Um belo dia, minha mãe, preocupada com a violência das ruas, trancou o portão que até então vivia aberto e disse, "De hoje em diante, é daqui pra dentro!". Não podendo mais ganhar a rua, precisei usar a criatividade. Primeiro, foram os amigos imaginários; depois, a coleção de tampinhas de garrafa com rostos de personagens de Walt Disney – mais ou menos na mesma época em que surgiram em minha vida os gibis –; em seguida, apaixonei-me por livros infantis, seguidos dos infantojuvenis (pasmem!, agora é assim que se escreve); e, a partir de então, ainda que atabalhoadamente e sem critério, a leitura entrou em minha vida como se fosse uma bola de neve dentro da qual eu seria engolido e sairia ladeira abaixo, destruindo tudo o que fosse ignorância a meu redor. Acabei, na falta da chave que me abriria o portão, inventando portões outros.
Colunas
- Crônicas Desclassificadas (193)
- Ninguém me Conhece (86)
- A Palavra É (51)
- Grafite na Agulha (50)
- Crônicas Classificadas (49)
- Os Manos e as Minas (40)
- Trinca de Copas (40)
- Esquerda Volver (32)
- Textos Avulsos (28)
- Notícias de Sampa (23)
- Joaquín Sabina en Portugués (19)
- Entrevistando (15)
- Eu Não Vi Mas Me Contaram... (15)
- Um Cearense em Cuba (15)
- De Sampa a Tóquio (14)
- Trinca de Ouro (12)
- 10 textos recomendados (10)
- Cançonetas (9)
- Canções que Amo (6)
- Minhas Top5 (5)
- Versão Brasileira (5)
- Cinema & Cia. (3)
- No Embalo da Toada (3)
- A Caverna de GH (2)
- Canções em Colisão (2)
- PodCrê (2)
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Trinca de Copas: 33) Gabriel de Almeida Prado, Marcio Policastro (dose dupla) e Thiago K
1) BULEVAR SOLIDÃO
![]() |
| por Vanessa Curci |
Como já contei aqui antes, prefiro compor minhas letrinhas sobre melodias que os parceiros me mandam. Contudo, como a maioria deles me pede a letra antes pra depois musicá-la, desenvolvi uma técnica que é a seguinte: enquanto faço uma letra, vou cantarolando junto qualquer melodia, pra sentir a pulsação e a métrica dela e facilitar, assim, o trabalho de quem a vier a musicar. E, às vezes – muito raramente, admito –, calha de essa melodia-tampão soar bem a meus ouvidos. Quando isso acontece, costumo dar uma chance à pobre, e peço a ajuda de algum parceiro pra harmonizá-la e, de repente, melhorá-la. Foi o caso desta: mostrei-a (juntamente com a letra) a Policastro, e ele não só a melhorou, como ainda lhe fez uma parte B "matadora", que levou a brincadeirinha inicial a um nível profissa. Reparem se estou mentindo:
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Crônicas Classificadas: 44) Oração na garrafa
Existem críticos e críticos. Nós, compositores, precisamos muito deles, mas também estamos à mercê de seu veredicto ou, pior, de seu silêncio. A maioria deles, por medo, preguiça ou conveniência, empunha sua pena a serviço do desserviço à sociedade, tratando apenas de artistas fabricados e a troco muitas vezes de brinquedinhos eletrônicos. Claro, na maioria dos casos o que fala mais alto é o medo de perder o emprego, fatalidade a que todos estamos sujeitos. Atualmente, os críticos preferidos da grande mídia são bonequinhos de ventríloquo, sem personalidade e sem matizes. Por essas e outras, a recente perda do crítico Mauro Dias nos dói tanto; sem contar a perda do amigo, bom de prosa e de copo. Existem críticos e críticos, e Mauro, entre eles, era todo um poeta. Sua prosa sempre tecida com a palavra certa ("pra doutor não reclamar"), escolhida a dedo, retirada da grande árvore da comunicação, tinha a capacidade de valorizar ainda mais a arte de quem era alvo de seus comentários. Fica a lacuna. Mas Mauro também era um grande cronista; pra quem não o conheceu, resgato uma de suas pérolas. Oremos:
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Trinca de Copas: 32) Dose tripla de Augusto Teixeira (mais Gabriel de Almeida Prado e Guiaugusto Pacheco)
![]() |
| por Marina Tavares |
Ainda sentindo os efeitos colaterais da ressaca/preguiça pós-carnavalesca, fiquei aqui pensando em qual assunto traria pra cá, pra alimentar este meu faminto (e famigerado) bloguinho; daí, levando em conta que hoje não é um dia dos mais propícios a leituras (visto que deve haver muita gente por aí ainda pior que eu), lembrei-me de que o mano Augusto Teixeira continua com sua campanha de financiamento coletivo pra gravação de seu primeiro CD (campanha que, aliás, entra em sua fase final); então, resolvi mais uma vez escrever sobre ele (já havia escrito sobre o projeto antes, aqui), só que, desta feita, focando em mais algumas de nossas belas parcerias. Se gostar, não perca a oportunidade de contribuir e ganhar um CD que tem tudo pra ser uma belezura. Saiba mais sobre o projeto aqui: http://www.kickante.com.br/AugustoTeixeira
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Trinca de Copas: 31) Arnaldo Afonso, Edu Franco e Sonekka
1) JÉSSICA E VAL
Admiro Edu Franco desde quando o vi pela primeira vez, há 11 anos, defendendo sua hilária Seresteiro a Perigo num festival realizado pela TV Cultura. De lá pra cá, conhecemo-nos pessoalmente, tornamo-nos amigos, mas, apesar de muitas risadas, muitos porres e noitadas, a bendita da parceria nunca rolava. Batemos na trave algumas vezes; eu lhe enviei umas letras, mas não se deram com seu santo; ele me mandou uma melodia, mas eu, após uns entraves, nunca a concluí (ainda hei de); e a vida prosseguiu. Edu, grande melodista discípulo da melhor escola emepebística e não menor letrista (além de um dos mais talentosos cronistas de minha turma), sempre foi de poucos parceiros, o que acabava me deixando menos frustrado por não emplacar uma com ele.
Admiro Edu Franco desde quando o vi pela primeira vez, há 11 anos, defendendo sua hilária Seresteiro a Perigo num festival realizado pela TV Cultura. De lá pra cá, conhecemo-nos pessoalmente, tornamo-nos amigos, mas, apesar de muitas risadas, muitos porres e noitadas, a bendita da parceria nunca rolava. Batemos na trave algumas vezes; eu lhe enviei umas letras, mas não se deram com seu santo; ele me mandou uma melodia, mas eu, após uns entraves, nunca a concluí (ainda hei de); e a vida prosseguiu. Edu, grande melodista discípulo da melhor escola emepebística e não menor letrista (além de um dos mais talentosos cronistas de minha turma), sempre foi de poucos parceiros, o que acabava me deixando menos frustrado por não emplacar uma com ele.segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Os Manos e as Minas: 22) Dias de Mauro
Outra vez, minha lerdeza me impede de dar flores em vida a um camarada que, mais que ninguém, as merecia. Acabo de saber, pelas redes sociais, que o crítico musical Mauro Dias se cansou de tanto lixo travestido de música e decidiu se mudar de vez prum condomínio onde moram Tom, Vinicius, Elis, Cartola, Noel e mais um punhado de gente que, se viva estivesse, também se sentiria um tanto deslocada nesse cenário musical pós-apocalíptico que é o que se tornou a música brasileira que se ouve por aí. Aliás, Mauro foi dos primeiros que foram vitimados por ela. Crítico do Estadão de longa data, acabou sendo "saído" de lá porque as pessoas sobre as quais escrevia já não interessavam mais a uma imprensa que se preparava então pra dar no que deu hoje.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Crônicas Desclassificadas: 172) Livro das respostas
Depois que percebi que todas as aves do mundo falam a mesma língua, notei que há algo errado com os humanos. Deus existe porque caso contrário alguns iriam perder a vida, poucos o emprego e muitos a vergonha. Aliás, se o Criador quisesse ser paparicado toda hora, Ele é que seria feito a nossa imagem e semelhança. A chuva é a única que sabe chorar com dignidade. Deve ser muito solitário ser sol. Se não houvesse o mar, o céu não saberia pentear suas nuvens. Quem pintou o vinho tinto foi Baco. Não, as ovelhas não são parentes das abelhas. Nosso planeta se chama Terra porque os peixes não dominaram o mundo. Dizem que Hitler, no inferno, cheira eternamente o pó de seus mortos. Inteligentes são os bandos, que voam no céu sem precisar de líderes. Não há trilhos por onde passam as estações do ano.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Canções que Amo: 4) Affonso Moraes; Marcio Policastro; e Vicente Barreto + Celso Viáfora
1) CANTANDO EM DÓ
Ando com uma saudade arretada do Fonsão, ou Affonso Moraes – pros não íntimos –, daí, pensando nas canções que iria homenagear nesta edição do Canções que Amo, lembrei-me de sua pungente Cantando em Dó, e resolvi trazê-la pra cá, pra esta nova trinca. Affonso Moraes, o advogado do samba... ou o sambista advogado, como prefiram. Eita, cabra bom! Parceiraço meu! Tenho, aliás, a honra de tê-lo iniciado nos caminhos da arte de musicar letra. Antes de mim, o velho Affonso só costumava costurar melodias em suas próprias letras; mas eu, teimoso que só, fui lhe sugerindo uma letra aqui, outra acolá, e, quando nosso homem das leis reparou, já tínhamos um bom punhado de parcerias, pra gáudio meu.
![]() |
| Já Era Hora (2009) |
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Crônicas Desclassificadas: 171) O Brasil de Jéssica e Val
Finalmente, assisti a Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. E, pra ser sincero, foram tantos os sentimentos pelos quais fui tomado, que precisei ver pela vez segunda. Quem escreve e/ou compõe, quando se depara com um espetáculo arrebatador, costuma ser assaltado por um milhão de ideias. E foi justamente o que aconteceu comigo. Fiquei com vontade de dizer tanta coisa, que acabei vindo parar aqui sem nem saber exatamente por onde começar. Mas é sempre bom começar sendo sincero: da primeira vez que vi o filme, não chorei nem gostei do final. Só que fiquei com um desassossego tão sufocante, que me vi obrigado a repetir a dose. E aí é onde mora o busílis de uma grande obra: da segunda vez, chorei várias vezes, e ainda saquei o final; mais, tirei-lhe o chapéu que não tenho e bati palmas de pé sozinho no recinto.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Notícias de Sampa: 17) O que anda acontecendo no Teatro Imaginário da Fábrica de Caleidoscópios
![]() |
| por Drika Bourkim |
O ano da graça de 2016 começou com o pé direito. Já de cara o velho São Pedro resolveu tomar as rédeas e corrigir as lambanças alckmistas, jogando lá de cima muita água sobre a Terra da Garoa. Esperamos que os da banda de cá saibam aproveitar a generosidade do santo das três negações. Por outro lado, e por falar em banda, um bando de compositores já começou a se mobilizar pra se antecipar aos acontecimentos, atendendo a chamado irrecusável do grande Kleber Albuquerque. Explico: manjam aquele papo de "quem sabe faz a hora, não espera acontecer"? Então, o albuquerqueano mano, cansado de muito penar procurando lugares bacanas e viáveis pra apresentar por aí seu som, resolveu contra-atacar e, mandando um bem-colocado golpe abaixo da linha da cintura da burocracia das casas de espetáculo, entrou numas de make yourself.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Os Manos e as Minas: 21) A Estação Felicidade de Augusto Teixeira
Quando queremos ajudar a divulgar o trabalho de alguém, começamos destacando suas qualidades, certo? Então, pra tratar do "alguém" da vez, aproprio-me de uma frase do saudoso Zé Rodrix, que costumava dizer que "os amigos são a família que a gente escolhe". Seguindo esse raciocínio, venho por esta levantar a bola de um amigo que acaba de entrar numa empreitada que, seguramente, é uma das mais importantes de sua vida. Esse amigo é, pois, um grande irmão que, se não é de sangue, é de música, o que é tão importante quanto (se não for mais...). Trata-se de Augusto Teixeira, um parceiro que a música me deu e que é um dos caras mais gente-fina que conheço. Aliás, aproveitando-me de um neologismo da lavra de Tavito, ele é a "genteboíce" em pessoa.
Assinar:
Postagens (Atom)








