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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A Palavra É: 50) Cabelo

Foto: Kana
Quando eu era criança, tinha os cabelos de um castanho tão claro que era quase loiro (como loiro é o cabelo de minha mãe ainda hoje, praticamente sem fios brancos). E também os tinha lisos. Só que de um dia pro outro escureceram, engrossaram e se enrolaram. Quer dizer, pior que isso, na época parecia mais é que tinham se engalfinhado. Um verdadeiro ninho de ratos. Minha família costumava dizer que o que deixa um cabelo “ruim” é cabeleireiro/a que não tem mão boa. Não sei se é verdade, mas me lembro de que a mudança se deu depois que meu pai me levou pra cortar meu cabelo com um sujeito a quem não posso difamar, pois não tenho provas (embora na época tivesse muitas convicções). É possível mesmo que tudo tenha sido mera coincidência.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Crônicas Desclassificadas: 116) O olhar do ex-careca

Nem bem cheguei ao trabalho, fui chamado à sala de meu chefe, que me disse que eu estava demitido. Olhei pra ele incrédulo, como se estivesse sonhando. Ele veio com aquele papinho de contenção de gastos, crise, não era nada pessoal e blá-blá-blá. Detalhe: era pessoal. Meu chefe nunca gostou de mim (nem eu dele, é verdade), acho até que durei muito. Quando entrei, ele nem trabalhava na empresa. Meu chefe, na época, era um cara legal, tranquilo. Só que, alguns anos depois, ele se aposentou, e o chefe atual (aliás, ex-chefe, visto que estou na rua) foi o escolhido. Tenho cá pra mim que o escolheram porque era o único que não sabia fazer nada. Havia entrado fazia pouco tempo (indicado por um cliente "forte") e não se encaixava em nenhum setor, daí caiu em seu colo a chefia. E agora estava ele ali, tentando manter uma expressão séria, quando na verdade eu sabia que, por dentro, estava se divertindo à custa de minha desgraça.