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quinta-feira, 5 de março de 2015

Trinca de Ouro: 8) Gabriel de Almeida Prado, Kana (+ Vasco Debritto) e Nelson Machado

O genial Kleber Albuquerque (por quem nutro uma admiração ímpar e cuja amizade aprendi a regar qual fosse a mais rara flor – e é), após safenar seu coração (que, de tão grande, mal sabia caber dentro da caixa do peito), retorna aos palcos de coração recauchutado nesta quinta-feira, também conhecida como 5 de março de 2015 (antevéspera de seu aniversário), pra show único no Espaço Parlapatões, que dorme e acorda na charmosa (e também recauchutada) Praça Franklin Roosevelt, 158, no coração (sic) de Sampa. O evento está marcado pra começar às 21h, e é bom chegar cedo, pois a casa não comporta tantos amigos quanto cabem em seu coração. O nome do show não poderia ser mais acertado, Psicoaudiocardiograma (maiores informações aqui). E a quem vem tudo isso? Resolvi, como forma de divulgação/homenagem ao albuquerqueano mano  – e motivo pra tirar da manga canções que fiz, digamos, de coração –, publicar aqui três delas que foram gravadas e tratam, direta ou indiretamente, desse vital órgão. Às ditas cujas, pois:

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ninguém me Conhece: 29) Nelson Machado, un brasiliano

Foi depois de um show em alguma cidade da Itália, não me recordo qual. Já era madrugada. Voltava ele pra casa (mais especificamente, Bolonha), cansado, com sono, pensando num bom banho quente, uma taça de vinho, quiçá. Naquelas ermas horas ele não podia imaginar que passaria cerca de um ano sem voltar pra casa. Tudo foi muito rápido, diria mesmo cinematográfico (as tragédias sempre têm um quê de cinema). Foi como na canção de Toquinho e Vinicius que dizia que "Ao cruzar a rua você está arriscando/ Pode estar na lua, pode estar amando/ Passa um caminhão, cruza uma perua/ O cara tá na dele, você tá na sua [...]". É, o cara tava na dele, ele tava na sua, de repente, numa fração de segundos, lá estavam ambos desafiando as leis da física, dois corpos ocupando o mesmo espaço. Agora não vem ao caso saber quem estava errado, este não é um roteiro de filme policial. Tampouco importa investigar o que sucedeu com o outro, visto que ele não passou de um (trágico) figurante nessa história. Importa saber o que aconteceu com o protagonista, Nelson Machado: a partir daí, sua vida se resumiu a sofrimento, dor, desilusão, sucessivas cirurgias de reconstituição, placas disso e daquilo pelo corpo... E o pior, segundo o diagnóstico do médico, ele jamais poderia voltar a tocar!