Por
volta dos 12 anos, eu tinha um amigo negro que, apesar de ser um dos
maiores da classe, possuía uma voz fininha, mas teimava em falar bem
alto. Como morávamos perto, voltávamos da escola no mesmo ônibus.
Ocorreu que, em certa ocasião, conversávamos animadamente dentro do
coletivo, quando fomos interrompidos por outro homem negro, que pousou
um olhar penetrante em meu amigo e sentenciou: "Ó o barulho, rapá! Negão
tem que falar baixo!". Sua voz era grave e forte, pois, apesar de ele
falar quase num sussurro, podíamos ouvi-lo perfeitamente. Meu amigo
esboçou uma reação, mas puxei-o de lado e fomos pro fundão do veículo,
onde tentamos continuar o papo, sem muito sucesso. Senti que o impacto
nele fora grande, e jamais esqueci essa lição, que, embora tenha mirado
um alvo, acabou acertando outro.
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quinta-feira, 21 de março de 2013
sábado, 20 de agosto de 2011
Crônicas Desclassificadas: 19) As pessoas que empurram
Existem pessoas que empurram. Sim, parece brincadeira, mas existem. Pessoas que usam mãos, antebraços, cotovelos, ombros... pra empurrar terceiros (e, se for o caso, quartos). Pessoas que empurram sem saber por quê. Pessoas que empurram sem pensar. Pra passar (e não passar por cima). Pessoas que empurram sem saber a quem empurram. E não querem nem saber! Querem mais é empurrar. Tais pessoas não têm culpa. Coitadas, nasceram apenas pra empurrar. Empurrar é sua sina. E seu destino. Algumas empurram antes que alguém as empurre (algumas, depois). Seguem o décimo primeiro mandamento: “empurrai ao próximo como a si mesmo.”
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