quinta-feira, 19 de maio de 2016

Entrevistando: 10) Kana & Sander Mecca no Na minha Casa

O programa Na Minha Casa, de meu mano Adolar Marin, começou 2016 com o maior gás e já de cara trouxe dois artistas muito próximos a mim, Sander Mecca (parceirão, baita intérprete, visceral, "nervoso", enfim, total em cada nota; de quebra, também um inspirado, ainda que bissextamente, compositor) e Kana (minha japa do coração, charmosa, polivalente, toda empatia, cantora de timbre peculiar e compositora originalíssima). Portanto, eu não podia deixar a ocasião passar em branco, tinha que trazê-los pra cá, pra este espaço que, de uma forma ou de outra, se irmana com o projeto de Adolar.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A Palavra É: 14) Corrupção

Admito que a nova coluna de meu blogue, Esquerda, Volver, por motivos óbvios, tem ganhado mais atenção minha que as demais colunas. Mas constato isso com tristeza; preferia estar tratando mais de música, literatura, enfim, de assuntos do meio ao qual pertenço, só que os acontecimentos atuais ou me desmotivam a fazê-lo ou tornam tudo o mais coisas de somenos importância. Contudo, pra democratizar o espaço e deixar o desequilíbrio da balança um pouco menor, maquiei um assunto e o travesti de palavra pra trazê-lo pra esta coluna. Sim, caros, a palavra é a que está, aliás, tem estado na moda há pelo menos três anos: corrupção. E, mais, desde que Chico Buarque deixou de ser unanimidade em solo pátrio, é uma das poucas unanimidades por aqui. Ou seja, NINGUÉM é a favor da corrupção. Nem os corruptos (pelo menos em público)!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Esquerda, Volver: 8) O luto e a luta

Tô puto. Num mato sem cachorro. Nem sei pra onde corro. Esta quinta-feira sem eira nem beira, 12 de maio de 2016 (tá bom pra vocês?), é um dia de luto. Dia em que os filhos da puta (piratas de gravata) tomaram a pátria à força (bruta) graças a mamatas entre os trutas, com a ajuda dos otários de amarelo e do elo com um judiciário salafrário, casa de demagogos de toga onde a justiça se afoga (a ferro e fogo) mudando a seu bel-prazer as regras do jogo. Essa liga da justiça de uma figa carece de heróis no lugar de caubóis fora da lei. Em terra de sócios, quem tem quadrilha é rei (onde foi que eu errei?). Quem tem filha que a tranque em casa, quem ora assume o poder é o caralho de asas.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Esquerda, Volver: 7) O que não queria magoar e o injuriado

"Eu sei que já faz muito tempo que a gente volta aos princípios/ Tentando acertar o passo, usando mil artifícios/ Mas sempre alguém tenta um salto, e a gente é que paga por isso/ Fugimos pras grandes cidades, bichos do mato em busca do mito/ De uma nova sociedade, escravos de um novo rito/ Mas, se tudo deu errado, quem é que vai pagar por isso?" Estes são alguns dos preciosos versos de Bernardo Vilhena sobre melodia de um compositor que não existe mais. A canção, atualíssima, chama-se Revanche, e o dono da melodia e que já não a canta faz um tempo se chama Lobão. Sim, aquele mesmo que preferia viver dez anos a mil a viver mil anos a dez na nervosa Décadence Avec Élégance; aquele da Vida Bandida; dos Canos Silenciosos; que puxava a orelha do (e na) Mano Caetano; que...

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Esquerda, Volver: 6) Fragmentos de "A desobediência civil" e outros textos de Thoreau

Certa vez, estava eu assistindo a um filme antigo (cujo nome esqueci) dirigido por Douglas Sirk, quando reparei que em uma cena a personagem principal folheou meio por acaso um livro que até então repousava sobre uma mesa. Sou muito curioso em relação a capas de livros; quando estou em algum transporte coletivo e vejo alguém lendo, dou sempre uma pescoçada (in)discreta pra ver o nome. Assim, congelei a imagem na cena em que apresentava um melhor ângulo da capa do livro em questão e li Walden, Henry David Thoreau. Anotei título e autor e mais tarde fui pesquisar a respeito. Descobri que o tal de Thoreau foi um polêmico estadunidense que viveu no século XIX e era um ferrenho crítico da escravidão, do ideal de viver em função do trabalho e, sobretudo, do american way of life.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Canções que Amo: 5) Novas canções de protesto, por Fernando Cavallieri (na voz de Karina Ninni); Kleber Albuquerque + Adolar Marin; e Max Gonzaga

Nossa democracia nem bem teve tempo de crescer e aparecer e já se depara novamente – em pleno século XXI! – com artifícios da direita, que nunca soube admitir a soberania do voto e os avanços sociais e busca camuflar um novo golpe travestido de processo legal. Trata-se, obviamente, de artimanha de uma corja que só atende a interesses próprios (e de quem a mantém, por supuesto). Em nossa mais recente ditadura (até hoje, porque, como gostamos de ditaduras, não será de causar espanto se cairmos no abraço madrasto de uma nova nos próximos dias), os compositores engajados nunca se deixaram calar e compuseram uma série de clássicos que, batizados de "canções de protesto", viraram verdadeiros hinos de resistência.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Esquerda, Volver: 5) Em defesa do cuspe

Chegou o momento de o cuspe ter seus 15 minutos de fama. É um tal de cospe pra lá, cospe pra cá; e, como tudo o que tá na moda, o cuspe tem suscitado muita polêmica. Já há a turminha do pró-cuspe e a outra do contra cuspe. E eu, que nunca gostei de ficar em cima do muro e sempre procurei não passar ao largo do clamor dos mais fracos e oprimidos cuspidores, venho por esta me posicionar (salivar?) ao lado da galera da cusparada. Sim, porque o cuspe é a arma da impotência, é o digno desprezo da vítima ante um algoz mais poderoso e, não raro, injusto. O cuspe é o três-oitão do lutador pacífico, daquele que sabe que não pode contra o adversário, mas nem por isso se deixa subjugar por este. Não à toa, em espanhol cuspir significa escupir; porque cuspir não deixa de ser uma forma de esculpir.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Notícias de Sampa: 19) A música subversiva da nova MPB Universitária

O charmoso clube paulistano Garagem Vinil acolheu semana passada um show coletivo de artistas contra o golpe, que foi também marco inicial do novíssimo movimento musical MPB Universitária. Mais abaixo, um de seus membros – e seu mentor intelectual –, Edu Franco, explicará a que vem esse movimento (do qual também faço parte juntamente com Adolar Marin, Fernando Cavallieri, Kleber Albuquerque, Marcio Policastro, Marco Vilane, Max Gonzaga, Rica Soares, Ricardo Moreira e nossa musa/madrinha/produtora Solange Rocco... outros estão chegando); antes, contudo, aviso aos navegantes que nesta quinta-feira próxima, 21 de abril, não coincidentemente quando se comemora o Dia de Tiradentes, alguns dos membros do movimento sobem novamente ao palco do Garagem Vinil pra mais uma apresentação, que, ao que tudo indica, estará em cartaz nessa mesma casa em datas a confirmar. Se você estiver por aqui, venha prestigiar. Como disse o amigo Vlado Lima, não é necessário apresentar carteirinha da UNE.

sábado, 16 de abril de 2016

Esquerda, Volver: 4) O rumo dos ex-petistas

Eu, desde criança, sempre fui petista. Tive até um tio que foi candidato a vereador pelo PT. Ele não ganhou, mais tarde se desiludiu com o partido da estrelinha, pegou sua trouxa e se picou pras bandas de outros partidos. Importante frisar: outros partidos mais à esquerda que o PT. Ou seja, chutou o balde. E era justamente esse o ponto nevrálgico no qual eu queria tocar. Hoje, vemos um país dividido entre petralhas e coxinhas, tendo uma razoável parcela da sociedade sentada em cima do muro esperando a banda passar. E eu vim aqui hoje justamente conversar com você, meu amigo ex-petista. Eu também sou um ex-petista. Quem acompanha meu blogue sabe que, durante esses anos em que escrevo minhas inofensivas bobaginhas por aqui, tenho sido crítico ferrenho do governo petista.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Trinca de Copas: 34) Lalo Guanaes, Márcio Guimarães e Marcio Policastro

1) ANACORETA BLUE

Ano passado, o bróder Sander Mecca me apresentou a um músico feraça chamado Márcio Guimarães e me disse que, como este se tratava de um "monstro", acreditava que nós nos iríamos dar bem (cri, naquele momento, que ele me chamava também, de tabela, de "monstro". rsrs – putz, usei um "rsrs" num texto! Phodeu!). Fiquei com o nome do do sujeito na memória, pois, quando algum amigo faz esse tipo de apresentação, costuma dar samba. Já me havia ocorrido o mesmo tempos antes quando outro chegado, o também parceiro Daniel Ramos, numa feliz madrugada, me apresentou ao próprio Sander.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Esquerda, Volver: 3) Crônica da morte anunciada de um jornal

Quando estudava no então colegial, eu era um completo alienado. Mas não estava só; todos os meus amigos também me acompanhavam nessa alienação. Todos, menos um. Havia em minha classe um sujeito meio esquisito e um tanto arredio que foi o primeiro cara que pertenceu a meu círculo de amigos que lia jornal – era assinante da Folha de S.Paulo, ou seu pai, acho. Pra nós, era como se ele falasse russo. Toda a galera discutindo futebol, falando de mulher e balada, e lá vinha ele tratar de algum assunto que lera no jornal. Na época, eu achava que ele não tinha o que falar e por isso, pra ter algo e assim ser mais popular, repetia os temas das manchetes – ipsis litteris. Contudo, minha turma era bacana e o acolheu assim mesmo. Até porque, se alguém de fora nos olhasse de perto, acharia que éramos todos esquisitos.