quinta-feira, 23 de maio de 2013

Notícias de Sampa: 8) Kana e banda, no show "Em Obras", no CCSP

No mais recente 20 de maio Kana ultrapassou mais 12 obstáculos em sua aventureira existência. Daí pensei que um inusitado presente (que serviria tanto pra ela quanto pra nós) seria postar aqui, na íntegra, seu mais recente show, o de lançamento do CD Em Obras (o 4º!), que aconteceu no dia 28 de março no CCSP (Centro Cultural São Paulo, na charmosa Sala Adoniran Barbosa), e contar um pouco a respeito de cada canção. Antes, apresento os feras da banda que com tanta competência a acompanhou no show: Alexandre Sengling (baixo), Chiquinho de Almeida (metais), Fabio Canella (bateria) e Liw Ferreira (guitarra e violão). Os arranjos são da própria Kana. Ah, sem falar nas participações do 4+1 e de Gabriel de Almeida Prado. Às canções, pois:

1) Em Obras (Kana - Léo Nogueira)

Canção que dá título ao disco, na verdade se trata de uma ideia original do saudoso Zé Rodrix, que certa vez disse que "os homens morrem, mas as obras são imortais". Roubei-lhe a ideia, utilizando-a pra essa melodia de Kana. Ofereci-lhe a parceria, mas ele, generoso como sempre, não fez questão. No final das contas, dedicamos o disco a ele (e a Zeca Baleiro).

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2) Depois de Amanhã (Kana - Léo Nogueira)

A gravação dessa canção já estava pronta antes do Imigrante, mas acabou ficando de fora dele, já que Vasco Debritto, o produtor do disco, preferiu que todos os arranjos fossem dele. Assim, aproveitamo-la agora. É um reggae brasuca com uma letra zen, inspirada em minhas leituras orientais. No disco, a percussão ficou a cargo do grande Douglas Alonso, a quem Kana pediu que fizesse algo meio no estilo das levadas rítmicas do ótimo CD Livro, de Caetano Veloso.

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3) O Amor Viajou (Kana - Zeca Baleiro)

Acima disse que o CD foi dedicado a Zé Rodrix e a Zeca Baleiro. A dedicação ao  já expliquei, à ao Zeca explico agora: Kana andava triste, um tanto desiludida por causa dos problemas relacionados ao (não) lançamento do CD anterior, até que, em menos de um ano, nosso camarada das balas não só fez a letra dessa bela melodia dela, como ainda a gravou, o que renovou os ânimos de minha japinha pra encarar novo desafio e dar à luz seu quarto disco. E vêm mais novidades por aí. Gracias, Zeca!

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4) Tacacá e Chachachá (Kana - Gabriel de Almeida Prado - Léo Nogueira)

Essa canção tinha uma letra minha, que eu adorava, mas Kana não. Em vez de eu me dar por vencido, capitalizei o problema, repassando a letra em questão a Gabriel de Almeida Prado, pra que este a musicasse, e, de quebra, convidando-o pra me ajudar a fazer nova letra pra essa melodia, que ficara órfã. Kana queria um tema latino, então, inspiramo-nos no roteiro de um filme argentino a que Gabriel assistira e pusemos mãos à obra. No fim, as duas letras resultaram em duas belas canções (a outra, chamada Tem Cabimento, ouça aqui)!

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5) Primeiro de Abril (Kana - Lúcia Santos)

No dia em que conhecemos a poeta Lúcia Santos, ela recitou esse poema, num Sopa de Letrinhas do chegado Vlado Lima. Kana ficou com ele na cabeça e só sossegou quando, tempos depois, tendo já estreitado laços com Lúcia, pediu-lhe autorização pra musicá-lo. Após o sinal verde da poeta, nasceu essa canção, cujo maior triunfo talvez seja a ironia da melodia quase doce contrastando com os tons carregados da letra. No CD, Lúcia participa recitando o "verso" final, e a guitarra ficou a cargo de Omar Campos.

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6) Balão (Doki Doki) (Kana - Léo Nogueira - Élio Camalle)

Uma das canções que mais nos deram alegria (e grana) até hoje. Apesar de ter uma letra em japonês e português, foi vencedora do (e único) Ribeirão Criança, nos idos de 2001, em Ribeirão Preto-SP. Canção infantil que, como a viúva Porcina, foi sem nunca ter sido. Talvez por isso seja tanto. Originalmente gravada no CD Imitação.

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7) Girassóis (Kana - Álvaro Cueva)

Kana fez essa melodia quando tinha 14 anos. Depois que a tinha enviado ao mano Cueva e que este lha devolveu com essa belíssima letra, foi que ela me disse se tratar da primeira melodia que havia feito na vida. Se eu tivesse sabido, não a teria liberado assim tão fácil. Sorte de vocês, azar o meu... É uma das canções do novo disco que mais têm agradado, não só pelo feliz resultado de música e letra, como também pelo charmoso arranjo de Kana, feito especialmente pra execução do belo violino da japonesa Nako Okano.

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8) Tara ou Brincadeira (Kana - Alê Cueva - Álvaro Cueva - Marcio Policastro - Léo Nogueira)

Um belíssimo arranjo vocal de Kana pra não menos bela canção composta a dez mãos, remanescente do tempo do saudoso 4+1, acima interpretada pelo próprio grupo, que também participou do CD. Só pra contar um pouco da história, certa vez Alê cantarolou em casa uma parte de uma melodia que caiu nas graças de Kana, que dias depois a concluiu. Minha ideia era fazer a letra sozinho, mas Álvaro e Poli a começaram sem mim, de modo que tive de me contentar em partir de onde haviam parado... E o resultado é este. Ah, Poli também jura que deu uns pitacos na melodia.

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9) Pipoca (Kana - Léo Nogueira)

Outro pequeno hit de Kana. Um olhar meu sobre a solidão de quem aparentemente tem tudo, mas não encontra sentido pra vida. Fiz essa letra após volta de viagem ao Japão. Pode-se considerar um xote, mas no disco Imitação foi gravado com um ritmo japonês parente deste.

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10) Coração (Kana - Vasco Debritto - Léo Nogueira)

Canção do Imigrante, cuja letra foi feita a quatro mãos por mim e Mr. Debritto. No disco o grande Milton Guedes fez uma generosa e especial participação.

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11) O Show do Bilhão (Kana - Léo Nogueira)

Uma crítica saramaguiana ao excesso de grana nas mãos de poucos. Resumindo: um segundo antes de um bilionário (ou outro da turma dos "lionários") morrer, pensando em toda aquela grana que vai deixar pra trás, deve ouvir o camarada de preto que tem numa das mãos uma foice sussurrar em seu ouvido: "Perdeu, playboy!"

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12) Beijo (Kana - Léo Nogueira)

Uma de nossas canções mais populares, gravada no primeiro disco de Kana, Do Japão ao Ceará.

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13) Bye Bye Japão (Kana - Léo Nogueira)

Parece mentira, mas somente agora (finalmente!) tomamos vergonha na cara e fizemos uma gravação em vídeo de Bye Bye Japão, esse xote que foi nosso primeiro minissucesso, vencedor da Fampop de Avaré no já longínquo 1999, defendido então por Kana e Élio Camalle e gravada por ambos dois anos depois no Do Japão ao Ceará. Agora, na escalação, uma ligeira alteração, Gabriel de Almeida Prado no lugar do centroavante recém-contratado por um time parisiense.

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14) O Fim do Fim do Mundo (Kana - Léo Nogueira - Gabriel de Almeida Prado - Élio Camalle)

Como o próprio título diz, trata-se de uma brincadeira que fizemos em "homenagem" a todos os fins do mundo que aconteceram até hoje. Uma ideia da Kana abraçada por três cavaleiros-letristas do pré-pós-apocalipse. Ecos de Assis Valente não são mera coincidência.

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15) Cartão-Postal (Kana - Léo Nogueira).

Um charmoso e sofisticado (como de costume) samba de Kana, também anterior ao Imigrante e só agora aproveitado. Aliás, embora ela não concorde, seus sambas são de brasileiríssima inspiração. A letra deste fiz sob a ótica feminina. Se ela é japonesa e faz samba, por que eu não poderia fazer letras buarqueanamente femininas? Consideradas as distâncias, claro...

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Esta postagem não seria possível sem a dedicação e o profissionalismo da equipe formada por José Augusto, Fabiano King, Dalilah Britto e Gabriel Silveira, responsável pelos vídeos e fotos acima postados (aqui um pouco mais do trabalho deles: JR Vídeos e Produções e Fakic Brasil). Agradecimentos também a Nilson e todo o pessoal do CCSP



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4 comentários:

  1. Tudo muito lindo !!! adoro o amor viajou !!!

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  2. Eu estava là!!!! Adorei! BeijoZ

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    1. Grande presença!

      Saudades de vocês!

      Beijos,
      Léo!

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