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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 115) O estranho mundo dos vencedores

Ser uma boa pessoa não significa necessariamente ser um derrotado. Conheço muita gente que possui um bom emprego, uma boa situação financeira, e nem por isso se tornou mesquinha. O problema é que hoje nos ensinam desde cedo que, pra nos tornarmos vencedores, temos de ser competitivos; daí vamos, aos poucos, tornando-nos egoístas. Confesso que tenho um preconceito ainda remanescente contra esse tipo de gente. Podemos perceber um deles nas menores coisas. Um exemplo básico dessa espécie se revela no trânsito. Já vi essa cena um milhão de vezes: um carro está saindo da garagem, o semáforo fecha, o carro que está na faixa da direita, em vez de parar pra possibilitar que o outro saia da garagem, o que faz? Dá aquela aceleradinha básica e fecha a passagem ao outro, que fica ali, em cima da calçada, esperando que o semáforo abra, o imbecil que o fechou dê partida e todo o fluxo diminua, pra só então sair.

sábado, 15 de junho de 2013

Crônicas Desclassificadas: 91) Ser palmeirense em terra de campeões

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". É assim que começa o Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa (sob o heterônimo de Álvaro de Campos), um de meus poemas prediletos, e não apenas entre a obra de Pessoa. E é um de meus prediletos justamente porque trata da hipocrisia do convívio em sociedade, na qual todos necessitam ser os melhores, os imaculados, os campeões! O poema é antigo, mas sua atualidade é espantosa. Principalmente porque hoje em dia, vivendo sob as regras do capitalismo, vemo-nos obrigados a ser "campeões", incitados à competitividade. Dessa forma, não temos colegas de trabalho, temos adversários. E só há dois tipos de pessoas: os vencedores e os perdedores. Aqueles andam de cabeça erguida, escondendo no mais recôndito de si seus temores e deslizes. Já estes...