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terça-feira, 8 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 169) O aniversário do filho pródigo
Era a primeira vez em 15 anos que ele ia passar o aniversário na casa dos pais. Aproveitou a viagem da esposa e lá foi, ele também numa viagem, só que de volta ao passado. Quando desceu do metrô, podia pegar um ônibus, mas, como o tempo estava agradável (fazia mesmo um friozinho bom, raro naquela estação), resolveu caminhar. A cada metro quadrado tropeçava, não em astros, mas em lembranças. Era como se visse um filme antigo, mas do fim pro começo, ou rebobinasse uma velha fita. O bairro evoluíra, era verdade – aliás, como a maioria dos bairros da cidade –, contudo ainda conseguia ver por trás do progresso as tintas desbotadas de um tempo em que, se não era tão bom quanto o de hoje, ao menos tinha a vantagem de, por meio da nostalgia, lhe fazer parecer que fora melhor.
sábado, 28 de novembro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 168) A (in)utilidade da arte e outras belezas
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| Paweł Kuczyński |
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Crônicas Classificadas: 43) A desinformação midiática deforma o brasileiro
Há alguns meses, escrevi um texto chamado O PT errou, que mereceu longa resposta de meu amigo Roney Giah, que acabei, democraticamente, publicando também por aqui (o link pra lê-lo é este). Tal diálogo gerou muitos comentários, e calhou de outro amigo se sentir motivado a escrever, por sua vez, uma resposta à resposta de Roney. Seu nome: Edu Franco. Pra ser bem sincero, essa resposta de Edu tá guardadinha aqui em meus arquivos já faz uns meses, mas, sempre quando eu pensava em publicá-la, algum assunto urgente (ou mesmo a falta de tempo) me impedia de fazê-lo. Esta semana, contudo, após os acontecimentos políticos cobertos com a tendenciosidade de sempre, acho que o texto de Edu chega em boa hora. Como em relação ao texto de Roney, antecipo que a responsabilidade pelas palavras abaixo é totalmente de Edu, que, no mais, não costuma fugir de um bom debate. Ao texto, pois:
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 167) Paris x Mariana
A morte me é um tema muito sensível. Já escrevi sobre ela diversas vezes aqui. Não à toa, um dos romances que mais mexeram comigo nos últimos anos foi justamente As intermitências da morte, de José Saramago, no qual durante um período ela (a morte) para de atuar, pra logo voltar, mas de acordo com novas regras. Confesso que o interesse pelo assunto é novidade pra mim. Como todo jovem, achei que tinha uma eternidade pela frente. Contudo, com o passar dos anos, e após ter tido contato real com a morte por mais de uma vez, de repente, do dia pra noite, dei-me conta de que sou mortal, meu tempo pra realizações pessoais é limitado. E, a partir de então, passei a vislumbrar a possibilidade de um mundo sem mim(!).
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Entrevistando: 9) Léo Nogueira (por Adolar Marin)
| foto: Fernando Freitas |
domingo, 15 de novembro de 2015
Filho da preta! – na boca dos leitores (5) – por Kléber Albuquerque
Sabe o tamanho da alegria que um autor sente quando um cara que ele admira pra caramba escreve, generosamente, umas linhas sobre seu trabalho? Se você não souber, não serei eu quem vai lhe explicar, porque, embora tal fato tenha ocorrido comigo, faltam-me palavras pra qualificar essa alegria; tudo o que ousar dizer poderá parecer pouco. Assim, deixo que as palavras falem por si. Não as minhas, obviamente; as de Kléber Albuquerque, que gostou tanto de meu livro a ponto de permitir que sua mãe o lesse (confesso: ainda não tive a coragem de induzir minha própria mãe à leitura dessas páginas, por medo de ver, "verdadeiramente", a coisa ficar preta!). No fim das contas, o amor materno sobreviveu ao ponto final (que não há) e eu ganhei este presente que ora emolduro aqui:
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Filho da preta! – na boca dos leitores (4)
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| sonho realizado de ter um livro meu na estante, entre meus livros |
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Crônicas Desclassificadas: 166) Os incendiários da arte
Escrever é, entre outras coisas, também um exercício de estilo. Não é apenas o que se quer contar, mas a forma utilizada pra fazê-lo. Claro, estou me referindo à literatura, mas podemos aplicar o mesmo raciocínio a outras artes, como, por exemplo, o cinema, a música etc. Ao vermos um filme, percebemos quando tem a "digital" de seu diretor por alguns detalhes, como a forma de manejar a câmera, a opção por sequências longas ou cortes rápidos, a utilização de cores berrantes (tão ao gosto de Almodóvar) ou desbotadas, ou ainda o preto e branco. Já quando ouvimos uma canção de João Bosco, por exemplo, logo nos primeiros acordes reconhecemos seu violão único; ou, se é de Chico, suas rimas sufocantes chamam a atenção, assim como suas aliterações e metáforas.
sábado, 24 de outubro de 2015
Grafite na Agulha: 36) Os santos e as flores de Vanusa
Acho muito difícil que haja algum brasileiro que viveu a década de 1970 e não tenha se encantado/emocionado com a voz de Vanusa e as canções interpretadas por ela. Sem falar que era uma gata (e ainda é, hoje, do alto – não de altura, claro – de seus 68 anos)! Sim, o país vivia tempos funestos, mas a música brasileira ia bem, obrigado. Pode-se dizer também que ia bem obrigada. Pensando nisso, tenho até a impressão de que, quanto mais amordaçam um compositor, mais ele descobre artifícios pra que sua arte não se cale (Cálice, por exemplo). Atualmente, apesar dessa liberdade toda, deparamo-nos com tantos compositores sem nada pra dizer... Até a outrora tão criativa MPB agora agoniza vítima de sua própria empáfia.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Trinca de Copas: 30) Augusto Teixeira, Clodoaldo Santos e Marcio Policastro
1) EVEREST
Queria ter escrito sobre Clodoaldo Santos há tempos, não só porque é um querido amigo, mas sobretudo por se tratar de um baita compositor. Conheci-o no já lendário (e saudoso) Café do Bexiga, no coração do Bixiga, bairro boêmio paulistano que ainda sobrevive, apesar das marés baixas. Clodoaldo é filho de outro baita compositor, o sergipano (é, eles existem!) Batista, que então dirigia o bar. Confesso que sinto imensas saudades da época. O Café do Bexiga era reduto da boa música, mas era, além disso, um ponto de encontro das mais variadas vertentes de compositores nordestinos que residiam em Sampa. E como Kana, minha nordestina japa, tocou lá durante homéricos fins de semana (muitos deles sob a batuta do grande Vidal França), varei noites de felicidade – num tempo em que eu podia fazer isso sem ser acometido por amnésia alcoólica.
Queria ter escrito sobre Clodoaldo Santos há tempos, não só porque é um querido amigo, mas sobretudo por se tratar de um baita compositor. Conheci-o no já lendário (e saudoso) Café do Bexiga, no coração do Bixiga, bairro boêmio paulistano que ainda sobrevive, apesar das marés baixas. Clodoaldo é filho de outro baita compositor, o sergipano (é, eles existem!) Batista, que então dirigia o bar. Confesso que sinto imensas saudades da época. O Café do Bexiga era reduto da boa música, mas era, além disso, um ponto de encontro das mais variadas vertentes de compositores nordestinos que residiam em Sampa. E como Kana, minha nordestina japa, tocou lá durante homéricos fins de semana (muitos deles sob a batuta do grande Vidal França), varei noites de felicidade – num tempo em que eu podia fazer isso sem ser acometido por amnésia alcoólica.
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