domingo, 1 de fevereiro de 2015

Trinca de Copas: 28) Augusto Teixeira, Gabriel de Almeida Prado (+ Marcio Policastro) e Sonekka

1) KAMA FRUTA
Já tratei fartamente dessa canção (aqui), publiquei inclusive uma gravação dela feita por um dos parceiros, Marcio Policastro. Contudo, recentemente recebi a gravação do outro parceiro, Gabriel de Almeida Prado, dessa feita com o luxuoso acréscimo de acordeom (tocado por Lucas Coimbra) e percussão (tocada pelo irmão daquele, Vítor Coimbra), e gostei tanto que resolvi publicar por aqui também esse registro. De quebra, sempre é tempo de homenagear as mulheres, mesmo que seja por meio de uma analogia, digamos, frutífera. No mais, acredito que mesmo quem não seja amante de mulheres ou frutas (ou mulheres-frutas) vai gostar dela (refiro-me à canção), pois, deixando a modéstia de escanteio, ficou bem bonita a danada. Ei-la:

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Filho da preta! – na boca dos leitores (1)

Todo autor, obviamente, deseja que seu livro mereça uma crítica, uma resenha ou pelo menos duas ou três linhas em algum jornal ou revista de renome. Eu não fujo à regra. Aliás, tenho me empenhado pra que tal suceda. Contudo, como – parafraseando o bom e velho Zé Simão –, quem fica parado é poste, enquanto as críticas "profissionais" não vêm, tive a feliz ideia de publicar outras críticas, estas feitas por quem realmente interessa, que são os leitores, pessoas das mais variadas profissões que se deram ao trabalho de gastar (além de seu tempo) umas quantas linhas pra tratar de meu FDP!. Alguns depoimentos foram espontâneos, outros a pedido meu, mas agradeço a todos do fundo do coração e espero que esse punhado de opiniões sensibilize novos e – sempre – bem-vindos leitores. A eles:

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Crônicas Desclassificadas: 156) A questão não é ser ou não ser Charlie

Por Mario Alberto
Eu escrevo. Escrever é minha arma. Ou pode ser meu carma. Quem sabe, meu trevo. O fato é que escrever me dá prazer. Claro, às vezes masoquista. Mas quem não é, sendo artista? Escrevo o que quero, o que me á na telha; às vezes lero-lero, às vezes só groselha. Mas vez em quando desando, e a centelha incendeia, veia adentro, verbo afora. Nessa hora, periferia vira centro, e o que me feria... unguento. E posso ir mais longe, aguento. Só estou em paz quando me atormento. É por isso que escrevo. Porque devo, e é assim que pago: causando estrago, entre um e outro trago. Sem dar trégua, pra mais de légua! A inspiração é fértil, farta. Pode ser em rima, pode ser em carta. Pode ser em cima, embaixo, até sem clima me encaixo, caibo. A palavra é meu caibro, minha clave. Escrever: eis minha palavra-chave.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Crônicas Desclassificadas: 155) Tempos de secas e molhados

Johnny de Franco/
Estadão Conteúdo
Vivemos em São Paulo famigerados templos, digo, tempos. A seca e as enchentes quase que diariamente saem no tapa pra ver quem é que leva o troféu de vilão do mês. Nessa guerra santa, diga-se, a seca já sai em vantagem, pois tem ganho de lavada (ops!) nos últimos 12 (ou serão 13?) meses. Chega a ser tragicômico ver o bravo trabalhador paulistano voltar pra casa, após um árduo (e árido) dia de produção de suor e, depois de cerca de uma hora e pico em trânsito (embora imóvel) na condição de sardinha enlatada, sair pra rua em direção ao aconchego do lar e tomar aquela chuvarada que, embora lhe encharque o esqueleto, consegue apenas deixá-lo com essa paradoxal sensação de um ser com sede, apesar de molhado. Dá até pra parafrasear o nome daquela antiga banda e dizer que hoje vivemos os tempos de "secas e molhados".

domingo, 11 de janeiro de 2015

Crônicas Desclassificadas: 154) A Comissão Nacional da Verdade vs. o "outro lado"

Um ser humano em pleno domínio de suas faculdades mentais que sai às ruas bradando pela volta da ditadura é, em minha opinião, ou mal-intencionado ou um completo imbecil. No caso do mal-intencionado, é óbvio que tem interesses particulares pra soltar tal brado; pode pertencer à família de algum militar ou ser ele próprio um (ou ainda pode ser simplesmente um inimigo da liberdade de expressão e dos direitos humanos). Se bem que também nesse caso uma coisa não exclui a outra: não é impossível (diria mais, é até provável) que ele seja igualmente um imbecil. A diferença é que se trata de um imbecil que sabe pelo que está bradando. Já o completo imbecil é, na maioria das vezes, um mal-informado, pra não dizer um ignorante... e não vou chamá-lo de quadrúpede pra não ofender a quem de direito use as quatro patas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 15) Considerações sobre o lançamento do "Filho da Preta!" + o Baile do Baleiro



Com Rennan e Marcelo, da
Reformatório: gratidão! 
Ó, ninguém é de ferro. Por isso, dei uma escapada da poluição (e do estresse) paulistana(o) e vim aqui ver como vai Santos (e vai bem, obrigado). Dei uns tchibuns, comi uns camarões, tomei outras e umas e, agora, em vez de cair num sono profundo (o dos justos), resolvi vir aqui relatar o que de mais importante me aconteceu nessa semana que acabou de acabar (escrevo no momento em que o sábado encerra seu turno e dá lugar a seu dominical rendedor). Eu podia estar dormindo, eu podia estar roncando, mas, em vez disso, estou aqui escrevendo pra vocês, meus três ou quatro (in)fiéis leitores. Mas com um diferencial: pela primeira vez, desde que inaugurei este blogue, faço-o na condição de quem pode se candidatar a uma vaga na ABL (ouvem-se risos: os meus).

sábado, 13 de dezembro de 2014

Trinca de Copas: 27) Três vivas musicais a Marcio Policastro

Poli com outro sagitariano,
o saudoso Zé Rodrix (ao fundo)
No dia de hoje, também conhecido como 13 de dezembro do ano da graça de 2014, e na boa companhia de Luiz Gonzaga, aniversaria outro querido sagitariano (como eu – refiro-me ao sagitariano, não ao querido), meu mano Marcio Policastro, o cara (ao lado de outro mano, Gabriel de Almeida Prado) com quem mais fiz música neste 2014 que dá seus últimos suspiros. Como forma de homenageá-lo (refiro-me a Poli, não ao ano, embora em relação a este eu também não tenha do que me queixar), escolhi três parcerias nossas pra publicar aqui. A elas, pois:

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Grafite na Agulha: 33) Noel Rosa

Estivesse vivo, Noel Rosa comemoraria hoje 104 anos. Quer dizer, esse "estivesse vivo" é força de expressão, pois, levando a vida que levou, mesmo que tivesse escapado da tuberculose, teria morrido de cirrose no máximo dez anos depois. Azar o nosso, que deixamos de ganhar possíveis outras centenas de obras-primas, pois Noel, com seus pouco mais de 26 anos, deixou-nos 300 e tantas canções, a maioria de qualidade indiscutível. Meu parceiro Ayrton Mugnaini Jr. escreveu sobre como a descoberta de Noel influenciou em sua obra. O paulistano Ayrton, pra quem não conhece, é jornalista, compositor, escritor, pesquisador de música popular e tradutor; tem cerca de 20 livros publicados; foi integrante dos grupos Língua de Trapo e Magazine; e é um dos produtores do programa Rádio Matraca, que passa todos os sábados na USP FM. É pouco ou quer mais? Manda bala, Ayrton!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 14) A orelha do "Filho da Preta!" – por Zeca Baleiro

Desde que me entendo por gente, sempre me acompanharam os livros. Retificando: depois que abandonei os gibis, obviamente. Acho que chega a ser quase uma dependência. Se vou à padaria e não levo um livro, parece que falta alguma peça de meu vestuário. É meio como se eu tivesse que estar preparado pra algo fora do roteiro, manjam? Exemplo: vai que o pão acabou e eu preciso esperar 15 minutos. Tendo um livro, nem vou perceber o tempo passar; já sem ele, os 15 minutos virarão uma eternidade. Sacaram? E vejam vocês: já houve ocasiões em que saí com um livro debaixo do braço, bebi até perder o centro, e acordei no dia seguinte preocupado, com medo de tê-lo esquecido... e lá estava ele, na cabeceira da cama.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Notícias de Sampa: 13) Vasco Debritto: fênix ou Sísifo?

Segundo a lei da gravidade, cair é fácil, subir é que são elas. Não à toa, existe até aquele ditado que diz que na descida todo santo ajuda. Há uns que até descem na banguela. Só que, quando o assunto é show business, aí a lógica se inverte. Sucesso e fracasso, ascensão e queda, são dois lados de uma mesma moeda que costuma cair sempre com a cara pra baixo. Assim, quando um artista está em evidência, sua subida é tão fácil, que às vezes parece que fulano é uma espécie de Super-Homem, basta socar o céu com o punho fechado e gritar "para o alto e avante!" pra sair por aí voando. Já quando a derrocada começa, aí a queda vem aos trancos e barrancos. Se bem que, se pensarmos na existência em termos de vida e morte, a descida é natural, tanto pra Frank Sinatra quanto pr'aquele anônimo cantor de barzinho.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Grafite na Agulha: 32) Las tramas y los desenlaces de Jorge Drexler... y los míos

Girei a chave, abri a porta e me deparei com um lençol amarrado feito uma trouxa. Eram roupas. Detalhe: roupas minhas! Ao redor, espalhados pelo chão, demais pertences meus, de várias categorias e espécies. Ela surgiu e, entre gritos e lágrimas, tentou me fazer entender que eu acabava de ser desincumbido de minhas funções de marido. Era uma decisão unilateral que não me deixou oportunidade de réplica. Nem precisei cumprir aviso prévio. Arranjei um carro – não lembro se de algum parente ou amigo –, joguei minhas tralhas dentro, consegui fazer que ela me deixasse ao menos escolher alguns livros e CDs, joguei-os rapidamente numa mochila e disparei rumo a um futuro incerto. Meu pai estava internado, em situação delicada; eu estava com 37 anos, desempregado, e voltava, depois de mais de dez anos, à casa que um dia fora meu lar.