quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um Cearense em Cuba: Décimo Quarto Dia

2006
JULHO
DÉCIMO QUARTO DIA
Sábado, 1º.

Como já expliquei, há escassez de transportes em Cuba. Dessa forma, há um serviço pau-de-arara que leva as pessoas como sardinhas em lata. São, em sua maior parte, caminhões (abertos ou fechados) que entalam viventes até não caber mais mosquito, passam uma corda de lado a lado e partem, soltando uma fumaça de deixar doente quem respira. Há também um exótico mas não menos incômodo ônibus com frente de caminhão, que seria engraçado se não fosse de chorar. Quando os vejo, me dá uma saudade danada de nossos trens lotados. E fico feliz por dentro por não ter nascido cubano…

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As sacolas de plástico aqui são artigo de luxo. Quem comprar muita coisa tem que ter mãos sobressalentes.

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Último dia.
    
O café da manhã foi um almoço, do qual meu estômago, acostumado a um pãozinho com café, não deu conta. A piscina estava ótima, e, por sabermos ser último o dia, já repleto de uma precoce nostalgia. 
    
Às 11h subimos, arrumamos as malas, e ao meio-dia deixamos a habitación. 
    
O marcador do táxi que nos levou ao aeroporto marcava 34 graus. Chegando lá, após o procedimento padrão, vimos Portugal ganhar, nos pênaltis, da Inglaterra e 35 minutos do primeiro tempo minguado de Brasil 0 x 0 França.

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“…Francia ganó al Brasil por uno a cero…”
    
As palmas foram ensurdecedoras, provando que brasileiro não entende realmente nada de espanhol. Porque as palavras pronunciadas acima pelo piloto queriam dizer justamente o contrário do que se imaginou. Em português um time ganha de outro, em espanhol ganha ao outro. Foi preciso um uruguaio que estava ao nosso lado tirar os brasileiros a bordo do equívoco.
    
Confesso que, em pleno ar, e sem ver o segundo tempo da partida, não doeu muito. Foi meio aquela sensação de incredulidade, de sonho… Um sonho que durou pouco.
    
Aproximadamente duas horas depois, chegamos ao aeroporto internacional do Panamá, onde esperamos por outras duas horas de calor a partida do voo que nos levaria finalmente ao Brasil.

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O voo estava cheio de brasileiros (contei ao menos três com a camisa da seleção), muito animados (apesar da derrota), falantes e mal educados, levando bagagem de mão demais, ocupando o espaço alheio nos bagageiros, parando pra conversar no corredor atrapalhando o trabalho dos comissários de bordo, enfim, tudo dentro da normalidade. Ainda bem que apagaram as luzes e pudemos dormir um pouco.

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