terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 15) Considerações sobre o lançamento do "Filho da Preta!" + o Baile do Baleiro



Com Rennan e Marcelo, da
Reformatório: gratidão! 
Ó, ninguém é de ferro. Por isso, dei uma escapada da poluição (e do estresse) paulistana(o) e vim aqui ver como vai Santos (e vai bem, obrigado). Dei uns tchibuns, comi uns camarões, tomei outras e umas e, agora, em vez de cair num sono profundo (o dos justos), resolvi vir aqui relatar o que de mais importante me aconteceu nessa semana que acabou de acabar (escrevo no momento em que o sábado encerra seu turno e dá lugar a seu dominical rendedor). Eu podia estar dormindo, eu podia estar roncando, mas, em vez disso, estou aqui escrevendo pra vocês, meus três ou quatro (in)fiéis leitores. Mas com um diferencial: pela primeira vez, desde que inaugurei este blogue, faço-o na condição de quem pode se candidatar a uma vaga na ABL (ouvem-se risos: os meus).

sábado, 13 de dezembro de 2014

Trinca de Copas: 27) Três vivas musicais a Marcio Policastro

Poli com outro sagitariano,
o saudoso Zé Rodrix (ao fundo)
No dia de hoje, também conhecido como 13 de dezembro do ano da graça de 2014, e na boa companhia de Luiz Gonzaga, aniversaria outro querido sagitariano (como eu – refiro-me ao sagitariano, não ao querido), meu mano Marcio Policastro, o cara (ao lado de outro mano, Gabriel de Almeida Prado) com quem mais fiz música neste 2014 que dá seus últimos suspiros. Como forma de homenageá-lo (refiro-me a Poli, não ao ano, embora em relação a este eu também não tenha do que me queixar), escolhi três parcerias nossas pra publicar aqui. A elas, pois:

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Grafite na Agulha: 33) Noel Rosa

Estivesse vivo, Noel Rosa comemoraria hoje 104 anos. Quer dizer, esse "estivesse vivo" é força de expressão, pois, levando a vida que levou, mesmo que tivesse escapado da tuberculose, teria morrido de cirrose no máximo dez anos depois. Azar o nosso, que deixamos de ganhar possíveis outras centenas de obras-primas, pois Noel, com seus pouco mais de 26 anos, deixou-nos 300 e tantas canções, a maioria de qualidade indiscutível. Meu parceiro Ayrton Mugnaini Jr. escreveu sobre como a descoberta de Noel influenciou em sua obra. O paulistano Ayrton, pra quem não conhece, é jornalista, compositor, escritor, pesquisador de música popular e tradutor; tem cerca de 20 livros publicados; foi integrante dos grupos Língua de Trapo e Magazine; e é um dos produtores do programa Rádio Matraca, que passa todos os sábados na USP FM. É pouco ou quer mais? Manda bala, Ayrton!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 14) A orelha do "Filho da Preta!" – por Zeca Baleiro

Desde que me entendo por gente, sempre me acompanharam os livros. Retificando: depois que abandonei os gibis, obviamente. Acho que chega a ser quase uma dependência. Se vou à padaria e não levo um livro, parece que falta alguma peça de meu vestuário. É meio como se eu tivesse que estar preparado pra algo fora do roteiro, manjam? Exemplo: vai que o pão acabou e eu preciso esperar 15 minutos. Tendo um livro, nem vou perceber o tempo passar; já sem ele, os 15 minutos virarão uma eternidade. Sacaram? E vejam vocês: já houve ocasiões em que saí com um livro debaixo do braço, bebi até perder o centro, e acordei no dia seguinte preocupado, com medo de tê-lo esquecido... e lá estava ele, na cabeceira da cama.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 13) Vasco Debritto: fênix ou Sísifo?

Segundo a lei da gravidade, cair é fácil, subir é que são elas. Não à toa, existe até aquele ditado que diz que na descida todo santo ajuda. Há uns que até descem na banguela. Só que, quando o assunto é show business, aí a lógica se inverte. Sucesso e fracasso, ascensão e queda, são dois lados de uma mesma moeda que costuma cair sempre com a cara pra baixo. Assim, quando um artista está em evidência, sua subida é tão fácil, que às vezes parece que fulano é uma espécie de Super-Homem, basta socar o céu com o punho fechado e gritar "para o alto e avante!" pra sair por aí voando. Já quando a derrocada começa, aí a queda vem aos trancos e barrancos. Se bem que, se pensarmos na existência em termos de vida e morte, a descida é natural, tanto pra Frank Sinatra quanto pr'aquele anônimo cantor de barzinho.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Grafite na Agulha: 32) Las tramas y los desenlaces de Jorge Drexler... y los míos

Girei a chave, abri a porta e me deparei com um lençol amarrado feito uma trouxa. Eram roupas. Detalhe: roupas minhas! Ao redor, espalhados pelo chão, demais pertences meus, de várias categorias e espécies. Ela surgiu e, entre gritos e lágrimas, tentou me fazer entender que eu acabava de ser desincumbido de minhas funções de marido. Era uma decisão unilateral que não me deixou oportunidade de réplica. Nem precisei cumprir aviso prévio. Arranjei um carro – não lembro se de algum parente ou amigo –, joguei minhas tralhas dentro, consegui fazer que ela me deixasse ao menos escolher alguns livros e CDs, joguei-os rapidamente numa mochila e disparei rumo a um futuro incerto. Meu pai estava internado, em situação delicada; eu estava com 37 anos, desempregado, e voltava, depois de mais de dez anos, à casa que um dia fora meu lar.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 153) A responsabilidade de Chico Buarque... e a de cada um de nós

Ponha-se no lugar de Chico Buarque. Não deve ser fácil estar em sua pele 24 horas por dia. Por onde vai, é seguido por olhares, flashes, cliques, cochichos, suspiros, sem contar os malas que o abordam pra pedir isso ou aquilo. Já houve até casos em entrevistas em que ele ouviu a fatídica pergunta: "Como é ser Chico Buarque 24 horas por dia?" Ora, bolas, não tem o que perguntar, vá pesquisar o entrevistado, pô! Afinal, de Chico Buarque ao padeiro da esquina, cada indivíduo está pra lá de acostumado a ser ele próprio durante todas as horas de seu dia. Quer dizer, há exceções, principalmente se você trabalha numa empresa em que precisa pôr uma máscara, virar personagem pra ascender. Mas isso é questão de foro íntimo; cada um sabe de suas ambições profissionais. Voltemos a Chico.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Canções que Amo: 2) Álvaro Cueva; Juca Novaes + Eduardo Santhana; e Paulinho Moska + Chico César

1) BOSCONEANA

Canabi Emotiva (2005)
Existem canções que já nascem clássicas. Basta que nos deparemos com elas pela primeira vez e temos certeza de que as havíamos escutado antes, tão familiares nos soam. Parecem que sempre estiveram no ar, ao alcance da mão, em nosso imaginário; tanto que, quando um compositor invejoso as ouve pela primeira vez, se rói por não ter pensado nelas antes. Parecem simples, mas apenas depois de compostas; por isso, paradoxalmente, são as mais originais, pois podem ser até copiadas, mas não superadas. Nessa rara seleção de canções incluo o chiquérrimo bolero Bosconeana (de meu mano Álvaro Cueva), cujo lirismo da poesia baila harmonicamente com a beleza da melodia. Uma canção que, se já era irretocável quando executada em voz e violão, depois de arranjada (pelo irmão de Álvaro, Alê Cueva) virou uma obra de arte.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 152) Nós não vamos pagar nada ou Não basta mais ser VIP...

Não basta mais ser VIP. Agora o sujeito tem que ser V-VIP (Very-VIP). O que chega a ser uma redundância, visto que VIP, que vem do ingrêis, significa Very Important Person. 'Xa ver se eu entendi. Quer dizer que agora temos as pessoas muito-muito importantes, que são aquelas tão, mas tããããão importantes, que não admitem sequer dividir o mesmo espaço com aquelas outras, a gentalha que é só muito importante. Elas precisam de um espaço com um V a mais, um "pico" reservadíssimo, um olimpo onde só se dirigirão a outros VV, seus iguais. Bem, antes de continuar, preciso dizer que só soube que existe um espaço assim tão precioso dia desses, ao passar os olhos por uma dessas colunas tão importantes do jornalismo brasuca dedicadas a essa gente tão importante que entra sem pagar em jogos da Copa e outros eventos tops.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Canções que Amo: 1) Adolar Marin; Rafael Alterio + Kléber Albuquerque; e Sonekka + Ricardo Soares + Zé Edu Camargo

Acabado o arranca-rabo eleitoral, serei cavalheiro ao menos esta vez e não tripudiarei sobre os derrotados (se bem que essa passeata que houve na Paulista pró-ditadura era digna de umas considerações, mas posterguemo-las). Virando a página, pois, venho por esta dizer que ora inauguro nova coluna em meu bloguinho, esta dedicada a canções que, como bem diz o nome, amo. Mas vou me empenhar pra fugir do lugar-comum e procurar trazer novidades, lados B, enfim, canções menos conhecidas do grande público. A ideia é que esta coluna seja uma espécie mais focada de Grafite na Agulha, ou seja, com a agulha direcionada mais especificamente às canções que a discos como um todo. E, a exemplo da Trinca de Copas e da de Ouro, sempre de três em três. Simbora!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Grafite na Agulha: 31) A música de Kléber Albuquerque fala com Deus sem precisar de oração

Há pouco tempo, eu perdi um querido amigo que não via fazia muito tempo e o Brasil perdeu (praticamente sem conhecer) um dos mais talentosos compositores da música brasileira contemporânea. Coincidentemente, meu amigo e esse compositor talentoso eram a mesma pessoa: Madan. Chorei bicas e lhe prestei homenagens póstumas em meu blogue (aqui e aqui). Pouco tempo depois, fiquei sabendo que meu não menos querido amigo – e outro genial compositor da música brasileira contemporânea – Kléber Albuquerque, que eu também não via fazia muito tempo, iria se submeter a uma delicada cirurgia... do coração! Confesso que fraquejei. Pensei que, se a moda pegasse, eu e música brasileira iríamos sofrer perdas irreparáveis. Felizmente, Kléber saiu dessa; safenado, mas vivo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 151) Os dois Brasis

Eu, que moro em São Paulo, adoro o Rio e tenho muitos amigos/parceiros cariocas por quem tenho carinho e respeito. Da mesma forma, adoro a Argentina, país que aprendi a amar e com o qual tenho a maior afinidade. Faz anos que, sempre que a oportunidade surge, dou uma escapada ao país hermano pra matar as saudades e renovar a bagagem cultural. Ah, e tenho também amigos/parceiros argentinos por quem, igualmente, tenho carinho e respeito. Portanto, não estou entre aqueles que dão corda a atitudes bairristas, à futebolização das relações de vizinhança. Em primeiro lugar, porque não acredito em raças. O indivíduo é fruto de seu meio. A mesma pessoa que nasceu, por exemplo, no Japão e pensa assim-assado, tivesse nascido no Zimbábue, teria comportamentos e pensamentos distintos, adquiridos pelo contato com sua realidade local.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 150) Perguntinhas básicas ao eleitor ou O filho da empregada

Caro eleitor, tudo bem aí? Na tranquilidade? Já excluiu muito amigo do facebook hoje ou ainda não? Já postou alguma notícia falsa a favor de seu candidato ou contra o outro? Ainda não? Então, proponho um joguinho mais interessante. Claro, é mais solitário, mas você pode postar todas as respostas depois no face, só pra dar a face, e compartilhar com os amigos. É assim, só como exercício, pra oxigenar o cérebro e tal: te faço umas perguntinhas básicas sobre convívio social. Peço que responda com honestidade... mas fique sossegado; não precisa responder pra mim. Basta responder pra você mesmo. Portanto, não vá mentir; pois, se mentir pros outros já é feio, mentir pra si próprio é imperdoável. Vamulá? São questionamentos simples, nada que você não possa responder. Talvez não queira, mas aí o negócio fica entre você e você mesmo.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 149) Minhas razões pra votar em Dilma

Caros amigos e/ou leitores:

As eleições puseram em pé de guerra nosso país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza. A intransigência chegou a tal ponto, que há amigos excluindo amigos em redes sociais pelo simples fato de o outro pensar diferente. Oras, mas democracia não é justamente isso? Ou será que tais pessoas prefeririam o pensamento único das ditaduras? Acho que foi Voltaire quem disse (mentira, procurei no google, onde também dizem que a afirmação não é dele): "Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo." Não é bonito? Num país onde eu posso defender o direito do outro de discordar de mim, supõe-se que a recíproca seja verdadeira, não? Usando uma variável futebolística, é como um palmeirense abraçar um amigo corintiano. Aliás, se todos torcessem prum mesmo time, ia ser muito chato, não?

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Notícias de Sampa: 12) Kana & cia. mandando bala

Ecla – Toca do Saci apresenta:
Kana + Quarteto Saxofonando + Trio do Liw Ferreira
no show Em Obras
Dia: 6ª-feira – 17 de outubro
Hora: 21h
End.: Rua Abolição, 244 – Bixiga (São Paulo-SP)
Contato: (11) 3104-7401
Entrada: R$ 10

Sinopse: Dando continuidade aos shows de lançamento de seu quarto trabalho, Em ObrasKana desta vez se apresenta com sua banda no Ecla (Espaço Cultural Latino-Americano). No repertório, destaque para O Amor Viajou, parceria dela com Zeca Baleiro. O show conta ainda com a participação especial de Gabriel de Almeida Prado.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 148) Seca em Sampa


Nem na caatinga, nem no cerrado, nem nos pampas. O babado é que a novidade veio dar em Sampa: São Paulo anda seco. De beco em beco, de boca em boca. Nem uma gota. A seca é oca, mas o boboca não nota. Nem uma lágrima cai. Nem dos olhos do Pai, que não se comove com minha rima. Nem chove, nem cai de cima. São Paulo virou sertão. Que nem o coração do paulistano, que virou saarense, de tão desumano. Pense! Ô seca da gota serena! Nada vale a pena, quando a alma é pequena. Menor que ela, só o nível de água das represas, onde a água não mais vive presa. Cantareira? Canta poeira. E só. Pó, sem eira nem beira. Sobra o rio Tietê, que ri de mim e de você. Água de beber, camará? Água de nadar? Que nada! Água penada. 

domingo, 12 de outubro de 2014

Grafite na Agulha: 30) "Meus Caros Amigos"

Venho por esta pedir desculpas aos leitores pelo longo hiato nas publicações desta coluna. Contudo, a volta não podia ser melhor. Corrige, inclusive, falta gravíssima nesta discoteca: a ausência de um de nossos maiores e mais queridos gênios, que outrora já foi unanimidade: Chico Buarque. E quem escreve sobre ele é meu camarada Walter Zanatta, compositor caiubista (visite sua página aqui) a quem ora apresento com suas próprias palavras: "Nasci em São Paulo numa manhã de 1963. Cresci por aqui e pelas praias da baixada santista. Frequentei salas de aula, departamentos de crédito, botequins, salões paroquiais, antros, editoras, inúmeros ambientes, mas nada de pós-graduações e MBAs. Graduei-me economista. Criei poesias, contos, crônicas e canções. Aprecio longas caminhadas a pensar, pensar, pensar..." Abaixo, Zanatta trata de sua relação com este maravilhoso disco: 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 147) A imparcialidade dos jornais

Li há algum tempo que, quando a crise na Europa chegou a seu ápice, os restaurantes de Paris então ficaram entregues às moscas, o que mobilizou seus donos a se reunirem e tomarem certas medidas paliativas a fim de atenuar os efeitos da crise em seus respectivos bolsos. Todos sabem que Paris é famosa também por sua noite, o que reflete em bares, restaurantes, cafés... e na iluminação (tanto, que também é conhecida como Cidade Luz). Portanto, não ficava bem que os parisienses, que sempre foram notívagos, passassem a optar por ficar em casa à noite. Decidiram aqueles então que era mais benéfico baixar os preços do cardápio e trazer de volta essa clientela. Já no Brasil – e principalmente em São Paulo –, o pensamento é um tanto distinto. Há crise? Faltam clientes? Aumente-se o preço e que paguem o pato os patos que podem pagar por ele.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 146) Vergonha e medo em São Paulo

Em minha época de criança, não conhecíamos ainda a palavra bullying (tão feia quanto seu significado), mas eu, moleque chegado havia pouco do Ceará, cedo comecei a sofrer com o preconceito e as brincadeiras de mau gosto. Era São Paulo me dando as boas-vindas. Talvez por causa disso tenha – inconscientemente – "trocado" de sotaque e – conscientemente – posto uma máscara paulista. São Paulo faz isso com os bicos de fora: exige-lhes amor incondicional em troca do afeto de madrasta. Lembro de um conhecido paraibano que, certa vez, ao ser indagado sobre seu Estado de origem, respondeu na lata: "Paraibano? Sou não. Fui." Talvez isso ajude a explicar por que, apesar de São Paulo ser a maior cidade nordestina fora do Nordeste, os nordestinos daqui pensam de modo tão diferente do modo como pensam os de lá... principalmente em relação à política.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 145) Algumas considerações sobre o debate... e outros bafafás

Estava eu trocando por e-mail uma ideia federal com o mano Marcio Policastro, quando o assunto derivou pro tema eleições. Daí, como ambos havíamos gastado duas preciosas horas assistindo ao recente debate promovido pela Rede Globo, relatei minhas impressões a respeito e, como de costume, acabei vencido pela velha verborragia. Tanto que, quando pus o ponto final, reli o relato e pensei cá com meus botões que o poderia aproveitar no blogue, visto que o assunto é atual e pertinente. Contei-lho e, como Poli corroborou minha intenção, cá estou eu outra vez metendo a pata onde não fui chamado, mas exercendo meu direito de cidadão e blogueiro semianônimo, feliz por viver num país onde qualquer um é livre pra falar o que quer e ouvir o que não quer. Abaixo, segue o relato, ligeiramente adaptado (caso contrário, não poderia ser publicado). A ele:

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Grafite na Agulha (Especial): 29) Dois em um – "A Língua e a Alma" + "Pequeno Estudo sobre o Karma"

Não era minha intenção colocar esse
figura entre Poli
Gabomas foi a única
foto dos dois juntos 
que achei...
Eu creio na existência de Deus. Mas não na desse deus com minúsculo dos fundamentalistas e dos que querem decidir as eleições. Não, creio no Deus único, com maiúsculo, o Deus de Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos, Noel, Cartola, GonzagãoGonzaguinha, Vinicius, Tom, Raul, Elis, Sérgio Sampaio, Cazuza, Cássia, Madan etc. etc... que é, obviamente, o mesmo Deus da Música (com maiúsculo) que vai de Vivaldi a John Lennon, incluídos aqui todos os grandes de todos os tempos da Música Universal do Reino de Deus. Creio tanto, que, neste exato instante, enquanto escrevo, sinto-me em celebração com Ele, comungando em Sua Igreja. Digo mais: com a paz de espírito desses ensandecidos crentes (entre os quais naturalmente me incluo), ouso dizer que esse peculiar Céu (com maiúsculo) está em festa.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Os Manos e as Minas: 17) Madan, eles não sabem...

Madan, meu velho, faz uma semana que você partiu dessa pra... melhor, pior, igual, diferente... sei lá, só sei que faz uma semana que você nos abandonou. Daí que hoje eu levei seu som pra caminhar comigo no Parque Trianon e, enquanto caminhava, tive um insight... Não, procuremos outra palavra... Revelação. É isso! Tive uma revelação! Começou a chover, e foi até bom, porque assim pude pôr na chuva a culpa pelas lágrimas que caíam. Sim, Madan, eu, que estava tão longe de você, senti imensamente sua falta. Uma coisa é termos um amigo morando longe, outra coisa completamente diferente é termos um amigo partindo pra sempre pra ir morar lá onde o wifi não pega, não há sinal de celular, o carteiro não passa e mesmo o tempo parece ser coisa do passado...

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 144) Os filhos da preta, os filhos da puta e os demais filhos de Deus

Acompanhei superficialmente a polêmica que envolveu Aranha, o goleiro do Santos, e a torcida do Grêmio, e, particularmente, a torcedora gremista, eleita entre tantos pra ser bode expiatório do impensado ato. E, quando digo superficialmente, não é porque não me sinta tocado. É justamente pelo contrário, porque tal tema me embrulha o estômago e me faz me deparar com a triste realidade que escancara que, em pleno século XXI, e ainda mais no Brasil, ainda há pessoas tão atrasadas a ponto de se sentirem superiores pelo simples (e aleatório) detalhe da cor da pele. Sobretudo, pela gratuidade. E olha que eu, na condição de nordestino que mora em Sampa, já senti – não poucas vezes – na carne e, mais, na alma o que é ser vítima de preconceito.

sábado, 13 de setembro de 2014

Trinca de Copas: 26) Dose tripla de Madan

Neste sábado, 13 de setembro, liguei o computador, entrei no facebook e, à queima roupa, fiquei sabendo do falecimento de Madan, gênio da música, amigo meu e parceiro querido. Não consegui conter as lágrimas, e o pranto rolou solto, farto. Fiquei pensando não em sua morte, mas em todos os amigos que, por um motivo ou por outro, se afastaram de mim, e quis tê-los todos perto, sentindo um medo medonho de também perdê-los. A vida é muito curta pra gastarmos com picuinhas, diferenças (viu, EC?). Portanto, venho por esta declarar meu amor incondicional a todos os amigos. Zé Rodrix já dizia que os amigos são a verdadeira família, pois são a que escolhemos. E eu tô com ele e não abro.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Cançonetas: 6) "Novos Horizontes", por Luhli (e Dhenni Santos)

Em princípio, pensei em publicar este texto na coluna Trinca de Ouro – na qual trato de canções/parcerias minhas gravadas –, mas depois, de tanto ouvir o CD no qual foi inserida a canção em questão, optei por publicá-lo aqui, com as devidas explicações. Vamulá, pois!

Como já frisei aqui não poucas vezes, participo de uma lista virtual de bate-papo sobre (não só) música, a M-Música. Lá, conheci muita gente boa e também aumentei meu leque de parceiros. Trata-se de uma lista das mais democráticas, por isso, acolhe tanto anônimos quanto famosos (e tantos outros entre uma extremidade e outra dessa corda), e todos têm direitos iguais. Claro que depende de cada um fazer ecoar (ou não) seu verbo ali. Pois bem, ecos à parte, entre os mais queridos membros da lista se encontra a maravilhosa artista Luhli, que, antes de acrescentar o H a seu nome artístico (segundo sugestão de numerologia, conforme me contou a própria), tocou sua carreira artística durante anos em dupla com a não menos notável Lucina.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Crônicas Desclassificadas: 143) "Adote" uma criança pobre

Li recentemente coluna de Ruy Castro na Folha (aqui), na qual ele analisa uma reportagem que descreveu, segundo suas palavras, "como alguns dos homens mais ricos dos EUA decidiram legar grande parte de sua fortuna a projetos de caridade, pesquisa e educação, deixando aos filhos apenas um trocado para o bonde e o cafezinho". Conta Ruy que um desses abnegados chegou mesmo a dizer que "deixar o dinheiro para os filhos não é bom para eles, nem para a sociedade". Por fim, Ruy traça um paralelo com o Brasil e desfecha com um "nos EUA, essa atitude produz bibliotecas, museus, hospitais. Agora olhe ao seu redor no Brasil e tente se lembrar de histórias parecidas". Não precisa ser "jênio" (como, ironicamente, grafa meu amigo Edu Franco) pra detectar que tais casos não se repetem por aqui, né?

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Crônicas Desclassificadas: 142) A esquerda acabou?

Tenho lido muito por aí sobre esse papo de que a esquerda acabou. Como assim? Acabou? Há coisas que só podem acabar quando seu oposto acaba também. Por exemplo: a existência de Deus está vinculada à do demônio, tal qual a relação entre Bem e Mal. Da mesma forma, os opostos claro/escuro, alegria/tristeza etc. Tomemos este último como exemplo: quem nunca ficou triste não é capaz de dar à alegria o valor que ela merece quando chega. Mantendo esse raciocínio, se não houvesse a escuridão, uma claridade de 24 horas devia ser ruim pra dedéu, não? Sobretudo quando fulano quer fazer algo sem ser visto. Portanto, voltemos. Como a esquerda acabou, se, pelo que me consta, a direita anda a toda, "se achando", principalmente sob o véu do anonimato e nas redes sociais?

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os Manos e as Minas: 16) Além dos campos de Eduardo

Ultimamente, pelo menos em duas ocasiões, tratei do tema morte (aqui e aqui). E não é que me vejo obrigado novamente a escrever a respeito da malfadada? Neste 13 de agosto último, nem bem cheguei ao trabalho, liguei o computador, dei uma olhadinha nas manchetes do dia, e eis que me deparei com a notícia do acidente aéreo que matou Eduardo Campos, candidato à Presidência da República. Confesso que fiquei em estado de choque; levei mesmo uns bons minutos pra voltar a mim. Ainda incrédulo, peguei-me lendo a respeito do assunto, sem fixar a atenção no que lia, embasbacado que estava. Não, não cheguei a chorar – o Lula chorou, segundo li –, não era pra tanto. Afinal, Eduardo não era meu parente, amigo, conhecido, nem mesmo meu candidato, mas... era um cara que eu aprendi a admirar.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Crônicas Desclassificadas: 141) Quando a gente não tem nada pra dizer...

Quando a gente não tem nada pra dizer... aí é que a gente diz. E diz com prazer; diz, e feliz. É que nesse dia tem a alma leve (a alma deve ter feito uma faxina na mente), e a gente mente mentirinha à toa, mentirinha boa, só pra dar risada (que é melhor do que não dizer nada), só pra ver se o outro acredita, só pra ficar bem na fita. O mundo devia ter mais gente sem nada pra dizer... e dizendo. Sem querer, querendo. Falando por falar, o á-bê-cê do blá-blá-blá, o ti-ti-ti, o nhem-nhem-nhem (e o outro louco pra dizer também). Falar faz bem, desopila as veias da amargura, língua bate até que cura a doença do silêncio. E vence-o. Pode ser papo furado, pode ser prosa felina, com quem tá do outro lado, com quem tá ali na esquina. Quem fala não adoece. Falar é a melhor prece.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Trinca de Copas: 25) Augusto Teixeira, Gabriel de Almeida Prado e Pedro Moreno

1) AMALGAMANDO

Há canções que são feitas em cinco minutos, já outras levam uma eternidade até que cheguem a sua versão final. Foi o caso desta. Escrevi a letra no começo do ano passado e a enviei a Gabriel de Almeida Prado, que a musicou em seguida. Só que com um detalhe: disse-me ele que não havia curtido muito seu refrão, por isso, acabou não tendo nenhuma ideia melódica pra ele. Como a letra estava muito recente em minha memória, resolvi deixá-la em banho-maria por uns tempos enquanto não encontrava algo melhor. E assim, enquanto ia passando o tempo, vez em quando eu voltava a ela, tinha nova ideia e a enviava a ele, que me avisava que ainda não havia sido dessa vez. 

domingo, 3 de agosto de 2014

Grafite na Agulha: 28) O Rio de Janeiro nostálgico de Zeca Pagodinho

O colaborador do Grafite na Agulha de hoje é o paulistano Raphael Coraccini, um rapagão de 25 anos cujo conteúdo contrasta com a embalagem. Bombado, boa-pinta e com jeitão de surfista, o malandro é formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista e trabalha como jornalista e assessor de imprensa. Além disso, é letrista de música popular, como eu, e se autodenomina um apaixonado por música, futebol e questões sociais. Portanto, não foi por acaso que nos fomos acercando quando trabalhamos juntos num ambiente nada propício, uma editora tão furreca, cujo nome nem quero falar, pra não dar azar. Tivemos a sorte de sair de lá com vida, antes que o barco afundasse de vez, e mantivemos a amizade. Rapha me passa uma boa aura de idealismo que espero sinceramente que o tempo não dissipe. Vejamos como vem:

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Crônicas Desclassificadas: 140) Carta a uma amiga em crise existencial

Estimada L.A.:

A vida é curta e, até prova em contrário, é uma só. E os dias não se repetem. Portanto, não há a menor chance de que um destes que se foram volte vez ou outra pra fazer uma visitinha, tomar um chá e divagar sobre os tempos em que ele fazia parte do presente. A não ser em nossas lembranças. Mesmo quando escrevemos sobre o passado, caímos fatalmente no risco de reinventá-lo, posto que nossa memória não é de todo confiável. Saramago, quando do lançamento de seu livro As pequenas memórias – pelo qual recordou um período que foi de sua infância até a adolescência –, chegou mesmo a afirmar numa entrevista que toda memória é inventada, visto que, ao procurarmos nela fatos antigos que, por um ou outro motivo, esquecemos, pomos outros no lugar.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Os Manos e as Minas: 15) O norte de John Steinbeck

Estou encantado com a prosa de um escritor. E mais! Um camarada que me obrigou a morder a língua. E, em meu caso (já devo ter comentado isso por aqui), isso é algo que me dá o maior prazer fazer. Claro, tem seu lado masoquista, mas a dor é nada se comparada ao resultado do ato. Mas voltemos. Dizia que estou encantado com a prosa de um escritor que me fez morder a língua. Explico: nunca me interessei muito por estudar inglês devido a um sentimento idiota em relação a esse país orgulhoso chamado Estados Unidos da América. E tão orgulhoso, que diz que seus filhos são americanos, relegando aos vizinhos (todo o resto da América) a condição de subamericanos. Resumindo: embora lute contra meus preconceitos, acostumei-me a regar este em relação aos EUA.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 139) As impertinências da Morte – parte 2

Não vão dizer que é ideia fixa. Sei que já escrevi sobre ela (aqui), mas... é que as pessoas continuam morrendo! Nem bem enterraram Plínio de Arruda Sampaio, lá veio a Pálida Dama levar João Ubaldo Ribeiro. E, não satisfeita, logo na sequência levou Rubem Alves e, sem descansar, Ariano Suassuna! Sem falar nos tantos mortos que estavam no avião que caiu na Ucrânia. Sem falar nos mais tantos mortos de Gaza. Sem falar no viaduto que caiu em Belo Horizonte. E sem falar num casal que foi eletrocutado dentro de seu carro no bairro do Tatuapé porque, do nada, um cabo elétrico inventou de arrebentar e lá foi ele lamber o dito veículo. Ok, a esposa sobreviveu, ainda que tenha sido internada em estado grave. Mas o marido... Imagine você estar tranquilo dentro de seu automóvel e, segundos depois, ter que se ver forçado a mudar não só de endereço, mas também ser desalojado do próprio corpo onde habitava desde sempre...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Notícias de Sampa: 11) O tal do Sarau da Maria

A propagação da cultura em nosso país, infelizmente, depende até hoje mais de iniciativas particulares que das públicas (manja aquele papo de "quem sabe faz a hora?...). Eu, que sempre fui morador de periferia, sei bem o quanto a ausência de focos culturais em meu bairro atrapalhou meu crescimento intelectual e o de meus chegados. Tudo o que aprendi foi com esforço próprio, nada me chegou de mão beijada. O que me salvou foi uma natural curiosidade. Contudo, apesar de todos os esforços, sinto-me um adulto inseguro, com a autoestima prejudicada pelas lacunas de minha educação. E percebo que isso se reflete ainda hoje nos jovens das periferias que tentam dar um passo a mais. As bibliotecas são poucas, os eventos musicais, raros, a carência existe inclusive em se tratando de espaços esportivos e de lazer. Claro, da época de minha adolescência pra cá, muita coisa melhorou, mas as melhorias caminham a passo de cágado.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Crônicas Classificadas: 38) A pipoca

Nos últimos dias, de uma tacada só, a Pálida Dama nos levou João Ubaldo Ribeiro e Rubem Alves, dois grandes expoentes de nossa literatura. João Ubaldo, conheço razoavelmente bem, já li vários livros e crônicas dele. Já acerca de Rubem confesso que era (sou) um tanto ignorante. Depois de sua morte foi que busquei saber um pouco mais a seu respeito. E acabei me deparando com um fragmento de uma crônica sua que um amigo postou numa lista de que participo. Foi o suficiente. Saí à cata da crônica inteira e a achei aqui. Após a leitura, fiquei tão fascinado, que me vi na obrigação de "roubá-la" pra este espaço, no intuito de que, como eu, outros leitores se maravilhem com essa pérola e, quem sabe, sintam-se motivados a repensar sobre quem são e o que querem realmente ser. Bom estouro!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 138) Os manos do Morro da Gramática

Caído de quatro por uma mina chamada Silepse, sestrosa moradora do Morro da Gramática, o jovem e valente Anacoluto, tipo sem antecedentes, mas também um tanto sem noção, virou uma esquina errada e caiu direto na quebrada do bando dos Adjacentes, férreos (e um tanto radicais) defensores dos assuntos e habitantes de seu morro. Foi obrigado a descer de seu possante e, antes que pudesse pronunciar hipercorretor, viu-se com um hífen apontado em direção a sua caixa de ressonância e, enquanto tentava dialogar, Gentílico, líder do bando, proferiu:

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 137) Ainda a Copa, antes de virar o copo

Agora que a Copa acabou, antes de virar o copo (ou a página, como prefiram), queria fazer uma pequena análise sobre ela e seu entorno. Em primeiro lugar, a constatação mais acachapante (pra usar essa palavrinha tão em voga na imprensa brasuca) é que urge tomar certas medidas, em caráter internacional, em relação à Fifa e, em caráter nacional, em relação à CBF. Com tanto dinheiro gasto e investido na Copa (e, em se tratando de Brasil, nos campeonatos nacional e regionais), é inadmissível que pessoas com manchas em sua biografia (pra dizer o mínimo) continuem à frente de eventos que despertam tantas paixões mundo afora e mobilizam (ou imobilizam) um sem-número de pessoas, sejam torcedores, profissionais, empresas e marcas por esse globinho de meu Deus. Sem falar na Globo, a rede.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Comemorando o 4º ano d'O X do Poema

Pois é, quatro anos se passaram! O danado do blogue rebentou, começou a engatinhar, aprendeu a balbuciar as primeiras palavras e agora, já um tanto crescidinho e falando pelos cotovelos, embora ainda não de todo alfabetizado, já tratou de diversas questões dos mais variados cunhos. Política, futebol, literatura, poesia, cinema e, claro, música (muita música!), tudo isso e mais, muitos outros assuntos passaram e passam por aqui. Tantos, que nem consigo explicar bem em que categoria se encaixa esse X do Poema. E graças a vocês, leitores que, apesar da escassez de tempo livre que impera em nossos dias, ainda encontram um espacinho em suas agendas pra ler os desvarios e demais intempéries que cometo por aqui. Do fundo do coração, aceitem meu muito obrigado!

Crônicas Desclassificadas: 136) De luto pelos mortos vivos

Eu hoje amanheci de luto. Acordei muito puto! Me sentindo um rodrigueano vira-lata, com meu coração dizendo "bata"... e batendo fraco, sem botar fé no taco, errando o buraco e resmungando "currupaco"! Em meu cérebro mil alto-falantes gritam que sou mais imbecil que antes, um náufrago navegante num inferno sem Dante, demente, delirante, aliás, querendo mandar tudo pro inferno, como já quis Roberto, achando tudo tão certo como dois e dois são... sete! Aliás, acordei às sete! Hoje comigo ninguém se mete, se não quiser levar com meu rosto em seu murro (ah, bicho réi burro!). Empapando de lágrima meu desgosto, meu desgaste, um traste, um triste, com o dedo em riste desafiando o mundo, um moribundo doutorando, chorando lá fora, que é lugar frio... sem dar um pio.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 135) "Chorei, não procurei esconder, todos viram..."

Até bem pouco tempo atrás – eu já tinha vindo ao mundo e na época não passava de um moleque remelento – ainda era comum ouvir por aí a malfadada frase "homem que é homem não chora". Havia até uma canção bastante popular que dizia que "homem que é homem não chora quando a mulher vai embora". Já eu, alheio às ameaças, pivete recém-saído dos cueiros, abria o berreiro ante qualquer situação adversa. Às vezes usava até desse artifício em benefício próprio: quando passava em frente de alguma vitrine cujo brinquedo me chamasse a atenção, em primeiro lugar, tentava sensibilizar minha mãe fazendo cara de pidão. Caso não a convencesse, rolava no chão, aos berros, até que ela, mais cansada que convencida, comprava-me o tal brinquedo. Detalhe: nesse chororô todo, eu não vertia uma lágrima.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 134) Amigos ou puxa-sacos?

A literatura, não direi de autoajuda, mas assertiva (palavra que está na moda), ensina-nos que, pra atingirmos nossos objetivos, devemos ser arrojados. Ela só não explica como perceber o limite entre o arrojo e a estupidez. Às vezes, uma abordagem mais ousada dá certo; outras vezes, resulta em dar com os burros n'água. Em contrapartida, vez em quando acertamos ao pensar duas vezes, contar até dez antes de tomar a iniciativa; já em outras ocasiões, perdemos o bonde, ficamos a ver navios. Este é um dilema pro qual ainda não encontrei resposta nem nesta nem em outras literaturas. Talvez porque ela (a resposta) varie de pessoa pra pessoa ou talvez porque mude de tempos em tempos... O que me deixa encafifado é que comigo, na maioria das vezes, ambos casos são exemplos de equívocos. Quando me apresso, como cru; quando espero, como frio.

sábado, 28 de junho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 133) Considerações sobre o Brasil nesta Copa

Sempre ouvi dizer que quem não se dá o respeito não merece ser respeitado. Este, infelizmente, tem sido o caso do Brasil. Ou, melhor dizendo, de certa parcela da população brasileira. As manifestações Brasil afora são sintomas de uma descrença geral. E eu até entendo os porquês de tal sentimento, contudo, acredito ainda em nosso país. Não a ponto de ser cego a seus problemas, mas o suficiente pra enxergar também os aspectos positivos. Muito da descrença vem da desinformação, que gera baixa autoestima e críticas exageradas, como se só aqui acontecesse isso ou aquilo. Se analisarmos, podemos facilmente chegar à conclusão de que, tirante uma ou outra peculiaridade, não somos muito diferentes do resto do planeta. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Os Manos e as Minas: 14) Esse cara é o Paulo Cesar de Araújo

Existe no mundo todo tipo de leitor, desde aqueles com gosto mais apurado, até os consumidores de autoajuda, passando pelas moçoilas que preferem tons mais acinzentados ou vampiros românticos, pelos aficionados por ficção científica, ou filosofia, ou religião... Sem falar em leitoras de revistas de fofocas ou aqueles camaradas que abrem o jornal só na página de esportes... Pra mim, pra ser sincero, creio que o ato de ler, por si só, deve ser aplaudido e incentivado. Ler é como subir uma longa escadaria: começa-se pelo degrau mais baixo e vai-se galgando degrau a degrau até a chegada ao topo. É verdade que de vez em quando bate o cansaço, daí alguns estacionam, ou mesmo retrocedem um pouco, mas tudo é válido. O mais triste é não ler. O "cara" que não lê é sempre mais facilmente manipulado... nem que seja apenas por sua própria ignorância.

domingo, 22 de junho de 2014

Grafite na Agulha: 27) Resenha – CD Benedito, de Jonathan Silva

O texto deste Grafite na Agulha foi escrito por minha amiga Nelmar Rocha, que é jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e pós-graduada em Canção Popular: Criação, Produção Musical e Performance pela Faculdade Santa Marcelina (SP). E a mulher gosta de estudar mesmo. Além disso, também é graduada em Letras pela Faculdade Metodista, de São Bernardo do Campo. Falô? Ah, aliás, ela é uma apaixonada por música. Tanto, que escreve semanalmente o boletim eletrônico Dicas Musicais, com entrevistas, reportagens, agendas e eventos ligados à música; no início dos anos 2000, produziu e fez os roteiros do programa MPB Sempre, vinculado na Rádio USP; e, eventualmente, participa de programas de rádio falando sobre canções e seus autores. Ao texto, pois:

terça-feira, 17 de junho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 132) O que penso sobre os que mandaram Dilma tomar naquele lugar

A situação no Brasil anda tensa. Manifestações pelos quatro cantos, uma galerinha mais afoita promovendo quebra-quebras, ônibus sendo incendiados, nego sendo acorrentado a poste etc. Muitas dessas situações têm sido inflamadas via redes sociais, onde o neobrasileiro vem pondo as garras de fora. Já faz parte do folclore um tempo em que o brasileiro era considerado um povo pacífico e alegre. Corrijo-me: alegre, a maioria ainda é. O Carnaval continua colorido e festivo, as torcidas nas arquibancadas seguem oferecendo um espetáculo à parte... Pensando bem, o povo continua povo. Aqueles sujeitos que madrugam, trabalham o dia inteiro, tomam uma (ou duas, ou mais...) após a jornada, torcem por seu clube, fazem amor com a patroa, garantindo a continuidade da mão de obra barata futura, e deitam cedo, merecedores do sono dos justos... esses continuam os mesmos. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Entrevistando: 7) Kana (por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa)

Neste sábado, 14 de junho, Kana fará um show dentro do projeto Show da Maria. A título de divulgação, aproveito pra publicar nO X do Poema entrevista recente concedida pela artista a Antonio Carlos, da Ritmo Melodia (originalmente publicada aqui). Sem mais, vamos a ela:

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 131) 1958 – o ano do descobrimento

A Copa que começa nesta quinta já tem seu grande vilão: a Fifa. Tirante esta, o outro grande vilão, pelo que ando lendo, é o Governo. Manifestantes Brasil afora gritam que não vai ter Copa, que precisam de melhores escolas, hospitais etc. Daí eu fico pensando naquele famoso ditado que diz que "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". Em primeiro lugar, não me lembro de ninguém se manifestando contrariamente à Copa no Brasil quando nosso país foi escolhido pra ser a sede desta edição copeira. Efeito retardado? Demorou pra cair a ficha? Em segundo lugar, noto que há certo tom político em tais manifestações, mas esses desavisados manifestantes esquecem que, fosse qual fosse o presidente eleito, nenhum deles iria se declarar contrário à realização desta no Brasil.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 130) Japão, dez anos depois

Dez anos depois, lá estava eu de novo na Terra do Sol Nascente. Rapá, mas que emoção! Como é bom matar as saudades desse país que representa tanto pra mim! Ao sair do aeroporto e pisar o pé na rua, surpresa: em pleno fim de primavera, deparei-me com um céu nublado e os termômetros lá embaixo. Deu a impressão de que tinha voltado pra São Paulo. Já no ônibus que nos levava pra Chiba (Kana estava também, naturalmente), dou uma pescoçada pra fora e vejo uma bela balzaca dirigindo um caminhão(!). Fiquei tão embasbacado, que ela me viu e lançou um não menos belo sorriso, sem saber, me dando as boas-(re)vindas. Em pouco tempo, já estava tão familiarizado, que parecia que tinha estado lá uma semana antes. 

domingo, 1 de junho de 2014

Grafite na Agulha: 26) Com Élio Camalle, antes e depois do fim do mundo

Um CD não é apenas o que vai dentro da caixinha; sobretudo hoje em dia, é mais o que vai ao redor do disquinho. Afinal, dentro deste há apenas música, e música, convenhamos, podemos encontrar em qualquer monstrenguinho modernoso: iPod, pen drive, iPhone, celular, netbook etc. Já no CD há muito mais que isso: há capa, fotos, encarte, letras, arte gráfica, nomes de autores, músicos, arranjadores, editoras, fotógrafos... e há, nas entrelinhas, história! As canções que estão dentro do disquinho envolto em papelão ou acrílico estão ali reunidas porque fazem parte de um enredo, são membros de uma família cujo nome vai estampado na capa. E é sobre a história de uma dessas famílias que vim aqui tratar hoje. Uma família chamada Antes e Depois do Fim do Mundo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Trinca de Copas: 24) Nova dose tripla de Marcio Policastro (mais um apêndice de Carlos D'Orazio)

Tão fácil e corriqueiramente minha parceria com o mano Marcio Policastro tem acertado a mão, que resolvi dedicar-lhe novo Trinca de Copas. A primeira canção, dedico a Luciano Huck e sua camiseta bananosa; a segunda canção, Policastro dedicou a sua consorte; a terceira canção, ambos dedicamos a Lucia Helena Corrêa. À trinca, pois:

1) O NOVO PELOURINHO

Dizem que toda ação gera uma reação, toda causa tem uma consequência etc. etc. Pois bem, meu cérebro não funciona de modo diferente. À medida que certos assuntos me chamam a atenção, ele começa a trabalhar praticamente por conta própria e costuma transformar tais informações em resultados outros, terceiros, que podem vir ao mundo tanto como prosa ou verso. E foi justamente isso o que aconteceu quando tomei conhecimento do tal rapaz negro que há algum tempo foi espancado e preso a um poste. Até aí, fora o nojo que senti, nenhuma novidade; afinal, que vivemos num país atrasado não me era nenhuma novidade. O problema foi que tal acontecimento desencadeou outros idênticos, em série, Brasil afora, num arroubo burguês de sentimento de fazer justiça com as próprias mãos.

domingo, 4 de maio de 2014

Grafite na Agulha: 25) Would You believe? – The Hollies

Sydney Valle, também conhecido como Palhinha, é um artista multifacetado. Músico, compositor e arranjador de vasta "quilometragem", pode ser considerado um cidadão do mundo. Carioca, cedo se mudou pra São Paulo, e daí pra se mandar pras Oropas foi um pulinho. Viveu muitos anos em Paris (França) e também em Colônia (Alemanha). É responsável por várias trilhas de cinema, teatro e TV (além de comerciais), trabalhou com Rogério Duprat, acompanhou (e/ou gravou com) mais de cem artistas, entre eles Edison Machado, Toninho Horta, o sumido Belchior, Naná VasconcelosPery Ribeiro, Maria Creuza, Célia, Marília Medalha, Jair Rodrigues, Luiz Ayrão, Paulinho Boca de Cantor, Raul Seixas... ufa! Ah, e teve uma canção sua em parceria com Marito Correa gravada no CD deste por Caetano Veloso. Tá bom? E, na última linha de seu release consta que é parceiro também deste que lhes escreve. Por último, é bom avisar que atualmente ele, com seu quinteto, toca música instrumental três noites por semana no Julinho Clube, charmosa casa paulistana. Sydney escolheu escrever sobre os Hollies. Vamulá:

terça-feira, 29 de abril de 2014

Joaquín Sabina en Portugués: 18) Pedro Moreno e a versão de "Y nos dieron las diez"

Esquerdas e direitas à parte, a música não pode parar. Afinal, aqui tratamos, sobretudo, dela. Aproveitei então pra sacar da manga a versão que fiz pra uma das canções mais populares de Joaquín Sabina. Em seus shows, quando ele começa o refrão dela, a plateia, em êxtase, canta junto com ele, a pleno gogó. Detalhe: é de um tempo em que Sabina ainda compunha a maior parte de suas canções só. Com o tempo, à formação de sua banda foram chegando músicos que, além de serem também bons compositores, de quebra eram grandes conhecedores de suas canções, como é o caso de Pancho Varona e Antonio García de Diego, que nos mais recentes discos de Sabina (à exceção dos que este gravou em parceria com Joan Manuel Serrat) têm sido responsáveis, juntos ou separadamente, pela coautoria da maior parte do repertório.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Crônicas Desclassificadas: 129) "Pondérações" sobre a esquerda festiva... e a direita que não "pega mulher"

Certa vez escrevi sobre a diferença entre irônicos e cínicos (leia aqui), posicionando-me entre aqueles em detrimento destes. E ultimamente tive mais um belo exemplo de posicionamento: o infeliz artigo que o filósofo direitoso Luiz Felipe Pondé publicou recentemente em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, chamado, chistosamente, Por uma direita festiva (se tiver estômago, leia aqui. ... bem, se for ler, leia também a ótima réplica de Noemi Jaffeaqui), no qual ele resume ideais de esquerda como simples subterfúgios pra "pegar mulher". E o pior foi que o texto foi escrito com um deslavado sentimento de inveja dos "esquerdistas pegadores", pois nele Pondé confessa a extrema dificuldade com a qual os "intelectuais de direita" vêm se deparando pra justamente levar um lero com a mulherada, visto que o belo sexo ainda se deslumbra com fotos do Che e papos sobre a fome na África.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Crônicas Desclassificadas: 128) A incrível biografia do homem que virou árvore

Naquele dia, em vez de vermelho-alaranjado, o sol amanheceu verde, por razões que, como diria o poeta, a própria razão desconhece. Como cada um sabe de si, o sol sabia de ser sol; enverdeceu e pronto, acabou-se. Instantes depois, o homem acordou, homem, como todos os dias. Porém, ao abrir a janela e admirar o sol verde, humano que era, como todos os humanos foi tomado pela inveja e teve ímpetos de abandonar sua condição humana e, por sua vez, realizar seu sonho de criança: ser árvore. Imbuído de tal decisão, foi lá fora e caminhou quilômetros e mais quilômetros cimentados em busca de terra fresca. Finalmente, encontrou um metro quadrado em que o concreto rachara e a terra aparecera. Pensou, é aqui que vou me arborizar. Como não levara pá, tirou os sapatos e as meias e cavou com os pés e com as mãos. Ah, e com as unhas.