segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Palavra É: 10) Férias

"... e pegar o sol com a mão"
Um homem precisa viajar. Nem que seja pra, na volta, ver com novo olhar o que sempre chamou de lar. Um homem precisa de férias pra renovar o sangue das artérias e buscar nova matéria-prima pras rimas de sua vida. Quem duvida, viaje. Quando um homem age, o universo conspira a favor, e outras melodias nascem na lira de seus dias de sonhador. Viajar é carimbar o passaporte da existência. É adquirir experiência... e sorte! De norte a sul, de leste a oeste. Quem viaja veste de azul celeste a nudez cinza e ranzinza dos inúteis dias úteis. Afinal, o que é dia útil, cara-pálida? Uma vida ávida por carga horária fútil e, dentro dela, um camarada afoito pra entrar numa cela das 8 às 18?

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Eu Não Vi, Mas Me Contaram...: 6) E aí, doido?

Rapaz, hoje eu sosseguei, tô aqui tranquilo no meu canto, os fi tá tudo criado, tenho meu terrenim, minhas plantação, minhas galinha, minha apusentaduria... Quem me vê com a cabeça toda branca nem imagina que eu já fui um cabra véi munto do desmantelado. Se eu lhe contar as presepada que eu já passei, você não acredita. Eu tenho uma conta grande pra acertar com o barbudo lá de cima. Porque se inda tô vivo é só por Deus, porque, se fosse por mim mesmo, já tinha batido as bota faz é tempo. Mas ó, se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que, quando o cabra tá lascado, tem mais é que dar uma de doido. Porque, por inzemplo, se você baixar a cabeça, aí os outro pinta e borda, lhe faz de gato e sapato. É sério!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Versão Brasileira: 3) "One More Cup of Coffee" por Sander Mecca

Tenho uma relação de longa data com a música de Bob Dylan. Lembro que meu primeiro contato com ela foi de estranheza. Tirante Blowin in the Wind, que foi amor à primeira ouvida, tudo o mais me parecia um tanto torto (então, eu só dava atenção às linhas retas...). E sua voz não ajudava; áspera, falha, esganiçada, não parecia em nada com a de Roberto Carlos, meu maior ídolo na época (tempos depois, a estranheza se repetiria com a voz de Chico Buarque, mas aí eu já estava vacinado contra os preconceitos da linha reta). Confesso que demorei pra gostar do primeiro disco que comprei dele (um the best of). Contudo, como a galera a meu redor gostava tanto do cara, fiquei ouvindo e reouvindo, tentando entender o que todos viam... aliás, ouviam de tão fascinante que eu não conseguia detectar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Crônicas Desclassificadas: 163) O PT errou


Eu sei, eu sei que, quando um blogueiro semianônimo se digna a escrever sobre manifestações, consegue, quando muito, pregar pra convertidos. Sim, pois os que concordam com ele vão aplaudi-lo (ou buscar um texto similar de alguém mais conhecido pra compartilhar no feicibuque) e os que discordam dele vão ignorá-lo. Pensando nisso, resolvi mudar de tática e abordar o assunto sob um viés diferente. É arriscado? É, obviamente, mas, se viver sem risco já é um troço chato pra caramba, escrever sem risco é mais chato ainda. Sem falar que o camarada acaba se tornando burocrático. Por essas e outras, resolvi focar neste texto não as barbaridades do grande circo de domingo passado (que de místico não teve nada), mas, sim, os erros do PT.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Crônicas Classificadas: 40) "Como suportar jabs...", de Vlado Lima, por Xico Sá

Imagino Vlado com seus 12 anos, trancado no banheiro, sentado no trono em cena mezzo Shakespearemezzo Nelson Rodrigues, com uma Playboy na mão direita, um livro (não sei se de Fante ou Bukowski — se bem que, nessa idade, o mais provável é que fosse um gibi fuleiro) na esquerda, uma bola de capotão banguela embaixo do Kichute de bico aberto, e pensando no tal do "ser ou não ser". Eis a questão! Queria ser um mano (ainda que Brown), um intelectual, um centro-avante? Duas horas mais tarde, após inúmeras pancadas na porta desferidas por su madre, sairia ele, ainda mais indeciso do que entrara, deixando na privada o resultado de duas punhetas e trazendo dentro da cueca, em contrapartida, um projeto de poema escrito (a lápis) num papel higiênico... usado.