem não ama.
No entanto, ao contrário de Vinicius, Sabina tem poucas canções derramadamente românticas. Em certa ocasião, uma amiga lhe pediu uma canção que falasse de amor, ao que ele lhe respondeu que era só a moça escolher uma de seus discos. Pra seu espanto, ela lhe disse que já havia procurado, mas sem sucesso.
sábado, 7 de maio de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 3) Ricardo Moreira e a versão de "Y sin embargo"

Ricardo Moreira virou cantor por força do destino. Baterista e gaitista, belo letrista que, quando não acha quem musique suas letras, também se vira bem como melodista, começou como membro (baterista e compositor) da banda Salada Mística. Aos poucos as verduras se mandaram e ficou ele só com a mística. Daí o jeito foi virar cantor. As histórias variam, mas o Brasil tem um vasto leque de cantores "por acidente". Moreirinha vem aumentar esse leque. De quebra, tem se mostrado bom arranjador nas gravinas caseiras que exercita durante os intervalos das aulas que dá (como eu, é letrista profissional - formado em Letras -, mas ele vestiu o avental de professor, enquanto eu fui me ajustando em paletós alheios). Essa junção de fatores me levou a crer que sua escolha pra gravar Y Sin Embargo seria acertada. Meu faro não me enganou. Foi. Com alegria recebi sua gravação, e até as "traves" me gustaron. Contou-me ele que gravou numa sexta-feira, depois de uma semana de aulas dadas a turmas de sextas séries. Daí a voz rouca e falha. Genial! Nada mais sabinístico! Sabina tem uma voz que seus inimigos podem apelidar de "taquara rachada", gasta com noitadas, bebedeiras, mulheres e outros pós. A voz de Moreira tá nesse pique, pero sin perder la ternura... ¡jamás!
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 2) Marcio Policastro e a versão de "Tan joven y tan viejo"

Eu tenho o maior orgulho desses meus parceiros! Quando comecei este projeto não sabia ao certo se eles iam comprar a ideia, mas já de cara Sonekka me presenteou com uma maravilhosa gravação pra Más Guapa Que Cualquiera. Agora, aogrinha mesmo, acabei de receber a colaboração de Marcio Policastro em outra canção. Outra bela gravação. Esta tem uma história que vale a pena ser contada. Enviei a Policastro a versão de uma de minhas favoritas de Sabina, Y Sin Embargo. Ele curtiu, mas o tempo passou e nada aconteceu. Semana passada ele estava nas redondezas e passou em casa. Compramos umas cervejas e à queima-roupa lhe perguntei sobre a tal versão. Ele me respondeu que havia curtido, mas pesquisando no youtube encontrara outra com a qual se identificara mais:
sábado, 9 de abril de 2011
Joaquín Sabina en Portugués: 1) Sonekka e a versão de "Más guapa que cualquiera"
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terça-feira, 5 de abril de 2011
Joaquín Sabina en Portugués - Prefácio
Uma língua representa um muro alto e intransponível pra quem não a domina. Já pra quem a domina, ela representa uma flor que desabrocha. Estudar uma língua significa (mais que aprender uma nova gramática, novas palavras, novos sons etc.) entrar em contato com outra cultura. Eu tive o azar de associar a língua inglesa ao domínio que exercem no mundo os estadunidenses, e esse pensamento acabou me afastando do aprendizado desta que é considerada a língua universal, a língua dos negócios, ou melhor, business. Reconheço que fui estúpido, pois, como diz minha amiga Lucia Helena Corrêa, há que aprender a língua do inimigo pra saber o que ele anda tramando. Mas sempre tive pouca paciência pra estudar coisas que não me dessem prazer. Por conta disso, quando estava na 7ª série, embora fosse o primeiro da classe em português, repeti de ano por ser uma nulidade em ciências. Mea culpa, admito. Mas admitir a culpa nada contou em minha fracassada tentativa de ser mais um garoto "uspiano". Ainda bem que, frustrado esse sonho, consegui ser, pelo menos, eu, mais que um coletivo.
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