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quinta-feira, 21 de março de 2013

Crônicas Classificadas: 79) As pessoas que falam gritando

Por volta dos 12 anos, eu tinha um amigo negro que, apesar de ser um dos maiores da classe, possuía uma voz fininha, mas teimava em falar bem alto. Como morávamos perto, voltávamos da escola no mesmo ônibus. Ocorreu que, em certa ocasião, conversávamos animadamente dentro do coletivo, quando fomos interrompidos por outro homem negro, que pousou um olhar penetrante em meu amigo e sentenciou: "Ó o barulho, rapá! Negão tem que falar baixo!". Sua voz era grave e forte, pois, apesar de ele falar quase num sussurro, podíamos ouvi-lo perfeitamente. Meu amigo esboçou uma reação, mas puxei-o de lado e fomos pro fundão do veículo, onde tentamos continuar o papo, sem muito sucesso. Senti que o impacto nele fora grande, e jamais esqueci essa lição, que, embora tenha mirado um alvo, acabou acertando outro.

sábado, 20 de agosto de 2011

Crônicas Desclassificadas: 19) As pessoas que empurram

Existem pessoas que empurram. Sim, parece brincadeira, mas existem. Pessoas que usam mãos, antebraços, cotovelos, ombros... pra empurrar terceiros (e, se for o caso, quartos). Pessoas que empurram sem saber por quê. Pessoas que empurram sem pensar. Pra passar (e não passar por cima). Pessoas que empurram sem saber a quem empurram. E não querem nem saber! Querem mais é empurrar. Tais pessoas não têm culpa. Coitadas, nasceram apenas pra empurrar. Empurrar é sua sina. E seu destino. Algumas empurram antes que alguém as empurre (algumas, depois). Seguem o décimo primeiro mandamento: “empurrai ao próximo como a si mesmo.”