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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

No Embalo da Toada: 1) Entrevista com Léo Nogueira

Pessoas queridas, como vão?

Embora este meu bloguinho esteja temporariamente parado, é com alegria que lhes venho trazer uma novidade: recentemente, uma querida amiga carioca, Solange Castro, que trabalha há muitos anos divulgando não só a música brasileira, mas também a boa música em geral, convidou-me pra colaborar com minhas "escrevinhanças" pra seu novo portal, o Toada (pra conhecê-lo, clique aqui). Em contrapartida, ofereceu-me um lindo site onde eu poderei organizar o que tenho feito nessas décadas de andanças musicais e literárias. Portanto, e com a autorização dela, decidi criar uma nova coluna aqui, a No Embalo da Toada, pela qual replicarei os textos originalmente publicados por lá — claro, com o devido link pra que vocês possam também desfrutar de toda a riqueza do Toada. De quebra, alimento também este meu faminto espacinho.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Esquerda, Volver: 28) Flores contra fuzis

Jan Rose Kasmir
fotografada por Marc Riboud
Nosso periférico planetinha anda girando estabanadamente e eu só não diria que sem direção porque segue pendente de um eixo gravitacional invisível que não permite que ele saia dando cabeçadas universo afora colidindo com astros outros. O caos reina e se prolifera. O homem, o único ser vivente que precisa de cuidados de terceiros durante anos até conseguir se erguer sobre dois pés, continua "se achando", sentindo-se Deus com poderes pra interferir no rumo da História, até que vêm tragédias naturais ou epidemias que se alastram pelo mundo provando como ele, o deus-homem, não passa de um ser insignificante enlouquecido por uma ridícula mania de grandeza. E nem eterno ele é. Com muita sorte, vai viver cem anos e terminar engolido pela terra, dentro da qual sua "eternidade" se verá metamorfoseada em adubo.

domingo, 5 de abril de 2020

A Palavra É: 51) Abraço

Dedicado a Claudia Salto.

***

Reza a lenda que, como o Japão no passado foi um país muito pobre e, por causa disso, propagador de doenças, seus filhos aprenderam (e se acostumaram) a evitar o toque, o contato, o aperto de mãos, o beijo etc. Ainda no Brasil, e mais de uma vez, ao cumprimentar alguma japonesa com os famosos beijinhos no rosto, notei que a desinfeliz beijava com a bochecha ou, pior, a orelha; ou seja, tinha medo, nojinho ou ao menos falta de experiência pra tascar um suculento e babento beijo no rosto de quem a cumprimentava. Em certa ocasião cheguei mesmo a dar umas aulas pra uma amiga japa, mas o tempo passou e percebi que ela não se graduara. E agora, em pleno século XXI, no auge da civilização e num momento em que as pessoas aprenderam a deixar os ódios de lado(?), eis que nos vemos obrigados, nosotros, los que no somos japoneses, a imitá-los nessa feia e fria forma de cumprimento.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Notícias de Sampa: 24) Lançamento de "A Confraria dos Mascarados"

Depois de dois anos longe de casa, foi com imensa alegria que reencontrei os amigos do peito dia 22 último no lançamento de meu novo romance. Entretanto, percebi um tanto frustrado que não tô com essa bola toda, pois achei que após esse longo período minha presença em solo pátrio iria mobilizar mais gente nesse evento, mas não foi o que aconteceu. Entendo que os tempos são outros e que a galera anda um tanto dispersa mesmo, mas minha expectativa era a de ver mais amigos. Como as férias passam num piscar de olhos e semana que vem já volto pra Terra do Sol Nascente, aproveito pra encarecidamente convidar aos que não foram ao primeiro lançamento a que prestigiem o próximo, que já vai ser como uma espécie de bota-fora.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A Palavra É: 46) Travessia

Morrer, falecer, expirar, descansar, desencarnar, fenecer, perecer, partir desta pra melhor, bater as botas, abotoar o paletó, empirulitar-se, ir morar com o Pai, deixar de existir, voltar ao pó etc. Poderia gastar a vida aqui tratando dos tantos sinônimos que inventamos pra essa travessia cujo destino é sabe-se lá o quê. E que na verdade é também sinônimo do vazio que quem morre deixa em quem fica. Quem não está mais deixa de sentir, sofrer, sorrir, comer, respirar... já quem fica segue em frente, mas com essa dor, com essa saudade, que é meio que "arrumar o quarto do filho que já morreu". É quase imperdoável continuar existindo, ou sobrevivendo a outrem.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

A Palavra É: 45) Espera

Por Francisco Daniel
Auri, mina que não tá no gibi, minha prima, gatinha dupiru, obra-prima de seu Mané e dona Du — cujo mais novo mano, o sagitariano Dênis, que não dá boa rima (não me condenes), quando moleque brincava de ser um calhambeque sem breque —, escolheu assim meio no breu, sem querer querendo, a palavra que ora lhes vendo... pero gratuitamente: a polivalente "espera", que sabe fazer das suas e se virar em duas. Ora submissa e passiva, dessas que não veem outra alternativa que não sofrer, se foder e ainda ver prazer em esperar pela redenção eterna... talvez depois de quebrar o pescoço mais que a perna; e ora a ativa, que, enquanto espera, é radioativa e solta elétrons na saliva, pertencente ao grupo dessa pouca gente que, enquanto espera, quase põe abaixo a esfera.

quinta-feira, 1 de março de 2018

A Palavra É: 40) Vírgula



***


"A lua é a boca na cara do céu/ O sol é quem acende o céu dessa boca/ Os sonhos são mais altos que arranha-céus/ Ideias são zumbidos de uma muriçoca/ Estrelas são, no breu, luminoso sorriso/ Montanhas são as esculturas dos lábios/ O pensamento é ave num voo indeciso/ O tempo são as páginas de um alfarrábio/ Os astros interpretam o firmamento/ O rio xaveca a terra, mas se casa com o mar/ Poetas são brisas que ouvem o vento/ A música é o som a um passo de gozar/ Paixão é torpedo que erra de destinatário/ Amor é vírus que se contrai pelo ar/ A vida é uma vírgula no calendário/ Se tudo isso é seu/ Me diga quem sou eu/ E o que mais posso te dar."

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A Palavra É: 36) Neve

Deus, quando tá de bom humor, lá dos céus manda aos ateus provas de seu amor. E se faz pintor, como se sua janela fosse uma grande tela... e o mundo, uma aquarela. E se faz poeta — sua brincadeira predileta. Digamos que chuva seja prosa; e neve, poesia. Por quê? Porque chover chove todo dia. Já a neve Deus dosa. Versos não são pra qualquer estação. Tem que ser algo especial, grande ocasião, como se Sobral fosse ao Japão. Enfim, tudo isso porque enquanto o poeta escreve lá fora cai neve. E num canto de seu olho cai pranto. Tudo é encanto pra quem sabe lançar a cada paisagem um novo olhar. É assim que a miragem vira realidade; e a verdade, ficção. E quem pode afirmar o que é real e o que não? Na dúvida, vá visitar outra dimensão.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Notícias de Sampa: 21) Bye Bye, Brasil

É com um misto de alegria e tristeza que venho por esta avisar aos amigos e leitores que eu e consorte estamos de malas prontas pra uma mudança que, sem sombra de dúvidas, é a maior e mais ousada de minha vida. Semana que vem, zarpamos pro outro lado do mundo, pra Terra do Sol Nascente, também conhecida como Japão — ou Nihon, pros íntimos. Os sentimentos que ora me tomam são todos avassaladoramente complexos e contraditórios. Eu, que vivi o período de ditadura militar em imberbe idade e vi meus ídolos se exilarem em países distantes, ora, na fase adulta, com um tiquinho de vaidade vã e muita frustração vejo chegar minha vez.

domingo, 22 de outubro de 2017

A Palavra É: 32) Vampiro

Hoje é sábado. Aliás, já é domingo — passou da meia-noite. Ouço o barulho da chuva lá fora. Nessas noites, quando escrevo, componho, leio, ouço música, vejo um filme, bebo etc. (e esse etc. pode ser o que você imaginar) — às vezes mais de uma coisa ao mesmo tempo — e me lembro de que preciso dormir... me dá uma inveja danada dos vampiros. Quisera ser um deles e aproveitar a noite toda — a eternidade toda? Ir do livro de poesia ao filme clássico em preto e branco, lapidar aquele verso manco, ouvir um bolero instrumental — como faço agora — ou simplesmente bebericar uma vodca — como faço agora. A vida não é justa. Trabalhamos muito mais tempo do que gostaríamos (e ganhamos, em geral, muito menos do que achamos que merecemos), e durante esse tempo as horas se arrastam...

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Entrevistando: 13) Pepê Reis e eu (eu e Pepê) no Sons do Brasil

Não imaginei que ia me enrolar com a falta de tempo como me tem acontecido ultimamente. As 24 horas do dia seriam do tamanho certinho se eu não precisasse dormir as 8 horas diárias que durmo. Quanta perda de tempo! Ainda mais imaginando que quando eu morrer terei a eternidade pra dormir... Lembrei-me de um samba do mestre Wilson das Neves em parceria com outro mestre, Paulo Cesar Pinheiro, que diz assim: "Se alguém me bancar eu sei me vestir/ Só me falta é roupa, Iaiá, só me falta é roupa." No meu caso, só me falta é tempo (e grana). Além dos afazeres domésticos e dos trampos que aparecem picados, mas constantes, estou terminando mais um romance que inventei de começar (o terceiro – e nem lancei o segundo!) e ainda por cima resolvo uma série de assuntos referentes a uma mudança de residência... da qual tratarei mais tarde.

quinta-feira, 10 de março de 2016

A Palavra É: 12) Ética

Apesar dos tantos pesares de nossa época – e lembrando que todas as épocas têm seus pesares –, devemos nos considerar privilegiados por vivermos nela. O que pra gerações anteriores era tão difícil, como o acesso a informação, pra nós está ao alcance da mão, ou melhor, a um clique. Contudo, o fato de ainda haver hoje tanta ignorância demonstra que só acesso a informação não basta. Afinal, informação demais – e não peneirada – também representa perigo, principalmente quando não há critérios nessa busca. Porém, como eu sou eu, e possuo meus critérios, só tenho a agradecer por tais facilidades. Por exemplo: sempre respeitei e admirei bons professores, e hoje há na internet uma fartura de vídeos com aulas e palestras de professores notáveis, o que democratiza o acesso a eles. Ou seja, fora das salas de aula também podemos adquirir conhecimento.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Entrevistando: 9) Léo Nogueira (por Adolar Marin)

foto: Fernando Freitas
O mano Adolar Marin é um parceiro (e amigo) meu da velha. Conhecemo-nos há aproximadamente 15 anos e, de lá pra cá, devemos ter composto juntos cerca de 40 canções. Não compusemos mais porque ele, além de ser um tanto caymmiano, é supercriterioso em relação a letras, motivo pelo qual não titubeou em me devolver muitas das minhas que não passaram por seu controle de qualidade. Ou seja, desenvolvemos uma relação na qual o que nunca faltou foi sinceridade. E foi exatamente por isso que, quando me convidou pra ser entrevistado em seu programa Na Minha Casa, apesar de eu ter ficado envaidecido, minha primeira intenção foi declinar do convite. Afinal, eu tinha acabado de publicar aqui mesmo a primeira edição do programa, com Gabriel de Almeida Prado, e temi que minha ida pudesse ser vista como jogação de confete.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 15) Considerações sobre o lançamento do "Filho da Preta!" + o Baile do Baleiro



Com Rennan e Marcelo, da
Reformatório: gratidão! 
Ó, ninguém é de ferro. Por isso, dei uma escapada da poluição (e do estresse) paulistana(o) e vim aqui ver como vai Santos (e vai bem, obrigado). Dei uns tchibuns, comi uns camarões, tomei outras e umas e, agora, em vez de cair num sono profundo (o dos justos), resolvi vir aqui relatar o que de mais importante me aconteceu nessa semana que acabou de acabar (escrevo no momento em que o sábado encerra seu turno e dá lugar a seu dominical rendedor). Eu podia estar dormindo, eu podia estar roncando, mas, em vez disso, estou aqui escrevendo pra vocês, meus três ou quatro (in)fiéis leitores. Mas com um diferencial: pela primeira vez, desde que inaugurei este blogue, faço-o na condição de quem pode se candidatar a uma vaga na ABL (ouvem-se risos: os meus).

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ninguém me Conhece: 61) A receita caiubista do 4+1

O Caiubi está promovendo uma série de crônicas de caiubistas pra comemorar seus dez anos de existência. Há alguns anos escrevi um longo relato no qual mapeava a trajetória do Caiubi desde os primórdios. Não é o caso de repeti-lo (quem ainda não o leu pode fazê-lo aqui), preferi, desta feita, escrever sob um novo enfoque. O que faz um movimento qualquer ser relevante é justamente os valores que agrega e que são por ele atraídos. Zé Rodrix, quando esteve por vez primeira no Caiubi, afirmou que fazia anos que não ouvia num mesmo lugar, numa mesma noite, tamanho desfile de belas canções. E, sejamos sinceros, sem belas canções qualquer movimento musical perde seu valor, independente do número de adeptos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Crônicas Desclassificadas: 33) Filho da Preta! (Fragmento)

Ler sempre foi um de meus passatempos preferidos. De tanto ler, tomei gosto por escrever. De tanto escrever, acabei, sem falsa modéstia, aprendendo a dominar esse ofício razoavelmente bem. O que não aprendi foi a ser conciso, pra agonia de meu camarada (e leitor preguiçoso) Paulinho das Frases. Mas sei que, quando é o caso, até consigo (mas este não é o caso).

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Entrevistando: 2) Léo Nogueira (por Marta Nascimento)

Hoje é aniversário da cantora e compositora paraibana Marta Nascimento, minha mais recente parceira, mas quem ganha o presente sou eu. Explico: no finalzinho do ano passado Marta, que também é apresentadora de um interessantíssimo programa de entrevistas, Olho Clínico, entrou em contato comigo e me convidou a ser um dos entrevistados. E eu, como falso tímido que sou, lá fui, levando uma metade que não sabia onde pôr a cara e outra (des)afiando a língua (que já foi coçando). Nem sequer a conhecia... Quero dizer, pessoalmente, pois já tinha assistido a algumas de suas entrevistas. Ah, e também já tinha esbarrado com ela pelas páginas do Caiubi. Falar nisso, visite a página dela e ouça algumas de suas canções aqui.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ninguém me Conhece: 1) Léo Nogueira, de Senador Pompeu para o mundo

Não tinha a intenção de ser cabotino nesta série que se inicia (Ninguém me Conhece, conforme expliquei no texto anterior), mas estaria sendo no mínimo burro se não aproveitasse este espaço pra divulgar uma longa matéria que foi publicada domingo passado (falando de mim!) no jornal O Senador, de minha cidade, Senador Pompeu. Ainda mais porque, infelizmente, O Senador não possui edição digital. A matéria foi escrita por José Ribeiro, que, além de escrever semanalmente neste jornal a coluna Espie!, é professor de Literatura na Uece (Universidade Estadual do Ceará) e apresenta um programa em Fortaleza, pela rádio Difusora, chamado Ler e Rir, que trata de literatura e humor (!). Pra se ter uma ideia, o programa tem como vinheta de abertura a canção dos Beatles Let It Be, mas, no lugar da frase-título, ouve-se um "Ler e rir, ler e rir, ler e rir, ler e rir. Cearense sabe ler e rir". Um figuraça, como vocês lerão abaixo (a grafia para palavras estrangeiras é proposital). Mas "o cabra" é sério! É formado em Filosofia, Literatura e Jornalismo e já escreveu pra mais de 20 livros! Ei-la: