Eu não sei nada sobre a paz. Desde que me entendo por gente, estou em guerra. Estive em guerra contra minhas raízes, contra meus prazeres, contra minha fé (posteriormente, contra a falta dela), contra minha preguiça... E isso vem de antes de eu nascer. Já na barriga de minha mãe imagino que eu estivesse em guerra pra não sair lá de dentro. Depois estive em guerra contra a escola, contra a leitura obrigatória de Machado de Assis (mais tarde eu iria entrar em guerra pra deixar de lê-lo), contra minha extrema timidez que me causava rubor e um rombo no coração. Enfim, sou um guerreiro. E, enquanto isso, bombas explodiam em várias partes do planeta. E eu, que, apesar de guerreiro de minhas causas, sempre estive em guerra contra as guerras, rezava pra que elas não chegassem até aqui pra atrapalhar as minhas.
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terça-feira, 28 de abril de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Ninguém me Conhece: 81) Sander Mecca, animal!
Taqueopariu! Velho, manja quando você vai num (a um) show? O quê que cê quer? Cê quer ser arrebatado! Cê quer que seu ânus vire do avesso (não, não tô me referindo à hemorroida), cê quer ficar arrepiado, cê quer gozar, cê quer que o cara (ou a mina) no palco propicie a redenção de todas as suas frustrações... Cê vai ali comprar uma hora e meia de vida, cê quer abastecer seu coração de adrenalina, de pletora, mora? Cê quer que, no mínimo, o show seja o máximo, tá ligado? Então, dia 22 último eu vi um show assim. E assado! Mas peraí, vamo' fazer um flechibeque: a ideia inicial era que seria só mais um show pra burguês ver no Tom Jazz, onde a breja é longuineque e o público é alforriado.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
A Palavra É: 1) Cabeça
A cabeça é o fim ou o princípio do corpo? Tudo depende do ponto de vista. Saca só: se um camarada passa a vida olhando pro chão, a impressão que temos é de que a parte mais distante de seu corpo são os pés. Seu objetivo a ser alcançado é um subsolo, um porão ou algo do gênero. Ou até, quem sabe, possa ser que aja como um avestruz e viva procurando um buraco onde enfiar a cabeça. Portanto, podemos dizer que o corpo dele principia por esta. Já há outros que vivem com a cabeça nas nuvens; estes, certamente, foram começados pelos pés e cresceram como árvores, pra cima, até chegarem à cabeça. Mas não pararam por aí, continuaram crescendo pra fora do corpo, como um invisível arranha-céu, em cujo topo, no heliponto mais especificamente, fincaram sua cabeça, meio como se fosse uma bandeira. Ou uma biruta...
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Crônicas Desclassificadas: 160) Perdido na manifestação (como cego em tiroteio)
Nesse domingo, eu disse "Hoje me vingo". Assim meio sem jeito, cobri o peito com uma estampa de Che Guevara e fui encarar Sampa, dar à tapa a cara. Já na escada, ouvi da mulher um "É piada? Tá procurando treta? Pode trocar essa camiseta!". Obediente, acedi. Acendi a luzinha da razão, meti uma regata sobre o coração – que me dizia "bata!" – e ganhei a rua, que é sua, mas também é minha, calminha! Rolava no escutador uma canção de amor (à arte) de Kléber Albuquerque que dizia que essa tal de poesia é coisa que vicia – "sou poeta que sabe que a morte é certa e ainda canta. Sou criança que sabe que a vida é dança enquanto dança. Sou artista operário operando o maquinário desse trem de ilusões. São só canções, são só canções, não valem nada, eu sei". Mas aí parei...
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Os manos e as minas: 19) Traçando um paralelo entre "A marca humana", de Philip Roth, e meu "Filho da preta!"
Eu sempre fui um cara tímido. Aliás, mais que tímido, covarde. De repente, descobri que as palavras poderiam me levar a enveredar por arriscados caminhos pelos quais eu jamais pensara que pudesse ir... E com (quase) total segurança. Foi então que elas me transformaram num fanfarrão. E assim me tornei compositor. Ou melhor, letrista de música popular (como bom covarde, minhas melodias são bissextas). Mas aí, sob o jugo da coragem de que as palavras me revestiam, inventei de escrevinhar. Primeiro, contos; depois, crônicas; e, por fim, um romance. Mas não foi algo que eu tivesse elaborado, pensado, ansiado... Foi apenas algo que acabou por ser tão natural quanto respirar, comer, defecar, trepar...
quarta-feira, 25 de março de 2015
Ninguém me Conhece: 80) Despindo a máscara de Augusto Teixeira
Começo este novo NMC colando o que escrevi em outro texto (aqui): "andei indo pouco ao Caiubi nos últimos anos, daí que ali foi chegando uma nova leva de caiubistas que me era desconhecida. Assim, numa segunda-feira dessas, animei-me e lá fui matar as saudades. Havia pouca gente, mas o ambiente, como de costume, estava dos melhores. Em determinado momento, subiu ao palco um moço que me chamou a atenção. Cantou duas belas canções, uma delas em parceria com o mano Álvaro Cueva, que não perdeu tempo em fisgar o rapaz. Ah, seu nome: Augusto Teixeira. Sugestivo, não? No final da noite, troquei algumas palavras com o moço, e ele ficou de me mandar uma melodia. Mandou-ma. Ouvindo-a, seu 'iaraiá' me sugeriu falar de Iara. Mas, como todo mundo já falou dela, resolvi inverter os papéis e fazer a nova versão da famosa sereia provar do próprio veneno."
sexta-feira, 20 de março de 2015
Crônicas Desclassificadas: 159) A eletrizante história de Lúcio, o eletrófilo

Era uma vez um casal, cujos nomes não vem ao caso revelar, até pra mantermos seu direito à privacidade. O que importa nesta história é que há muito tempo, numa noite em que o céu parecia estar cheio de eletricidade, despachando fortes relâmpagos, raios, trovões e outros aparentados, nossos pombinhos se encontravam num motel chamado Alta Voltagem, onde liberavam seus fluidos, davam vazão à química que rolava entre eles, aquela atração que faz dois corpos ocuparem o mesmo lugar num mesmo instante. Claro, este é um modo poético de dizer, afinal o local não era sempre o mesmo, dado o ato sexual ser algo que costuma ocorrer em movimento. Pra resumir, foi nessa noite que conceberam um menino que nove meses depois rebentaria e seria chamado de Lúcio.
terça-feira, 17 de março de 2015
Crônicas Desclassificadas: 158) Resumo da ópera-bufa
Tenho amigos que foram pras ruas na sexta, outros que foram no domingo, um chegou a ir em ambas ocasiões; eu, particularmente, preferi acompanhar tudo de longe (nem tão de longe assim, visto que moro e trabalho perto da Paulista), até porque nem quero o impeachment de Dilma nem quero passar a mão em sua cabeça. Ouvi dizer que muita gente recebeu pra ir pras ruas na manifestação de sexta; em compensação, na de domingo, como eu previra, lá estavam os bolsonaros, os gentilis, os lobões, as viúvas da ditadura, a elite branca e um ou outro desinformado se fazendo de senzala pra casa-grande vigente. Ah, havia também muita gente que simplesmente estava cansada de tanta corrupção. Também eu estou, mas, dada a predominância das más companhias, preferi o conforto do lar. Afinal, "dize-me com quem andas"...
quinta-feira, 12 de março de 2015
Crônicas Desclassificadas: 157) O grande "esquenta" pré-impeachment
Então, chegou o grande momento da preparação pra marcha pró-impeachment da "presidenta" Dilma. Todos têm que estar preparados, afinal, torcedor do E.C. Petralha na arquibancada reservada ao do Coxinha F.C. tá pedindo pra apanhar, né? Façamos, pois uma autoanálise desses últimos anos: o que mudou? Pobre se meteu a besta e enfiou na cachola que tinha que comprar carro zero... Moral da história? O trânsito está intransitável! Lugar de pobre sempre foi em trem lotado, pendurado em busão, se espremendo pra entrar num vagão da santa Sé... E tem mais: pobre sempre viajou pra Paraíba de busão (ou pro Ceará, pra Pernambuco et coetera) e vice-versa... Agora é um tal de pobre pegar avião, que... ninguém merece!
domingo, 8 de março de 2015
Filho da preta! – na boca dos leitores (2) – por Helena Tassara
Meu FDP! anda recebendo vários comentários positivos, não só de pessoas que admiro e que são de minhas relações, como também de desconhecidos, o que tem me deixado muito feliz. Assim, independente de atingir ou não o coração da imprensa "oficial", continuarei dando voz a esses leitores em meu espacinho. Nesta segunda edição, contudo, me vi obrigado a escolher apenas um deles, por motivos que vocês entenderão. É que recebi na verdade uma baita crítica da querida Helena Tassara, que já esteve por estas bandas quando escreveu texto sobre Belchior pra coluna Grafite na Agulha (leia aqui).
quinta-feira, 5 de março de 2015
Trinca de Ouro: 8) Gabriel de Almeida Prado, Kana (+ Vasco Debritto) e Nelson Machado
O genial Kleber Albuquerque (por quem nutro uma admiração ímpar e cuja amizade aprendi a regar qual fosse a mais rara flor – e é), após safenar seu coração (que, de tão grande, mal sabia caber dentro da caixa do peito), retorna aos palcos de coração recauchutado nesta quinta-feira, também conhecida como 5 de março de 2015 (antevéspera de seu aniversário), pra show único no Espaço Parlapatões, que dorme e acorda na charmosa (e também recauchutada) Praça Franklin Roosevelt, 158, no coração (sic) de Sampa. O evento está marcado pra começar às 21h, e é bom chegar cedo, pois a casa não comporta tantos amigos quanto cabem em seu coração. O nome do show não poderia ser mais acertado, Psicoaudiocardiograma (maiores informações aqui). E a quem vem tudo isso? Resolvi, como forma de divulgação/homenagem ao albuquerqueano mano – e motivo pra tirar da manga canções que fiz, digamos, de coração –, publicar aqui três delas que foram gravadas e tratam, direta ou indiretamente, desse vital órgão. Às ditas cujas, pois:
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