terça-feira, 24 de julho de 2018

Grafite na Agulha: 47) Gilberto Gil, o último a sair do avião

Ah, Gilberto Gil... Quanta coisa podemos falar sobre você... Seu violão baianamente orgástico... sua relação sancho-panciana com o lindamente quixotesco Caetano Veloso... sua prosopopeia... sua verborragia; mas sempre a favor da melodia... seu começo rechonchudo e seu final (final?) esquálido... enfim, super-homem é você, meu mano! Sua fase petralha partindo ao meio um ser meio assim ACM ("são dois no ringue: você e você")... Tantas contradições... Tantas tradições... Seu medo de morrer (logo você, que não morrerá nunca!)... Ah, Gilberto Gil, o rei da brincadeira, o rei da confusão... Aquele abraço!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

A Palavra É: 43) Empatia

Por Francisco Daniel
Aprendi a suportar muita coisa na vida: humilhações, trabalho duro, as fatalidades do destino, o fato de não ter nascido rico, a falta de jeito com o sexo feminino etc. e tal. No entanto, nunca aprendi a lidar bem com o descaso. Claro, refiro-me àquele de outrem em relação a mim, visto que me dou às mil maravilhas com o descaso que sinto por terceiros. É neste ponto da prosa que entra nova personagem: uma amiga querida (que nem é tão próxima assim) por quem tenho grande admiração intelectual e com quem compartilho certa visão ideológica de mundo. Ela, mais na teoria; eu, mais na prática.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Oitavo aniversário d'O X do Poema

Neste 9 de julho de 2018, ano de Copa do Mundo na Rússia e de eleições na Terra Brasilis, escrevo eu por vez primeira desde lejos pra tratar do oitavo aniversário deste famigerado bloguinho (ou seria um humilde blogão?). Muita coisa aconteceu nestes mais recentes 365 dias, muitas sobre as quais escrevi aqui mesmo. Assim, como de praxe, trouxe pra esta publicação as 20  (tá, 21) que obtiveram mais visitas nesse curto (loooongo!) espaço temporal, o que não deixa de ser uma oportunidade pra que aquele leitor que ainda não teve a possibilidade de se deleitar (ou se aborrecer) com a leitura de algum pertencente a esta vintena o faça. Comemoremos juntos esta conquista, que de fracassos estamos fartos.

sábado, 30 de junho de 2018

Crônicas Desclassificadas: 193) Carta a Lionel Messi

¡Che, pibe! que mala suerte que hayas nacido en Argentina, ¿verdad? Dejame que te escriba esta cartita que me sale del corazón. Va escrita en mal español o, mejor dicho, en buen portuñol, pero, como dice un amigo brasilero, "es lo que tenemos para hoy" (né, Mecca?). Te quiero, Messito, me gustás, aunque no te sigo mucho por razones privadas. Pero te vengo a tranquilizar y decir que no, ¡no sos el culpable! ¡Para nada! Todo lo contrario. No encuentro en vos culpa ninguna. Sos todo un inocente. Y, a la vez, capaz que sea esta tu más grande culpa. Hoy día, no está permitido a ninguno eso de ser inocente. Somos todos culpables... Y yo me incluyo a mí, ¡un reculpable! Es decir, si bien que en el tribunal, como diría el gran español Joaquín Sabina, vecino tuyo, "lo niego todo".

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Esquerda, Volver: 20) Eu, política e Copa do Mundo

O futebol é o ópio do povo... Será? Essa afirmação vive em nossos corações e mentes há muito tempo. Já disseram que a religião era o ópio do povo etc. Sem entrar no mérito de se é ou não é, vou mais além: e se for? Igualmente não seriam as drogas, o álcool e as artes em geral? Alguém (mais de um) já disse que a poesia não serve pra nada. No entanto, tantos se dedica(ra)m a ela — não é, Lúcia Santos? Não é, Vlado Lima? E, afinal, num mundo tão cruel e injusto como o nosso, um pouco de ópio (no melhor dos sentidos) não seria de certa forma bem-vindo, seja em forma de religião, seja em forma de futebol, seja em forma das tantas artes que pipocam mundo afora...?

domingo, 10 de junho de 2018

A Palavra É: 42) Exílio

A terra é redonda — referimo-nos ao planeta, assim, grafemo-la com maiúscula. Um giro completo dela — a Terra, o planeta — leva 24 horas. A história se repete. Dizem que às vezes em tom de farsa. Farsante eu, como posso dizer que essa afirmação é (ou não) verdadeira? Quando muito, posso apenas afirmar que me coube viver nesta época e que tenho me esforçado pra viver bem, tanto no que diz respeito a desfrutar dela (da época) quanto no que diz respeito a ser um homem de meu tempo, com suas preocupações, seus prazeres e suas (des)culpas. Como de culpas estou até aqui (visualizem, atentos leitores), prefiro pensar em tudo o mais. No mais, como acredito em reenca(de)rnação, melhor pegar leve comigo durante a viagem desta carcaça que me coube habitar...

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Grafite na Agulha: 46) Um "engenheiro" no Japão

Sempre me disseram que sou um cara esquisito. E eu acredito, e concordo — toda vez que me olho no espelho. Sou nota dissonante no coro (geral) dos contentes. Por essas e outras, gastei mais de quatro décadas procurando os soldados pra meu exército, o de um homem só. O foda dessa busca é que, quando encontrava alguém, esse alguém fazia parte de outro exército, visto que se alistara em seu próprio... exército de um homem só. Já adolescente, quando todos gostavam de Paralamas, Titãs, Legião, eu (embora gostasse também de todos esses) viajava mais na infinita estrada de uns caras esquisitos vindos lá dos pampas, cujo cantor insistia em cantar, com a maior naturalidade, o erre gaúcho (que é igual ao de Sampa, embora — quase — todos o reneguem). O que me chamava muito a atenção neles era que, como eu, eles tinham fé cega e pé atrás.

domingo, 13 de maio de 2018

Esquerda, Volver: 19) Por mais humor (e amor) na esquerda

Há pouco tempo, meu querido amigo Julinho Camargo, figuraça, grande músico e intérprete da cena paulistana e dono do Garagem Vinil — importante QG da música independente de brasuca e que abriga, entre outras coisas, as noites autorais do Clube Caiubi de Compositores —, fez no Facebook mais uma de suas tantas brincadeiras. Sujeito bem-humorado e com boa quilometragem, soltou ele: "Cheguei à conclusão de que mulher bonita tem que pagar mais caro. Elas dão muito trabalho." Teria sido apenas mais uma inofensiva piadinha, talvez com certo quê machista, admito, mas todos que o conhecem sabem que não houve maldade ou desrespeito no comentário. Eu mesmo, quando li, praticamente o imaginei ao vivo comentando e dando em seguida uma boa gargalhada (vejam como foi aqui).

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Crônicas Desclassificadas: 192) A arte do encontro

Sonhei recentemente com o diálogo a seguir. O jeito foi acordar e transcrevê-lo. Com algumas adaptações, claro, mas só pra não dizer depois que não fiz nada.


A arte do encontro


Lá vem ela, apressada, caminhando a passos largos. Ele vai em sua direção, devagar, mãos nos bolsos e assoviando. Quando a vê, abre um sorriso de comercial de pasta de dente, como se acabasse de encontrar uma velha conhecida, e a aborda:

— Oi! Você tá indo no sentido errado. O caminho certo é por aqui.

— O quê? Como assim? Moço, desculpa, mas eu tô com pressa.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Notícias de Sampa: 22) Vlado Lima — sabe de tudo, culpado!

Quando neste sábado próximo, também conhecido como 28 de abril de 2018, meu amigo Vlado Lima estará no memorável Garagem Vinil lançando seu terceiro livro de poemas (a saber: Sabe de nada, inocente! de sua editora Sopa de Letrinhas), às 19h (com pontualidade NADA britânica), muito provavelmente eu, homem do futuro (visto que estou 12 horas à frente dos irmãos brasucas), estarei despertando pra manhã do dia seguinte em Tóquio, contudo querendo ter uma dessas máquinas de teletransporte que há (há?) por aí que me possibilite estar lá na rua Mourato Coelho, 585, Pinheiros, na velha Sampa City — ah, faltou falar que nessa mesma noite o sarau Sopa de Letrinhas estará comemorando seus 16 anos de sucesso! Das duas uma: ou virarei pro outro lado e pensarei em dormir mais um pouco, visto que será domingo, ou me levantarei e, contra minha religião, tomarei algo "mais forte" tão cedo só pra fazer um brinde ao evento e a seu sucesso.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Esquerda, Volver: 18) Lula, uma ideia

Por Francisco Proner Ramos
"Nunca antes se roubou tanto neste país" é a frase que mais ouvimos sair da boca dos inocentes úteis. Como se roubar no Brasil fosse uma novidade petista, ou melhor, petralha. O que esses inocentes não sabem é que antes do governo petista nenhum presidente deixava ir em frente qualquer investigação que ousasse chegar a seus calcanhares. Não à toa, o procurador-geral do governo FHC foi apelidado de "engavetador-geral". A História, todos sabemos, é contada pelo viés dos vencedores. Fernando Henrique Cardoso, no entanto, a menina dos olhos dos intelectuais, sociólogo, professor universitário, escritor etc., quando virou presidente pediu pra que esquecessem o que ele escrevera. Ou seja, abandonou as convicções e se deixou engolir pelo poder. Tanto, que não fez seu sucessor...