terça-feira, 5 de março de 2019

Canções em Colisão: 2) Verdades e mentiras ilusórias

O colega Miyage, que, além de químico, professor universitário e músico, tem um interessantíssimo blogue em que heróica e diariamente escreve sobre música brasuca (este: 365 canções brasileiras), desafiou-me a não deixar a peteca desta coluna cair. Aceitei o desafio e cá estou, iludindo (mesmo sem ter o dom).


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No Brasil parece que não, pois estamos sempre atrasados quando nos comparamos a outros povos, mas em geral com o passar do tempo o mundo melhora, a civilização avança, as pessoas mudam e com elas seu comportamento. E os compositores, assim como os escritores, cronistas e quetais, têm sido repórteres de sua época. Tá, nem todos, claro, mas grande parcela deles (a mais significativa, eu diria). Por essas e outras é que não podemos simplesmente criticar inconsequentemente certas obras sem entender o contexto social do momento em que foram criadas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Cinema & Cia.: 2) As asas de Bruno Ganz (e os anjos de Lucio Dalla)

É inexplicável pra mim como sinto um enorme desejo de escrever sobre a morte de alguns artistas — alguns dos quais, como Bruno Ganz, que nem significaram tanta coisa assim em minha vida — e silencio sobre a de outros que amei... A única explicação que me vem pra isso é que, como não me pagam pra escrever, deixo-me levar pelos anjos (demônios?) de meu coração, que me sopram às vezes sentimentos dos quais nem me lembrava mais de ter sentido. Como foi pra mim começar essa viagem não a bordo de um avião, mas das asas de Bruno Ganz, de cujo rosto me lembro de uma série de outros filmes, mas que me marcou por dois. A eles, pois:

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Cinema & Cia.: 1) Sexo, além do prazer

Há alguns dias, meu amigo Antônio Carlos me desafiou a publicar no facebook fotos de dez filmes que marcaram minha vida — um por dia. Só que, de acordo com as regras da brincadeira, eu não podia comentar os respectivos filmes. Resignado (e um tanto contrariado), obedeci; entretanto, nasceu-me então a ideia de criar aqui no blogue mais uma coluna, desta vez tratando exclusivamente de cinema. Minha ideia era começar pelos dez filmes cujas fotos publiquei no fb, mas uma série e um filme a que assisti recentemente me fizeram mudar de opinião. De modo que a coluna que ora estreia resolvi que tratasse justamente de...

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Minhas Top5: 3) Eu, bêbado; ela, equilibrista

Descobri Elis Regina tardiamente. Confesso que a primeira cantora que me pegou de jeito foi Maria Bethânia. Eu, que sou desafinado até falando, nunca me preocupei em saber se a irmã de Caê alcançava as notas ou não. Pra mim, o que importava eram o repertório e a interpretação, que tinham tudo a ver comigo. Bethânia sempre foi uma atriz cantando. Já Elis (também atriz), puxando pela memória, lembro que tocava no rádio bastante com Alô, Alô, Marciano — refiro-me à época em que eu já começava a me entender por gente. Tempos depois, de tanto ouvir falar da "Pimentinha", comprei uma coletânea dela e foi a partir daí que ela começou a soar nos tímpanos del mio cuore. Sim, depois fui atrás de seus discos, mas vamos por partes, como diria... não, não vou completar essa frase manjada...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Minhas Top5: 2) Outro retrato de Djavan

Fuçando num grupo do facebook dedicado a Jorge Drexler, descobri que esse uruguaio cidadão do mundo acaba de fazer uma linda participação no mais recente trabalho de Djavan, Vesúvio, cantando uma versão em espanhol de uma das canções desse disco. Bastou isso pra eu me pôr a reouvir Djavan, este que, como Lulu, é um hitmaker de mão cheia. Só que Djavan, embora tenha também uma veia pop acentuada, é mais, digamos, classudo, jazzístico e emepebístico, tanto em suas melodias elaboradas quanto em suas letras únicas — e não raro ininteligíveis, dizem as más línguas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Minhas Top5: 1) Lulu de todos os Santos

Gosto de cochilar ouvindo música, e cada vez escolho um artista diferente pra (re)ouvir, o que não deixa de ser também uma viagem no túnel do tempo rumo a meu passado. Recentemente, o escolhido foi Lulu Santos, e, enquanto ressonava (e ele ressoava), tive a ideia de usar mais uma vez meu blogue pra prestar outras — e novas — homenagens a esses tantos artistas que fazem parte de minha memória afetiva; assim, enquanto suas canções faziam ligação direta entre meus tímpanos e meu coração, bolei a estrutura e batizei de Minhas Top5, coluna que estreio agora, e, como Lulu foi a mola propulsora, começo por acertar minhas contas com ele.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Versão Brasileira: 4) "Alto el fuego", por Augusto Teixeira + textinho de feliz ano novo

O ano de 2018 foi pra mim extremamente delicado. Pela primeira vez na vida, passei um ano inteiro morando fora do Brasil (pra quem me lê pela primeira vez, acrescento que estou vivendo em Tóquio, Japão, desde fins de novembro de 2017), e, se comi o pão que o diabo amassou, em contrapartida não posso omitir que, naturalmente, foi um ano cheio de experiências novas. Vi-me obrigado, entre outras coisas — e pela dificuldade de me comunicar em japonês —, a trabalhar num ramo com o qual nunca nem sequer havia sonhado: de um dia pro outro lá estava eu trabalhando numa churrascaria brasileira no coração de Tóquio.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Grafite na Agulha: 48) A vida selvagem dos Wings

Meu amigo Erico Baymma, que nasceu em Minas, mas é cearense de coração (e de vivência), compositor inspirado e cabra dono de uma escrita das mais finas, presenteou-me (a meu blogue — e mais especificamente esta coluna — e a seus leitores) com um depoimento belíssimo sobre o disco em questão. Queria ter tempo pra fazer um prefácio melhor, mas, como ele me pediu encarecidamente que publicasse esta prosa antes do dia 7 corrente (data em que o disco em questão será mundialmente relançado dentro de uma caixa com os dois primeiros discos do Wings, entre outras coisas), passei por aqui rapidamente pra viabilizar a publicação. Divirtam-se com o texto e o disco.

domingo, 25 de novembro de 2018

Crônicas Classificadas: 47) A física de Chico Buarque

A vida em sociedade é um ato político. Assim, todo ser humano, em contato com o meio, acaba se transformando num ser político. Inclusive os alienados o são, embora não saibam disso. A política permeia nossas relações, sejam elas profissionais ou afetivas. Quando saímos de casa, independente de pra onde estejamos indo, levamos conosco nossa bagagem política. Assim também o faz um professor. Não existe neutralidade. Claro, existem as ocasiões que se nos apresentam; há os momentos propícios pra algo e os que não o são. O bom senso é primordial. Especificamente falando sobre essa suposta "escola sem partido", considero-a, mais que uma grande bobagem, algo difícil (pra não dizer impossível) de se pôr em prática.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Esquerda, Volver: 47) Bolsonaro, é melhor já ir se acostumando: a esquerda não morre!

Estava preparado pra publicar este texto no sábado véspera da eleição, mas fui alertado de que a partir das 22h usar as redes sociais pra fazer propaganda política seria considerado crime, então aguardei seu término e o publico (e divulgo) agora, adaptado.

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Por Francisco Daniel
A esquerda sempre existiu. Se pensarmos bem, Jesus Cristo pode ser visto como um cara de esquerda. Também pacifistas como Gandhi, Martin Luther King Jr., Mandelao papa Francisco... Pepe Mujica é de esquerda. Quem se posiciona como um esquerdista é aquele que se preocupa com a situação dos mais pobres, das minorias. Um esquerdista jamais diria que vai governar pras maiorias e que "as minorias ou se adequam ou desaparecem". A esquerda odeia injustiça e principalmente a lavagem cerebral. Que é o que tem acontecido hoje. Os mesmos inocentes úteis que viram sua vida melhorar durante os governos petistas foram bombardeados implacavelmente por uma imprensa claramente coronelista e acabaram "comprando" um discurso cujas vítimas são eles mesmos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Canções em Colisão: 1) Eu levo a vida ou é ela que me leva?

Tenho trabalhado muito nesta minha fase nipônica, o que me dificulta escrever com a regularidade de que gostaria. Quando as ideias pintam, rabisco rapidamente pra não esquecê-las e vou cuidar da vida até o momento em que o cansaço e a preguiça não me vencem. Reparem: estou retocando esta prosa já faz mais de um mês e não logro finalizá-la. Este prefácio, inclusive, não existia no original; entretanto, resolvi incluí-lo só pra deixar vocês a par deste parto que é o ato de escrever quando o tempo não ajuda. Entretanto, estou contente; esta nova fase tem me trazido muito aprendizado. E o que vem a seguir trata um pouco disso. Pra tal, resolvi estrear nova coluna, que se chama Canções em Colisão (aceito sugestões). Vamos a elas.