quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Filho da preta! – na boca dos leitores (4)

sonho realizado de ter
um livro meu na estante,
entre meus livros
Na próxima terça-feira, também conhecida como 17 de novembro de 2015 (se você lê estas linhas após a referida data, continue, pois os comentários abaixo ainda estarão valendo), chega a vez de levar meu Filho da preta! pra expor seu beabá ali no ABC, mais especificamente em Santo André (SP). Pra quem estiver por perto e quiser aparecer pra bater um papo comigo, ouvir um som da Kana (que fará uma pequena apresentação enquanto autografo) e, de repente, adquirir meu quixotesco romance, anote aí: o babado rolará na Casa da Palavra, que está localizada na Praça do Carmo, 171, no Centro, a partir das 19h. A entrada, obviamente, é gratuita; você só paga se achar que o verbo que vou soltar por lá vale o preço do livro. Como não poderia deixar de ser, os CDs da cantora também estarão à venda. 

Em tempo: deixo desde já meus agradecimentos a Adolar Marin, que rolou a bola pra Solange Rocco, que deu um lançamento magistral que chegou até Rosana Banharoli, que me deixou na cara do gol. Agora é comigo. Mas, antes, deixo o leitor com mais alguns depoimentos pra lá de especiais sobre o FDP!. E, naturalmente, não poderia deixar de agradecer também a esses três queridos que são Cassia Ayumi (ex-colega de revisão e amiga querida), a superparceira Luhli e o grande Vlado Lima! Agora é que são elas (e ele):


Cassia Ayumi – ex-revisora, concurseira e aspirante a escritora – pós-aprovação em concurso (apresentação feita segundo suas próprias palavras)

Oi, Léo, tudo beleza?

Se pá, você nem se lembra mais de mim, mas eu sou aquela pessoa pra quem você adorava contar os finais de livros e filmes. Eu ia te escrever antes pra dar meu parecer sobre seu filho, mas eu tô tão doida com essa minha vida de concurseira, que esqueci e, quando dei por mim, já era setembro Emoji. Primeiro, eu quero esclarecer que o fato de eu ter demorado pra ler o livro não foi por não ter gostado dele; na verdade, eu demorei mesmo pra começar a ler e quando comecei foi rapidinho.

O seu filho é lindo! Não lindo, lindo, propriamente (porque na verdade ele é bizarro), mas lindo no sentido de cumprir a função dele de crítica e chocar os pobres mortais. Apesar de não ser essa a intenção, eu ri muito com certas passagens que eram pra ser trágicas (não sei se você se lembra do meu humor negro), até cheguei a ler algumas partes pra minha amiga e tive que emprestar o livro pra ela (poderia ter falado pra ela comprar, né?).
Agora, eu vou falar o que eu não gostei do livro: EU PENSAVA EM ESCREVER UM LIVRO ASSIM Emoji! Uma história sobre um ser amoral/imoral que sempre se julgasse certo e tivesse umas interpretações fora da realidade. Agora, você acabou com isso e, se eu fizer alguma coisa nesse sentido, vai parecer sem criatividade Emoji. Feliz? Eu vou contabilizar mais essa no seu histórico e planejar uma vingança maligna Emoji. Sorte sua que eu só me lembro que você estragou o final do livro O planeta dos macacos e o do As intermitências da morte, mas eu sei que tem mais...

Ah, não passou despercebida a minha pequena colaboração na história: o cara que "comia" as galinhas e as matava.* É uma pena que eu tenha perdido o contato com a amiga que me contou isso sobre o avô dela, porque ela ia achar engraçado aparecer num livro Emoji.

Bom, acho que é isso, o e-mail ficou um pouco grande, mas você é um bom leitor!

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Luhli – cantora, compositora, poeta e escritora

Estupidez esperta
brutalidade delicada
inocência devassa
Isidoroprometeuacorrentado
devorado dia a dia por divinos abutres 
não seu fígado, mas o pau
de dar em doido
fascinou enojou peguei larguei
tornei a pegar tornei a largar
mas fui breu adentro
até o fundo do poço
pois só o fundo
só o fundo
vale o mergulho
no FILHO DA PRETA!!!!!!!!!

Parabéns!
Você conseguiu!

***

Vlado Lima – poeta, compositor e criador/organizador do sarau Sopa de Letrinhas (entre outras presepadas)

Filho da puta esse Filho da preta!! Livro cruel, amargo, 100% porrada, mas também corajoso, bem escrito e, acima de tudo, necessário.

O primeiro romance do cearense Léo Nogueira, um dos grandes letristas da atual MPB e o maior contador de lorotas de Senador Pompeu, é um soco no estômago, um beijo canibal nos mamilos, um zíper na glande.

Impossível passar indiferente pela "filosofonice" escrota do personagem principal. Na voz de Isidoro, o leitor rememora toda a sujeira, burrice e preconceito que ajudaram a escrever os 500 & tantos anos de história do nosso Brasil. No olhar de Isidoro, reverberam a tirania e a perversidade do cidadão comum, lembrando a crueldade dos personagens de Dostoiévski.

Mais que um livro, o Filho da Preta! é um espelho. Nele, reconhecemos aquele tio racista, o vizinho que bate na mulher, o amigo xenófobo. Nas imagens distorcidas do espelho do Filho da preta! – e isso é o que mais assusta – nos reconhecemos.

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*Acima, Cássia se alegra ao notar sua "pequena colaboração na história: o cara que 'comia' as galinhas e as matava". Como lhe relatei depois, infelizmente não foi o caso, visto que escrevi o livro antes de a conhecer, o que mostra que esses causos de sexo com animais são mais comuns do que sonha a fofice geral. Por último, ela me pediu pra enfatizar que a informalidade do texto foi porque se tratou de um singelo e-mail que não tinha pretensões de publicação. Acho que vocês já tinham percebido, né?

Até a Casa da Palavra! Ou a qualquer outra casa aonde a palavra nos leve. Saudações!

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PS: Tirante o evento, você tem mais três opções pra adquirir o livro: 1) entrando em contato comigo; 2) pelo site da Reformatório (aqui); ou 3) na Livraria Cultura (aqui).

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