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sábado, 2 de fevereiro de 2019

Minhas Top5: 3) Eu, bêbado; Elis, equilibrista

Descobri Elis Regina tardiamente. Confesso que a primeira cantora que me pegou de jeito foi Maria Bethânia. Eu, que sou desafinado até falando, nunca me preocupei em saber se a irmã de Caê alcançava as notas ou não. Pra mim, o que importava eram o repertório e a interpretação, que tinham tudo a ver comigo. Bethânia sempre foi uma atriz cantando. Já Elis (também atriz), puxando pela memória, lembro que tocava no rádio bastante com Alô, Alô, Marciano — refiro-me à época em que eu já começava a me entender por gente. Tempos depois, de tanto ouvir falar da "Pimentinha", comprei uma coletânea dela e foi a partir daí que ela começou a soar nos tímpanos del mio cuore. Sim, depois fui atrás de seus discos, mas vamos por partes, como diria... não, não vou completar essa frase manjada...

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Crônicas Desclassificadas: 192) A arte do encontro

Sonhei recentemente com o diálogo a seguir. O jeito foi acordar e transcrevê-lo. Com algumas adaptações, claro, mas só pra não dizer depois que não fiz nada.


A arte do encontro


Lá vem ela, apressada, caminhando a passos largos. Ele vai em sua direção, devagar, mãos nos bolsos e assoviando. Quando a vê, abre um sorriso de comercial de pasta de dente, como se acabasse de encontrar uma velha conhecida, e a aborda:

— Oi! Você tá indo no sentido errado. O caminho certo é por aqui.

— O quê? Como assim? Moço, desculpa, mas eu tô com pressa.

domingo, 4 de março de 2018

Grafite na Agulha: 45) Vinicius & Toquinho e seu traçado de paixão e dor

"Como é que pode a gente ser menino/ Ter sua coragem, traçar seu destino/ Sem pular o muro, trepar no coqueiro/ Ir no quarto escuro, mãe me mete medo, mãe me mete medo, mãe me mete medo/ O bicho te pega, boi da cara preta/ Deus te castiga, medo de careta/ Boi da cara preta, mãe me mete medo, mãe me mete medo, mãe me mete medo/ Mas atravesse o escuro sem medo (3x)/ De repente a gente começa a crescer/ Quer uma mulher que não pode ser/ O pai quer matar, a mãe quer morrer/ Não dá pra ganhar, não dá pra perder/ Não dá/ A mulher se joga do alto do edifício/ Porque o mais fácil fica o mais difícil/ Fica o mais difícil/ Mas atravesse a vida sem medo (3x)...

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A Palavra É: 34) Solidão

("Solidão é lava que cobre tudo, amargura em minha boca, sorri seus dentes de chumbo. Solidão palavra cravada no coração resignado e mudo no compasso da desilusão [...]") Minha amiga Isabella Montagnana, bem na fase pós-inferno astral que antecedeu seu aniversário, desabafou no facebook sobre "a sensação de estar sozinha, de não poder contar, de fato, com ninguém", independente de estar rodeada por várias pessoas. E sentenciou: "O mundo é cheio de gente, mas no fim você vai estar sozinho." Discordei dela, em termos, e lhe prometi um texto — como presente de aniversário? Pensei nisso agora, e pode ser que seja. Ainda mais sendo ela sagitariana como eu e, portanto, já por isso dona de sensibilidade ímpar.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Os Manos e as Minas: 25) Dylan – the answer is blowin' in the wind!

Meu caríssimo editor Marcelo Nocelli (cuja editora Reformatório acaba de ter o romance A imensidão íntima dos carneiros – de Marcelo Maluf – laureado no Prêmio São Paulo de Literatura) iniciou no facebook interessante discussão sobre a escolha de Bob Dylan como ganhador do Nobel de Literatura deste ano. Segundo ele, apesar de reconhecer a genialidade de Dylan e achar que o artista merece todos os prêmios possíveis – em se tratando de música, of course –, preferia ver um escritor – na verdadeira acepção da palavra – receber o prêmio, principalmente nestes tempos modernos em que, "cada vez mais, ser apenas escritor é cada vez menos" – frase lapidar, diga-se. Finaliza parabenizando Dylan, que "merece tudo o que conquistou" e afirmando que "prêmios são sempre discutíveis; esse também é um intento das premiações".

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Os Manos e as Minas: 20) Curiosidades sobre Louise Cerpa

Lembram aquele papo do "Menos a Luíza, que está no Canadá"? Esqueçam. A partir de sábado, quando formos a shows, baladas, festas etc. nos quais encontrarmos a galera, mais tarde vamos comentar que "estava todo mundo, menos a Louise, que está na Irlanda". É, tem muita gente bacana dando linha no pipa... Uns foram pra França, outros pros Isteites, outros pro Japão... Eu mesmo tô seriamente pensando em comprar uma chacarazinha no interior do Uruguai e viver de vinho e milongas – não, a maconha não tem nada a ver com esse desejo (risos ao fundo). Mas voltemos a Louise, que resolveu ir ver com os próprios olhos a terra do cara que escreveu aquele romance que ninguém leu e todos elogiaram – o romance, Ulisses, claro; o autor, James Joyce.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Crônicas Desclassificadas: 129) "Pondérações" sobre a esquerda festiva... e a direita que não "pega mulher"

Certa vez escrevi sobre a diferença entre irônicos e cínicos (leia aqui), posicionando-me entre aqueles em detrimento destes. E ultimamente tive mais um belo exemplo de posicionamento: o infeliz artigo que o filósofo direitoso Luiz Felipe Pondé publicou recentemente em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, chamado, chistosamente, Por uma direita festiva (se tiver estômago, leia aqui. ... bem, se for ler, leia também a ótima réplica de Noemi Jaffeaqui), no qual ele resume ideais de esquerda como simples subterfúgios pra "pegar mulher". E o pior foi que o texto foi escrito com um deslavado sentimento de inveja dos "esquerdistas pegadores", pois nele Pondé confessa a extrema dificuldade com a qual os "intelectuais de direita" vêm se deparando pra justamente levar um lero com a mulherada, visto que o belo sexo ainda se deslumbra com fotos do Che e papos sobre a fome na África.

domingo, 27 de outubro de 2013

Grafite na Agulha: 7) Vinicius/Toquinho – o disco que eu quero ter

Estivesse vivo dia 19 de outubro último, Vinicius de Moraes teria comemorado um século de vida. Hipoteticamente falando, claro, pois, vivendo como viveu, bebendo como bebeu e amando como amou, acho até que durou muito. Mas o fato é que, graças a Deus, muito se falou do poetinha nesses últimos dias. Porém, é bom que se diga: muito, mas não o suficiente! A tevê, como sempre, ocupada com desimportâncias, praticamente passou ao largo da data. Ainda bem que hoje, pra falar a verdade, não precisamos dela mais pra praticamente nada. Visto que caiu em sua própria armadilha, deixemo-la lá, resolvendo os problemas que ela mesma criou.