terça-feira, 22 de março de 2016

A Palavra É: 13) Verborragia

Em dias envergonhados, coro; em dias de esquecimento, decoro; em dias preguiçosos, escoro. Na roupa, me visto; na dúvida, me revisto; na concepção de meus inimigos, me malvisto. Quando tô no sol, vejo; quando tô na chuva, esbravejo; quando tô no arco-íris, percevejo. Ouvindo música, canto; bebendo vinho, decanto; cansando, recanto. Na coragem, me escondo; no medo, me expondo; na quimera, me macondo. Em seu coração, amo; em seu corpo, derramo; em sua rosa, ramo. Com pessoas, converso; com palavras, verso; com mundos, universo. Pela boca, digo; pela mente, desdigo; pelos olhos, mendigo. Verso, enfeito; poema, feito; poeta, satisfeito.

Pelo fim, começo; pelo meio, meço; pelo começo, arremesso. Quando não sei, adivinho; quando tô com fome, escrevinho; quando tô com sede, vinho. De você, preciso; de mim, indeciso; de nós, siso. No verde, paro; no amarelo, reparo; no vermelho, disparo. Da fé, cismo; da incerteza, catecismo; da descrença, sismo. Sangue, degenero; água, quero; fogo, nero. Palavra, esgrimo; frase, rimo; verbo, arrimo. De manhã, cedo; de tarde, concedo; de noite, sedo. De amar, gosto; de odiar, desgosto; de sentir, agosto. Menino, cresço; adulto, acresço; velho, decresço. Em seu peito, moro; em seu corpo, demoro; em sua alma, me aprimoro. Feliz, gargalho; triste, frangalho; vazio, bugalho.

No amanhã, penso; no ontem, dispenso; no hoje, suspenso. Irado, fero; bêbado, vocifero; prenho, prolifero. Linhas, coso; como, jocoso; porquê, belicoso. Palavras, enumero; números, aglomero; pessoas, mero. Com pétala, firo; com flor, desfiro; com jardim, prefiro. Antes, antegozo; durante, dengoso; depois, gozo. Quando imbecil, amaldiçoo; quando magnânimo, abençoo; quando só, soo. Por essa troca, anseio; em sua toca, passeio; em minha boca, seio. Algumas vezes, possuo; muitas vezes, suo; sempre, seu. A pílula, douro; o amor, ouro; a traição, touro. O mar, beiro; o rio, ribeiro; o fogo, bombeiro. Em pensamento, delibero; em sentimento, reverbero, em espanhol, ibero.

A boia, filo; o amor, fi-lo; a alegria, desfilo. Nas profundezas, mergulho; nas alturas, bagulho; na humildade, orgulho. Só, sucinto; com você, sinto; conosco, absinto. Na canção, dito; no amor, acredito; na arte, erudito. A cabeça, parafuso; o coração, confuso; o tempo, fuso. Com você, sonho; conosco, risonho; comigo, bisonho. O coração, apinho; o violão, pinho; a emoção, espinho. Liberdade, rebelo; arte, libelo; amor, belo. O medo, mutilo; a poesia, apostilo; o prazer, estilo. A iluminação, raio; o amor, contraio; a inveja, subtraio. Rima, invento; Roma, evento; rumo, vento. Emoção, inverto; pranto, subverto; riso, verto. De noite, ardo; de manhã, tardo; de tarde, Leonardo.

Na estrada da vida, curso; num palco, acanhado, discurso; numa cama king-size, urso. A infância, almoço; a maturidade, moço; a velhice, remoço. Com o perigo, bulo; com a conversa, entabulo; com a noite, perambulo. Os acontecimentos, noto; os pensamentos, anoto; o desconhecimento, ignoto. As incertezas, tripulo; das certezas, escapulo; os livros de autoajuda, pulo. A razão, iludo; a pele, veludo; a vida, ludo. Com meus fantasmas, luto; com minha solidão, reluto; com minhas dúvidas, absoluto. Com a dor, lido; com você, colido; sem você, falido. Com o mar, rio; com a terra, brio; com o céu, sombrio. Sempre, tento; às vezes, atento; nem sempre, sustento. Tudo, peço; pouco, impeço; algo, tropeço.

Pelos pés, corro; pelas mãos, escorro; pela boca, socorro. Primeiro, pingo; depois, respingo; por último, restingo. De noite, conto; de manhã, desconto; na noite seguinte; reconto. Meu desejo, estoco; sua carne, toco; minha alma, troco. De manhã, sumo; de tarde, assumo; de noite, suprassumo. Palavra, minto; eco, desminto; silêncio, faminto. Norte, tenho; centro, abstenho; sul, nortenho. Ideias, ponho; loucuras, componho; razão, oponho. Na vida, me dano; no rio, jordano; no céu, mundano. Silêncio, mudo; peixe, escamudo; palavra, tartamudo. Ninguém, incenso; nada, senso; nenhum, consenso. Peito, abro; mãos, candelabro, mente, macabro. A criança, estudo; o adulto, tudo, o velho, contudo.

Contudo, além da verborragia existem o Oswaldo Montenegro com sua Agonia; os que nascem no Brasil e os que estreiam na Bahia; chope, cerveja & cia; os filhos de ninguém e sua dinastia; a Elegia Desesperada de Vinicius e quem não se elegia; o filme de animação Fantasia; o que é "mais estranho que o cu da gia"; HomeroHerodes e heresia; quem irá, quem vai e quem ia; o "judia de mim, judia"; eu, Augusto Teixeira e A Luz de LuziaJesusJosé e a virgem MariaNorma e a Normandia; Bangu x OlariaA Sétima Profecia; quem não me quis e quem eu queria; ElisRenato Teixeira e a Romaria; os imbecis versus a sabedoria; Fernando Pessoa e a TabacariaPe. Zezinho e sua UtopiaBiquíni CavadãoVento, Ventania; quem eu perdoo e quem me xingaria; a consideração e a zombaria... E tudo isso porque o verbo se fez carne!

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PS1: Escolhi a palavra de novo, só de birra (também em italiano)...

PS2: Trilha sonora – Gal CostaMãe (Caetano Veloso).



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10 comentários:

  1. Que viagem. Da hora, Léo! :)

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    1. Valeu, anônimo(a)! Imagino quem seja... rs

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  2. Léo Nogueira...quanto Nó de palavras. ...coisa de poeta cheio de coisas e das coisas. ..
    Tô aqui do sertão da Bahia...procurando coisas pra ocupar o tempo que as pequenas coisas ocupam com sobra na querida Sampa.
    Vamos voltar a falar de parceria?
    Basta um sim e a gente reata..
    abraço menino das letras

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    1. Opa! Valeu! Pelo jeito, você deve ser um parceiro, né? Faltou assinar.

      Abraço,
      Léo.

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    2. Salve, Ito, parceirão! Saudades, meu velho! Quede tu, homem? Me escreve: leonogueira1@gmail.com

      Abração,
      Léo.

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  3. Show! Curti especialmente os ternos de rimas.

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  4. Adorei, Leozinho!!! Ótima viagem!
    Meu abraço
    érico

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