quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Minhas Top5: 1) Lulu de todos os Santos

Gosto de cochilar ouvindo música, e cada vez escolho um artista diferente pra (re)ouvir, o que não deixa de ser também uma viagem no túnel do tempo rumo a meu passado. Recentemente, o escolhido foi Lulu Santos, e, enquanto ressonava (e ele ressoava), tive a ideia de usar mais uma vez meu blogue pra prestar outras — e novas — homenagens a esses tantos artistas que fazem parte de minha memória afetiva; assim, enquanto suas canções faziam ligação direta entre meus tímpanos e meu coração, bolei a estrutura e batizei de Minhas Top5, coluna que estreio agora, e, como Lulu foi a mola propulsora, começo por acertar minhas contas com ele.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Versão Brasileira: 4) "Alto el fuego", por Augusto Teixeira + textinho de feliz ano novo

O ano de 2018 foi pra mim extremamente delicado. Pela primeira vez na vida, passei um ano inteiro morando fora do Brasil (pra quem me lê pela primeira vez, acrescento que estou vivendo em Tóquio, Japão, desde fins de novembro de 2017), e, se comi o pão que o diabo amassou, em contrapartida não posso omitir que, naturalmente, foi um ano cheio de experiências novas. Vi-me obrigado, entre outras coisas — e pela dificuldade de me comunicar em japonês —, a trabalhar num ramo com o qual nunca nem sequer havia sonhado: de um dia pro outro lá estava eu trabalhando numa churrascaria brasileira no coração de Tóquio.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Grafite na Agulha: 48) A vida selvagem dos Wings

Meu amigo Erico Baymma, que nasceu em Minas, mas é cearense de coração (e de vivência), compositor inspirado e cabra dono de uma escrita das mais finas, presenteou-me (a meu blogue — e mais especificamente esta coluna — e a seus leitores) com um depoimento belíssimo sobre o disco em questão. Queria ter tempo pra fazer um prefácio melhor, mas, como ele me pediu encarecidamente que publicasse esta prosa antes do dia 7 corrente (data em que o disco em questão será mundialmente relançado dentro de uma caixa com os dois primeiros discos do Wings, entre outras coisas), passei por aqui rapidamente pra viabilizar a publicação. Divirtam-se com o texto e o disco.

domingo, 25 de novembro de 2018

Crônicas Classificadas: 47) A física de Chico Buarque

A vida em sociedade é um ato político. Assim, todo ser humano, em contato com o meio, acaba se transformando num ser político. Inclusive os alienados o são, embora não saibam disso. A política permeia nossas relações, sejam elas profissionais ou afetivas. Quando saímos de casa, independente de pra onde estejamos indo, levamos conosco nossa bagagem política. Assim também o faz um professor. Não existe neutralidade. Claro, existem as ocasiões que se nos apresentam; há os momentos propícios pra algo e os que não o são. O bom senso é primordial. Especificamente falando sobre essa suposta "escola sem partido", considero-a, mais que uma grande bobagem, algo difícil (pra não dizer impossível) de se pôr em prática.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Esquerda, Volver: 47) Bolsonaro, é melhor já ir se acostumando: a esquerda não morre!

Estava preparado pra publicar este texto no sábado véspera da eleição, mas fui alertado de que a partir das 22h usar as redes sociais pra fazer propaganda política seria considerado crime, então aguardei seu término e o publico (e divulgo) agora, adaptado.

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Por Francisco Daniel
A esquerda sempre existiu. Se pensarmos bem, Jesus Cristo pode ser visto como um cara de esquerda. Também pacifistas como Gandhi, Martin Luther King Jr., Mandelao papa Francisco... Pepe Mujica é de esquerda. Quem se posiciona como um esquerdista é aquele que se preocupa com a situação dos mais pobres, das minorias. Um esquerdista jamais diria que vai governar pras maiorias e que "as minorias ou se adequam ou desaparecem". A esquerda odeia injustiça e principalmente a lavagem cerebral. Que é o que tem acontecido hoje. Os mesmos inocentes úteis que viram sua vida melhorar durante os governos petistas foram bombardeados implacavelmente por uma imprensa claramente coronelista e acabaram "comprando" um discurso cujas vítimas são eles mesmos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Canções em Colisão: 1) Eu levo a vida ou é ela que me leva?

Tenho trabalhado muito nesta minha fase nipônica, o que me dificulta escrever com a regularidade de que gostaria. Quando as ideias pintam, rabisco rapidamente pra não esquecê-las e vou cuidar da vida até o momento em que o cansaço e a preguiça não me vencem. Reparem: estou retocando esta prosa já faz mais de um mês e não logro finalizá-la. Este prefácio, inclusive, não existia no original; entretanto, resolvi incluí-lo só pra deixar vocês a par deste parto que é o ato de escrever quando o tempo não ajuda. Entretanto, estou contente; esta nova fase tem me trazido muito aprendizado. E o que vem a seguir trata um pouco disso. Pra tal, resolvi estrear nova coluna, que se chama Canções em Colisão (aceito sugestões). Vamos a elas.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

A Palavra É: 45) Espera

Por Francisco Daniel
Auri, mina que não tá no gibi, minha prima, gatinha dupiru, obra-prima de seu Mané e dona Du — cujo mais novo mano, o sagitariano Dênis, que não dá boa rima (não me condenes), quando moleque brincava de ser um calhambeque sem breque —, escolheu assim meio no breu, sem querer querendo, a palavra que ora lhes vendo... pero gratuitamente: a polivalente "espera", que sabe fazer das suas e se virar em duas. Ora submissa e passiva, dessas que não veem outra alternativa que não sofrer, se foder e ainda ver prazer em esperar pela redenção eterna... talvez depois de quebrar o pescoço mais que a perna; e ora a ativa, que, enquanto espera, é radioativa e solta elétrons na saliva, pertencente ao grupo dessa pouca gente que, enquanto espera, quase põe abaixo a esfera.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Esquerda, Volver: 46) Por que eu (ainda) sou Haddad

Quem me conhece pessoalmente ou pelo menos acompanha com certa regularidade meu blogue sabe que tenho sido neste espaço ferrenho crítico dos governos petistas desde que o então presidente Lula se aliou com tudo o que há de pior na política brasileira pra poder governar. Meu amigo Teju Franco, que sabe mais de política que eu e, além do mais, é bastante pragmático, tem sido um sujeito que sempre procuro ouvir — embora vez em quando discorde dele — pra entender melhor a ferramenta da governança, e saquei que em algo estamos de acordo: Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve desde... Juscelino? Vargas? A questão é que, discordando de Teju, entendo que Lula formou mais consumidores que seres pensantes. E eu, que mal compro mais que arte, comida, vestuário e birita, sempre me senti na contramão dessa "formação" de cidadão.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

A Palavra É: 44) Tempo

Por Francisco Daniel
"Quem fica parado é poste." Essa genial frase do grande Zé Simão talvez resuma o que chamamos de tempo. Sim, o tempo deve ser um poste (não confundir com um post), visto que vive parado. Cazuza disse que "o tempo não para"; já eu digo que o tempo não passa. E contrariando também Pablo Milanés, que diz que "el tiempo pasa". Vale, em relação à parte do "nos vamos poniendo viejos" estou de acordo. Só discordo em relação ao tempo: o tempo (o poste) não passa. Quem passa somos nós. Aliás, se é pra ser bem sincero, e abusando dela, da sinceridade, diria mais. Acho até que o tempo não existe, não passa de uma criação do homem (como Deus?). Já entrei em muita prosa viajandona com meu bróder Élio Camalle sobre o tempo. Mas abramos um parágrafo novo.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Esquerda, Volver: 21) Chico & Gil, 45 anos sem se calarem

Por Mauro Pimentel
Era uma vez um maio de 1973. Eu não tinha nem 2 anos, mas depois li, me informei, procurei saber. A ditadura (esta que hoje o sr. Bolsonaro apoia — e a serviço da qual está) andava firme e forte, com a petulância, a arrogância e a ignorância (no meio da ânsia do povo) trocando de papéis na rima pobre. Foi quando Gilberto Gil e Chico Buarque subiram ao palco pra apresentar a então novíssima Cálice, até hoje uma das poucas parcerias entre os dois. Eles sabiam que o mar não estava pra peixe. Aliás, os peixes viviam meio que se fazendo de espécies terrestres. O fato era que a canção composta por ambos, que trazia em si um desafiante trocadilho, passara despercebido pela censura.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Grafite na Agulha: 47) Gilberto Gil, o último a sair do avião

Ah, Gilberto Gil... Quanta coisa podemos falar sobre você... Seu violão baianamente orgástico... sua relação sancho-panciana com o lindamente quixotesco Caetano Veloso... sua prosopopeia... sua verborragia; mas sempre a favor da melodia... seu começo rechonchudo e seu final (final?) esquálido... enfim, super-homem é você, meu mano! Sua fase petralha partindo ao meio um ser meio assim ACM ("são dois no ringue: você e você")... Tantas contradições... Tantas tradições... Seu medo de morrer (logo você, que não morrerá nunca!)... Ah, Gilberto Gil, o rei da brincadeira, o rei da confusão... Aquele abraço!