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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Canções que Amo: 2) Álvaro Cueva; Juca Novaes + Eduardo Santhana; e Paulinho Moska + Chico César

1) BOSCONEANA

Canabi Emotiva (2005)
Existem canções que já nascem clássicas. Basta que nos deparemos com elas pela primeira vez e temos certeza de que as havíamos escutado antes, tão familiares nos soam. Parecem que sempre estiveram no ar, ao alcance da mão, em nosso imaginário; tanto que, quando um compositor invejoso as ouve pela primeira vez, se rói por não ter pensado nelas antes. Parecem simples, mas apenas depois de compostas; por isso, paradoxalmente, são as mais originais, pois podem ser até copiadas, mas não superadas. Nessa rara seleção de canções incluo o chiquérrimo bolero Bosconeana (de meu mano Álvaro Cueva), cujo lirismo da poesia baila harmonicamente com a beleza da melodia. Uma canção que, se já era irretocável quando executada em voz e violão, depois de arranjada (pelo irmão de Álvaro, Alê Cueva) virou uma obra de arte.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Crônicas Desclassificadas: 82) Saudade das cartas

Sou do tempo das cartas. Quando penso nelas a primeira recordação que me vem à mente é a de ver meus pais felizes por lhes ter o carteiro trazido uma lá do Km 29, Senador Pompeu-CE. Parecia uma coisa quase religiosa: o cuidado no abrir o envelope, pra não rasgar o conteúdo; a leitura da carta, às vezes em voz alta, às vezes não; seu passar de mão em mão e o respectivo apuro do olfato, como se estivéssemos sentindo o cheiro do lugar de onde ela tinha vindo; o capricho da letra; o esmero na resposta; a espera pela carta seguinte... Tudo o que girava ao redor dessa correspondência era encarado com a maior seriedade, apesar da alegria que era sua leitura. Às vezes havia lágrimas pela notícia da morte de algum parente (na época não tínhamos telefone em casa), às vezes um sorriso por saber do nascimento de outro...