quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Esquerda, Volver: 47) Bolsonaro, é melhor já ir se acostumando: a esquerda não morre!

Estava preparado pra publicar este texto no sábado véspera da eleição, mas fui alertado de que a partir das 22h usar as redes sociais pra fazer propaganda política seria considerado crime, então aguardei seu término e o publico (e divulgo) agora, adaptado.

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Por Francisco Daniel
A esquerda sempre existiu. Se pensarmos bem, Jesus Cristo pode ser visto como um cara de esquerda. Também pacifistas como Gandhi, Martin Luther King Jr., Mandelao papa Francisco... Pepe Mujica é de esquerda. Quem se posiciona como um esquerdista é aquele que se preocupa com a situação dos mais pobres, das minorias. Um esquerdista jamais diria que vai governar pras maiorias e que "as minorias ou se adequam ou desaparecem". A esquerda odeia injustiça e principalmente a lavagem cerebral. Que é o que tem acontecido hoje. Os mesmos inocentes úteis que viram sua vida melhorar durante os governos petistas foram bombardeados implacavelmente por uma imprensa claramente coronelista e acabaram "comprando" um discurso cujas vítimas são eles mesmos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Canções em Colisão: 1) Eu levo a vida ou é ela que me leva?

Tenho trabalhado muito nesta minha fase nipônica, o que me dificulta escrever com a regularidade de que gostaria. Quando as ideias pintam, rabisco rapidamente pra não esquecê-las e vou cuidar da vida até o momento em que o cansaço e a preguiça não me vencem. Reparem: estou retocando esta prosa já faz mais de um mês e não logro finalizá-la. Este prefácio, inclusive, não existia no original; entretanto, resolvi incluí-lo só pra deixar vocês a par deste parto que é o ato de escrever quando o tempo não ajuda. Entretanto, estou contente; esta nova fase tem me trazido muito aprendizado. E o que vem a seguir trata um pouco disso. Pra tal, resolvi estrear nova coluna, que se chama Canções em Colisão (aceito sugestões). Vamos a elas.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

A Palavra É: 45) Espera

Por Francisco Daniel
Auri, mina que não tá no gibi, minha prima, gatinha dupiru, obra-prima de seu Mané e dona Du — cujo mais novo mano, o sagitariano Dênis, que não dá boa rima (não me condenes), quando moleque brincava de ser um calhambeque sem breque —, escolheu assim meio no breu, sem querer querendo, a palavra que ora lhes vendo... pero gratuitamente: a polivalente "espera", que sabe fazer das suas e se virar em duas. Ora submissa e passiva, dessas que não veem outra alternativa que não sofrer, se foder e ainda ver prazer em esperar pela redenção eterna... talvez depois de quebrar o pescoço mais que a perna; e ora a ativa, que, enquanto espera, é radioativa e solta elétrons na saliva, pertencente ao grupo dessa pouca gente que, enquanto espera, quase põe abaixo a esfera.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Esquerda, Volver: 46) Por que eu (ainda) sou Haddad

Quem me conhece pessoalmente ou pelo menos acompanha com certa regularidade meu blogue sabe que tenho sido neste espaço ferrenho crítico dos governos petistas desde que o então presidente Lula se aliou com tudo o que há de pior na política brasileira pra poder governar. Meu amigo Teju Franco, que sabe mais de política que eu e, além do mais, é bastante pragmático, tem sido um sujeito que sempre procuro ouvir — embora vez em quando discorde dele — pra entender melhor a ferramenta da governança, e saquei que em algo estamos de acordo: Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve desde... Juscelino? Vargas? A questão é que, discordando de Teju, entendo que Lula formou mais consumidores que seres pensantes. E eu, que mal compro mais que arte, comida, vestuário e birita, sempre me senti na contramão dessa "formação" de cidadão.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

A Palavra É: 44) Tempo

Por Francisco Daniel
"Quem fica parado é poste." Essa genial frase do grande Zé Simão talvez resuma o que chamamos de tempo. Sim, o tempo deve ser um poste (não confundir com um post), visto que vive parado. Cazuza disse que "o tempo não para"; já eu digo que o tempo não passa. E contrariando também Pablo Milanés, que diz que "el tiempo pasa". Vale, em relação à parte do "nos vamos poniendo viejos" estou de acordo. Só discordo em relação ao tempo: o tempo (o poste) não passa. Quem passa somos nós. Aliás, se é pra ser bem sincero, e abusando dela, da sinceridade, diria mais. Acho até que o tempo não existe, não passa de uma criação do homem (como Deus?). Já entrei em muita prosa viajandona com meu bróder Élio Camalle sobre o tempo. Mas abramos um parágrafo novo.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Esquerda, Volver: 21) Chico & Gil, 45 anos sem se calarem

Por Mauro Pimentel
Era uma vez um maio de 1973. Eu não tinha nem 2 anos, mas depois li, me informei, procurei saber. A ditadura (esta que hoje o sr. Bolsonaro apoia — e a serviço da qual está) andava firme e forte, com a petulância, a arrogância e a ignorância (no meio da ânsia do povo) trocando de papéis na rima pobre. Foi quando Gilberto Gil e Chico Buarque subiram ao palco pra apresentar a então novíssima Cálice, até hoje uma das poucas parcerias entre os dois. Eles sabiam que o mar não estava pra peixe. Aliás, os peixes viviam meio que se fazendo de espécies terrestres. O fato era que a canção composta por ambos, que trazia em si um desafiante trocadilho, passara despercebido pela censura.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Grafite na Agulha: 47) Gilberto Gil, o último a sair do avião

Ah, Gilberto Gil... Quanta coisa podemos falar sobre você... Seu violão baianamente orgástico... sua relação sancho-panciana com o lindamente quixotesco Caetano Veloso... sua prosopopeia... sua verborragia; mas sempre a favor da melodia... seu começo rechonchudo e seu final (final?) esquálido... enfim, super-homem é você, meu mano! Sua fase petralha partindo ao meio um ser meio assim ACM ("são dois no ringue: você e você")... Tantas contradições... Tantas tradições... Seu medo de morrer (logo você, que não morrerá nunca!)... Ah, Gilberto Gil, o rei da brincadeira, o rei da confusão... Aquele abraço!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

A Palavra É: 43) Empatia

Por Francisco Daniel
Aprendi a suportar muita coisa na vida: humilhações, trabalho duro, as fatalidades do destino, o fato de não ter nascido rico, a falta de jeito com o sexo feminino etc. e tal. No entanto, nunca aprendi a lidar bem com o descaso. Claro, refiro-me àquele de outrem em relação a mim, visto que me dou às mil maravilhas com o descaso que sinto por terceiros. É neste ponto da prosa que entra nova personagem: uma amiga querida (que nem é tão próxima assim) por quem tenho grande admiração intelectual e com quem compartilho certa visão ideológica de mundo. Ela, mais na teoria; eu, mais na prática.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Oitavo aniversário d'O X do Poema

Neste 9 de julho de 2018, ano de Copa do Mundo na Rússia e de eleições na Terra Brasilis, escrevo eu por vez primeira desde lejos pra tratar do oitavo aniversário deste famigerado bloguinho (ou seria um humilde blogão?). Muita coisa aconteceu nestes mais recentes 365 dias, muitas sobre as quais escrevi aqui mesmo. Assim, como de praxe, trouxe pra esta publicação as 20  (tá, 21) que obtiveram mais visitas nesse curto (loooongo!) espaço temporal, o que não deixa de ser uma oportunidade pra que aquele leitor que ainda não teve a possibilidade de se deleitar (ou se aborrecer) com a leitura de algum pertencente a esta vintena o faça. Comemoremos juntos esta conquista, que de fracassos estamos fartos.

sábado, 30 de junho de 2018

Crônicas Desclassificadas: 193) Carta a Lionel Messi

¡Che, pibe! que mala suerte que hayas nacido en Argentina, ¿verdad? Dejame que te escriba esta cartita que me sale del corazón. Va escrita en mal español o, mejor dicho, en buen portuñol, pero, como dice un amigo brasilero, "es lo que tenemos para hoy" (né, Mecca?). Te quiero, Messito, me gustás, aunque no te sigo mucho por razones privadas. Pero te vengo a tranquilizar y decir que no, ¡no sos el culpable! ¡Para nada! Todo lo contrario. No encuentro en vos culpa ninguna. Sos todo un inocente. Y, a la vez, capaz que sea esta tu más grande culpa. Hoy día, no está permitido a ninguno eso de ser inocente. Somos todos culpables... Y yo me incluyo a mí, ¡un reculpable! Es decir, si bien que en el tribunal, como diría el gran español Joaquín Sabina, vecino tuyo, "lo niego todo".

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Esquerda, Volver: 20) Eu, política e Copa do Mundo

O futebol é o ópio do povo... Será? Essa afirmação vive em nossos corações e mentes há muito tempo. Já disseram que a religião era o ópio do povo etc. Sem entrar no mérito de se é ou não é, vou mais além: e se for? Igualmente não seriam as drogas, o álcool e as artes em geral? Alguém (mais de um) já disse que a poesia não serve pra nada. No entanto, tantos se dedica(ra)m a ela — não é, Lúcia Santos? Não é, Vlado Lima? E, afinal, num mundo tão cruel e injusto como o nosso, um pouco de ópio (no melhor dos sentidos) não seria de certa forma bem-vindo, seja em forma de religião, seja em forma de futebol, seja em forma das tantas artes que pipocam mundo afora...?