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terça-feira, 11 de abril de 2017

Esquerda, Volver: 16) "Garota, eu vou pra Califórnia..."


O assunto do momento são as reformas do presidente biônico, e me lembrei delas em certa passagem do livro que estou lendo no momento, o romance As vinhas da ira, do maravilhoso John Steinbeck. A passagem, pra ser mais específico, é o capítulo 19 inteiro, e fiquei com uma vontade danada de trazê-lo pra cá; contudo, pra não cansar a beleza dos leitores (sobretudo a de meu amigo Paulinho das Frases, que é chegado em microcontos) tentei fazer uma edição caprichada do capítulo, pois, embora o livro seja de 1939, Steinbeck consegue explicar de forma didática e resumida como se constrói uma sociedade injusta, como a nossa, e, de quebra, dá também a fórmula de como reverter o processo e "vencer o monstro". Recomendo o livro (e o filme homônimo – igualmente recomendável –, dirigido por John Ford) tanto pra petralhas e coxinhas quanto pra quem não tem nada a ver com isso, como nosso querido professor Leandro Karnal. É ler pra crer!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Esquerda, Volver: 14) Por que dizemos "não" à reforma previdenciária

Sim, eu sei, sou um utopista; não o fosse, não me dedicaria a versejar melodias mundo afora. Portanto, sonho ainda em ver chegar o dia em que, por exemplo, torcedores de Palmeiras e Corinthians, Flamengo e Fluminense, Atlético e Cruzeiro, Grêmio e Internacional etc. sentem-se um ao lado do outro na arquibancada sem que seja necessário separá-los como separamos suínos de bovinos. Quer dizer, em raras exceções isso já acontece, mas apenas em jogos da Seleção Brasileira. E por quê? Porque nesse caso há um interesse comum. Por essas e outras, estranhei a ausência dos coxinhas na manifestação contra a reforma da Previdência que houve no dia 15 último. Sim, petralhas e coxinhas não se sentam lado a lado na arquibancada quando a disputa é entre Esquerda e Direita, mas o caso era outro, tratava-se então de um "jogo da Seleção".

sábado, 28 de novembro de 2015

Crônicas Desclassificadas: 168) A (in)utilidade da arte e outras belezas

Paweł Kuczyński
Meu amigo Erico Baymma está preparando uma matéria sobre a utilidade da arte e me convidou a escrever umas palavrinhas a respeito do tema, tendo como base uma frase de Oscar Wilde que aparece no prefácio de seu romance O retrato de Dorian Gray.  A bendita frase diz que "all art is quite useless". Erico me diz ainda que viu, em duas editoras diferentes, duas traduções distintas: 1) "Toda arte é essencialmente inútil" e 2) "Toda arte é basicamente inútil", fato que lhe chamou a atenção por revelar diferenças, se não essenciais, ao menos básicas. Pra complicar mais ainda a coisa, indo ao tradutor do Google me deparo com terceira tradução, "toda arte é completamente inútil". Confesso que deveras fiquei completamente pasmado com a gama de possibilidades dessa inutilidade.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Crônicas Desclassificadas: 84) Empregados x desempregados

Quem acompanha meus textos, mesmo que nunca tenha me visto pessoalmente, pode, com um pouquinho de sensibilidade, chegar a me conhecer bastante bem. Possuo o mau hábito de ser sincero e me revelar demasiado por meio da palavra escrita. Estou inteiro ali, com minhas convicções, contradições, teimosias, ignorâncias, e até com a humildade de reconhecer meus equívocos. E descobri que meu blogue, embora focado em assuntos que não interessam à maioria, tem alcançado um número bastante expressivo (pelo menos no que se refere a minhas expectativas) de leitores, inclusive fora do Brasil. Percebo, por meio das "estatísticas", que há, quase que diariamente, visualizações partidas dos EUA, da Alemanha, da Rússia e de outros países onde não tenho nenhum conhecido.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Crônicas Desclassificadas: 66) O trabalho segundo Lavorato

Lavorato não parava em emprego. Completara recentemente 33 anos (idade de Cristo) e morava ainda na casa dos pais, porque tampouco conseguia manter relacionamentos duradouros com as moças. As que dele não fugiam, ele fazia de tudo pra espantar. Amigos, nenhuns, pois Lavorato tinha o mau hábito de cuspir verdades em narizes alheios. Grana, quando a tinha, torrava em livros. Só não andava esmolambado porque sua mãe, dona Maria (santa Maria!), católica fervorosa e mãe zelosa, supria-lhe o guarda-roupa.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Crônicas Desclassificadas: 1) República dos crachás

No começo de 2005 me deu na cachola começar a escrever crônicas regularmente. Assim, estaria preparado pra quando a Folha de São Paulo enfim me descobrisse (hoje opto por O Povo). O fato é que, como não fui descoberto, acabei me cansando. Agora resolvi aproveitar este espaço e resgatá-las. Ah, o nome da coluna era (e ainda é) Crônicas Desclassificadas. Eis a primeira: