Esta coluna andava um tanto enferrujada, então a polêmica a respeito da nova canção de Chico Buarque me motivou a buscar na memória algumas canções que fizeram parte de minha vida e que, ouvidas hoje, fora do contexto, podiam ser igualmente criticadas. Antes de continuar, gostaria de acrescentar que uma canção — assim como um filme, um livro ou qualquer outra coisa a respeito do que tratemos — deve ser analisada levando em consideração o período em que foi feita. Uma criação costuma estar impregnada dos conceitos de sua época, seja em concordância, seja em tom de crítica, ou seja ainda simplesmente como um exemplo dos costumes daquele período. Pensando nisso, trouxe estas três, que, em outro momento de minha vida, já me deixaram rouco de tanto que eu me esgoelava desafinadamente tentando acompanhá-las a plenos pulmões durante seu girar em velhos vinis.
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quinta-feira, 17 de agosto de 2017
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Canções que Amo: 5) Novas canções de protesto, por Fernando Cavallieri (na voz de Karina Ninni); Kleber Albuquerque + Adolar Marin; e Max Gonzaga
Nossa democracia nem bem teve tempo de crescer e aparecer e já se depara novamente – em pleno século XXI! – com artifícios da direita, que nunca soube admitir a soberania do voto e os avanços sociais e busca camuflar um novo golpe travestido de processo legal. Trata-se, obviamente, de artimanha de uma corja que só atende a interesses próprios (e de quem a mantém, por supuesto). Em nossa mais recente ditadura (até hoje, porque, como gostamos de ditaduras, não será de causar espanto se cairmos no abraço madrasto de uma nova nos próximos dias), os compositores engajados nunca se deixaram calar e compuseram uma série de clássicos que, batizados de "canções de protesto", viraram verdadeiros hinos de resistência.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Canções que Amo: 4) Affonso Moraes; Marcio Policastro; e Vicente Barreto + Celso Viáfora
1) CANTANDO EM DÓ
Ando com uma saudade arretada do Fonsão, ou Affonso Moraes – pros não íntimos –, daí, pensando nas canções que iria homenagear nesta edição do Canções que Amo, lembrei-me de sua pungente Cantando em Dó, e resolvi trazê-la pra cá, pra esta nova trinca. Affonso Moraes, o advogado do samba... ou o sambista advogado, como prefiram. Eita, cabra bom! Parceiraço meu! Tenho, aliás, a honra de tê-lo iniciado nos caminhos da arte de musicar letra. Antes de mim, o velho Affonso só costumava costurar melodias em suas próprias letras; mas eu, teimoso que só, fui lhe sugerindo uma letra aqui, outra acolá, e, quando nosso homem das leis reparou, já tínhamos um bom punhado de parcerias, pra gáudio meu.
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| Já Era Hora (2009) |
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Canções que Amo: 3) Dany López; Élio Camalle; e Gabriel de Almeida Prado + Daniel Ramos
1) COBRA
Gosto muito das canções de Gabriel de Almeida Prado, inclusive gosto de suas inusitadas letras, sempre recheadas de metáforas, algumas até pra lá de viajandonas, daquelas que só pululam nas mentes mais sonhadoras e férteis. Não à toa ele admitiu, em outra canção (No Bolso, parceria com Élio Camalle), que é assim "de tanto levar pancadas de sonhos na cabeça". Quem dera os jovens se acostumassem mais a levar tais pancadas no cocuruto. Mas Gabriel é também um exímio melodista, sobretudo quando musica letras alheias. Nesses casos, tem a capacidade de, por meio da melodia, fazer que a letra do parceiro pareça ser sua.
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| A Língua e a Alma (2015) |
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Canções que Amo: 2) Álvaro Cueva; Juca Novaes + Eduardo Santhana; e Paulinho Moska + Chico César
1) BOSCONEANA
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| Canabi Emotiva (2005) |
Existem canções que já nascem clássicas. Basta que nos deparemos com elas pela primeira vez e temos certeza de que as havíamos escutado antes, tão familiares nos soam. Parecem que sempre estiveram no ar, ao alcance da mão, em nosso imaginário; tanto que, quando um compositor invejoso as ouve pela primeira vez, se rói por não ter pensado nelas antes. Parecem simples, mas apenas depois de compostas; por isso, paradoxalmente, são as mais originais, pois podem ser até copiadas, mas não superadas. Nessa rara seleção de canções incluo o chiquérrimo bolero Bosconeana (de meu mano Álvaro Cueva), cujo lirismo da poesia baila harmonicamente com a beleza da melodia. Uma canção que, se já era irretocável quando executada em voz e violão, depois de arranjada (pelo irmão de Álvaro, Alê Cueva) virou uma obra de arte.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Canções que Amo: 1) Adolar Marin; Rafael Alterio + Kléber Albuquerque; e Sonekka + Ricardo Soares + Zé Edu Camargo
Acabado o arranca-rabo eleitoral, serei cavalheiro ao menos esta vez e não tripudiarei sobre os derrotados (se bem que essa passeata que houve na Paulista pró-ditadura era digna de umas considerações, mas posterguemo-las). Virando a página, pois, venho por esta dizer que ora inauguro nova coluna em meu bloguinho, esta dedicada a canções que, como bem diz o nome, amo. Mas vou me empenhar pra fugir do lugar-comum e procurar trazer novidades, lados B, enfim, canções menos conhecidas do grande público. A ideia é que esta coluna seja uma espécie mais focada de Grafite na Agulha, ou seja, com a agulha direcionada mais especificamente às canções que a discos como um todo. E, a exemplo da Trinca de Copas e da de Ouro, sempre de três em três. Simbora!
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