segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Crônicas Desclassificadas: 195) A loira da loja de conveniência

Escrevi este conto/crônica há exato um ano menos dez dias (hoje, quando o publico, é madrugada de 17 de setembro de 2019). Quase o havia esquecido, quando me deparei com ele ali, quietinho e esperançoso entre meus guardados. Resolvi que era tempo de lhe dar voz (vida?). Antes, acrescento apenas que, claro, é uma obra de ficção.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Cinema & Cia.: 3) Resenha crítica a Chatô, o filme

Meu estimado amigo Carlos D'Orazio — funcionário público em horário comercial, boêmio desses que varam a madrugada só pra despertar o sol, cantor à procura da nota perfeita, tocador de violão em outras rodas, compositor avulso e roteirista inédito (ou seria compositor inédito e roteirista avulso?) — certa vez criticou minha postura de blogueiro "chapa-branca", ou seja, que só escreve pra falar bem de outrem, e acrescentou que não tenho muitos leitores porque o que interessa a estes é a polêmica, o texto descaradamente escrito com o intuito de atingir (ou falar mal de) alguém. Respondi-lhe que meu tempo é muito precioso pra gastar com quem não vale a pena, mas ao mesmo tempo lhe passei a batata quente, convidando-o a ser o autor de um desses textos e prometendo-lhe que, se assim o fizesse, oferecer-lhe-ia espaço nesta humilde morada. Ele, ousado como é, não se fez de rogado e, pouco tempo depois, saiu-me com esta prosa que ora os convido a ler pra que tirem suas próprias conclusões — não só quanto ao texto de D'Orazio, mas também a sua polêmica opinião sobre polêmicas.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A Palavra É: 48) Resistência

Às vezes, a gente perde a paciência (ou a elegância) e age com truculência, em outra instância; toma uma cana e manda uma banana pra geral, um "fuck you", um "tomar no cool" etc. e tal. Sim, porque a gente é humano, não tem sangue de barata, tá cansado de tirano e de psicopata travestido de chefe. Quando tudo é um blefe, não rola oferecer a outra face. E não é só questão de (falta de) classe, é que toda esperança se cansa, cedo ou tarde, e arde na fogueira dos sem eira nem beira órfãos de fé. É, quando nada mais dá pé, há que se meter a colher no caldo da História. Vitória não vem de graça, há que se pôr a mão na massa, arregaçar a manga. Pra evitar um "Brasil de tanga", vez em quando é preciso meter o louco. E achar pouco.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Grafite na Agulha: 49) O adeus a Sydney Valle + seu "Você ainda não ouviu nada!"

É, os tempos estão duros! Soube há alguns dias que mais um querido amigo e parceiro resolveu abandonar o barco antes da hora. Quem foi fazer um som do lado de lá desta feita foi Sydney Valle, o eterno Palhinha, grande guitarrista, compositor e arranjador (arranjou recentemente, inclusive, o belo trabalho da cantora Iris Salvagnini, que contou com uma canção minha e de KanaCruzeiro — no repertório; ouça aqui) com quem tive o privilégio de compor umas poucas, mas belas, canções. Aliás, ele se foi sem me dar oportunidade de lhe pagar uma dívida. Explico: como soube que sou revisor de texto, deixou em minhas mãos um esboço de um livro inédito seu, que, segundo ele, seria uma espécie de romance autobiográfico a ser lançado em vários volumes. O material que me entregou seria referente ao primeiro. Como me mudei pro Japão pouco tempo depois e minha vida virou de ponta-cabeça, acabei adiando a leitura/revisão. Demorei demais...

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Minhas Top5: 4) Aos pés de João Gilberto

Pense num cabra brega, cafona, de mau gosto etc.: como diria Roberto Carlos, esse cara sou eu! Passei toda a infância (até a adolescência) ouvindo os tais artistas cafonas. Inclusive, em breve pretendo escrever sobre eles; só que agora nosso grande "papa" resolveu desencarnar, o magnífico e revolucionário João Gilberto, daí me vi obrigado a escrever antes sobre ele. Não será a primeira vez em meu blogue; há seis anos a não menos querida e saudosa Luhli, a pedido meu, escreveu lindamente sobre o maravilhoso Chega de Saudade, disco divisor de águas que em 1969 nosso Joãozinho gravou (leia aqui) —, e pouco tempo depois o não menos querido Dhenni Santos também versou em prosa sobre ele (aqui). E eis que agora chegou também minha vez de joão-gilbertear(te).

quarta-feira, 17 de julho de 2019

A Caverna de GH: 1) A lava do solo

Este novo ano que se inicia por aqui, em meu humilde bloguinho, traz uma novidade: uma coluna nova, chamada A Caverna de GH. GH é meu querido Gregory Hamyl, um multiartista talentoso pra caramba que será o dono e senhor da coluna. Ou seja, todos os textos publicados nela serão dele, que, por ser um pensador de alta periculosidade, procurado inclusive pela PI (Polícia dos Ignorantes), optou por manter-se escondido atrás desse nome artístico, pseudônimo, codinome ou seja lá o que seja. Antes de irmos à prosa, e a título de prefácio, comento apenas que o primeiro conto se trata de criação de metaforismo ímpar, assim sendo pedi a Gregory que me explicasse o contexto, o que o autor havia querido dizer com o que escreveu, e ele me mandou uma dissertação que resumo no parágrafo seguinte.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Nono aniversário d'O X do Poema

Ontem, foi o nono aniversário deste meu valente blogue, mas resolvi desta feita publicar o já tradicional texto de aniversário hoje por um motivo muito justo: neste décimo dia do sétimo mês de 2019 mais uma vez me mudei, mais uma vez pruma casinha modesta, como as dos primeiros anos de meu casamento. Só que, ao contrário daquelas, esta é do outro lado do mundo, o que representa por si só um novo começo. Entretanto, não vim falar da casa, só quis traçar esse paralelo entre as duas datas. Isto posto, resta dizer que nesses 12 meses que se passaram escrevi muito pouco, não só por falta de tempo, mas também por certa desmotivação causada pela fuga de leitores. Fosse eu um principiante, juro que teria parado, mas, agora que o vício de escrever já me contaminou por completo, resta-me continuar seguindo entregue a ele, nem que seja em respeito ao vício. E a essa meia dúzia que ainda não desistiu de mim, à qual agradeço e dedico estas maltraçadas.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

A Palavra É: 47) Fogueira

Havia dias que eu não escrevia quando resolvi encarar esta virtual folha de papel em branco e só abandoná-la quando a houvesse enchido de palavras, mesmo que carentes de significado. Algo ardia dentro de mim: a incendiária necessidade de escrever. Sou, mais que um homem de palavra, um de palavras. Só que, ao fixar esta folha sem saber o que nela viria a nascer, não me vinha nada. Resolvi usar de um subterfúgio: agarrei um dos poucos livros que trouxe pro Japão e pelo qual tenho muito apreço — Con buena letra, do espanhol Joaquín Sabina, que ganhei de meu querido amigo e parceiro Pedro Moreno, aliás, Edimundo Santos —, fechei os olhos, abri-o numa página aleatória e pus o dedo indicador sobre ela. Iria escrever sobre a palavra que meu dedo apontasse.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Crônicas Desclassificadas: 194) A química acaba

por Francisco Daniel
A química acaba. Assim como o amor. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, de repente do nada você percebe que a faísca que sempre esteve prestes a virar fogueira hoje não passa mais de cinzas, brasa não adormecida, mas restos mortais do último incêndio. E dá uma tristeza danada, porque a gente se põe a pensar naqueles tempos até nem tão longínquos assim quando tudo gerava fogo. É quase um sentimento de morte em vida, um envelhecimento precoce, um vazio que provoca um gosto amargo na garganta, ali mesmo por onde escorria o melhor dos vinhos. E dá-lhe procurar explicações, buscar culpados onde não há culpas. A coisa é assim, um dia está e no outro já não; um dia existe, no outro há apenas o grande Nada — teria ido parar num buraco negro interior?

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Esquerda, Volver: 48) Lula Livre — muito mais que um samba

por Malu Freire
Um ano e pouco depois de sua prisão, que tal falarmos um bucadim sobre Lula? E, notem, nem me refiro a sua pessoa física, ao dono de um CPF e de um RG, mas sim a essa entidade que seu nome se tornou com o decorrer das décadas, desde os já longínquos anos 1970. Lula hoje no Brasil é sinônimo de salvador da pátria, adjetivo que carrega em si muito preconceito. Muita gente — entre a qual diversos intelectuais — espinafra essa alcunha. Tenho ouvido e lido bastante contra os salvadores da pátria. O próprio Ciro Gomes em sua campanha ano passado batia repetidas vezes nessa tecla: "Chega de salvadores da pátria!" Foram tantos, e tantas vezes, que eu mesmo cheguei a pôr em xeque a importância desses sujeitos. Até que repensei. Parágrafo novo.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A Palavra É: 46) Travessia

Morrer, falecer, expirar, descansar, desencarnar, fenecer, perecer, partir desta pra melhor, bater as botas, abotoar o paletó, empirulitar-se, ir morar com o Pai, deixar de existir, voltar ao pó etc. Poderia gastar a vida aqui tratando dos tantos sinônimos que inventamos pra essa travessia cujo destino é sabe-se lá o quê. E que na verdade é também sinônimo do vazio que quem morre deixa em quem fica. Quem não está mais deixa de sentir, sofrer, sorrir, comer, respirar... já quem fica segue em frente, mas com essa dor, com essa saudade, que é meio que "arrumar o quarto do filho que já morreu". É quase imperdoável continuar existindo, ou sobrevivendo a outrem.