quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ninguém me Conhece: 81) Sander Mecca, animal!

Taqueopariu! Velho, manja quando você vai num (a um) show? O quê que cê quer? Cê quer ser arrebatado! Cê quer que seu ânus vire do avesso (não, não tô me referindo à hemorroida), cê quer ficar arrepiado, cê quer gozar, cê quer que o cara (ou a mina) no palco propicie a redenção de todas as suas frustrações... Cê vai ali comprar uma hora e meia de vida, cê quer abastecer seu coração de adrenalina, de pletora, mora? Cê quer que, no mínimo, o show seja o máximo, tá ligado? Então, dia 22 último eu vi um show assim. E assado! Mas peraí, vamo' fazer um flechibeque: a ideia inicial era que seria só mais um show pra burguês ver no Tom Jazz, onde a breja é longuineque e o público é alforriado.

1) It's Wonderful (Via Con Me) (Paolo Conte)

Corta! Que eu não posso falar mal da casa porque meu brou fez show lá, então recapitulemos. Caraca, meu! O que eu vi (e ouvi) lá foi uma parada com a qual fazia tempo que eu não me deparava. Resumindo mal e porcamente, me senti como quem sai de casa vazado pra ver uma luta de gladiadores. Mas não uma luta comum, tô falando de uma com direito a Russell Crowe ou a, sei lá, Mike Tyson no auge, babando e com sede. Foi um papo assim a entrada de Sander Mecca no palco. O cara parecia uma fera presa que, após uma semana sem janta, é libertada da jaula pra merendar um cristão. E merenda. Isso dá uma vaga ideia do que foi ver o show do Mecca.

Vendo-o, recarreguei meus créditos da confiança na humanidade. O cara é um puro-sangue (só que misturado – porque misturado), um cantor brasileiro do sexo masculino que interpreta como quem trepa. Dono de um timbre grave que é praticamente um negócio criminoso, o cara é nervoso (e não tá de brinques)! Falei cantor? Não, desculpa, vou corrigir: cantor ele não é, ele tá mais pra intérprete. Cantor é quem canta as notas; ele é outra coisa. É um cara que mastiga as palavras e as cospe de volta no público. Um sommelier da canção, um camarada que nasceu no espaço simonal e caiu da nave (sem paraquedas) neste planetinha metido a besta. O cara é foda com pê-agá. Vê-lo atuar é como ver Neymar fazer o que faz e ainda achar que é fácil. É ver Melodia cantar Estácio Holly Estácio.

Cê tá me inteindeindo? Explicar com palavras uma experiência sensorial é algo um tanto complicado (me vê um sonrisal). Se você nunca foi fumado por um canabi canibal não vai sacar o que o Mecca é. Eureca! Com a breca, o cara tava com a macaca! Vê-lo atuando me redimiu do 7 a 1, me senti um cidadão do (primeiro) mundo. Mecca é performático, mas não fica só petecando na grande área, muito pelo contrário, parte pra cima e faz gol de placa, saca? Encaçapa. E não dá na trave. Mesmo quando erra, faz parecer que o erro tava no script. Basicamente um streptease musical. Eu tava ainda na segunda cerveja, mas comecei a brisar como se estivesse no segundo dia de porre. Porra, mano, que show! E a banda foi um espetáculo à parte, é bom que se diga.

2) Sofre (Tim Maia)

Talento é um time entrar em campo sem nunca ter treinado e dar baile, parecer que tá entrosado. Foi assim o show. E, quando o cara tá com as nádegas viradas pra lua, tudo dá certo. As participações, por exemplo, foram um bônus dentro do plus. Quando o anfitrião é generoso, não rouba a parte do holofote que cabe ao convidado. Foi assim que puderam brilhar primeiro Vlado Lima, depois Graça CunhaVlado poetou, cantou, arrebentou. Foi penta! Graça Cunha encantou, cheia de graça. Ave, maria! Aliás, afe! E, de quebra, a "cerveja" do bolo foi o cara ter aberto o show com uma canção minha e do mano Marcio Policastro, Dia de São Nunca (que foi bisada), e, na sequência, ter emendado uma versão (também deste escriba) de canção do italiano Paolo Conte. Nem te conto!

Eu nunca fui bom em física (nem em educação física), mas sei enxergar quando rola química no bagulho. Foi assim: fui a uma quinta autoral caiubista no Julinho Bar Clube quando se comemorava o aniversário de Sonekkae meu comparsa Daniel Ramos me chamou de canto e disse: "Léo, esse cara é foda, cê tem que mandar umas músicas pra ele." O cara a quem Daniel se referia era o Mecca. Em três minutos de papo já estávamos num à-vontade de dar inveja a vesúvios. Amor à primeira vista, manja? Canja de galinha. Tão certo como dois e dois é uma música de Caetano. Bicho feio, trombada de mamute com montanha. Treta! O resultado foi que enchi de canções a caixa de mensagens do cara e ele não teve outra alternativa que não baixar a guarda e aderir à vanguarda. O resto é lêndea. 

Voltando ao show, pra finalizar, pode ser que alguém da plateia não tenha gostado, mas certamente essa pessoa não estava vendo o mesmo show que eu vi. E, ó, quer saber?, talvez eu esteja até exagerando, mas tô é achando pouco. E o maior elogio eu vou dar agora: um cara que compõe, quando vê um show bom, fica fervilhando de ideias. E eu, nessa noite, ao sair dali com os manos Vlado Lima e Gabriel de Almeida Prado, inda fiz duas músicas (a segunda só com Gabriel, pois Vlado pediu arrego). Enfim, noves fora zero, como você pôde perceber, este relato ficou um tanto nonsense, mas não pense que foi por acaso; foi de caso pensado. Até porque, como dizia Gullar (antes de ser engolido pela gula), "traduzir-se uma parte na outra parte – que é uma questão de vida ou morte" – é arte. Tudo o mais é coca com sabão em pó. Falei?

3) 86% (Vlado Lima)

PS: Dizem as más línguas que Sander Mecca foi um dos integrantes do Twister, mas, graças a Deus, já está curado. E dizem ainda que andou uns tempos detento, mas, como já dizia o Baleiro em notas de Swami, "tem nego preso na rua, tem nego solto na cela". E assunto selado. Fecha a conta, garçom.

***

8 comentários:

  1. Não conhecia, mesmo. E achei um arraso! Como, não?
    Sinto que esse, aí, tb me levaria pra Júpiter.
    Enfim, provarei....
    E cadê Dia De São Nunca?
    Quero ouvir
    O texto, eu vou dizer, mais uma vez, que tá phoda.

    Beijo Léo
    E sucesso!

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    1. Valeu, Vanessa, queridona!

      Cola lá no Tom Jazz quarta que vem, daí você assiste ao vivo à interpretação dele pra "Dia de São Nunca".

      Beijos,
      Léo.

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  2. Realmente muito legal e a gente tem mesmo que jogar no time do mano Mecca

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  3. Querido Lé Nogueira: quando a gente estuda com alguém, bota no currículo. EU vou botar no meu: Eu dei aula pro Wander Mecca!!! KKKK ele é feríssima!!! E parabéns pelo texto, um retrato bem fiel ao Wander!!!! Beijio e Luz! SUCESSSO SEMPRE!!! a todos!!!

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    1. Valeu, Tatto! Cê só trocou o Mecca pelo Lee. O nome dele é com S, não com W. rsrs

      Beijos,
      Léo.

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