sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ninguém me Conhece: 71) Vinicius Calderoni, falando bonito


Foi no Café Piu Piu, faz alguns anos. Lembro que eu estava lá, com Kana, pra assistir ao show de lançamento do ótimo CD Já Era Hora, do não menos ótimo Affonso Moraes, compositor veterano e parceiro querido. O Piu Piu tinha o costume (acho que ainda tem, faz um tempinho que não apareço por lá) de fazer um intervalo no meio de cada show, pra faturar, claro, nada mais justo. E foi aí que o acontecimento se deu. Existem algumas canções que, de tão boas, lembramo-nos exatamente de quando e onde as ouvimos pela primeira vez. Foi o caso desta. O técnico de som da casa pôs um CD pra tocar e...

1) Vou Mandar Pastar (Vinicius Calderoni)

... e a tal canção me deixou besta (mais). Pô, não sou um leigo, ouço música pra caramba, diariamente, fuço, pesquiso, vou atrás, baixo, compro, escrevo a respeito, enfim, sou do ramo (e da rima). Contudo, admito, são poucas as canções que têm aquele algo mais que não sabemos explicar. Claro, eu sei que, mesmo que os compositores sejam falsos como eu, "são bonitas as canções". Quem sabe fazer tem o costume de fazer bem. Eu, como tenho bom gosto (pessoal e intransferível), costumo ouvir bastantes canções boas, mas são poucas as que...

... como a tal a que me ora refiro, levantam-me (saramaguianamente) do chão, num êxtase praticamente roqueiro. E olha que a tal canção estava longe de ser um rock. Ao contrário, era um samba(?). Nervoso, mas samba. Não identifiquei a voz do cantor, mas a pulsação da canção ficou martelando meu peito durante toda a segunda parte do show do Fonsão. E, curiosamente, Kana, que só pra me provocar tem o hábito de discordar de meu gosto, também caiu de amores pela dita (cuja).

Findo o show, fomos falar com o técnico de som, que nos revelou o nome da figura, de quem nunca tínhamos ouvido falar. Kana anotou num papel o nome do cantor e o título do disco, igualmente estranho. No dia seguinte fez algo que só faz quando gosta MESMO: começou a pesquisar no universo virutal, até achar o CD disponível pra compra, se não me engano no site da Fnac. Alguns dias depois chegou-nos o tal CD, Tranchã, que trazia, além da bela embalagem, ótimo conteúdo. Um petardo cortante como o nome. Era MPB, mas não era (só).

2) Trivial (Vinicius Calderoni)
Vinicius Calderoni e Tatiana Parra

E eis que, passado um período (composto), o rapaz, demos nome ao boyVinicius Calderoni, ia fazer um show no Sesc Pompeia, e Kana me arrastou pra vê-lo. E foi lá que ele me ganhou. Mal escondendo a timidez (ou a insegurança, sei lá), entrou o moço no palco, sorridente, alegre, dois ou três quilinhos a mais... Enfim, não se tratava de um Pavarotti, mas tinha um belo timbre, e belas canções. Sobretudo, o que gostei nele foi a aparência de humildade, que, aliada a certo carisma, pintava com tintas não berrantes sua persona artística.

Quando o show acabou quase fui falar com ele. Fiquei imaginando que suas melodias podiam manter uma relação não desprovida de química com minhas letras. Mas a fila das fãs pra falar com o rapaz, somada a uma mescla de orgulho e timidez de minha parte, me fez dar meia volta. Além do mais, eu tinha bebido pouco naquela noite. Mas saí de lá com um sorriso no rosto, alegre por ver que, apesar dos perrengues por que passa a música brasileira, as novas gerações não param de surgir, trazendo-lhe vigor e jovialidade.

Agora é que são elas! Há algum tempo, no intuito de direcionar atenções aos meus, escrevi o polemizado texto (sim, eu não o pretendera polêmico, mas foi por outros assim enxergado) Música Não É Futebol, obviamente querendo dizer que, ao contrário do que ocorre com os futebolistas, a carreira do compositor de 40 vai bem, obrigado (ou devia ir, já que este está, então, tinindo). Contudo, por ingenuidade, ou mesmo por não crer que este espaço tivesse tanto alcance, citei alguns nomes, entre eles o do grupo 5 a Seco, do qual faz parte nosso herói da vez, Calderoni.

Enfim, não quero pôr mais tempero nesse caldeirão (ui, essa foi péssima! Sacaram? Calderoni, caldeirão... afe! Ricardo Moreira orai por nós!), nem desenterrar defunto pra possíveis testes de DNA, já que sabemos todos das paternidades em questão. Quero apenas deixar de uma vez por todas claro que não tenho ganas nem tempo ocioso pra me envolver numa batalha geracional, que já começa perdida, aliás, porque, como cantava meu "procurado" conterrâneo, "o novo sempre vem". No mais, música não é futebol, e não estamos disputando nada. Ao contrário, estamos (ou penso que estejamos) todos do mesmo lado, vestindo uma camisa com as mesmas cores, o mesmo (não) patrocinador e o mesmo brasão.

3) Das Bocas (Vinicius Calderoni)

E posso me orgulhar de ter parceiros pertencentes a quase todas as gerações na ativa, de teens a grandfathers, de Bárbara Rodrix e Gabriel de Almeida Prado a Affonso Moraes e o recém-desencarnado Toshiro Ono (quer dizer, esse não tá mais na ativa...). Assim (na terra como no céu), pois, não me contradigo se, continuando firme em minhas convicções, afirmo que ponho fé em meu taco e no dos meus, os quais (não digo que têm muita lenha pra queimar porque poderia soar politicamente incorreto aos "verdes") estão a todo o gás, e com a conta em dia, também não discordo do mestre Chico Buarque quando celebra: "evoé, jovens à vista"!

Ah, a canção de Vinicius CalderoniVou Mandar Pastar.

"Pois só quem perde tempo é quem acha que não tem mais tempo a perder". O resto a gente tira de letra.

***

Vinicius Calderoni NÃO está no Caiubi, mas, pensando bem, o filho de Sérgio Buarque também não...

... em compensação, ele está aqui.


***

2 comentários:

  1. Vou buscar conhecer.

    Valeu a dica.

    abração,
    Denilson

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    Respostas
    1. Denílson, o rapaz é do 5 a Seco, você já deve pelo menos ter ouvido falar, não?

      Abração,
      Léo.

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