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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Cinema & Cia.: 2) As asas de Bruno Ganz (e os anjos de Lucio Dalla)

É inexplicável pra mim como sinto um enorme desejo de escrever sobre a morte de alguns artistas — alguns dos quais, como Bruno Ganz, que nem significaram tanta coisa assim em minha vida — e silencio sobre a de outros que amei... A única explicação que me vem pra isso é que, como não me pagam pra escrever, deixo-me levar pelos anjos (demônios?) de meu coração, que me sopram às vezes sentimentos dos quais nem me lembrava mais de ter sentido. Como foi pra mim começar essa viagem não a bordo de um avião, mas das asas de Bruno Ganz, de cujo rosto me lembro de uma série de outros filmes, mas que me marcou por dois. A eles, pois:

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Minhas Top5: 3) Eu, bêbado; Elis, equilibrista

Descobri Elis Regina tardiamente. Confesso que a primeira cantora que me pegou de jeito foi Maria Bethânia. Eu, que sou desafinado até falando, nunca me preocupei em saber se a irmã de Caê alcançava as notas ou não. Pra mim, o que importava eram o repertório e a interpretação, que tinham tudo a ver comigo. Bethânia sempre foi uma atriz cantando. Já Elis (também atriz), puxando pela memória, lembro que tocava no rádio bastante com Alô, Alô, Marciano — refiro-me à época em que eu já começava a me entender por gente. Tempos depois, de tanto ouvir falar da "Pimentinha", comprei uma coletânea dela e foi a partir daí que ela começou a soar nos tímpanos del mio cuore. Sim, depois fui atrás de seus discos, mas vamos por partes, como diria... não, não vou completar essa frase manjada...

domingo, 23 de abril de 2017

PodCrê: 1) O sossegado desespero de Rica Soares

Ano passado, um amigo que trabalha com gravação de vídeos me fez uma proposta que de cara me agradou muito: transformar minha coluna Ninguém me Conhece num programa de entrevistas. Além de felicidade, também me tomou o sentimento de ter o ego massageado; só que o projeto, por razões que fugiram de minha alçada, não foi avante. Tempos depois, outro amigo, o grande Rica Soares, sugeriu-me uma coisa mais fácil de lograr: transformar esse projeto em algo mais simples, um programa de entrevistas apenas em áudio, que eu poderia hospedar em alguma dessas plataformas. Deu-me uns toques de manuseio da ferramenta e ainda por cima aceitou ser a primeira cobaia. Dessa forma, nasceu meu podcast que chistosamente chamei de PodCrê.

domingo, 2 de junho de 2013

Trinca de Copas: 18) Adolar Marin, Kana (por Dandara Modesto) e Tavito

1) AGORA

Se eu fosse político talvez lutaria (entre outras coisas) pelas causas da chamada meia-idade (principalmente a musical). Este é um tema recorrente por aqui e que já se demonstrou espinhoso, pois às vezes quando defendemos uns parece que estamos ofendendo outros, o que não é verdade. A ofensa em algumas situações está nos olhos de quem lê. Mas deixemos os espinhos de lado e fiquemos com as flores. O fato é que queria postar aqui algumas parcerias novas, tenho mesmo umas quatro ou cinco cujo envio estou esperando há semanas, mas os parceiros andam atarefados por demais na brincadeira de ganhar a vida, e assim essas canções ficam repousando em algum lugar esperando tempo bom. Da nova leva, só mestre Tavito conseguiu me mandar uma, então, enquanto isso, resolvi resgatar duas das antigas pra completar o quadro, digo, a trinca.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Crônicas Desclassificadas: 44) A biblioteca de Zé Rodrix

Li que hoje é o Dia do Rock. Pensei, "ferrou"! Quando algo (ou alguém) precisa de um dia pra ele é sinal de que foi relegado à categoria de minoria. Hoje é dia do rock, mas houve um tempo em que todo dia era dia de rock. Que nem antes era de índio, como na canção. E, falando em canção, passeando pelo facebook me deparei com mensagem de Júlia Rodrix, na qual dizia de sua saudade do marido e postava um vídeo de uma canção cujo nome é, a propósito, Hoje Ainda É Dia de Rock*. Estou me referindo, claro, a Zé Rodrix, que, entre outras coisas, ficou conhecido como um dos mentores do rock rural.

domingo, 22 de maio de 2011

Crônicas Desclassificadas: 15) Meu amanhã é agora

Sexta-feira, 22 de maio, de manhã, recebi um telefonema de meu amigo Adolar Marin, avisando-me que ouvira na CBN que Zé Rodrix havia falecido. Eu estava numa sala de espera do Colégio Marista Arquidiocesano, onde iria conversar com uma professora a respeito de um estágio. As lágrimas rolaram fartas. Corri pro banheiro mais próximo (que era longe pra caramba!) e chorei. Chorei muito. Não lembro onde eu estava quando nenhum desses artistas consagrados morreu, mas vou me lembrar até o fim dos dias daquela sala de espera do Arquidiocesano, do imenso corredor até o banheiro e do sol implacável que batia no meu rosto, insensível, quando de lá saí.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ninguém me Conhece: 20) O caiubista Zé Rodrix

Quando Zé Rodrix aprontou a última das suas e, à francesa, retirou-se do cenário, eu, estupefato, após derramar fartas lágrimas, passei a acompanhar, autômato, os noticiários na TV a seu respeito. E o que vi? Uma cobertura preguiçosa e repetitiva que carecia de profissionalismo e, assim, desrespeitava o falecido. Pensei com meus botões que a imprensa escrita, mais investigativa, trataria do assunto com mais riqueza de detalhes. Enganei-me rotundamente. A impressão que dava era que o Zé havia morrido na década de 80 e só agora descobriam seus restos mortais. Não havia um só profissional que encontrasse uma informação satisfatória a respeito do que ele havia feito nesses mais de 20 anos! Minha tristeza foi se transformando em ira e nojo. Então esses almofadinhas, formados pelas melhores faculdades do país, não tinham absolutamente nada a acrescentar ao público além do fato de haver ele morrido disso à tal hora do dia tal no hospital xis, que o velório aconteceria na loja maçônica ípsilon e o enterro, no cemitério zê? Daí pronto, acabou-se, passemos ao futebol...