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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Os Manos e as Minas: 37) Meus salvadores no Japão (parte 2) — Érico Baymma, meu super-homem de cristal

Há milhares de anos, praticamente em outra vida, tive um grande amigo a quem — até então — eu nunca vira, mas sempre amara. Éramos um par formado por duas figuras ímpares, fora de época e lugar, cavalheiros d'antanho que se comunicavam por e-mail, aproveitando a tecnologia, mas como se essas trocas de correspondências fossem antigas missivas, muito longas por sinal; apenas economizávamos o selo e a ida ao correio. Eu aguardava com ansiedade suas respostas, longas e deliciosas, que eu mais devorava que lia. Eram outros tempos, e eu tinha tempo e ele também — ou, pelo menos, se não tínhamos o inventávamos. Seu nome, Sérgio Veleiro (até lhe fiz uma canção; ouçam-na aqui). Ele era do Ceará — eu também, mas aquele morava em Fortaleza, e eu em Sampa.

domingo, 25 de novembro de 2018

Crônicas Classificadas: 47) A física de Chico Buarque

A vida em sociedade é um ato político. Assim, todo ser humano, em contato com o meio, acaba se transformando num ser político. Inclusive os alienados o são, embora não saibam disso. A política permeia nossas relações, sejam elas profissionais ou afetivas. Quando saímos de casa, independente de pra onde estejamos indo, levamos conosco nossa bagagem política. Assim também o faz um professor. Não existe neutralidade. Claro, existem as ocasiões que se nos apresentam; há os momentos propícios pra algo e os que não o são. O bom senso é primordial. Especificamente falando sobre essa suposta "escola sem partido", considero-a, mais que uma grande bobagem, algo difícil (pra não dizer impossível) de se pôr em prática.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

A Palavra É: 45) Espera

Por Francisco Daniel
Auri, mina que não tá no gibi, minha prima, gatinha dupiru, obra-prima de seu Mané e dona Du — cujo mais novo mano, o sagitariano Dênis, que não dá boa rima (não me condenes), quando moleque brincava de ser um calhambeque sem breque —, escolheu assim meio no breu, sem querer querendo, a palavra que ora lhes vendo... pero gratuitamente: a polivalente "espera", que sabe fazer das suas e se virar em duas. Ora submissa e passiva, dessas que não veem outra alternativa que não sofrer, se foder e ainda ver prazer em esperar pela redenção eterna... talvez depois de quebrar o pescoço mais que a perna; e ora a ativa, que, enquanto espera, é radioativa e solta elétrons na saliva, pertencente ao grupo dessa pouca gente que, enquanto espera, quase põe abaixo a esfera.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Crônicas Classificadas: 36) Minha primeira vingança inconclusa…

Adoro livros não só pelo que contêm dentro deles, mas sobretudo pelo que está contido a seu redor. Muitas vezes as histórias por trás dos livros são igualmente interessantes: processo de criação, momento que o autor estava vivendo etc. E também as histórias dos leitores em relação a tais livros. Eu mesmo tenho muitas. Qualquer dia conto uma ou outra por aqui, mas hoje vim apenas compartilhar o fruto de um furto meu (autorizado pelo furtado): meu amigo Sérgio-Veleiro, grande poeta e cronista, divulgou no face recentemente uma crônica que ele recém-postara em seu blogue (aqui) na qual contou uma deliciosa e peculiar história em que mesclou amor aos livros e uma vingança inconclusa. Aliás, eu diria que a tal vingança se concluiu, por fim, mas revertida. Estou seguro de que vocês vão gostar. A ela, pois:

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Crônicas Classificadas: 29) A menina do sonho possível

Ultimamente, graças às facilidades da internet, tenho visto muitos filmes argentinos, pra manter o contato com a língua espanhola. E constatei que, sim, o cinema argentino é excelente! Tenho lido muito a respeito de certa estagnação do cinema brasileiro, que, inclusive, não tem tido muito destaque em festivais internacionais, ao passo que o cinema argentino vai de vento em popa. O que percebi é que o Brasil virou meio vítima de certos temas recorrentes, como a miséria e a violência, ou, na outra extremidade, comédias descartáveis que são imitações baratas das hollywoodianas. Já os argentinos exploram com maestria um sem-número de temas dos mais interessantes. Contudo, hoje, por acaso, deparei-me com um filme brasileiro maravilhoso, como fazia tempo eu não via: A Máquina.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cançonetas: 2) "Desistências", por Pedro Moreno

Já falei aqui várias vezes da M-Música, lista da qual participo e por meio da qual adquiri muitos amigos, além de parceiros. Bem, não dá pra resumir em poucas palavras o que essa lista representou e representa na vida de várias pessoas, é preciso estar lá, proseando, filosofando, às vezes brigando, mas sempre tendo a música como foco.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ninguém me Conhece: 62) O silêncio e as palavras de Sérgio-Veleiro

Costumo brincar (a sério) dizendo que me vejo sempre como tendo 20 e poucos anos (como na canção). Realmente não me sinto confortável com os 40 que caíram abruptamente em meu colo (ou melhor, em minha cabeça). Contudo, sob alguns aspectos, posso me considerar um tiozinho. Na ranzinzice, no gosto musical, na paixão pela literatura e pelo cinema de autor, na teimosia de bater sempre na mesma tecla, na obsessão pelo assunto educação... Enfim, ao contrário de outra canção, não me sinto um moço velho; antes posso dizer que me sinto um velho moço.

sábado, 9 de outubro de 2010

Crônicas Classificadas: 2) Um Veleiro in Alpha

A propósito do texto que escrevi a respeito de Fernando Cavallieri, lembrei-me de que ele, indiretamente, foi responsável por eu ter conhecido um camarada dos mais cultos com quem já tive o privilégio de prosear e que acabou se tornando um querido amigo, com quem já travei, via e-mail, papos que dariam um verdadeiro livro. Eu, em minha sagitariana bagunça, devo ter perdido a maioria deles, porém, Sérgio-Veleiro (o Veleiro Perdido) seguramente os têm guardados, com minha autorização pra os revelar após minha morte. Veleiro adora poesia, café, solidão, é arredio, agressivo por vezes em sua vocação pra falar a verdade, é um sujeito com quem briguei muito, a quem magoei e por quem fui magoado, isso tudo à distância, sendo ele um cearense de Fortaleza e eu, um cearense do Paraguai, digo, de Sampa. Mas, sobretudo, ele é um ser iluminado, poeta de versos sensíveis (muitos deles, musicados) e prosa açucarada (no sentido de se lamber os beiços, não de pueril), embora também afiada.