Mostrando postagens com marcador Amizade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amizade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Os Manos e as Minas: 37) Meus salvadores no Japão (parte 2) — Érico Baymma, meu super-homem de cristal

Há milhares de anos, praticamente em outra vida, tive um grande amigo a quem — até então — eu nunca vira, mas sempre amara. Éramos um par formado por duas figuras ímpares, fora de época e lugar, cavalheiros d'antanho que se comunicavam por e-mail, aproveitando a tecnologia, mas como se essas trocas de correspondências fossem antigas missivas, muito longas por sinal; apenas economizávamos o selo e a ida ao correio. Eu aguardava com ansiedade suas respostas, longas e deliciosas, que eu mais devorava que lia. Eram outros tempos, e eu tinha tempo e ele também — ou, pelo menos, se não tínhamos o inventávamos. Seu nome, Sérgio Veleiro (até lhe fiz uma canção; ouçam-na aqui). Ele era do Ceará — eu também, mas aquele morava em Fortaleza, e eu em Sampa.

sábado, 25 de novembro de 2017

De Sampa a Tóquio: 1) O mar não virará sertão graças às lágrimas

Na primeira vez que vim ao Japão, escrevi um diário. Não tinha um computador à mão ainda, então enchi quase dois cadernos — que não são os saramagueanos de Lanzarote, mas foram batizados por mim de Do Ceará ao Japão. Com o tempo, perderam-se, pra minha tristeza, pois meu HD-cachola, cheio até o talo, costuma expulsar sem minha autorização os arquivos/lembranças mais antigos. Por sorte, na (des)arrumação das vésperas da nova viagem, reencontrei-os, escondidos numa caixa, e pretendo digitalizá-los futuramente. Por ora, aproveito-me da tecnologia e do fato de ter hoje um computador (e um blogue) e começo novo diário, que não será diário — aviso já —, pois dependerá de vários fatores, mas pretendo que seja constante. Começo pelo último dia em Sampa.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Os Manos e as Minas: 23) Dodô e eu, eu e Dodô

Por Fernando Freitas
Gratidão. Essa palavra anda tão na moda hoje em dia, que muitas pessoas trocaram o bom e velho "obrigado" por ela. Antigamente, a gente dizia "obrigado/a", com esse o/a variando de acordo com o sexo, obviamente. Hoje, resolvemos o problema de gênero: tascamos um "gratidão", e tá tudo certo, seja homem, mulher ou como se autodefina. Mas, falando sério, gratidão é o que sinto por meu mano velho Adolar Marin. E por uma série de fatores, tantos que nem sei se o espaço aqui vai dar conta de abarcá-los se eu os começar a enumerar. Porém, independente do cabimento, resolvi que era hora de tratar dele. Aliás, dele não, de nossa relação. Já faz algum tempo que vinha querendo escrever a respeito dela, e acontecimentos recentes me fizeram bater o martelo.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Trinca de Copas: 35) Adolar Marin (+ Gilvandro Filho), Clarisse Grova e Nando Correia


1) INCONTÁVEL


Há alguns dias, aniversariou meu mano Élio Camalle, o cara com quem mais filosofei, bebi, briguei, ri e compus (não exatamente nessa ordem, mas às vezes tudo isso ao mesmo tempo). Coincidentemente, perto do aniversário dele minha também parceira Clarisse Grova divulgou no fb uma canção dela em parceria comigo feita justamente em homenagem a Camalle. Então, resolvi trazê-la pra cá juntamente com sua história. Deu-se desse modo: há alguns anos, quando eu e Camalle (assim como hoje) vivíamos um período de afastamento, alguém divulgou nas redes sociais uma canção chamada Dia de Estrelas, dele em parceria com meu também parceiro Kleber Albuquerque – ouça-a aqui com o incrível Rubi.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Crônicas Desclassificadas: 140) Carta a uma amiga em crise existencial

Estimada L.A.:

A vida é curta e, até prova em contrário, é uma só. E os dias não se repetem. Portanto, não há a menor chance de que um destes que se foram volte vez ou outra pra fazer uma visitinha, tomar um chá e divagar sobre os tempos em que ele fazia parte do presente. A não ser em nossas lembranças. Mesmo quando escrevemos sobre o passado, caímos fatalmente no risco de reinventá-lo, posto que nossa memória não é de todo confiável. Saramago, quando do lançamento de seu livro As pequenas memórias – pelo qual recordou um período que foi de sua infância até a adolescência –, chegou mesmo a afirmar numa entrevista que toda memória é inventada, visto que, ao procurarmos nela fatos antigos que, por um ou outro motivo, esquecemos, pomos outros no lugar.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 134) Amigos ou puxa-sacos?

A literatura, não direi de autoajuda, mas assertiva (palavra que está na moda), ensina-nos que, pra atingirmos nossos objetivos, devemos ser arrojados. Ela só não explica como perceber o limite entre o arrojo e a estupidez. Às vezes, uma abordagem mais ousada dá certo; outras vezes, resulta em dar com os burros n'água. Em contrapartida, vez em quando acertamos ao pensar duas vezes, contar até dez antes de tomar a iniciativa; já em outras ocasiões, perdemos o bonde, ficamos a ver navios. Este é um dilema pro qual ainda não encontrei resposta nem nesta nem em outras literaturas. Talvez porque ela (a resposta) varie de pessoa pra pessoa ou talvez porque mude de tempos em tempos... O que me deixa encafifado é que comigo, na maioria das vezes, ambos casos são exemplos de equívocos. Quando me apresso, como cru; quando espero, como frio.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Crônicas Desclassificadas: 123) As ervas daninhas (e as redes sociais)

Os novos tempos deviam trazer com eles um manual de instrução pra que nos pudéssemos adaptar mais facilmente. Fora os jovens e as crianças, que são autoadaptáveis, nós, os adultos (ou serei só eu?), costumamos penar pra entender mecanismos que pros pimpolhos parecem simples. Se não me engano, foi Woody Allen quem disse que o computador surgiu pra resolver problemas que antes não tínhamos. È vero. Claro que a modernidade traz com ela muitas coisas bacanas, algumas das quais passam a ser imprescindíveis pra nós, como, por exemplo, o celular. Quando surgiu esssa pequena encrenca, fui dos últimos a comprá-la. Aliás, no início, nem a comprei. Ganhei de presente da consorte seu velho tijolão, que ela trocara por um novo. De lá pra cá, por iniciativa própria, fui renovando os modelos, mas sempre, teimosamente, depois que toda a humanidade já o tinha feito.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Crônicas Desclassificadas: 110) Carta aberta aos amigos (que testam diariamente minha amizade)

O mundo é, na realidade, uma selva na qual usamos a máscara "sociável" da hipocrisia pra parecermos civilizados. Não é fácil viver nele, principalmente tentando ser verdadeiro. Considero-me um lutador. Sou daqueles que não desistem nunca, os teimosos, os turrões, os marrentos. E tô pouco me lixando. Se vou chegar ou não a alcançar meus objetivos é mero detalhe. Não tenho escolha. Se desistir é que não os alcançarei mesmo. De antemão já sei que essa partida de xadrez que jogo com a morte está perdida. Portanto, o máximo que posso fazer é usar dos artifícios de que disponho pra ganhar o máximo de tempo possível no jogo. E isso me basta (... não, não me basta. Até lá aprenderei a roubar nesse jogo). Assim, não tenho tempo pra melindres, visto que foco em meus objetivos sobre todas as coisas.

sábado, 8 de junho de 2013

Crônicas Desclassificadas: 89) Carta de um soldado da Música (a outro)

Caro irmão de tantas batalhas:

Temos sido bravos durante esses anos todos. Acostumados às porradas, ao nãos, a portas fechadas, a "por aqui você não passa", a "quem você pensa que é?"; sim, porque quem somos afinal? Órfãos de regalias, nos forjamos nossa própria paternidade. Aprendemos que os atalhos sempre nos levaram pelo caminho mais longo. A sola de nossos pés é uma dura crosta, por causa de tamanha caminhada. Nosso couro é resistente, nosso olhar é fixo (não podemos perder o contato visual, lembra?). Mas nosso sorriso é franco, nosso abraço é mais reconfortante que a cama mais macia do quarto mais luxuoso. Porque não somos frios e sabemos nos aquecer com o que levamos dentro de nós. Nosso coração é uma labareda incandescente (e explosiva) capaz de deixar o sol rubro de vergonha.