Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Esquerda, Volver: 3) Crônica da morte anunciada de um jornal

Quando estudava no então colegial, eu era um completo alienado. Mas não estava só; todos os meus amigos também me acompanhavam nessa alienação. Todos, menos um. Havia em minha classe um sujeito meio esquisito e um tanto arredio que foi o primeiro cara que pertenceu a meu círculo de amigos que lia jornal – era assinante da Folha de S.Paulo, ou seu pai, acho. Pra nós, era como se ele falasse russo. Toda a galera discutindo futebol, falando de mulher e balada, e lá vinha ele tratar de algum assunto que lera no jornal. Na época, eu achava que ele não tinha o que falar e por isso, pra ter algo e assim ser mais popular, repetia os temas das manchetes – ipsis litteris. Contudo, minha turma era bacana e o acolheu assim mesmo. Até porque, se alguém de fora nos olhasse de perto, acharia que éramos todos esquisitos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Crônicas Desclassificadas: 156) A questão não é ser ou não ser Charlie

Por Mario Alberto
Eu escrevo. Escrever é minha arma. Ou pode ser meu carma. Quem sabe, meu trevo. O fato é que escrever me dá prazer. Claro, às vezes masoquista. Mas quem não é, sendo artista? Escrevo o que quero, o que me á na telha; às vezes lero-lero, às vezes só groselha. Mas vez em quando desando, e a centelha incendeia, veia adentro, verbo afora. Nessa hora, periferia vira centro, e o que me feria... unguento. E posso ir mais longe, aguento. Só estou em paz quando me atormento. É por isso que escrevo. Porque devo, e é assim que pago: causando estrago, entre um e outro trago. Sem dar trégua, pra mais de légua! A inspiração é fértil, farta. Pode ser em rima, pode ser em carta. Pode ser em cima, embaixo, até sem clima me encaixo, caibo. A palavra é meu caibro, minha clave. Escrever: eis minha palavra-chave.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 147) A imparcialidade dos jornais

Li há algum tempo que, quando a crise na Europa chegou a seu ápice, os restaurantes de Paris então ficaram entregues às moscas, o que mobilizou seus donos a se reunirem e tomarem certas medidas paliativas a fim de atenuar os efeitos da crise em seus respectivos bolsos. Todos sabem que Paris é famosa também por sua noite, o que reflete em bares, restaurantes, cafés... e na iluminação (tanto, que também é conhecida como Cidade Luz). Portanto, não ficava bem que os parisienses, que sempre foram notívagos, passassem a optar por ficar em casa à noite. Decidiram aqueles então que era mais benéfico baixar os preços do cardápio e trazer de volta essa clientela. Já no Brasil – e principalmente em São Paulo –, o pensamento é um tanto distinto. Há crise? Faltam clientes? Aumente-se o preço e que paguem o pato os patos que podem pagar por ele.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Crônicas Desclassificadas: 3) Hey, Juddy

Recentemente, numa dessas esquinas da vida, topei com um velho amigo de bebedeiras e, para variar, fomos a um boteco comemorar o reencontro, ou qualquer outra efeméride. Qual não foi minha surpresa ao notar que ele, enfaticamente, pediu ao garçom uma Skol. Explico. Ambos sempre preferimos, durante quase duas décadas, a Brahma. Não estou fazendo comercial de cerveja, ao contrário, queria justamente escrever sobre o poder do comercial na vida das pessoas. Capaz até de mudar o gosto de alguém, só porque está na moda.