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sábado, 16 de julho de 2016

Crônicas Desclassificadas: 176) Eu, invasor de corpo ou A infância roubada

Sinto uma legítima inveja quando vejo algum barbado (refiro-me a um adulto; a barba aqui no caso é pura retórica) contar com riqueza de detalhes sobre períodos ou passagens de sua infância. Eu não vivi minha infância. Melhor dizendo, eu não me lembro de ABSOLUTAMENTE NADA de minha infância. Quando revejo velhas fotos, fico deveras assombrado ao ver aquele moleque que, dizem, eu fui em situações e locais sobre os quais não me vem a mais vaga lembrança. Pior, muitas vezes me autoengano, sugestionado por parentes que contam sobre esse ou aquele fato, e com tamanha familiaridade, tanta proximidade, como se tais fatos tivessem ocorrido ontem, que chego mesmo a acreditar que me lembro deles(!).

terça-feira, 1 de março de 2011

Ninguém me Conhece: 39) A utopia de um certo Pe. Zezinho

Resolvi escrever este texto por motivos afetivos. Quando era criança, costumava passar as férias escolares na casa de meus avós. Lá, passava os dias inteiros jogando futebol num campinho de terra e, quando chovia, ou quando anoitecia, jogava damas com os garotos da rua. Só descuidava dessas importantes atividades nas horas de refeição e… oração. Minha avó era uma católica fervorosa, quando não estava ocupada com os afazeres domésticos estava rezando. Inclusive, visitava doentes e rezava com eles e pra eles. Quando eu ia pra sua casa, sabia que ia pôr em dia minha carga de orações. Eu, moleque, louco pra brincar, achava chato para caramba ter que rezar o terço, depois o anjo da guarda, depois a ladainha, depois o credo, depois a salve rainha, depois a novena de não sei quem, depois mais isso, depois mais aquilo… Enfim, me parecia um castigo, muito pagamento pra pouco pecado (mas deve ter servido pros pecados futuros). Porém, se era o preço, então eu pagava, pois teria o resto do dia livre pra brincar.