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terça-feira, 2 de março de 2021

PodCrê: 2) Onde é que nós estávamos mesmo?


Há cerca de quase quatro anos, e incentivado (incitado?) pelo querido Rica Soares — excepcional cantautor brasuca —, experimentei enveredar por um caminho até então novo pra mim, o de entrevistador num programa de rádio sem rádio também conhecido como podcast — daí a brincadeira que acabou virando o nome do programa: PodCrê. A experiência foi divertidíssima, mas, por uma série de fatores — inclusive minha mudança pro Japão, que então estava em curso —, não foi além do piloto. De lá pra cá, muita água passou debaixo da ponte, e no meio dessa enxurrada fui carregado pela maré que me trouxe pra Terra do Sol Nascente, onde estabeleci morada há mais de três anos.

domingo, 30 de julho de 2017

A Palavra É: 26) Ponte

Por Rob Gonsalves
No princípio, havia o abismo entre duas extremidades, mas cada uma delas se sentia em paz, quiçá até feliz, pois não se dava conta de sua solidão. E solidão é como qualquer outro sentimento negativo: não nos afeta muito quando sempre fez parte de nossa vida. Um eremita, por exemplo, vive lá sossegadinho em seu canto, longe da muvuca que algum néscio batizou com o nome de civilização. Até que um dia, por um motivo qualquer, vê-se arrastado pro meio do convívio de outros seres humanos, depara-se com o afeto, com o toque, com o sexo, com a separação, com a mágoa, com a dor... E adeus felicidade. Quando volta pra sua caverna, já é outro, pois tem pela primeira vez na vida consciência de sua solidão.

domingo, 23 de abril de 2017

PodCrê: 1) O sossegado desespero de Rica Soares

Ano passado, um amigo que trabalha com gravação de vídeos me fez uma proposta que de cara me agradou muito: transformar minha coluna Ninguém me Conhece num programa de entrevistas. Além de felicidade, também me tomou o sentimento de ter o ego massageado; só que o projeto, por razões que fugiram de minha alçada, não foi avante. Tempos depois, outro amigo, o grande Rica Soares, sugeriu-me uma coisa mais fácil de lograr: transformar esse projeto em algo mais simples, um programa de entrevistas apenas em áudio, que eu poderia hospedar em alguma dessas plataformas. Deu-me uns toques de manuseio da ferramenta e ainda por cima aceitou ser a primeira cobaia. Dessa forma, nasceu meu podcast que chistosamente chamei de PodCrê.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Os Manos e as Minas: 26) Sander Mecca, desestruturando

por Vanessa Curci
Havia algumas profissões que me deixavam encafifado. Um mecânico, por exemplo. O que levaria um cara a escolher tal profissão? Daí, depois de muito pensar, cheguei a uma resposta. O amor. Sim, o amor. Há aquelas profissões que um camarada só aceita por falta de opção. Lixeiro, por exemplo, servente de pedreiro, porteiro etc. Mas mecânico, não. Um mecânico é aquele cara que adora carros, que desde moleque sempre teve curiosidade em saber mais a respeito do funcionamento desses bichinhos que caminham sobre quatro rodas. O mecânico é o médico dos automóveis. E porque os ama. Só isso explica o sujeito ficar o dia inteiro cheirando a graxa, óleo, gasolina. Eu respeito muito um profissional que escolhe sua profissão com base no amor. E é exatamente por isso que eu respeito Sander Mecca.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Grafite na Agulha: 38) A lírica de Lira

Após um razoavelmente longo hiato, volto a dar um pouco de atenção a esta coluna – uma de minhas preferidas por aqui. Na verdade, gostaria de escrever mais sobre música e/ou literatura, que são as áreas que mais me interessam e apaixonam, mas nosso imenso paisinho tem o dom de me dar infelizes matérias-primas que me acabam levando por outros caminhos e, quando percebo, já estou completamente perdido num labirinto (nada a ver com o disco em questão) de assuntos que tenho que vomitar pra não deixar que virem enfermidades. Agora mesmo, enquanto escrevia, soube da prisão de Eduardo Cunha e fiquei cá comigo pensando em por que raios não o algemaram. Deu vontade de escrever algo, mas ainda é cedo. Não sei até que ponto é sério e até que ponto é teatro. Mas deixemos Cunha saborear sua nova residência e voltemos à música.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Filho da preta! – na boca dos leitores (1)

Todo autor, obviamente, deseja que seu livro mereça uma crítica, uma resenha ou pelo menos duas ou três linhas em algum jornal ou revista de renome. Eu não fujo à regra. Aliás, tenho me empenhado pra que tal suceda. Contudo, como – parafraseando o bom e velho Zé Simão –, quem fica parado é poste, enquanto as críticas "profissionais" não vêm, tive a feliz ideia de publicar outras críticas, estas feitas por quem realmente interessa, que são os leitores, pessoas das mais variadas profissões que se deram ao trabalho de gastar (além de seu tempo) umas quantas linhas pra tratar de meu FDP!. Alguns depoimentos foram espontâneos, outros a pedido meu, mas agradeço a todos do fundo do coração e espero que esse punhado de opiniões sensibilize novos e – sempre – bem-vindos leitores. A eles: