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domingo, 10 de janeiro de 2021

Esquerda, Volver: 30) Refletindo sobre a "invertida" de César

Mais uma vez, algo me vem despertar do período de hibernação bloguística. Desta feita, o tema é a resposta "pletórica" que o artista Chico César deu a um comentário de um fã em seu Instagram. Soube por um amigo, via Facebook, depois notei que o assunto se espalhara pelas redes e fiquei um tempão pensando a respeito dele, pesando os prós e contras, considerando os pesos e medidas e quetais. Por fim, ao assistir no YouTube a um vídeo de Henry Bugalho tratando também do tema (veja aqui) e principalmente depois de ler os comentários abaixo do vídeo, todos em uníssono favoráveis, me veio aquela velha comichão (é feminino; valeu, irmão!) de meter a mão em vespeiro. E aqui estou novamente, tirando o pó do blogue e arregaçando as mangas, pronto pra ser Madalena, sabedor de que lá vem pedra. Antes, vamos à nascente:

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Minhas Top5: 5) O tempo não para e no entanto Caetano nunca envelhece

Pra começar 2020 com o pé bom, o esquerdo (com o qual sempre entro nos aviões), resolvi, como primeira publicação do ano, tratar de música e homenagear o bom e velho Caê, que continua produzindo a mil, compondo belas canções e gravando discos incríveis. O que, convenhamos, dificulta meu trabalho de escolher apenas cinco dele. Em minha defesa, alego que as melhores de Caetano variam de tempos em tempos. Como sua obra é extensa e de grande qualidade, sempre há aquela que em determinada época gruda em nossos ouvidos e não sai nem com reza. Resolvi, portanto, trazer pra cá cinco que pertencem a momentos  (meus) diferentes, mas que, cada uma a seu modo, marcou profundamente minha trajetória de ouvinte e, por que não?, de compositor também.

domingo, 25 de novembro de 2018

Crônicas Classificadas: 47) A física de Chico Buarque

A vida em sociedade é um ato político. Assim, todo ser humano, em contato com o meio, acaba se transformando num ser político. Inclusive os alienados o são, embora não saibam disso. A política permeia nossas relações, sejam elas profissionais ou afetivas. Quando saímos de casa, independente de pra onde estejamos indo, levamos conosco nossa bagagem política. Assim também o faz um professor. Não existe neutralidade. Claro, existem as ocasiões que se nos apresentam; há os momentos propícios pra algo e os que não o são. O bom senso é primordial. Especificamente falando sobre essa suposta "escola sem partido", considero-a, mais que uma grande bobagem, algo difícil (pra não dizer impossível) de se pôr em prática.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Esquerda, Volver: 21) Chico & Gil, 45 anos sem se calarem

Por Mauro Pimentel
Era uma vez um maio de 1973. Eu não tinha nem 2 anos, mas depois li, me informei, procurei saber. A ditadura (esta que hoje o sr. Bolsonaro apoia — e a serviço da qual está) andava firme e forte, com a petulância, a arrogância e a ignorância (no meio da ânsia do povo) trocando de papéis na rima pobre. Foi quando Gilberto Gil e Chico Buarque subiram ao palco pra apresentar a então novíssima Cálice, até hoje uma das poucas parcerias entre os dois. Eles sabiam que o mar não estava pra peixe. Aliás, os peixes viviam meio que se fazendo de espécies terrestres. O fato era que a canção composta por ambos, que trazia em si um desafiante trocadilho, passara despercebido pela censura.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Os Manos e as Minas: 31) Na ilha de Chico, no barco de Caetano

Tom Zé, nos primórdios, quando a Tropicália ascendia, ao ser questionado num programa de TV a respeito das diferenças estéticas entre eles (os tropicalistas) e Chico Buarque, tascou sem dó e com a fina ironia que sempre lhe foi característica que respeitava muito o autor d'A Banda, "pois ele é nosso avô". Claro, Tom Zé, que é oito anos mais velho que Chico, referia-se à música deste, que, segundo ele, parecia antiga se comparada com a que os baianos & agregados andavam fazendo. Já eu costumo dizer que a genialidade de Chico foi revolucionar a música brasileira sem violar sua estrutura, seguindo todos os padrões clássicos. A modernidade de Chico sempre esteve na qualidade do que fazia/faz. Creio mesmo que depois da morte de Noel Rosa o Brasil teve que esperar quase três décadas pra ver surgir alguém com a pena tão refinada.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Crônicas Classificadas: 45) A peleja do homem da rua com a televisão

Aproveito meu momento de preguiça mental e resgato um texto que estava comigo havia muito e que eu não achava onde enfiar. Explico: convidei o amigo Carlos Machado, poeta, jornalista e editor do ótimo (recomendo!) Alguma Poesia (visite aqui), a escrever sobre algum disco pra coluna Grafite na Agulha. Ele topou, mas acabou me enviando um excelente estudo, mas sobre uma única canção(!). Nesse caso, não caberia na coluna, e, apesar de ótimo, ficou o texto guardado, esperando melhor ocasião. Hoje, por acaso, lembrei-me dele e pensei em trazê-lo pro Crônicas Classificadas. E por que não? Assim, senhoras e senhores, convido-os a se deliciarem com a bela prosa "machadiana" (esses Machados são afiados!) que trata de uma canção antiga, mas com um tema atual. Fosse composta hoje, talvez se chamasse O Computador. Deleitem-se:

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Crônicas Desclassificadas: 188) O velho Chico e nossas(?) cantigas

Minha amiga Marina Tavares escreveu recentemente um texto sobre a nova canção de Chico Buarque (o melhor que li até agora — leia aqui) que me encheu de terror e admiração. Explico: 1) Terror: pensei, quem ela acha que é pra "problematizar" uma canção (no caso, uma letra; a melodia é do maravilhoso Cristóvão Bastos) de nosso ídolo maior, que, além do mais, já anda tomando tanta porrada gratuita dos coxas sem noção? 2) Admiração: e por que não? Gal Costa disse certa vez numa entrevista a Jô Soares, cheia de empáfia (digo isso com dor no coração e também com a ousadia de quem sabe que jamais será gravado por ela), que a geração dela é imbatível. Pra mim, ela foi de uma infelicidade ímpar e prestou um desserviço aos compositores que pertencemos a uma geração posterior à sua.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Grafite na Agulha: 40) Meu despertar em sintonia com o de Guilherme Arantes

Cada geração tem suas emoções e a trilha sonora que embala suas paixões, mas temo que hoje, com a vulgarização da música e as facilidades de acesso digital a ela, a relação que os amantes tenham com a canção haja mudado – e pra pior. Em minha época, a canção estava intrinsecamente ligada ao ato de se apaixonar, e de forma quase religiosa, quiçá mais. É possível que eu esteja menosprezando essa relação nos dias de hoje, mas uma coisa é certa: só quem foi jovem no tempo dos vinis sabe do que estou falando. E, mais que isso, deve neste exato momento estar se lembrando com uma nostalgia danada de um punhado delas. As lembranças nos vêm às vezes com cores, cheiros, até mesmo com dores tão reais que chegam a ser quase físicas, e, obviamente, com sons de canções que parecem estar tocando no exato momento em que nos lembramos de certas passagens de nossa vida. Ah...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Crônicas Desclassificadas: 178) Os compradores de canções

Venho por esta publicamente afirmar que EU TAMBÉM compro canções! Sempre comprei desde meus primórdios de pastinha verde com letras batidas a máquina. A verdade é que eu tinha vergonha de dizer, pois tenho muitos fãs, mas meu ídolo maior, Chico Buarque, me deu coragem de dar esse grande passo. Adeus, insônia! Adeus, complexo de culpa! Adeus, análise! Adeus, confessionário! Agora, eu sou um homem livre! Eu compro canções! Aliás, falando nisso, agora que eu admiti fica muito mais fácil de conseguir vendedor; o que eu antes fazia na surdina, no câmbio negro, na calada da noite, agora posso fazer à luz do dia, sem o menor medo de ser flagrado. Posso encontrar um vendedor numa esquina e na caruda efetuar a transação sem medo de olhares de censura e reprovação. Obrigado, Chico!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A Palavra É: 17) Geminianos


Pra todo intelectual que se preze, é de bom-tom começar um texto com uma citação de alguém famoso. Apesar de eu não ser intelectual (muito menos me prezar), como vou escrever esta crônica tratando de geminianos e sei que eles têm o ego nas alturas resolvi meter um "gêmeo" nas ideias e começar parafraseando Euclides da Cunha, que dizia que "o sertanejo é, antes de tudo, um forte". Assim, digo eu que o geminiano é, antes de tudo, um ególatra. E que, entre todos eles, os humildes são os piores, pois um geminiano vaidoso quer PROVAR COMO é o suprassumo da quintessência, já um geminiano humilde faz o impossível pra que terceiros PERCEBAM COMO ele é o suprassumo da quintessência. Resumindo: os geminianos seriam deverasmente intragáveis se não fossem... maravilhosos! Em minha humilde e sagitariana opinião.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Esquerda, Volver: 7) O que não queria magoar e o injuriado

"Eu sei que já faz muito tempo que a gente volta aos princípios/ Tentando acertar o passo, usando mil artifícios/ Mas sempre alguém tenta um salto, e a gente é que paga por isso/ Fugimos pras grandes cidades, bichos do mato em busca do mito/ De uma nova sociedade, escravos de um novo rito/ Mas, se tudo deu errado, quem é que vai pagar por isso?" Estes são alguns dos preciosos versos de Bernardo Vilhena sobre melodia de um compositor que não existe mais. A canção, atualíssima, chama-se Revanche, e o dono da melodia e que já não a canta faz um tempo se chama Lobão. Sim, aquele mesmo que preferia viver dez anos a mil a viver mil anos a dez na nervosa Décadence Avec Élégance; aquele da Vida Bandida; dos Canos Silenciosos; que puxava a orelha do (e na) Mano Caetano; que...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Grafite na Agulha: 34) Um sonho em forma de show e CD

Fazia tempo que eu não publicava nada de novo nesta coluna, não por falta de material, mas por causa da escassez de tempo. Peço desculpas aos leitores e – sobretudo – aos colaboradores que estão há tempos esperando pra ver seus textos publicados. Pensando neles (e em vocês), arrumei um tempinho pra trazer pra cá esta bela homenagem feita pela carioca Danny Reis, que é cantora, compositora (parceira minha, inclusive), tradutora, revisora de texto, blogueira (visite seu blogue aqui) etc. Faltou dizer que sua homenagem em prosa mira Marianna Leporace, mas atinge também Sheila Zagury e... Edu Lobo e Chico Buarque. Mas (por falar em Edu) paremos com esse lero-lero e deixemos a menina sambar, digo, contar em paz. Ao texto:

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 153) A responsabilidade de Chico Buarque... e a de cada um de nós

Ponha-se no lugar de Chico Buarque. Não deve ser fácil estar em sua pele 24 horas por dia. Por onde vai, é seguido por olhares, flashes, cliques, cochichos, suspiros, sem contar os malas que o abordam pra pedir isso ou aquilo. Já houve até casos em entrevistas em que ele ouviu a fatídica pergunta: "Como é ser Chico Buarque 24 horas por dia?" Ora, bolas, não tem o que perguntar, vá pesquisar o entrevistado, pô! Afinal, de Chico Buarque ao padeiro da esquina, cada indivíduo está pra lá de acostumado a ser ele próprio durante todas as horas de seu dia. Quer dizer, há exceções, principalmente se você trabalha numa empresa em que precisa pôr uma máscara, virar personagem pra ascender. Mas isso é questão de foro íntimo; cada um sabe de suas ambições profissionais. Voltemos a Chico.

domingo, 12 de outubro de 2014

Grafite na Agulha: 30) "Meus Caros Amigos"

Venho por esta pedir desculpas aos leitores pelo longo hiato nas publicações desta coluna. Contudo, a volta não podia ser melhor. Corrige, inclusive, falta gravíssima nesta discoteca: a ausência de um de nossos maiores e mais queridos gênios, que outrora já foi unanimidade: Chico Buarque. E quem escreve sobre ele é meu camarada Walter Zanatta, compositor caiubista (visite sua página aqui) a quem ora apresento com suas próprias palavras: "Nasci em São Paulo numa manhã de 1963. Cresci por aqui e pelas praias da baixada santista. Frequentei salas de aula, departamentos de crédito, botequins, salões paroquiais, antros, editoras, inúmeros ambientes, mas nada de pós-graduações e MBAs. Graduei-me economista. Criei poesias, contos, crônicas e canções. Aprecio longas caminhadas a pensar, pensar, pensar..." Abaixo, Zanatta trata de sua relação com este maravilhoso disco: 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ninguém me Conhece: 70) Renato Godá, sem pressa de entender

A primeira vez que ouvi falar a respeito de Renato Godá foi lendo uma crítica na Ilustrada, caderno de cultura da Folha de São Paulo, em que Ronaldo Evangelista, tal qual Pilatos, meio que na dúvida entre absolver e lavar as mãos, batia e assoprava. O cara na foto chamava a atenção, mas a dureza dos tons de cinza, digo, Evangelista, deixava subentendido que o melhor era se afastar. Estavam lá "clichê", "charme algo forçado", "chavequeiro de mão pesada" etc. Virei a página, mudei de assunto (lavei as mãos) e esqueci o moço.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Crônicas Classificadas: 15) Um lugar ao sol

Caríssimos, o começo do ano me pegou no contrapé, e, por motivos que não vêm ao caso, tenho sido obrigado a estar um tanto relapso na manutenção deste espaço. Ideias não faltam; homenageados e canções, idem... O problema é o tempo. Claro que sei que, se não passo aqui vez em quando pra dar uma espanadinha no pó, as traças tomam conta da residência e nem se dão ao luxo de pagar o aluguel.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ninguém me Conhece: 48) Lucio Dalla, una testa piena di pensieri

Em minha adolescência tive um arremedo de paquera que não durou mais que um suspiro, mas deixou marcas profundas nel mio cuore. Apaixonei-me por uma jovem italiana que viera ao Brasil em missão religiosa. Futuramente ela se tornaria freira em clausura, o que, sinceramente, achei um desperdício, pois sua boca nascera pra mais que orações.

O fato é que la ragazza, de nome tão curto quanto poético (Tea), antes de pegar seu Alitalia rumo à solidão, presenteou-me com uma fita que a acompanhava na viagem e que continha alguns sucessos italianos, como Azzurro ("il pomeriggio è troppo azzurro e lungo per me"...), na voz do canastrão Adriano Celentano, e duas canções que me marcaram durante anos, de autoria de (e na voz de) Fabio Concato, um cantautore de voz delicada e requintadas melodias (não confundir com requentadas). Eram elas: Guido Piano e Fiore di Maggio. Essas duas canções me marcaram sobretudo porque eram as preferidas dela.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Os Manos e as Minas: 2) Meu amigo Antônio Carlos e a construção de Chico Buarque

Quando comecei o então colegial (hoje ensino médio), acabei, por afinidade, aproximando-me de um rapaz que era uma figura. Nem muito alto nem muito baixo, magro, dono de uma escandalosa gargalhada, era a simpatia em pessoa. E tinha um cabelo que insistia em crescer pros lados, o que o fazia se parecer com uma espécie de Bozo moreno. Não era exatamente bonito, mas tinha uma surreal cantada que sempre pegava as pretendidas no contrapé. Como não tinha um pingo de vergonha na cara, onde estivesse, se lhe interessasse alguma garota, aproximava-se dela com a maior naturalidade e soltava a pérola: “Oi, posso te conhecer?” Dizia isso com um sorriso de orelha a orelha. Tal gesto à queima-roupa deixava a garota, incrédula, sem ação pra dar uma negativa, e era justamente no vácuo desse momento que ele aproveitava pra lançar sua metralhadora de absurdos e fazer que ela se acabasse de rir. Simples assim. Em cinco minutos já tinha conseguido da desavisada um sim pra um cinema ou pelo menos lhe arrancara o número do telefone. Outro talento seu era o xadrez. Foi com ele que aprendi a jogar (mal). E até hoje não o venci mais que duas vezes! Em compensação, poucas vezes na vida conheci alguém tão destrambelhado no trato com a bola. Tê-lo no time era certeza de vitória (do adversário). Ah, o nome do moço: Antônio Carlos, pra turma, o Toninho.