quarta-feira, 2 de julho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 134) Amigos ou puxa-sacos?

A literatura, não direi de autoajuda, mas assertiva (palavra que está na moda), ensina-nos que, pra atingirmos nossos objetivos, devemos ser arrojados. Ela só não explica como perceber o limite entre o arrojo e a estupidez. Às vezes, uma abordagem mais ousada dá certo; outras vezes, resulta em dar com os burros n'água. Em contrapartida, vez em quando acertamos ao pensar duas vezes, contar até dez antes de tomar a iniciativa; já em outras ocasiões, perdemos o bonde, ficamos a ver navios. Este é um dilema pro qual ainda não encontrei resposta nem nesta nem em outras literaturas. Talvez porque ela (a resposta) varie de pessoa pra pessoa ou talvez porque mude de tempos em tempos... O que me deixa encafifado é que comigo, na maioria das vezes, ambos casos são exemplos de equívocos. Quando me apresso, como cru; quando espero, como frio.

sábado, 28 de junho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 133) Considerações sobre o Brasil nesta Copa

Sempre ouvi dizer que quem não se dá o respeito não merece ser respeitado. Este, infelizmente, tem sido o caso do Brasil. Ou, melhor dizendo, de certa parcela da população brasileira. As manifestações Brasil afora são sintomas de uma descrença geral. E eu até entendo os porquês de tal sentimento, contudo, acredito ainda em nosso país. Não a ponto de ser cego a seus problemas, mas o suficiente pra enxergar também os aspectos positivos. Muito da descrença vem da desinformação, que gera baixa autoestima e críticas exageradas, como se só aqui acontecesse isso ou aquilo. Se analisarmos, podemos facilmente chegar à conclusão de que, tirante uma ou outra peculiaridade, não somos muito diferentes do resto do planeta. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Os Manos e as Minas: 14) Esse cara é o Paulo Cesar de Araújo

Existe no mundo todo tipo de leitor, desde aqueles com gosto mais apurado, até os consumidores de autoajuda, passando pelas moçoilas que preferem tons mais acinzentados ou vampiros românticos, pelos aficionados por ficção científica, ou filosofia, ou religião... Sem falar em leitoras de revistas de fofocas ou aqueles camaradas que abrem o jornal só na página de esportes... Pra mim, pra ser sincero, creio que o ato de ler, por si só, deve ser aplaudido e incentivado. Ler é como subir uma longa escadaria: começa-se pelo degrau mais baixo e vai-se galgando degrau a degrau até a chegada ao topo. É verdade que de vez em quando bate o cansaço, daí alguns estacionam, ou mesmo retrocedem um pouco, mas tudo é válido. O mais triste é não ler. O "cara" que não lê é sempre mais facilmente manipulado... nem que seja apenas por sua própria ignorância.

domingo, 22 de junho de 2014

Grafite na Agulha: 27) Resenha – CD Benedito, de Jonathan Silva

O texto deste Grafite na Agulha foi escrito por minha amiga Nelmar Rocha, que é jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e pós-graduada em Canção Popular: Criação, Produção Musical e Performance pela Faculdade Santa Marcelina (SP). E a mulher gosta de estudar mesmo. Além disso, também é graduada em Letras pela Faculdade Metodista, de São Bernardo do Campo. Falô? Ah, aliás, ela é uma apaixonada por música. Tanto, que escreve semanalmente o boletim eletrônico Dicas Musicais, com entrevistas, reportagens, agendas e eventos ligados à música; no início dos anos 2000, produziu e fez os roteiros do programa MPB Sempre, vinculado na Rádio USP; e, eventualmente, participa de programas de rádio falando sobre canções e seus autores. Ao texto, pois:

terça-feira, 17 de junho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 132) O que penso sobre os que mandaram Dilma tomar naquele lugar

A situação no Brasil anda tensa. Manifestações pelos quatro cantos, uma galerinha mais afoita promovendo quebra-quebras, ônibus sendo incendiados, nego sendo acorrentado a poste etc. Muitas dessas situações têm sido inflamadas via redes sociais, onde o neobrasileiro vem pondo as garras de fora. Já faz parte do folclore um tempo em que o brasileiro era considerado um povo pacífico e alegre. Corrijo-me: alegre, a maioria ainda é. O Carnaval continua colorido e festivo, as torcidas nas arquibancadas seguem oferecendo um espetáculo à parte... Pensando bem, o povo continua povo. Aqueles sujeitos que madrugam, trabalham o dia inteiro, tomam uma (ou duas, ou mais...) após a jornada, torcem por seu clube, fazem amor com a patroa, garantindo a continuidade da mão de obra barata futura, e deitam cedo, merecedores do sono dos justos... esses continuam os mesmos. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Entrevistando: 7) Kana (por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa)

Neste sábado, 14 de junho, Kana fará um show dentro do projeto Show da Maria. A título de divulgação, aproveito pra publicar nO X do Poema entrevista recente concedida pela artista a Antonio Carlos, da Ritmo Melodia (originalmente publicada aqui). Sem mais, vamos a ela:

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 131) 1958 – o ano do descobrimento

A Copa que começa nesta quinta já tem seu grande vilão: a Fifa. Tirante esta, o outro grande vilão, pelo que ando lendo, é o Governo. Manifestantes Brasil afora gritam que não vai ter Copa, que precisam de melhores escolas, hospitais etc. Daí eu fico pensando naquele famoso ditado que diz que "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". Em primeiro lugar, não me lembro de ninguém se manifestando contrariamente à Copa no Brasil quando nosso país foi escolhido pra ser a sede desta edição copeira. Efeito retardado? Demorou pra cair a ficha? Em segundo lugar, noto que há certo tom político em tais manifestações, mas esses desavisados manifestantes esquecem que, fosse qual fosse o presidente eleito, nenhum deles iria se declarar contrário à realização desta no Brasil.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Crônicas Desclassificadas: 130) Japão, dez anos depois

Dez anos depois, lá estava eu de novo na Terra do Sol Nascente. Rapá, mas que emoção! Como é bom matar as saudades desse país que representa tanto pra mim! Ao sair do aeroporto e pisar o pé na rua, surpresa: em pleno fim de primavera, deparei-me com um céu nublado e os termômetros lá embaixo. Deu a impressão de que tinha voltado pra São Paulo. Já no ônibus que nos levava pra Chiba (Kana estava também, naturalmente), dou uma pescoçada pra fora e vejo uma bela balzaca dirigindo um caminhão(!). Fiquei tão embasbacado, que ela me viu e lançou um não menos belo sorriso, sem saber, me dando as boas-(re)vindas. Em pouco tempo, já estava tão familiarizado, que parecia que tinha estado lá uma semana antes. 

domingo, 1 de junho de 2014

Grafite na Agulha: 26) Com Élio Camalle, antes e depois do fim do mundo

Um CD não é apenas o que vai dentro da caixinha; sobretudo hoje em dia, é mais o que vai ao redor do disquinho. Afinal, dentro deste há apenas música, e música, convenhamos, podemos encontrar em qualquer monstrenguinho modernoso: iPod, pen drive, iPhone, celular, netbook etc. Já no CD há muito mais que isso: há capa, fotos, encarte, letras, arte gráfica, nomes de autores, músicos, arranjadores, editoras, fotógrafos... e há, nas entrelinhas, história! As canções que estão dentro do disquinho envolto em papelão ou acrílico estão ali reunidas porque fazem parte de um enredo, são membros de uma família cujo nome vai estampado na capa. E é sobre a história de uma dessas famílias que vim aqui tratar hoje. Uma família chamada Antes e Depois do Fim do Mundo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Trinca de Copas: 24) Nova dose tripla de Marcio Policastro (mais um apêndice de Carlos D'Orazio)

Tão fácil e corriqueiramente minha parceria com o mano Marcio Policastro tem acertado a mão, que resolvi dedicar-lhe novo Trinca de Copas. A primeira canção, dedico a Luciano Huck e sua camiseta bananosa; a segunda canção, Policastro dedicou a sua consorte; a terceira canção, ambos dedicamos a Lucia Helena Corrêa. À trinca, pois:

1) O NOVO PELOURINHO

Dizem que toda ação gera uma reação, toda causa tem uma consequência etc. etc. Pois bem, meu cérebro não funciona de modo diferente. À medida que certos assuntos me chamam a atenção, ele começa a trabalhar praticamente por conta própria e costuma transformar tais informações em resultados outros, terceiros, que podem vir ao mundo tanto como prosa ou verso. E foi justamente isso o que aconteceu quando tomei conhecimento do tal rapaz negro que há algum tempo foi espancado e preso a um poste. Até aí, fora o nojo que senti, nenhuma novidade; afinal, que vivemos num país atrasado não me era nenhuma novidade. O problema foi que tal acontecimento desencadeou outros idênticos, em série, Brasil afora, num arroubo burguês de sentimento de fazer justiça com as próprias mãos.

domingo, 4 de maio de 2014

Grafite na Agulha: 25) Would You believe? – The Hollies

Sydney Valle, também conhecido como Palhinha, é um artista multifacetado. Músico, compositor e arranjador de vasta "quilometragem", pode ser considerado um cidadão do mundo. Carioca, cedo se mudou pra São Paulo, e daí pra se mandar pras Oropas foi um pulinho. Viveu muitos anos em Paris (França) e também em Colônia (Alemanha). É responsável por várias trilhas de cinema, teatro e TV (além de comerciais), trabalhou com Rogério Duprat, acompanhou (e/ou gravou com) mais de cem artistas, entre eles Edison Machado, Toninho Horta, o sumido Belchior, Naná VasconcelosPery Ribeiro, Maria Creuza, Célia, Marília Medalha, Jair Rodrigues, Luiz Ayrão, Paulinho Boca de Cantor, Raul Seixas... ufa! Ah, e teve uma canção sua em parceria com Marito Correa gravada no CD deste por Caetano Veloso. Tá bom? E, na última linha de seu release consta que é parceiro também deste que lhes escreve. Por último, é bom avisar que atualmente ele, com seu quinteto, toca música instrumental três noites por semana no Julinho Clube, charmosa casa paulistana. Sydney escolheu escrever sobre os Hollies. Vamulá: