Imagino Vlado com seus 12 anos, trancado no banheiro, sentado no trono em cena mezzo Shakespeare, mezzo Nelson Rodrigues, com uma Playboy na mão direita, um livro (não sei se de Fante ou Bukowski — se bem que, nessa idade, o mais provável é que fosse um gibi fuleiro) na esquerda, uma bola de capotão banguela embaixo do Kichute de bico aberto, e pensando no tal do "ser ou não ser". Eis a questão! Queria ser um mano (ainda que Brown), um intelectual, um centro-avante? Duas horas mais tarde, após inúmeras pancadas na porta desferidas por su madre, sairia ele, ainda mais indeciso do que entrara, deixando na privada o resultado de duas punhetas e trazendo dentro da cueca, em contrapartida, um projeto de poema escrito (a lápis) num papel higiênico... usado.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Grafite na Agulha: 35) Na trilha de Bob Dylan
Sam Peckinpah foi um diretor estadunidense que nos presenteou com um punhado de clássicos do cinema (Sob o Domínio do Medo, Os Implacáveis, Meu Ódio Será Sua Herança, Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia etc.). Por isso, quando, há alguns anos, fui ver Pat Garrett & Billy the Kid, minhas expectativas não eram das menores. Após o "the end", até que não achei o filme ruim, só que percebi que ele estava bem abaixo tanto da média dos faroestes (incluam-se os italianos spaghetti western) quanto da média do próprio Peckinpah. Fiquei encafifado e pensei: "Será que o problema foi minha grande expectativa?" Só que depois pesquisei a respeito e descobri que não estava só em minha decepção. Li que as exigências dos produtores acabaram prejudicando o resultado final, o que refletiu num público abaixo do esperado.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
A Palavra É: 9) Plural
Não sou capaz de jurar, mas acho que essa grande bobagem começou na época em que José Sarney herdou a presidência do Brasil e começou com aquele papo de "brasileiros e brasileiras": De lá pra cá, a coisa só piorou... Já houve entre nós um tempo em que se desejava "paz na terra aos homens de boa vontade"; um compositor popular cantava "esses moços, pobres moços"; cheguei a assistir a um clássico do faroeste que se chamava Da Terra Nascem os Homens; na literatura, fez muito sucesso por estas plagas o romance Capitães de areia; uma peça muito famosa foi intitulada Os pequenos burgueses; havia mesmo um provérbio (se não me engano, árabe) que dizia que "os cães ladram e a caravana passa"; um poeta escreveu "eles passarão, eu passarinho"; etc. etc.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
O X do Poema – 5 anos!
E não é que O X do Poema chega ao quinto ano de existência? Parece que foi ontem que comecei, atabalhoadamente, a cometer os primeiros disparates por escrito. De lá pra cá, apesar de longe ainda da excelência, sou obrigado a reconhecer que aprendi bastante acerca do ofício da escrita. A teimosia, a persistência, a força de vontade pra superar por vezes textos que ficaram à míngua e, naturalmente – e principalmente –, o tesão de escrever por escrever, todas essas coisas juntadas à liberdade de expressão que meu país logrou me possibilitar propiciaram a meu espacinho chegar a seu quinto aniversário.
sábado, 4 de julho de 2015
A Palavra É: 8) Dezesseis
O sumido Belchior costumava cantar "Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte/ Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte/ E tenho comigo pensado: Deus é brasileiro e anda do meu lado/ E assim já não posso sofrer no ano passado". Eu, apesar de não ser mais tão moço assim, poderia ter escrito esses versos, pois me considero um sujeito de sorte. Mais, considero-me mesmo um vencedor. Vindo de onde vim, passando pelos becos e presepadas por que já passei, tô no lucro. Sem falar que, salvo alguma marmelada extracampo, ainda vejo longe o fim do tempo regulamentar das batidas del mio cuore. E, assim como disse Belchior, "já não posso sofrer no ano passado".quarta-feira, 1 de julho de 2015
Crônicas Classificadas: 39) A little help, my friends
Já falei mais de uma vez isso por aqui, mas não custa repetir: considero meu camarada Edu Franco uma das inteligências mais apuradas dentre meu rol de amizades. Além de músico e compositor, versa com naturalidade e desenvoltura sobre os mais diversos assuntos. Aliás, na escrita, sua pena é toda estilosa, tanto que, até quando verborrágica (o que costuma suceder amiúde), prende-nos a atenção, e a leitura resulta prazerosa. Só lamento que Edu tenha mais talento pra teorizar que pra executar. Contudo, seus pensamentos filosóficos sempre desaguam em boas prosas. E importantes, sobretudo no meio musical – que é aquele pelo qual transitamos –, visto que estamos um tanto carentes de ideias/cabeças lúcidas que saibam, senão enxergar uma luz no fim desse interminável túnel, ao menos iluminar a escuridão.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Trinca de Copas: 29) Álvaro Cueva (+ Marcio Policastro), Augusto Teixeira e Marito Corrêa
1) CONSPIRAÇÃO
Pra ser bem sincero, tenho certo medo de redes sociais. Além do fato de passivamente nos deixarmos ser observados de modo invasivo (manjam o Grande Irmão?), noto também que ali muitas pessoas, protegidas pela distância (e muitas vezes pelo anonimato – perfis falsos, vírus etc.), acabam deixando transparecer o pior de si. Contudo, admito que, nesse quesito, as redes sociais não estão sozinhas, nem são as únicas culpadas. O ser humano, quando quer pôr pra fora seu Mr. Hyde, sempre acha motivo, local e ocasião. Aberrações à parte, acredito que é bacana nos aproveitarmos do lado bom que esses mecanismos (e a tecnologia em geral) nos oferecem.
Pra ser bem sincero, tenho certo medo de redes sociais. Além do fato de passivamente nos deixarmos ser observados de modo invasivo (manjam o Grande Irmão?), noto também que ali muitas pessoas, protegidas pela distância (e muitas vezes pelo anonimato – perfis falsos, vírus etc.), acabam deixando transparecer o pior de si. Contudo, admito que, nesse quesito, as redes sociais não estão sozinhas, nem são as únicas culpadas. O ser humano, quando quer pôr pra fora seu Mr. Hyde, sempre acha motivo, local e ocasião. Aberrações à parte, acredito que é bacana nos aproveitarmos do lado bom que esses mecanismos (e a tecnologia em geral) nos oferecem.quinta-feira, 18 de junho de 2015
Notícias de Sampa: 16) Sopa de Letrinhas, 13 anos
Caramba! Treze anos! Pense num filho que você pariu, amamentou, de quem trocou quilos de fraldas, a quem pôs pra dormir nas horas mais ingratas (e, por causa disso, passou noites em claro); daí o moleque foi crescendo, e então você teve que pensar em sua educação, sua saúde, seu vestuário, sua alimentação... Até que ele chega aos 13 anos! Pra uma criança, não é nada; mas pros pais... é uma vida de dedicação! Só que, ter filho, todo mundo tem. Desde os pais mais zelosos até aqueles picaretas que só queriam dar uma rapidinha, ou mesmo adolescentes que esqueceram a camisinha numa madrugada dessas, aos 44 do segundo tempo da balada... Mas parir poesia é outro papo!
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Grafite na Agulha: 34) Um sonho em forma de show e CD
Fazia tempo que eu não publicava nada de novo nesta coluna, não por falta de material, mas por causa da escassez de tempo. Peço desculpas aos leitores e – sobretudo – aos colaboradores que estão há tempos esperando pra ver seus textos publicados. Pensando neles (e em vocês), arrumei um tempinho pra trazer pra cá esta bela homenagem feita pela carioca Danny Reis, que é cantora, compositora (parceira minha, inclusive), tradutora, revisora de texto, blogueira (visite seu blogue aqui) etc. Faltou dizer que sua homenagem em prosa mira Marianna Leporace, mas atinge também Sheila Zagury e... Edu Lobo e Chico Buarque. Mas (por falar em Edu) paremos com esse lero-lero e deixemos a menina sambar, digo, contar em paz. Ao texto:
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Os Manos e as Minas: 20) Curiosidades sobre Louise Cerpa
Lembram aquele papo do "Menos a Luíza, que está no Canadá"? Esqueçam. A partir de sábado, quando formos a shows, baladas, festas etc. nos quais encontrarmos a galera, mais tarde vamos comentar que "estava todo mundo, menos a Louise, que está na Irlanda". É, tem muita gente bacana dando linha no pipa... Uns foram pra França, outros pros Isteites, outros pro Japão... Eu mesmo tô seriamente pensando em comprar uma chacarazinha no interior do Uruguai e viver de vinho e milongas – não, a maconha não tem nada a ver com esse desejo (risos ao fundo). Mas voltemos a Louise, que resolveu ir ver com os próprios olhos a terra do cara que escreveu aquele romance que ninguém leu e todos elogiaram – o romance, Ulisses, claro; o autor, James Joyce.domingo, 7 de junho de 2015
A Palavra É: 7) Sentido
Os homens que carecem de sentido têm sobrevivido por muitos mais anos do que os planos da Terra (e de Deus) o tinham permitido. No princípio, era o verbo, depois veio o berro, de lá pra cá tudo foi erro, inclusive o certo e o errado, o pasto e o arado, o aberto e o fechado, a floresta e o gado, a segunda e o feriado, os secos e os molhados, os vivos e os enterrados. Sem falar nos cremados... e na crème de la crème. Tudo o mais não passa de FM mal-sintonizada, o tudo e o nada, quem se afoga e quem nada, águas que passarão e águas passadas, eles passarão e eu passarinho, o caminhão e (a pedra no meio d)o caminho, os louros e os pelourinhos, os que vão e os que vinhos, os advãos e os adivinhos, os sãos e os sozinhos, os sacristãos e os sacristinhos, a lã e o linho, o Alain Fresnot e o fernet, você e eu, eu e você... juntinhos!
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