terça-feira, 9 de julho de 2013

Texto de aniversário de três anos d'O X do Poema

Hoje O X do Poema completa três anos de existência. Como sempre, é época de balanço, autocrítica, de repensar os erros e avaliar os acertos. Nestes mais recentes 12 meses o fator de maior relevância talvez tenha sido o visível aumento de leitores e, consequentemente, visualizações de postagens. Claro que ainda se faz necessário saber usar as redes sociais como divulgação, além da chamada mala-direta, contudo, cada vez aumentam mais as visitas espontâneas, inclusive de fora do país, o que faz que muitas postagens antigas de repente apareçam nas estatísticas entre as mais visitadas da semana.


Um aspecto negativo, e que já afastou leitores, são reclamações de que exponho às vezes demasiadamente os elogiados (um ou outro leitor já me chamou a atenção acerca de tais "excessos"). Aqui, portanto, deixo minhas sinceras desculpas àqueles que porventura se sentiram expostos. Contudo, há sempre quem valorize mais as críticas que os elogios. O que acontece muitas vezes é que, da mesma forma que abuso da ironia até em relação a mim mesmo, meu senso de humor também não escolhe tons mais leves em relação aos outros. Escrevo pensando que vão entender. Mesmo porque é resultado do que sai de meu coração, não sou remunerado por ninguém pra isso, até porque, se fosse, os textos teriam outro teor. É mais ou menos como a diferença entre uma biografia autorizada e uma não autorizada. Reconheço o valor da primeira, mas a segunda não lhe é inferior, pelo contrário, e justamente por ser, como este espaço, livre.

Claro que sempre deixei (e continuo deixando) a porta aberta pra quem quisesse dialogar, ou mesmo discordar, desde que, como eu, tivesse a hombridade de se apresentar. Vez por outra alguns moleques (independente da idade, deixemos claro) surgem deixando mensagens vazias, ofendendo meus familiares e usando palavras de baixo calão, sempre protegido pelo véu do anonimato. Quando isso acontece, não penso duas vezes. Lugar de lixo é na lixeira. Não discuto com mascarados. Mas são uma minoria. No mais, se eu agradasse a todos, tiraria a credibilidade do blogue. Sou meu primeiro crítico, e, como tal, reitero, sintam-se em casa pra opinar, afinal, este espaço não significaria nada sem a boa vontade de vocês que gastam um pouco de seu precioso tempo aturando minha teclarelice.

Por último, queria avisar que descobri recentemente uma falha nas estatísticas do blogger. É o seguinte: as estatísticas mensais, semanais e diárias estão corretas, mas a que computa os dez textos mais visualizados desde o começo do blogue leva em conta apenas aqueles que tiveram um volume grande de acessos durante um curto período. Assim, por exemplo, há textos que têm acessos constantes que atingem um número superior aos dos dez mais que, contudo, não aparecem na tal lista. Descobri isso por acaso, ao notar que na página onde vejo todas as publicações aparece o número de visitas total de cada uma. Assim, o texto sobre Sérgio Sampaio, só pra dar um exemplo, tem até agora um total de 992 visualizações, mas nas estatísticas totais aparece com 504. Como divulguei ano passado com base nesse equívoco, divulgo agora, corretamente, as 20 publicações mais populares até hoje, que garimpei texto a texto. Ei-las:


20º Notícias de Sampa: 1) Declaração de amor à música paulista  (de 25/2/2012)

"É de bom-tom iniciar um texto com alguma citação. Aos inseguros (como eu) serve como uma espécie de muleta imaginária e faz o autor se sentir (muitas vezes equivocadamente) inserido no universo do citado. Partindo desse pressuposto, e como vem ao caso, começo deixando claro que estou com Fernando Pessoa e não abro: 'O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia'." [...]

"Como conhecer jamais o menino? Para conhecê-lo tenho que esperar que ele se deteriore, e só então ele estará ao meu alcance. Lá está ele, um ponto no infinito. Ninguém conhecerá o hoje dele. Nem ele próprio. Quanto a mim, olho, e é inútil: não consigo entender coisa apenas atual, totalmente atual. O que conheço dele é a sua situação: o menino é aquele em quem acabaram de nascer os primeiros dentes e é o mesmo que será médico ou carpinteiro." [...]

"Minha amiga Monika (assim mesmo, artístico, sem acento e com K) Mendonça é uma espécie de fã profissional. Começou na rua Caiubi, 420, aonde ia religiosamente (foi, inclusive, quem nos deu - a mim e a Kana - a primeira carona lá); em pouco tempo já era a, digamos, fotógrafa oficial dos eventos caiubísticos; em seguida se especializou em filmar as apresentações e disponibilizá-las no youtube." [...]

"O moço é um baita cantor, compositor, pianista, professor de canto, mágico, ator, modelo, dançarino (ops!)... Foi um dos fundadores dos Secos & Molhados, é o mentor intelectovocal das Amígdalas Cantantes, foi o único que recebeu condecoração de caiubista pelas mãos de Zé Rodrix, possui um cartão de visitas inflamável, cozinha bem, sabe tanto de itinerários que é praticamente um taxista (sic), ir a Buenos Aires pra ele é como ir ali no Brás" [...]

"Quando Zé Rodrix aprontou a última das suas e, à francesa, retirou-se do cenário, eu, estupefato, após derramar fartas lágrimas, passei a acompanhar, autômato, os noticiários na TV a seu respeito. E o que vi? Uma cobertura preguiçosa e repetitiva que carecia de profissionalismo e, assim, desrespeitava o falecido. Pensei com meus botões que a imprensa escrita, mais investigativa, trataria do assunto com mais riqueza de detalhes. Enganei-me rotundamente." [...]

"O Sopa de Letrinhas, pra quem não conhece, é um sarau (des)organizado há anos por Vlado Lima. Quem já foi sabe o que é. Quem nunca foi, lendo o texto que escrevi a respeito de seu mentor intelecnorante (Vlado Lima, 86% Mau) terá uma ligeira ideia da “bagaça”. Ou então, indo ao bar Lua Nova na última sexta-feira de cada mês (leve dentes de alho e crucifixos!). Foi justamente numa dessas noites que conheci Lúcia Santos." [...]

"'Mulher, negra, jornalista, poeta e CARIOCA!'. Foi no apartamento de outra jornalista-poeta, Guta Campos, num dos muitos saraus que esta promovia, que ouvi, à guisa de apresentação, a frase acima, da boca da própria Lucia Helena Corrêa. Lucia sem acento e Corrêa com circunflexo e sem 'i', como gosta de dizer a própria Lucia, a mulher-sigla (LHC - não confundir com FHC!)." [...]

"Quem diria? Um ano e pouco depois e o Ninguém me Conhece chega à 50ª edição! Muitos já passaram por aqui e sabe Deus quantos ainda passarão! Um fulano que recebia minhas divulgações certa vez chegou a pedir que eu excluísse seu e-mail de minha lista, caso contrário ele acabaria conhecendo o mundo inteiro! Mas, maus humores à parte, os números redondos costumam ter uma importância especial em nossa sociedade." [...]

"Eu achava que ele era meio doidinho. Ou, pelo menos, estranho. Todo dia de manhã, lá pelas seis horas, ele saía, falando sozinho, bem baixinho, como se tivesse rezando, sabe? Ele ia comprar a bengala, que naquele tempo o pão era espichado e chamavam de bengala. E lá vinha ele, de cabeça baixa; tinha a passada curta, mas era ligeiro que só. E sabe o quê? Ele tinha medo de mim. Hehehe! E eu sabia disso, então aí é que eu assustava ele mesmo." [...]

"Quando comecei a frequentar o Clube Caiubi, uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi a quase ingênua atmosfera de rebeldia, própria da juventude dos compositores e de suas canções, cheias de frescor e originalidade. Contudo, notava-se certo amadorismo. Por vezes o compositor não passava segurança na hora de interpretar sua própria canção e terminava por estragá-la. Mas isso também pertencia ao pacote 'espírito rebelde'." [...]

1Crônicas Desclassificadas: 21) Música não é futebol (de 8/9/2011)

"Um brilhante e querido parceiro em certa ocasião, em tom de desabafo, perguntou-me se íamos passar em brancas nuvens, ao que eu, sempre esperançoso e positivo, sem lhe dar tempo pra retrucar, respondi que música não é futebol. Se fôssemos aspirantes a craques da pelota, com nossas razoáveis décadas de semianonimato, poderíamos ser considerados velhos; porém, no ramo da música, estamos na flor da idade." [...]

"Este texto caberia tanto no Ninguém me Conhece quanto no Os Manos e as Minas, até mesmo no Trinca de Copas, mas calhou que o moço em questão topou participar deste meu projetinho e tascou sua (bela) interpretação de Corre, Dijo la Tortuga, assim que cá está ele no Joaquín Sabina en Portugués. Grande aquisição!" [...]

"Um dia, não sei se era belo, se era ensolarado ou chuvoso, se fazia frio ou calor, não sei nem mesmo se era dia, o que sei é que uma japa baixinha de nome curiso, Kana, com a mala numa mão e o violão na outra, pegou um avião rumo ao país da bossa nova. Não falava português. Não tinha amigos lá. Não olhou pra trás." [...]

"Por ser eu um letrista, tenho, naturalmente, uma queda por canções que contêm belos textos. Quando compro um CD, gosto de ler suas letras antes de ouvir-lhe as canções, só pra sentir, antes do musical, o impacto poético do trabalho. Claro que há melodias tão fascinantes que qualquer letra fica boa dentro delas. Quando recebo melodias assim pra letrar, sei, de antemão, que o trabalho vai ser muito facilitado (e prazeroso)." [...]

"Vlado: Onde a MPB foi parar, hein? Nóiz aqui discutindo X e Y (subtraí os nomes, visto ser uma discussão interna)? Gente, MPB Classic é um gênero morto-vivo, não rola mais. Sobrevive apenas num pequeno gueto de classe média. Já foi grande, mas hoje é irrelevante, insípida e sem conexão nenhuma com esse Brasilzão de meu deus. E nóiz, um bando de tiozinhos jurássicos encantados com internet. O último q sair tire a luz do soquete q amanhã podemos precisar. E pensar q caras como Márcio Policastro nunca vão rolar..." [...]
 
Ninguém me Conhece: 38) Daniel Gonzaga, um homem melhor de ideia (de 26/2/2011)

"A primeira vez que ouvi falar de Daniel Gonzaga foi num especial da Rede Globo em que ele apareceu, tímido, um tanto inseguro, cantando Sangrando, do pai Gonzaguinha. Tímido, sim; inseguro, sim; mas muito parecido com o pai, sobretudo no timbre e na firmeza da voz, que naquele momento parecia não lhe pertencer. Não tive como não me emocionar. De repente, atrás dele desceu um telão e lá estava o velho Luiz Gonzaga Jr. sangrando com o filho, num tardio dueto." [...]
 
Os Manos e as Minas: 1) O sagitariano Noel Rosa (de 11/12/2010)

"Quando pensava em Noel Rosa, quem me vinha à mente era um magrelo sem queixo com um cigarro na boca. Essa era toda a informação que eu possuía a respeito de um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos. E isso mesmo depois de eu já me acreditar um deles, por rabiscar e rasurar as primeiras tentativas de letras. O tempo foi passando e alguns conhecidos meus começaram a dizer que o que eu escrevia lembrava algumas letras de Noel." [...]
 
Crônicas Desclassificadas: 8) Tratado sobre o desamor (de 4/2/2011)

"Um dos maiores males que acometem a humanidade é, sem dúvida, o desamor. Chega a ser pior mesmo que o egoísmo, visto que o egoísta, se não é dotado da capacidade de dar amor, ao menos é capaz de aceitá-lo. Já quem sofre de desamor guarda no lugar do coração um pedaço de gelo seco. Ouso dizer que as guerras existem por causa de cidadãos que, detentores do poder, são portadores dessa doença." [...]

"Zé Edu Camargo nem deve se lembrar, mas aquela noite está clara como o dia em minha mente. Convidado por Élio Camalle, cheguei, junto com este, ao estúdio onde ele gravava seu CD Bicho Preto, e lá encontrei Celso Viáfora e o já citado Zé Edu, que, por sua vez, havia sido convidado por Celso a assistir à participação que este faria na canção Arsênico (de CamalleCamargo), pertencente ao supracitado disco." [...]

"Há exatos 17 anos morria o compositor 'maldito' Sérgio Sampaio, de uma crise de pancreatite. A título de curiosidade, pesquisei no arquivo da Folha de São Paulo e encontrei uma ínfima nota, escrita por free-lance, numa lateral de página dedicada aos obituários onde se lia: 'O cantor e compositor Sérgio Sampaio, 47, morreu às 5h de ontem, no Rio. Autor da música Bloco na Rua (sic), Sampaio morreu de pancreatite crônica. Ele estava internado no Hospital Quarto Centenário, no centro, desde abril. O enterro será hoje, às 10h, no Cemitério São João Batista'. Só. Como se se tratasse de um anônimo." [...]

***

13 comentários:

  1. Leozinho,
    seu blog é, sem favor, um dos espaços mais deliciosos da Internet. Certeza de conteúdo de qualidade, na forma e no estilo. Uma honra ter sido homenageada duas vezes nesses três anos... Parabéns, amigo querido!
    Lucia Helena Corrêa
    LHC, a mulher-sigla. Se beber, não escreva. E nem leia!

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    1. Queridíssimo PARCEIRÃO:
      Que seu blog continue a nos nortear sempre, dando dicas, apresentando caminhos e sugerindo soluções para nossa Arte tão descadeirada, coitadinha...
      Beijo e Luz
      Tato Fischer

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    2. Lucia e Tato, vocês são uns queridos parceiros e amigos que me ajudam a encontrar mágicas pra tentar "cadeirar" essa nossa Arte!

      Beijos agradecidos,
      Léo.

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  2. Parabéns para as suas letras que, elegantemente, desfilam neste blog! Um grade abraço!!!

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    1. Valeu, Cláudio!

      Outro grande abraço,
      Léo.

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  3. Grande Léo!
    Eu até justifico não estar entre os vinte mais lidos...
    Sou um dos vinte que mais leem!
    E aí, vc sabe que minha "humildade" me impede de ler textos sobre mim...kkkkkkk
    PARABÉNS, GRANDE LÉO!!!!!!!!!!!!
    Ah! Se a Globo não preferisse o Naldo e a Anitta... e os adolescentes não preferissem o MC Daleste...:(

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    1. Salve, Moreirinha!

      Rapá, vou te contar um segredo (só aqui entre nós): seu texto está num honroso 36º lugar, à frente de fulano, beltrano, sicrano e mais uma série de artistas de peso. Não é pouca coisa! rsrs

      Ah, por falar em MC Daleste, fiquei sabendo que ele existia (tardiamente, visto que foi assassinado) por causa de você. Imagino que deva estar aprendendo bastante com os alunos também, não? (sem "rsrs" em respeito ao morto)

      Abração,
      Léo.

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    2. Pois é,
      O que me deixou mais triste com a morte do cidadão, foi saber que meus alunos davam audiência a ele...
      Dá até vontade de jogar a toalha...:(

      (P.S: Tô praticando "Medias negras" para gravá-la decentemente aqui...)

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    3. Com relação ao primeiro assunto, Moreirinha, eu passo; já com relação ao segundo, aviso que estou ansioso.

      Abraço,
      Léo.

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  4. Parabéns, Léo!

    Sou assinante do blog, recebo e leio de muito bom grado as suas postagens.
    De vez em quando você fica muito derretido sim mas imagino que sejam em dias de muito bom humor, o que parece ser um elemento constante em sua rotina. Seja como for, ler o X sempre eleva os pensamentos e é isso que considero mais bacana em você. :)

    Bjs carinhosos

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    1. Pô, Elida, baita afago na alma! Obrigadaço!

      Beijão,
      Léo.

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