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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Esquerda, Volver: 11) Ladainha dos golpistas

A data de 31 de agosto de 2016 será entendida no futuro como um dia que entrou pros anais... do povo brasileiro. Nossos netos se envergonharão muito dela. As conquistas sociais tão duramente alcançadas cairão por terra, como os gestos do então interino golpista já deixavam vislumbrar. E agora, com o golpista finalmente efetivado, obviamente depois de negociar alguns cargos com os senadores indeci$os, voltaremos ao século XIX. Mulheres, voltem pra cozinha; negros, voltem pra senzala; nordestinos, voltem ao trabalho braçal; gays, voltem pro armário; usuários de drogas, agora vocês são tão culpados quanto os traficantes! O país dos brancos bem-nascidos está de volta, pra alegria geral dos amarelinhos da Paulista e dos derrotados nas urnas. Esse golpe mostra ao mundo que no Brasil inexiste a igualdade de direitos; o voto de quem tem maior poder aquisitivo vale mais.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Crônicas Classificadas: 44) Oração na garrafa

Existem críticos e críticos. Nós, compositores, precisamos muito deles, mas também estamos à mercê de seu veredicto ou, pior, de seu silêncio. A maioria deles, por medo, preguiça ou conveniência, empunha sua pena a serviço do desserviço à sociedade, tratando apenas de artistas fabricados e a troco muitas vezes de brinquedinhos eletrônicos. Claro, na maioria dos casos o que fala mais alto é o medo de perder o emprego, fatalidade a que todos estamos sujeitos. Atualmente, os críticos preferidos da grande mídia são bonequinhos de ventríloquo, sem personalidade e sem matizes. Por essas e outras, a recente perda do crítico Mauro Dias nos dói tanto; sem contar a perda do amigo, bom de prosa e de copo. Existem críticos e críticos, e Mauro, entre eles, era todo um poeta. Sua prosa sempre tecida com a palavra certa ("pra doutor não reclamar"), escolhida a dedo, retirada da grande árvore da comunicação, tinha a capacidade de valorizar ainda mais a arte de quem era alvo de seus comentários. Fica a lacuna. Mas Mauro também era um grande cronista; pra quem não o conheceu, resgato uma de suas pérolas. Oremos: