sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Crônicas Desclassificadas: 5) Sem Novidade

Dia desses ouvi de um cara que conheci um relato que achei que dava um bom conto. Hoje aproveitei o silêncio das noturnas horas pra pô-lo no papel, ou melhor, na tela. Ei-lo:



Sem Novidade

Então, nessa época eu trabalhava de segurança. Armado e o escambau. Era no esquema de 12 por 36, tá ligado? Quer dizer, eu trabalhava 12 horas e descansava 36. Ou seja, dia sim, dia não. Eu era do turno do dia. Era tranquilão, sem crise, nunca deu beó comigo. De vez em quando vinha uns noia, mas eu colava neles e mostrava a ferramenta, tá ligado?, e era sem novidade. Mas moleza mesmo era o turno da noite. A casa fechava dez horas, tá ligado?, 22 horas. Daí era só sossego. Dava pra tirar altos cochilos, só precisava fazer umas ronda de vez em quando pra cumprir com o riscado. Mas era suave. Eu sei disso porque o fulano que me rendia me contava, porque de dia não tinha essas parada de cochilo, não. Nem na hora do almoço!

Ninguém me Conhece: O 1º show

A partir das 21h da noite do dia 20 de novembro próximo (quis o deus das coincidências que caísse no Dia da Consciência Negra), no novíssimo Bagaça Botequim (que também é a nova sede das Segundas Autorais do Clube Caiubi), que fica na rua Clélia, 2023 (esquina com a Jericoacoara), no bairro da Lapa (Pompeia?), pertinho do Sesc Pompeia, minha coluna Ninguém me Conhece ultrapassará as fronteiras do mundo virtual em direção ao mundo real. Nessa noite subirão ao palco (ou serão representados por outros artistas) Celso Viáfora, Ceumar, Daisy Cordeiro, Élio Camalle, Kana, Kléber Albuquerque, Léo Nogueira, Lúcia Santos, Sonekka e Vlado Lima. A maioria deles já confirmou presença! Os telefones pra reserva são: (11) 2386-4915 e 9584-2388. E o valor da entrada pra assistir a seleta lista é apenas R$ 10! O show será filmado e futuramente será divulgado no youtube e aqui. Feita a propaganda, passemos à prosa.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ninguém me Conhece: 25) Os fragmentos intactos de Alexandre Lemos

A primeira vez que ouvi falar de Alexandre Lemos, se não me falha a memória (e ela costuma falhar!), foi numa segunda autoral no antigo Caiubi, ainda em Perdizes, pela boca de Sonekka, enquanto este apresentava as duas canções que lhe cabiam. Em dado momento, entre a primeira e a segunda canção, disse ele: “Alexandre Lemos, pra mim, é o maior compositor vivo!”. Tomei um choque. Como é que eu nem sequer conhecia um compositor que pra um parceiro chegado era simplesmente o maior vivo? Fiquei encafifado, mas o tempo passou e acabei esquecendo o dito cujo. 

sábado, 6 de novembro de 2010

Um Cearense em Cuba: Nono Dia

2006
JUNHO
NONO DIA
Lunes, 26.

Não retomei. Dormi. Livros, se não os levamos nas viagens, fazem-nos falta, se levamos, não temos tempo pra lê-los…

Hoje, após o café da manhã, fomos à Casa del Estudiante, que fica exatamente ao lado do Hotel Casagranda, do outro lado da rua. Lá acontecia um ensaio de um grupo de dança chamado Matumba (se não me engano), dedicado à música folclórica. O espetáculo, a cujo ensaio assistimos, mescla três influências da música cubana. Do lado oriental do país há a influência francesa, do lado ocidental há a africana, e há também uma outra (cuja origem esqueci completamente), todas juntas formando uma trilogia a que o espetáculo se dedica. Este grupo é muito famoso, e já viajou por vários países da Europa, além do Canadá. O diretor é rigorosíssimo, um negro pequeno, com tranças e uniforme de basquete, que certamente deve ter trocado com alguém (o uniforme, não as tranças). Ao final, coversamos com o coreógrafo, e Kana o filmou. Foi ele quem nos deu todas essas informações. A dança é muito vigorosa, pois remete às origens africanas dos cubanos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Crônicas Classificadas: 6) O elogio do amor, segundo Almodóvar

Há alguns anos, a convite de Ricardo Soares, comecei a escrever alguns textos pro site do Caiubi explicando meu processo de criação. O site foi pelos ares, mas consegui salvar alguns textos, entre eles, o que segue abaixo. Estivesse só, eu o colocaria nas Crônicas Desclassificadas, mas, como serve de prefácio pra um texto de Walter Salles, vai aqui mesmo, nas Crônicas Classificadas:

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Crônicas Desclassificadas: 4) Quarups e calados

O Brasil se baianizou. No sentido preconceituoso da frase. Ou eu não nasci de bem com a felicidade. Explico: nesta quinta-feira última, ganhei da sogra (que sogra!) uma viagem para Rio Quente-GO, um resort (ou, como dizem por lá, risórti), já que fica mais bonito assim, em inglês. Lugar maravilhoso, com muito sol e diversas piscinas de água quente natural, além de um parque aquático “mudernamente” batizado de Hot Park. O primeiro dia foi ótimo, relaxante, revigorante. Eles têm lá um método interessantíssimo que é uma espécie de cartão personalizado que cada um leva ao peito e utiliza aonde quer que vá, sem precisar se preocupar com usar dinheiro. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Crônicas Classificadas: 5) El buscador

Quando finalmente pisei numa sala de aula na tão ansiada condição de universitário, tive o prazer indescritível de conhecer a espanhola Teodora Freire, uma simpática senhora que iria ser minha professora de espanhol. Lembro-me de que estávamos no laboratório onde iriam ser ministradas as aulas. Teodora preparara-nos um áudio-livro com um conto de um escritor argentino chamado Jorge Bucay. Pus os fones, fechei os olhos e entrei numa viagem inesquecível. O conto era maravilhoso; a voz, do próprio Bucay, era grave, serena; e o mais incrível foi que consegui entender praticamente tudo!

domingo, 31 de outubro de 2010

Crônicas Classificadas: 4) Política e educação: conceitos complementares

Caramba! Como esse cara escreve! Perto dele, sinto-me como um haicaísta. E, no entanto, que delícia de ler! Neste dia de eleições, deixo de lado um pouco minhas aventuras cubanas e meus “desconhecidos” artistas do coração e adentro um terreno mais espinhoso, porém, ironicamente, cultivado justamente por um crítico musical.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ninguém me Conhece: 24) A infinita fantasia de Marito Correa

O fato de ser letrista (e não cantor) possibilitou-me conhecer muitos bons compositores e com eles "parceirar". Pra isso, valeu-me também o exercício diário de vencer os preconceitos musicais e abrir olhos e ouvidos pro novo... e pro que é considerado velho. Por conta disso pude trazer a meu convívio compositores de gerações distintas da minha e com estes construir um vínculo (não só musical). E, dentre esses parceiros da, digamos, velha guarda, tenho um carinho todo especial por Marito Correa, um compositor com C maiúsculo! E também um cara muito bom de papo, de tiradas geniais, engraçado até a medula, e partícipe de encontros etílicos, sobretudo os regados a boa música.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ninguém me Conhece: 23) Las canciones más hermosas del mundo de Joaquín Sabina

Depois de Noel Rosa, ninguém revolucionou tanto a música popular brasileira quanto Chico Buarque de Hollanda. E revolucionou sem revoluções. Amante da tradição, chegou timidamente, sem experimentalismos, mas sua aparição teve o efeito de um furacão. Claro que houve outros, inclusive os movimentos, como o da bossa nova e o da tropicália, mas o rapaz de olhos claros, sozinho, causou mais estrago na arte de se fazer canção popular. Tom Jobim foi um gênio incontestável, mas era letrista bissexto. Caetano é excelente letrista, mas se dá o luxo de errar não poucas vezes. Outros vieram, mas ainda têm que comer muito arroz com feijão pra superá-lo. De estilo inconfundível, rimas sufocantes e temas dos mais variados, Chico trouxe à canção popular uma elaboração tal que até hoje não foi superada. Apesar de o Rei ser outro, ouso dizer que o filho de seu Sérgio é o Pelé de nossa música.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ninguém me Conhece: 22) O charme melancólico de Luhli

Na época em que participava do grupo RSMB (Rede Solidária da Música Brasileira), encabeçado pelo compositor Madan, e começava a frequentar o Caiubi, ouvi falar pela primeira vez de uma tal M-Música, grupo de discussão sobre música que era uma espécie de fusão da RSMB com o Caiubi, pois possuía o elemento virtual daquele e as apresentações ao vivo deste. Só que, diferentemente destes, seu QG era no Rio. Apesar disso (ou por isso mesmo), nesse grupo havia brasileiros de várias partes do mundo, inclusive trocavam e-mails e faziam parcerias famosos e anônimos que dele participavam. Mexi uns pauzinhos e me fiz convidar, assim que, em pouco tempo, lá estava eu, trocando e-mails com amantes (e fazedores) da música dos mais variados estilos e sotaques. E foi lá que tive o privilégio de conhecer Luli, ou melhor, Luhli.