Engraçado, o velho Cazuza dizia que queria uma ideologia pra viver, mas atualmente tenho visto muito artistas terem seu talento espinafrado justamente por ter uma. E isso acontece dos dois lados. Do lado de lá, por exemplo, já li muita gente recomendar que parassem de ouvir Chico Buarque, porque ele é um petralha e tal. Da mesma forma, os de esquerda costumam relativizar o talento de gente como Fagner e Roberto Carlos (pra não falar em Lobão, Roger & cia.). Acho isso um perigo, além de ser desrespeitoso com a obra da pessoa criticada. Vejamos: por que Carlos Vereza é um lixo e Osmar Prado é um gênio da raça? Por causa de seu pensamento político? E se invertêssemos os sinais? Daí o primeiro é que seria gênio e o segundo, lixo? Percebem a cilada em que caímos?Colunas
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Esquerda, Volver: 26) Talento vs. ideologia
Engraçado, o velho Cazuza dizia que queria uma ideologia pra viver, mas atualmente tenho visto muito artistas terem seu talento espinafrado justamente por ter uma. E isso acontece dos dois lados. Do lado de lá, por exemplo, já li muita gente recomendar que parassem de ouvir Chico Buarque, porque ele é um petralha e tal. Da mesma forma, os de esquerda costumam relativizar o talento de gente como Fagner e Roberto Carlos (pra não falar em Lobão, Roger & cia.). Acho isso um perigo, além de ser desrespeitoso com a obra da pessoa criticada. Vejamos: por que Carlos Vereza é um lixo e Osmar Prado é um gênio da raça? Por causa de seu pensamento político? E se invertêssemos os sinais? Daí o primeiro é que seria gênio e o segundo, lixo? Percebem a cilada em que caímos?segunda-feira, 28 de agosto de 2017
Os Manos e as Minas: 30) O Jekyll e o Hyde de Jerry Lewis
Dizem por aí que a arte em si é inútil, não serve pra absolutamente nada! Não mata a fome; não aquece no frio; não refresca no calor; não leva a gente pra nenhum lugar; não nos acolhe quando temos sono; não nos possibilita comprar algo de que necessitamos; enfim, não passa de lero-lero, enrolation, coisa de vagabundo cumunixta que se escora na Lei Rouanet. Possa ser, mas aí eu paro, penso e reflito: como é poderoso esse Raulzito... Brincadeira; eu penso que, se isso é verdade, eu sou um inútil profissional, porque algumas das coisas que me são mais importantes na vida vêm da arte. Acho que se me tirassem, entre outras coisas, a literatura, a música e o cinema, eu enlouqueceria (se é que já não estou louco e não percebi).segunda-feira, 24 de julho de 2017
Crônicas Desclassificadas: 187) Confissões de um homem preso fora do artista
Adoro crônicas, e, de tanto gostar delas, acabei me tornando também um cronista, embora menor. E, se hoje escrevinho com regularidade, tenho que admitir que em grande parte devo isso a Carlos Heitor Cony, cuja coluna diária na Folha de S.Paulo acompanhei durante anos. O fato de ele ter envelhecido mal e ter ficado gagá, transformando sua fina ironia em mero cinismo azedo, não conseguiu destruir a estima e a gratidão que tenho por sua obra. Inclusive, é necessário que eu acrescente, ele também é um excepcional ficcionista. Comecei citando-o porque o li certa vez admitir que a felicidade depõe contra a criação. Durante os cerca de 20 anos em que esteve casado, foi feliz e, portanto, não teve ganas de escrever nada que ultrapassasse suas obrigações de jornalista.segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Esquerda, Volver: 13) O micro e o macro
Recentemente, Kana, minha parceira músico-matrimonial, fez um belíssimo show (sou suspeito, claro) no aconchegante Espaço Parlapatões, bem em frente à paulistana e boêmia Pça. Franklin Roosevelt. Pois bem, a entrada era gratuita, mas a casa permitia que a produção do evento passasse um chapéu pedindo ao público que contribuísse com o que quisesse. Kana levou ao parlapatônico palco oito músicos, sendo quatro saxofonistas, e gastou muito tempo pra fazer os arranjos pra essa banda. Até aí, tudo bem, toda profissão tem seus riscos (e enroscos); o detalhe que gerou este texto foi que bem em frente ao palco havia uma mesa de jovens que bebiam alegremente e, nos intervalos de seu êxtase, assistiam ao show. Já na segunda canção, eu, que estava logo atrás, ouvi de uma garota dessa mesa um "Não tem nenhuma música conhecida!". Duas canções depois, porém, todos eles estavam mexendo seus respectivos esqueletos ao som das tais canções desconhecidas.
sábado, 28 de novembro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 168) A (in)utilidade da arte e outras belezas
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| Paweł Kuczyński |
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 166) Os incendiários da arte
Escrever é, entre outras coisas, também um exercício de estilo. Não é apenas o que se quer contar, mas a forma utilizada pra fazê-lo. Claro, estou me referindo à literatura, mas podemos aplicar o mesmo raciocínio a outras artes, como, por exemplo, o cinema, a música etc. Ao vermos um filme, percebemos quando tem a "digital" de seu diretor por alguns detalhes, como a forma de manejar a câmera, a opção por sequências longas ou cortes rápidos, a utilização de cores berrantes (tão ao gosto de Almodóvar) ou desbotadas, ou ainda o preto e branco. Já quando ouvimos uma canção de João Bosco, por exemplo, logo nos primeiros acordes reconhecemos seu violão único; ou, se é de Chico, suas rimas sufocantes chamam a atenção, assim como suas aliterações e metáforas.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 156) A questão não é ser ou não ser Charlie
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| Por Mario Alberto |
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