quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 10) Clarisse Grova e a versão de "Noches de boda"

Em meu texto anterior, escrito às vésperas do Natal, tratei de suicídio. Algumas pessoas mais sensíveis podem ter se sentido chocadas ou achado de mau gosto numa época tradicionalmente de esperança abordar tal tema. É, admito que peguei pesado, mas não consegui deixar passar batido o suicídio de uma pessoa que, se não era minha amiga, era ao menos bem próxima. No mais, mau gosto teve ela quando escolheu se matar nessa época, eu apenas optei pela "morte em literatura".

Desculpem, mas o Natal tem o poder de me deixar triste, deprimido mesmo algumas vezes. Em contrapartida, gosto do Ano-Novo. Por isso resolvi maneirar nas tintas e tratar de assunto mais leve.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Crônicas Desclassificadas: 28) De Natal e suicidas

Adolescente, tímido e cheio de complexos, flertei ligeiramente com o suicídio. Digo ligeiramente porque, covarde como sempre fui, não pude chegar às vias de fato. Conformei-me com o seguinte paliativo: eu teria a vida inteira pra resolver meus "grilos" e, se em algum momento esta (a vida) me enchesse o saco, sempre haveria a possibilidade do suicídio pra me livrar do sofrimento. O tempo passou, cresci (não muito - nos dois sentidos) e afastei por completo tal ideia de minha mente. Preferi ocupá-la com drogas mais inofensivas. Contudo, na condição de tema, o suicídio sempre me pareceu intrigante.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Crônicas Desclassificadas: 27) Tempo de Sócrates

O trem segue a quase 300 km por hora (menos, né?), como diria Roberto Carlos, e eu aqui, dentro dele, como Jonas dentro da baleia, pus-me a filosofar vendo a paisagem espanhola. Quão fugaz é a vida! E corre tão rápido quanto este trem. Só que, diferentemente deste, cuja parada final é Madri, a última parada da vida é uma estação desconhecida onde, embora saibamos ser inevitável, nenhum de nós quer chegar. E, se Madri é uma cidade charmosa, o mesmo não me atrevo a dizer da estação derradeira (não estou me referindo à Mangueira), onde, em vez de pegarmos a bagagem, deixamos a carcaça.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Ninguém me Conhece: 57) Zebeto Corrêa, um banquete de alegrias

Não vou revelar a fonte, pois seria antiético, mas há algum tempo um jornalista de um dos maiores periódicos brasileiros revelou (com o gravador desligado) que o jornal no qual trabalha tem o compromisso maior com a novidade. Retruquei com as seguintes palavras: "[...] não concordo quando diz que um jornal como a X tem que buscar a novidade. Não, não e não! Um jornal como a X tem que buscar a informação... e a qualidade faz parte da informação, pois informar também é educar. E educar é formar -novos (e mais) e melhores leitores. Novidade quem tem que buscar são as revistas destinadas a leituras vespertinas em salas de espera. Diria mais: um jornal como a X, que tem poder de formar opinião, tinha que ser mais investigativo também no quesito musical. [...]".

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ninguém me Conhece: 56) Os insights de Juca Novaes

Quando comecei a participar de festivais não tinha noção nenhuma de como a coisa funcionava. Queria ir pela festa, pela possibilidade de conhecer gente nova, fazer novos parceiros, curtir as noitadas... E, justamente, logo no primeiro do qual participei, no longínquo 1999 (com o xote Bye Bye, Japão, em parceria com Kana, defendido por ela e Élio Camalle), fui contemplado com o primeiro lugar. A cidade: Avaré-SP. O festival: Fampop. Sabia vagamente que um tal de Juca Novaes, que era amigo de minha parceira Daisy Cordeiro, era um dos organizadores do festival.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 9) Gabriel de Almeida Prado e a versão de "Corre, dijo la tortuga"

Este texto caberia tanto no Ninguém me Conhece quanto no Os Manos e as Minas, até mesmo no Trinca de Copas, mas calhou que o moço em questão topou participar deste meu projetinho e tascou sua (bela) interpretação de Corre, Dijo la Tortuga, assim que cá está ele no Joaquín Sabina en Portugués. Grande aquisição!

Trata-se do jovem... Sim, caros, os jovens também têm seu espaço neste espaço! Aliás, por falar nisso, tenho que admitir que Gabriel de Almeida Prado faz uma música de gente grande! E tenho que agradecer a Élio Camalle por ter me apresentado o moço.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Trinca de Copas: 4) Élio Camalle, Guilherme Rondon e Tavito (c/Marcio Lott)

Nesta edição do Trinca de Copas escolhi três canções de que gosto muito e que até hoje não conseguiram escapar ao ineditismo. Antes de mais nada, é importante acrescentar que este não é um texto de cobrança. Teria que ser mais burro do que sou pra tentar chamar a atenção dessa forma. Pelo contrário, foi um modo que achei de homenagear estas canções (e, com elas, meus parceiros), tirar-lhes o pó e lustrá-las um pouco. Afinal, se possuo este espaço, tenho que aproveitá-lo, não? E, de repente, a divulgação delas por aqui pode gerar interesse em alguém que esteja à procura de repertório. Só pra encerrar este prefácio, reitero que O Mar em Mim e Samba do Amor Eterno estão entre as favoritas de meu repertório. Já Sagradas Horas me é muito especial porque é uma parceria com um camarada que admiro tanto a ponto de escrevê-la me pondo em seu lugar, como se fosse ele quem a estivesse escrevendo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os Manos e as Minas: 4) Kana e os Palcos

Escrevo este texto pra ajudar na divulgação do show que deverá ser o último de Kana este ano em território brasileiro. Portanto, o principal é dizer que ocorrerá na quinta-feira, dia 17, a partir das 20h30, no Novo Lua Nova, que está localizado na rua Treze de Maio, 540, esquina com a rua Conselheiro Furtado, no coração do paulistano bairro do Bixiga. Reservas pelo telefone (11) 3263-1015. Kana se apresentará acompanhada por Leonardo Costa ao violão e Evaldo Corrêa na percuteria (percussão + bateria), mas em dois momentos especiais do show haverá a participação de Keiko Kodama (excelente violinista que tem se apresentado com Kana em várias oportunidades nesta segunda metade do ano que praticamente se encerra) e a de Ítalo Queiroz (belo sanfoneiro, cantor e compositor cearense), respectivamente. Também está prevista a participação do compositor nipo-brasileiro Arthur Vital. No repertório, canções de seus três discos, algumas releituras de sucessos populares e algumas canções que farão parte de seu quarto disco, como O Amor Viajou, parceria de Kana com Zeca Baleiro. Pra quem não conhece, O Novo Lua Nova é um charmoso e tradicional bar bixiguense que, além de ser um verdadeiro reduto de artistas nordestinos em São Paulo, possui uma programação de shows da maior relevância na cidade (e uns comes e bebes recomendáveis a preço decente). Ah, a entrada custará 15 pilas. Acrescento que, como se espera o costumeiro público japonês, que costuma ser pontual, o show não deverá começar após as 21h, então, quem quiser prestigiá-lo em sua íntegra é bom chegar cedo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ninguém me Conhece: 55) Vinicius Todeschini, filho pródigo?

Foi na casa da família Cerpa, uma gente da melhor cepa e altamente envolvida com música, certa noite, numa das tantas festas que eles davam (dão) por lá, sempre regada a muita cerveja, muita música e grande variedade de comes, que conheci um dos camaradas mais inteligentes com quem já tive o prazer de travar um bom papo. Um galego (como dizemos os nordestinos) dos pampas, mais especificamente, como poderei dizer?, um porto-alegrense de Caxias do Sul (ou seria o contrário?), de nome pomposo: Vinicius Todeschini.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crônicas Desclassificadas: 26) A Fábula de Utopia, com seu Rei Louco e um Bobo Esperto

E foi então que o rei de um país longínquo chamado Utopia, sentindo-se cansado, derrotado e com o coração cheio de amargura por não encontrar uma solução pra crise que assolava seu reino, que já havia décadas sofria com miséria, fome, desemprego, analfabetismo, criminalidade e mais uma série de problemas aparentemente insolúveis, dispensou os sábios que o auxiliavam e ordenou que chamassem a sua presença o bobo da corte. Quem sabe este teria algo a dizer que valesse a pena ser ouvido, visto que as ideias dos sábios, quando postas em prática, revelavam-se ineficientes. Após mais de duas horas de reunião a portas fechadas, o bobo saiu, de cabeça erguida e com um maquiavélico sorriso nos lábios.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Trinca de Ouro: 4) Adolar Marin, Élio Camalle e Pedro Moreno

1) LOS ABRAZOS ROTOS

Finalmente conheci Pedro Moreno! O mundo tem salvação! Nem tudo está perdido! Sim, sim, Pedro vale uma vida! Ouso dizer que, se ele estivesse em Sodoma, Deus não teria mandado destruir a cidade. É de encher o coração saber que existem pessoas (principalmente no ramo da música, tão competitivo e cheio de egos) tão do bem, completamente desprovidas de mau-caratismo. Em geral, tenho bom olho pra detectar gente boa, mas dessa vez tive 110 % de acerto.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Crônicas Desclassificadas: 25) O dom de Dona Branca

Quase ninguém onde ela trabalha (tampouco onde ela mora) sabe que seu nome é Antônia. Todos a conhecem por dona Branca, ou Branca, pros íntimos. Dona Branca é uma senhora gordinha, baixinha, de face corada, olhos claros e cabelos loiros, que parece mais ter nascido na Alemanha que no Ceará, seu Estado. Simpática, emotiva, dona de um grande coração, trabalhadora (ou "trabalhadeira", como gosta de dizer de si mesma), dorme de quatro a cinco horas por noite, é querida por todos que a conhecem, faz o bem sem olhar a quem... Contudo, não pense você que se trata de uma dessas beatas submissas que abaixam a cabeça pra tudo. Não, senhor! Experimente pisar no calo dela e entenderá mais ou menos o tamanho da fúria de Jesus contra os mercadores do templo!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ninguém me Conhece: 54) Desaguando nos rios de Mauricio Lyra

Naquela manhã, quando o garoto despertou de uma noite mal dormida, a primeira coisa que avistou foi o violão, num canto do quarto. Ainda com os olhos vermelhos do pranto do dia anterior, pegou-o, meio desajeitadamente, e começou a brincar com suas cordas, tirar sons esdrúxulos delas, procurando algo que se parecesse vagamente com música. Naquela hoje distante manhã, ele mal podia saber que esse simples gesto de um garoto que tenta por vez primeira decifrar o mecanismo de um brinquedo iria mudar pra sempre os rumos de sua vida.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Crônicas Desclassificadas: 24) Aqueles Olhos Verdes

Tinha sido um dia terrível. Aguentara desaforos calado pela simples razão de que precisava do dinheiro (pouco, é verdade) que aquele emprego lhe proporcionava, fora humilde, subserviente, fizera-se de imbecil e admitira estar errado mesmo sabendo que estava certíssimo. Mas não era o único, era apenas mais um. E em casa havia mais duas bocas esperando-o. Aliás, esperando seu parco ordenado. Um ano antes já não estava aguentando mais e planejara mesmo chutar o balde e mandar uma banana pra todos, mas a chegada da pequena mudara seus planos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Entrevistando: 1) Álvaro Cueva (por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa)

Álvaro Cueva
Há tempos venho paquerando a ideia de imitar desavergonhadamente minha querida Tatiana Rocha (coisarara.blogspot.com) e começar a entrevistar umas pessoas que curto. Só não passei ainda da intenção à prática por falta de talento e cara de pau. Uma coisa é escrever, outra é perguntar. Porém, enquanto ando amadurecendo a ideia, acabo de me deparar com esta bela entrevista que meu mano Álvaro Cueva concedeu a outro camarada, o Antonio CarlosÁlvaro é um cara que admiro não só pelas belas canções que compõe e canta, mas, sobretudo, pelo caráter, pela genteboíce (by Tavito), pela fineza no trato (o homem é praticamente um lorde) e por tantos outros adjetivos mais. É um sujeito que tem o que dizer. E diz. Por isso, aproveitando o gancho do texto MPB de Q?, resolvi "roubar" a entrevista pra meu blog. Roubo consentido, deixemos claro! No mais, o site Ritmo Melodia (http://www.ritmomelodia.mus.br) está repleto de depoimentos de gente boa. Recomendo! À entrevista, pois:

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Crônicas Desclassificadas: 23) De pedras e vidraças

Se nos aproximamos demais de um quadro, não somos capazes de apreciá-lo em sua totalidade. Nosso campo de visão fica restrito. Mas, se experimentamos dar um passo atrás, e mais um, e mais um, percebemos que, quanto mais nos distanciamos dele, mais (e melhor) conseguimos admirá-lo. Da mesma forma, se nos distanciamos demais, voltamos a perder a capacidade de observação. O que quero dizer com isso? Que cada um de nós deve procurar a distância mais coerente que nos propicie admirar a qualidade de uma obra confortavelmente. É uma questão de foco.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 8) Zebeto Corrêa e a versão de "A mis cuarenta y diez"

Recentemente escrevi uma crônica que deu o que falar, Música Não É Futebol, que tratava, do ponto de vista musical, da rejeição midiática a toda uma geração de artistas que andam por volta dos 40 anos. Falando nisso, este 2011 é justamente o ano em que completo quatro décadas de vida! Puxa, nem mesmo eu acredito! Ainda me vejo como um moleque (e não poucas vezes ajo como um). O interessante é que, quando converso com amigos de minha geração, vejo neles esse mesmo sentimento de juventude tardia, temporã, duradoura, ou sei lá o quê; diria mesmo certa sensação de angústia de quem se sente guiando numa estrada que não sabe onde vai dar...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Crônicas Classificadas: 14) MPB de Q? (Marianna Leporace vs. Vlado Lima)

Como já declarei aqui várias vezes, faço parte de uma lista virtual que versa acerca de música, chamada M-Música. Trata-se de uma lista democrática, que acolhe cantores, compositores, poetas, jornalistas, críticos, músicos e afins. Gente de várias regiões do Brasil e do mundo e dos mais variados estilos e sotaques, obviamente. E, como em todas as relações, lá não faltam arranca-rabos, polêmicas, discussões, mas sempre tendo a música como foco (ou quase sempre) e sempre tendo o respeito em primeiro lugar (ou quase sempre). Já que ultimamente discussão acerca de música não tem estado muito em voga, e já que a ótima cantora Marianna Leporace sentenciou que meu blog "pode ser um grande veículo de divulgação de artistas independentes, um jornal, um lugar de críticas e de boas discussões - ele tem potencial pra isso", visto a carapuça e trago a público (com a autorização de seus protagonistas) saudável discussão interna m-musgueira entre a já citada Marianna (ótima cantora carioca, com um trabalho dos mais honestos, sensíveis e produtivos), mpbista de carteirinha, voz vinda lá do país e do tempo da delicadeza, e Vlado Lima (paulistano, cantor, compositor, agitador cultural, dono do novo reduto caiubista, o Bagaça, y otras cositas más), que se encontra na outra extremidade da criação musical, um verdadeiro udigrudi, um fantístico e um porno-punk-poeta roqueiro-sambista que, pra ser maldito, carecia de ser um pouco mais conhecido. Ou não...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Trinca de Ouro: 3) André Mastro (+ Marcio Policastro), Mariana Platero (+ Kana) e Thiago Varzé

1) AVELÃ

Quem me apresentou Thiago Varzé foi o premiado músico Sérgio Bello (o mais recente parceiro de Cazuza, após vencer o concurso Musique Estadão, no qual musicou letra inédita do ex-Barão Vermelho), que na época estava a cargo dos arranjos do primeiro CD do moço, Áudio Retrato. Nesse primeiro trabalho, Thiago gravou Néctar, parceria minha com Élio Camalle.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ninguém me Conhece: 53) Ito Moreno, dilacerado de paixão

Foi em Santa Rita do Passa Quatro. Eu e Kana tínhamos acabado de descer do ônibus e batíamos cabeça pra encontrar o hotel em que nos hospedaríamos. De repente, vimos que nos acompanhava um moço moreno munido de mala e violão, que, aliás, viera no mesmo ônibus. Apresentamo-nos e soubemos que ele ia se hospedar também no mesmo hotel, assim que seguimos juntos. Afinal, três cabeças acham um hotel melhor que duas. Além do mais, o motivo que nos levara até ali era o mesmo: participar do festival de música organizado pela cidade. Kana defenderia Mais Um, parceria minha com Rafael Alterio, que ela gravaria em seu segundo CD, Imitação. Já o moço, que se chamava Ito Moreno, iria defender sua Esse Fogo Chamado Desejo, que acabaria sendo a vencedora do festival.

sábado, 24 de setembro de 2011

Trinca de Copas: 3) Cláudio Caldas, Denis Martino e Wilson Rocha

1) AMPULHETA

Há uma rede social muito interessante chamada Livemocha. O que a diferencia das demais é que está voltada ao estudo de idiomas. Um brasileiro que, por exemplo, queira estudar francês procura um nativo dessa língua interessado na língua portuguesa e o adiciona como amigo. Assim, conforme o primeiro for fazendo os exercícios dos vários níveis de estudo, este convida o segundo a corrigi-los. E vice-versa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Novidades n'O X do Poema

Preciso leitor, preciosa leitora (roubando a ideia do Zé Roberto Torero):

Este datilógrafo amador (um dia ainda meto um Osmar nas ideias!), vulgo Neander Tal, aos poucos vai se inteirando das modernices sem fim do uni-verso virtual; claro, a passo de cágado (cuidado com o acento - e com C, faz favoire!), mas não deixa de ser um passo à frente (um pra frente, dois pra trás...). E a última das novidades deste espaciúnculo é que agora descobri uma ferramenta que facilita, e muito!, minha vida e, consequentemente, a de vossa liturgia, a tal da nuvem de som, mais conhecida como Sound Cloud...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 7) Álvaro Cueva (e Leonardo Costa) e a versão de "Como un explorador"

A inveja é uma palavra forte. Sentimento depreciável. Porém, poucos no mundo podem dizer que nunca a sentiram. Também eu não atirarei a primeira pedra. Só que, no meu caso, a inveja não é direcionada a bens materiais. Estou pouco me lixando se fulano comprou um carro zero ou uma cobertura no Morumbi. Não tenho do que reclamar quanto a minhas conquistas. Mas, se quiser me ver me roendo de inveja, mostre-me uma canção que eu gostaria de ter composto. Felizmente, esse tipo de inveja me ocorre repetidas vezes. E, mais felizmente ainda, muitas dessas canções são de amigos e/ou parceiros. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Crônicas Desclassificadas: 22) Buenos Aires e Caiubi

Pela segunda vez em Buenos Aires, (bem) acompanhado por Kana e Élio Camalle, passei cinco memoráveis dias que me resultaram como uma injeção de ânimo na alma. Com o real valendo cerca de 2,50 pesos, o prazer de desfrutar em boa companhia uma suculenta refeição com um bom vinho era redobrado. Contudo, esteve sempre presente certo constrangimento de, digamos, novos ricos, pois não é sem dor que nos deparamos com gastos excessivos assistindo a um país tão belo passar por tamanha crise.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Crônicas Desclassificadas: 21) Música não é futebol

Um brilhante e querido parceiro em certa ocasião, em tom de desabafo, perguntou-me se íamos passar em brancas nuvens, ao que eu, sempre esperançoso e positivo, sem lhe dar tempo pra retrucar, respondi que música não é futebol. Se fôssemos aspirantes a craques da pelota, com nossas razoáveis décadas de semianonimato, poderíamos ser considerados velhos; porém, no ramo da música, estamos na flor da idade. Eu mesmo, às vésperas de me tornar um quarentão, sinto-me melhor que nunca, no auge de minha criação, afiado, crítico, sensível, vaidosamente humilde (ou seria humildemente vaidoso?), sem soberba, sem exageros... No ponto (e ao ponto?). Contudo, no entanto, não obstante, porém, todavia e blablablá, temos a mania de futebolizar a música, o que me parece... Não, não me parece... É, é um crime! A tendência atual é de que cheguemos a viver... sei lá, 90 anos? Assim, um camarada com 40 não viveu nem metade de sua vida. E, em se tratando de criação, então, é um menino! Falo de música porque é minha área, mas o que digo se aplica a todas as profissões.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Trinca de Copas: 2) Dose tripla de Sonekka

Meu parceiro Sonekka é uma espécie de Mr. Hyde de um tal de Osmar Lazarini, bem-sucedido profissional do ramo da informática. Dizem que de dia ele é Osmar e de noite se metamorfoseia em Sonekka. Como raras vezes o vejo sob a luz do sol, posso dizer que Osmar me é praticamente um ilustre desconhecido. Contudo, acho que tampouco conheço (na ampla concepção da palavra) Sonekka. Mesmo porque ambos não são daqueles que se deixam conhecer facilmente. E olha que sou do tipo com quem as pessoas geralmente se abrem. Mas com Sonekka/Osmar falhei vergonhosamente.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Crônicas Desclassificadas: 20) Uma tarde kafkiana no circo da Polícia Federal

O Brasil sonha alto, mas os degraus que faltam pra que ele chegue aonde almeja ainda são muitos. A mão de obra desqualificada é um dos pontos mais delicados em nossa estrutura (não só) de atendimento ao público. A falta de respeito ao tempo alheio chega a ser revoltante. Sem falar em determinadas escolhas geográficas onde se erguer um órgão que devia ser de fácil acesso a todos (um elefante branco funcional?). Mas vou começar pelo começo.

domingo, 21 de agosto de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 6) Daisy Cordeiro e a versão de "Jugar por jugar"



Seria cômico se não fosse trágico... Pensando bem, acho que o proparoxítono adjetivo que cabe melhor aqui é ridículo. Sim, chega a ser ridículo que em pleno século XXI ainda haja tanta intolerância no mundo. Não sei por que ainda é tão difícil viver e deixar viver... Na realidade, é mesmo um paradoxo, pois quem não vive passa os dias tendo inveja de quem vive, ao passo que muitos dos que vivem o fazem às custas dos que são obrigados a não viver...

Antigamente, quando as minorias (e nem estou me referindo às massas, que são outra qualidade de maioria; refiro-me às minorias étnicas e quetais) a tudo aguentavam sem reagir, tudo estava bem, mas bastou que se mobilizassem pra que a maioria passasse a reivindicar seus direitos de maioria.

sábado, 20 de agosto de 2011

Crônicas Desclassificadas: 19) As pessoas que empurram

Existem pessoas que empurram. Sim, parece brincadeira, mas existem. Pessoas que usam mãos, antebraços, cotovelos, ombros... pra empurrar terceiros (e, se for o caso, quartos). Pessoas que empurram sem saber por quê. Pessoas que empurram sem pensar. Pra passar (e não passar por cima). Pessoas que empurram sem saber a quem empurram. E não querem nem saber! Querem mais é empurrar. Tais pessoas não têm culpa. Coitadas, nasceram apenas pra empurrar. Empurrar é sua sina. E seu destino. Algumas empurram antes que alguém as empurre (algumas, depois). Seguem o décimo primeiro mandamento: “empurrai ao próximo como a si mesmo.”

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 5) Roney Giah e a versão de "Eva tomando el sol"


Minha admiração por Sabina não se deu à primeira audição. Eu já possuía seu CD Enemigos Íntimos (em parceria com Fito Páez), do qual até gostava, mas que não me chamara a atenção de um modo especial. Contudo, como alguns professores recorrentemente falavam dele de forma enfática, como se se tratasse de uma espécie de Chico Buarque espanhol, resolvi lhe dar uma segunda chance.

Aconteceu que eu havia me tornado sócio da biblioteca do Instituto Cervantes, que conta com um belo acervo de livros, DVDs e CDs em espanhol, e, certo dia, procurando não sabia exatamente o quê, deparei-me com uns sete ou oito CDs de Sabina. Resolvi, pois, sorvê-los em doses homeopáticas, e escolhi aleatoriamente um deles pra levar pra casa a título de empréstimo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Ninguém me Conhece: 52) Roney Giah, compositor e tudo mais


Quando comecei a frequentar o Clube Caiubi, uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi a quase ingênua atmosfera de rebeldia, própria da juventude dos compositores e de suas canções, cheias de frescor e originalidade. Contudo, notava-se certo amadorismo. Por vezes o compositor não passava segurança na hora de interpretar sua própria canção e terminava por estragá-la. Mas isso também pertencia ao pacote "espírito rebelde". Os erros eram aplaudidos e, de tão condescendente que era a plateia, o mesmo compositor, na terceira ou quarta tentativa, já mostrava melhor desenvoltura.

domingo, 7 de agosto de 2011

Ninguém me Conhece: 51) Demoliendo a Charly García*

Me? I'm not a stranger. Eu sou Deus! Eu sou Gardel! Eu sou normal! (locos son los otros) Eu sou o iluminado. Eu não uso drogas. Eu como eletricidade. Num hospital do Texas trocaram todo o meu sangue pelo de uma virgem do Amazonas, assim que estou puríssimo. Chego mesmo a sentir vertigens, como se só o ato de respirar me fizesse ter orgasmos múltiplos. Agora, mirá, loco, vou te contar por que escolhi encarnar na Argentina. Já te explico: aqui posso me fazer de Quixote à vontade, porque sempre haverá uma legião de Sanchos Panças a me proteger, mesmo que eu não precise (e não peça), em minha luta por provar que, na verdade, são moinhos os dragões. Você está me acompanhando? Por isso é que às vezes eu ponho todos à prova, como naquela ocasião em que me atirei do nono andar e caí diretamente numa piscina (qué preciosa estaba el agua!). Eu sabia o que estava fazendo. Queria saber se ELES sabiam o que faziam. Da mesma forma que gosto de me jogar sobre a plateia. Eles são minha rede de proteção. Mas meu salto é mortal. Quem tem que saber o que fazer são eles, meus discípulos. Eu sou Jesus. E os perdoo quando não sabem o que fazem. Chegaram a me internar mais de um par de vezes pra ver se conseguiam me enlouquecer, mas tudo o que conseguiram foi que EU os tornasse um pouco lúcidos. Eu não preciso de médicos, EU sou o enfermeiro!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ninguém me Conhece: 50) Apostando em Pedro Moreno

Quem diria? Um ano e pouco depois e o Ninguém me Conhece chega à 50ª edição! Muitos já passaram por aqui e sabe Deus quantos ainda passarão! Um fulano que recebia minhas divulgações certa vez chegou a pedir que eu excluísse seu e-mail de minha lista, caso contrário ele acabaria conhecendo o mundo inteiro! Mas, maus humores à parte, os números redondos costumam ter uma importância especial em nossa sociedade. E, em se tratando do 50, essa importância é redobrada. Há comemorações de cinquentenários, de bodas de ouro etc. etc. Por essas e outras, gastei um bom tempo pensando em quem seria um bom nome pra "vestir essa camisa" de nº 50. Pensei nos perfis dos que por aqui passaram, reli alguns textos e acabei "apostando" num camarada que, além das múltiplas qualidades artísticas, possui outras tantas como ser humano. Todos sabemos que o talento não tem obrigatoriamente que ver com caráter. Mas é tão bom quando descobrimos uma pessoa de verdade por trás dos dotes artísticos! É revigorante e nos faz renovar a crença, se não na humanidade, ao menos no homem, "que no es lo mismo, pero es igual".

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Crônicas Desclassificadas: 18) A biblioteca

Meu nome é A, trabalhei durante muitos anos como repórter do jornal B, cobrindo assuntos locais referentes a esta cidade, onde nasci, cresci e vivi até há pouco. Hoje soube de uma notícia que me emocionou bastante e, por conta disso, resolvi escrever algumas linhas, como forma de homenagem, desabafo ou seja lá o que for. Adianto que não se trata de uma matéria paga que amanhã vai sair com destaque no B, muito pelo contrário. Arrisco-me mesmo a dizer que são as primeiras linhas que escrevo nos últimos não sei quantos anos que saem de meu coração, ou, para parecer menos piegas, que partem de minha própria vontade, que, para espanto meu, sim, ainda existe, apesar de viver sufocada em alguma recôndita parte de meu ser.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Crônicas Desclassificadas: 17) As mulheres do Japão

Tive o privilégio de viajar ao Japão três vezes, em duas das quais lá me instalei por um período não inferior a três meses. Fui recebido de braços abertos por meus sogros (de quem me considero menos genro que filho) e pela população em geral. Com a curiosidade que me é nata, aprendi um bom número de palavras e expressões japonesas, além de estudar seus três alfabetos (hiragana, katakana e kanji), o que me possibilitou estabelecer conversações básicas com a gente desse peculiar arquipélago.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ninguém me Conhece: 49) Fito Páez, al lado del camino

"Fito é um artista quimicamente puro. (...) É capaz de compor uma canção às 8h da manhã e à meia-noite tê-la gravado e mixado com uma orquestra sinfônica. Se isso não é ter empenho, valentia e talento, não sei o que é. (...) Suponho que Fito, acima de tudo o mais, é isso: artista!". O testemunho acima foi dado por Joaquín Sabina em sua biografia Sabina en Carne Viva, numa época em que ambos estavam de relações cortadas. Nesse livro Sabina dedica um capítulo inteiro a seu "enemigo íntimo". Claro que há nele tintas carregadas de ironia, mas uma coisa Sabina não põe em dúvida: o talento do parceiro/desafeto.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ninguém me Conhece: 48) Lucio Dalla, una testa piena di pensieri

Em minha adolescência tive um arremedo de paquera que não durou mais que um suspiro, mas deixou marcas profundas nel mio cuore. Apaixonei-me por uma jovem italiana que viera ao Brasil em missão religiosa. Futuramente ela se tornaria freira em clausura, o que, sinceramente, achei um desperdício, pois sua boca nascera pra mais que orações.

O fato é que la ragazza, de nome tão curto quanto poético (Tea), antes de pegar seu Alitalia rumo à solidão, presenteou-me com uma fita que a acompanhava na viagem e que continha alguns sucessos italianos, como Azzurro ("il pomeriggio è troppo azzurro e lungo per me"...), na voz do canastrão Adriano Celentano, e duas canções que me marcaram durante anos, de autoria de (e na voz de) Fabio Concato, um cantautore de voz delicada e requintadas melodias (não confundir com requentadas). Eram elas: Guido Piano e Fiore di Maggio. Essas duas canções me marcaram sobretudo porque eram as preferidas dela.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Esclarecimentos musicais a respeito d'O X do Poema

Léo by Kana
Muitas das pessoas que acompanham meus textos, principalmente os referentes ao Ninguém me Conhece, reclamam que não está claro o modo como disponibilizo as canções pra audição. Dessa forma, muitos, apesar de lerem os textos e se sentirem instigados a conhecer um pouco da obra dos homenageados, acabam não o fazendo, por dificuldades, digamos, técnicas. Pensando nisso, resolvi escrever este texto, da forma mais didática possível, pra que ninguém mais reclame a respeito do assunto. Vamos lá.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ninguém me Conhece: 47) Alegria, a razão da cantoria de Tato Fischer

O moço é um baita cantor, compositor, pianista, professor de canto, mágico, ator, modelo, dançarino (ops!)... Foi um dos fundadores dos Secos & Molhados, é o mentor intelectovocal das Amígdalas Cantantes, foi o único que recebeu condecoração de caiubista pelas mãos de Zé Rodrix, possui um cartão de visitas inflamável, cozinha bem, sabe tanto de itinerários que é praticamente um taxista (sic), ir a Buenos Aires pra ele é como ir ali no Brás (aliás, acho que ele vai mais a Buenos que ao Brás), enfim, Tato Fischer representa com desembaraço tantas habilidades, que não exageraríamos ao chamá-lo de multi-homem, ou homem-bombril!

domingo, 12 de junho de 2011

Ninguém me Conhece: 46) Caminhando nos caminhos de Eduardo Santhana

Não sei se a MPB se afastou do povo ou se o povo se afastou da MPB. O fato é que esta sigla, que erroneamente ficou vinculada a um estilo, hoje parece que afugenta o público como a cruz ao diabo. O que chega a ser um contrassenso, visto que seu "P" vem de popular. Lenine, certa vez numa entrevista, ao ser pelo entrevistador chamado de um dos expoentes da "nova" MPB, saiu-se da incômoda posição dizendo que não fazia MPB, e sim rock.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Crônicas Desclassificadas: 16) Cinco dias "inolvidables"

Gostaria de aproveitar este espaço pra contar um pouco do que foram cinco especiais dias do mês passado, agradecer às pessoas que contribuíram pra que eles fossem um êxito e, quem sabe, deixar com água na boca os que deles não puderam participar. Vamos lá, em ordem cronológica:

sábado, 4 de junho de 2011

Os Manos e as Minas: 3) Dia de Élio Camalle

Minha vida se divide em AC/DC. Não, não me refiro à banda. Também não me refiro ao moço nazareno. Refiro-me a Élio Camalle. Já contei o começo dessa história em Boca da Noite - Parte I, cuja parte II nunca me propus a escrever (mas um dia ainda me atrevo). O fato é que, pulando o melodrama, acompanho sua trajetória de perto, diria mesmo de muito perto. Às vezes PERIGOSAMENTE perto. Observei, interferi, discordei, ratifiquei; de acordo com a ocasião fui seu irmão mais novo, seu irmão mais velho... Enfim, vi sem óculos de proteção esse eclipse que foi a fusão de sol e lua em um único artista. E em sua obra. E me ceguei dele pra voltar com melhores olhos.  Desde o quase paleolítico Mágicas fui acompanhando as metamorfoses desse camaleônico ser, as dúvidas, as certezas, o "sangue no olho", as flores e as porradas, enfim, todo o barro do qual é feito Élio Camalle. Onde também chafurdei e do qual devo ter forjado (e fraturado) uma ou outra costela.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 4) Pedro Moreno e a versão de "Contigo"


Joaquín Sabina é do time de Vinicius de Moraes: excepcional letrista, sonetista, mais intérprete que cantor, bom de copo, boêmio, notívago, cultivador de amizades, mulherengo e... dado a casamentos! Assim mesmo, no plural. Aliás, como foi Vinicius, é adepto do "que seja eterno enquanto dure", visto que não consegue viver ao lado de quem não ama.

No entanto, ao contrário de ViniciusSabina tem poucas canções derramadamente românticas. Em certa ocasião, uma amiga lhe pediu uma canção que falasse de amor, ao que ele lhe respondeu que era só a moça escolher uma de seus discos. Pra seu espanto, ela lhe disse que já havia procurado, mas sem sucesso.

domingo, 22 de maio de 2011

Crônicas Desclassificadas: 15) Meu amanhã é agora

Sexta-feira, 22 de maio, de manhã, recebi um telefonema de meu amigo Adolar Marin, avisando-me que ouvira na CBN que Zé Rodrix havia falecido. Eu estava numa sala de espera do Colégio Marista Arquidiocesano, onde iria conversar com uma professora a respeito de um estágio. As lágrimas rolaram fartas. Corri pro banheiro mais próximo (que era longe pra caramba!) e chorei. Chorei muito. Não lembro onde eu estava quando nenhum desses artistas consagrados morreu, mas vou me lembrar até o fim dos dias daquela sala de espera do Arquidiocesano, do imenso corredor até o banheiro e do sol implacável que batia no meu rosto, insensível, quando de lá saí.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Trinca de Ouro: 2) Kana (+ Yosui Inoue), Samantha Navarro e Zeca Baleiro

Este mês de maio, que começa taurino e termina geminiano (ui!), promete ser especial pra mim, pras pessoas que me são próximas e pros amantes de música em geral que se encontrem em São Paulo nos dias 20 e 21 de maio. É que estou à frente da produção de três shows que prometem ser, no mínimo, muito bons. Claro que "muito bons" é muito pouco mas a (falsa) modéstia não me deixa ir além, pra não cair no autoelogio.

domingo, 15 de maio de 2011

Ninguém me Conhece: 45) O misterioso coração de Sérgio Sampaio

Há exatos 17 anos morria o compositor "maldito" Sérgio Sampaio, de uma crise de pancreatite. A título de curiosidade, pesquisei no arquivo da Folha de São Paulo e encontrei uma ínfima nota, escrita por free-lance, numa lateral de página dedicada aos obituários onde se lia: "O cantor e compositor Sérgio Sampaio, 47, morreu às 5h de ontem, no Rio. Autor da música Bloco na Rua (sic), Sampaio morreu de pancreatite crônica. Ele estava internado no Hospital Quarto Centenário, no centro, desde abril. O enterro será hoje, às 10h, no Cemitério São João Batista". Só. Como se se tratasse de um anônimo. Bem, pelo menos, se o nome do sujeito lhe gerava dúvidas, sua associação à música "Bloco na Rua", ou melhor, Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua, certamente lhe deve ter lançado luz. Afinal, quem nunca ouviu "Eu quero é botar meu bloco na rua/ Brincar, botar pra gemer/ Eu quero é botar meu bloco na rua/ Gingar, pra dar e vender"? Pois então, Sérgio Sampaio é o autor da canção que contém esses versos, canção esta que participou do VII FIC (Festival Internacional da Canção), em 1972, vencido por Fio Maravilha, de Jorge Ben (muito antes de vir a ser Ben Jor). No entanto, o lançamento logo em seguida de um compacto com Eu Quero É Botar... ultrapassou a considerável soma de 300 mil vendas.

sábado, 7 de maio de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 3) Ricardo Moreira e a versão de "Y sin embargo"


Ricardo Moreira virou cantor por força do destino. Baterista e gaitista, belo letrista que, quando não acha quem musique suas letras, também se vira bem como melodista, começou como membro (baterista e compositor) da banda Salada Mística. Aos poucos as verduras se mandaram e ficou ele só com a mística. Daí o jeito foi virar cantor. As histórias variam, mas o Brasil tem um vasto leque de cantores "por acidente". Moreirinha vem aumentar esse leque. De quebra, tem se mostrado bom arranjador nas gravinas caseiras que exercita durante os intervalos das aulas que dá (como eu, é letrista profissional - formado em Letras -, mas ele vestiu o avental de professor, enquanto eu fui me ajustando em paletós alheios). Essa junção de fatores me levou a crer que sua escolha pra gravar Y Sin Embargo seria acertada. Meu faro não me enganou. Foi. Com alegria recebi sua gravação, e até as "traves" me gustaron. Contou-me ele que gravou numa sexta-feira, depois de uma semana de aulas dadas a turmas de sextas séries. Daí a voz rouca e falha. Genial! Nada mais sabinístico! Sabina tem uma voz que seus inimigos podem apelidar de "taquara rachada", gasta com noitadas, bebedeiras, mulheres e outros pós. A voz de Moreira tá nesse pique, pero sin perder la ternura... ¡jamás!

domingo, 1 de maio de 2011

Ninguém me Conhece: 44) O desejo ardente de Lucia Helena Corrêa

"Mulher, negra, jornalista, poeta e CARIOCA!". Foi no apartamento de outra jornalista-poeta, Guta Campos, num dos muitos saraus que esta promovia, que ouvi, à guisa de apresentação, a frase acima, da boca da própria Lucia Helena CorrêaLucia sem acento e Corrêa com circunflexo e sem "i", como gosta de dizer a própria Lucia, a mulher-sigla (LHC - não confundir com FHC!). Achei o tom um tanto carregado nas tintas, e não me caiu bem aquele "carioca" como qualidade; ainda não conhecia bem a dona da voz e seu enérgico (mas também afável) temperamento. Feita a apresentação, abriu seu vozeirão e cantou (à capela) uma canção de sua autoria, Cebola Crua, aliás, um poema seu por ela mesma musicado, poema este que também emprestou título a seu livro de poesia, com o qual, naquela noite, fui por ela presenteado. Melhor dizendo, Kana foi. Por falar em Kana e Cebola Crua, esta também musicou um poema desse livro, Negritude, uma bela canção que não vingou, como tantas outras que residem nos vários baús de canções órfãs.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Crônicas Desclassificadas: 14) Libros por la ventana

"Paco Lucena, meu ex-manager, pode testemunhar que, sempre que íamos de carro a caminho de um show, eu passava todo o trajeto lendo algum livro. Quando o acabava, atirava-o pela janela simplesmente". Palavras de Joaquín Sabina em seu livro En Carne Viva. Tenho que admitir que de tudo o que ele revelou nesse abissal livro (e revelou muito), essas foram as palavras que mais me escandalizaram (acho mesmo que as únicas).

terça-feira, 19 de abril de 2011

Trinca de Ouro: 1) Cléverson Baía (+ Enrico Di Miceli), Danny Reis (+ Tony Pelosi) e Lis Rodrigues (+ Clarisse Grova)

A exemplo do que escrevi no Trinca de Copas, repito aqui: Pra não gerar melindres entre os parceiros, optei pela já manjada (porém democrática) ordem alfabética por título. E, aos apressadinhos e àqueles que quiserem pular o lero-lero, aviso que no final da página há o link pra audição das canções.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 2) Marcio Policastro e a versão de "Tan joven y tan viejo"


Eu tenho o maior orgulho desses meus parceiros! Quando comecei este projeto não sabia ao certo se eles iam comprar a ideia, mas já de cara Sonekka me presenteou com uma maravilhosa gravação pra Más Guapa Que Cualquiera. Agora, aogrinha mesmo, acabei de receber a colaboração de Marcio Policastro em outra canção. Outra bela gravação. Esta tem uma história que vale a pena ser contada. Enviei a Policastro a versão de uma de minhas favoritas de Sabina, Y Sin Embargo. Ele curtiu, mas o tempo passou e nada aconteceu. Semana passada ele estava nas redondezas e passou em casa. Compramos umas cervejas e à queima-roupa lhe perguntei sobre a tal versão. Ele me respondeu que havia curtido, mas pesquisando no youtube encontrara outra com a qual se identificara mais:

sábado, 9 de abril de 2011

Joaquín Sabina en Portugués: 1) Sonekka e a versão de "Más guapa que cualquiera"


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Há alguns anos, ainda na faculdade, meu professor de espanhol, Jorge Cáceres, comentou-nos a respeito de um CD, cuja capa eram dois saleiros, que tinha como artistas o cantautor argentino Fito Páez e um tal espanhol chamado Joaquín Sabina. Foi a primeira vez na vida que ouvi falar del flaco. Algum tempo depois adquiri o CD (chamado, premonitoriamente, Enemigos Íntimos - 1988), do qual, diga-se de passagem, não gostei muito (ainda não era a hora). Aliás, soube depois, não fui o único. Os fãs de Sabina acharam o trabalho menos inspirado que seus CDs anteriores, os de Fito, idem. Contudo, o CD teve um ótimo antimarketing: desgastados pelo extenuante processo de feitura do disco, às vésperas de saírem em turnê (tinham já mais de 60 datas marcadas por Espanha e América Latina), ambos romperam relações. E a turnê foi por água abaixo. Dizem as más línguas que uma das canções do disco, Cecilia, foi o estopim. Cecilia (Roth) era na época a mulher de Fito, mas a letra homônima quem a fez foi Sabina, e, ao que consta, determinados aspectos da letra não teriam agradado nada a Fito. Mas o certo mesmo é que era muito ego pra um só palco.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Joaquín Sabina en Portugués - Prefácio

Uma língua representa um muro alto e intransponível pra quem não a domina. Já pra quem a domina, ela representa uma flor que desabrocha. Estudar uma língua significa (mais que aprender uma nova gramática, novas palavras, novos sons etc.) entrar em contato com outra cultura. Eu tive o azar de associar a língua inglesa ao domínio que exercem no mundo os estadunidenses, e esse pensamento acabou me afastando do aprendizado desta que é considerada a língua universal, a língua dos negócios, ou melhor, business. Reconheço que fui estúpido, pois, como diz minha amiga Lucia Helena Corrêa, há que aprender a língua do inimigo pra saber o que ele anda tramando. Mas sempre tive pouca paciência pra estudar coisas que não me dessem prazer. Por conta disso, quando estava na 7ª série, embora fosse o primeiro da classe em português, repeti de ano por ser uma nulidade em ciências. Mea culpa, admito. Mas admitir a culpa nada contou em minha fracassada tentativa de ser mais um garoto "uspiano". Ainda bem que, frustrado esse sonho, consegui ser, pelo menos, eu, mais que um coletivo.